06 fevereiro 2021

As cores de Matusahila – José Luís Lira (*)

   Matusahila Pereira de Sousa ou, simplesmente, Matusahila Santiago, nasceu no dia de Santa Dorotéia, virgem e mártir, aclamada a Santa das Flores, seis de fevereiro. A Santa era nobre e bem educada. Viveu em Cesaréia, capital da província romana da Capadócia e foi martirizada por ser cristã no ano de 304 d.C., vítima das perseguições do Imperador Diocleciano.

     Foi na festa desta Santa que Deus mandou à terra Matusahila. Seu pai lhe escolheu um nome único, mostrando que a filha seria especial não só para ele, Sr. João Elmiro e Dona Olga, mas para todos os que com ela viessem a conviver.

    Matusahila herdou de sua Santa protetora, Santa Dorotéia, a nobreza e a educação e, ainda, o amor pelas flores. Era raro encontrá-la sem uma flor ornando sua beleza. Fátima Lemos lhe escreveu uma linda crônica sobre suas rosas, em sua partida. Ainda é difícil para mim sobre ela escrever. Ela possuía uma capacidade de radiografar a alma humana. 

    Relembro de suas cores: amarela (sua preferida), azul, preto, verde e vermelho.  A cor amarela representa leveza, descontração, otimismo. Simboliza criatividade, juventude e alegria. O azul produz segurança, compreensão. Propicia saúde emocional e representa lealdade, confiança e tranquilidade. O preto, segundo a tradição, permite a autoanálise, a introspecção, pode significar, também, dignidade, estando associada à inteligência e ao mistério. O verde simboliza esperança, perseverança, calma, vigor e juventude.  O vermelho ativa e estimula, significando elegância, paixão, conquista, requinte e liderança. 

    Estas, para mim, eram as cores de Matusahila que da cor amarela tinha a leveza e o otimismo que a faziam alegre e jovem sempre; a segurança, compreensão e lealdade do azul que fazia com que nela encontrássemos um porto seguro e tranquilo; do preto, a dignidade, a inteligência e o mistério; do verde, a esperança, a perseverança que não a fez nunca desistir de um intento ou de um projeto; finalmente, o vermelho era ela própria: elegância, paixão, conquista, requinte e liderança. 

    Seu nome se originou de Matusalém, do hebraico, que significa aquele que maneja a lança. Matusahila foi leitora assídua do Antigo Testamento, de onde se origina seu nome e onde encontro uma definição para ela: “Uma mulher de valor, quem a encontrará? Ela vale mais que o coral” (Provérbios 31,10).

    A Matusahila foi poeta sensível, cronista de mão-cheia e diria até que nos seus artigos sobre etiqueta social, aqui e acolá, ela resgatava histórias milenares, dava exemplos e, além de nos ensinar como deveríamos nos portarmos socialmente, ensinava-nos o que de mais precioso devemos buscar: a viver!

    Ela sabia bem o valor da imortalidade. Comigo fundou duas Academias, mas, a menina dos seus olhos foi a Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, onde nos conhecemos e que ela tanto amava.

   Este texto foi escrito antes e agora adaptado. Com Matusahila dividi tantos sonhos, afeto, emoção... Este é seu primeiro aniversário no Céu. Ela reencontrou seu pai, sua mãe, a titia Elisa, o seu irmão Walmuso, a madrinha Mirtes..., está feliz! Para nós, ficou uma saudade imensurável e, “aquele adeus, não pude dar”. “Você marcou [para sempre] em minha vida”!

   Com lágrimas nos olhos, feliz aniversário, Sahila!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.