27 janeiro 2021

A insânia da mudança dos nomes das ruas de Crato

 

    Minha rua, localizada no bairro Parque Granjeiro, teve seu nome mudado por nova lei de um vereador da Câmara Municipal de Crato.  As contas de água e luz já vêm com a nova denominação. O mesmo não ocorreu no cadastro geral dos CEPs dos Correios, repartições do Governo Federal, nos nossos contratos com planos de saúde, INSS, dentre outras. Aí começa a “via crucies” dos moradores da rua. Muitas correspondências não são entregues... Temos que conviver com as duas denominações.... Só no Crato mesmo!

     São muitas as ruas de Crato, que tiveram seus nomes mudados pelos interesses particulares de alguns vereadores, e trouxeram aborrecimentos aos seus moradores. Uma dela é a antiga Presidente Kennedy, aquela que dá acesso ao bairro Vilalta e a Rua Imperatriz Leopoldina no bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco), paralela à rodovia Pe. Cícero no sentido Crato–Juazeiro do Norte.


Descalabro que vem de longe
   Começou, nos primeiros anos 1900 – sempre por iniciativa dos vereadores desta cidade, ao longo de várias legislaturas – o triste costume de mudança dos nomes das ruas e praças de Crato. Essas alterações sempre atenderam a interesses menores dos vereadores e foram feitas sem ouvir a população, resultando na destruição de denominações tradicionais, preservadas por várias gerações de cratenses.

    No início dos século passado as ruas de Crato tinha poéticos nomes como Santo Amaro, da Pedra Lavrada, das Laranjeiras, do Pisa, Formosa, Grande, do Fogo, da Vala, da Boa Vista, Nova e do Matadouro; Travessa do Cafundó, da Caridade, do Candéia, da Matriz, do Sucupira, de São Vicente, do Charuteiro, do Cemitério, da Ribeira Velha, do Barro Vermelho, da Califórnia, do Pequizeiro, da Taboqueira, das Olarias, da Cadeia e do Pimenta. Os vereadores-vândalos destruíram todas essas denominações. Para colocar nomes de pessoas que os cratenses de hoje nem sabe quem são.


No mais
   Anos atrás, a Câmara de Vereadores de Independência – município localizado no Sertão dos Inhamuns do Ceará – aprovou um projeto de lei, dispondo sobre a identificação de ruas, praças, monumentos, obras e edificações públicas daquela cidade. Esse projeto de lei exige agora – para qualquer mudança na denominação de ruas e praças de Independência (CE) – um pedido antecipado, contendo lista com assinaturas de pelo menos 5% (cinco por cento) do eleitorado daquele município. Bem quer esta iniciativa deveria ser imitada pelos vereadores da cidade de Crato.

Por Armando Lopes Rafael

Djaci, uma mulher guerreira


Dona Djaci retratada por  Rômulo Correia de Oliveira (desenho a lápis, 1971)

Quantas palavras seriam precisas para homenagear uma mãe ausente. De modo econômico, uma seria suficiente: saudade.

Mas, em se tratando de uma mãe da envergadura existencial de dona Djaci Oliveira Bantim, tantas quantas forem necessárias, melhor.

Dona Djaci fez do altíssimo sua última morada, há pouco mais de 8 anos, em 15 de outubro de 2012. Hoje estaria completando 94 anos, visto que nasceu, em Crato, em 27 de janeiro de 1927.

De alguma forma, do ponto de vista familiar, sua vida sempre esteve ligada à arte, tanto por parte dos ascendentes como dos descendentes. 

Seu avô, Luiz Gonzaga de Oliveira, foi um dos pioneiros em fotografia e projeção de cinema na região do Cariri cearense. E seu filho Jackson Bantim, o Bola, é um respeitado e consagrado fotógrafo e cineasta.

Assim, dona Djaci, que sempre estimulou a carreira artística do filho, acabou também pondo “a mão na massa”, trabalhando ao lado dele, como still, no filme Assombrações do Cariri. Outro filme de Bola, As sete almas santas vaqueiras, teve o roteiro escrito a partir de uma das muitas histórias narradas por ela.

Foi esposa dedicada de Pedro Bantim Neto e mãe exemplar de uma família tão grande na quantidade como na qualidade. São sete filhos (seis bem vivos), criados e educados com amor e dedicação pelo casal Pedro e Djaci: Jocildo, Janildo, Janedson, Célida (im memoriam), Jackson, Jane Eyre e Jane Meire.

Sua existência terrena foi serena, mas muito produtiva. Seu apoio incondicional, constante e incansável ao esposo, dono da tradicional Lanchonete e Sorveteria Bantim, localizada no centro do Crato, foi imprescindível para o sustento da família e o sucesso deste empreendimento.

Um dos seus filhos, Jackson, é quem nos conta um pouco do trabalho compartilhado pelo casal:

Foram 25 anos fazendo diariamente, manhã e tarde, vários tipos de lanches pra Sorveteria Bantim e encomendas de bolos confeitados para casamentos, aniversários de quinze anos e vários outros tipos de festas. Vou dizer uma lista destas iguarias que eu me lembro: bolos (bem casado, fofo, rocambolli), pudim, creme de baunilha com ameixa, doces (leite, batata com coco, jerimum com coco, banana, caju, goiaba, jaca e laranja) e salgados (pastel, coxinha, rosca, canudinho e empada). 

Na administração da cozinha fazia caldo de carne com legumes e verduras, cachorro quente com salsicha, vitaminas e sucos de fruta, ovo maltine, milk shake e, diariamente, preparava a calda de vários sabores pra sorvetes, em especial ‘o pulo do gato’ de seu Bantim, que era o sorvete de mangaba. 

Diariamente se fabricavam, em média, 300 picolés de 6 sabores. A preparação dos sorvetes era administrada por seu Bantim até a máquina dar o ponto. Era o melhor sorvete da região, tão conhecido e saboroso que semanalmente se exportava até pro Rio de janeiro. 

Mas vejam, além disso tudo a nossa mãe educou os sete filhos e administrou  uma casa grande de primeiro andar, com uma área de 480 metros quadrados. Mas, o mais importante é que eu nunca a vi reclamar. 

Mãezinha, que Deus a tenha no reino do céus!


FRASE DE DONA DJACI

Peço a todos os meus filhos que um dia quando eu chegar a desaparecer, tenham piedade uns para com os outros.

Meu coração é uma rosa. Em cada pétala, um filho (Escrita em 27 de Janeiro de 1978).


GALERIA DE IMAGENS


Aniversário de 8 anos de Thiago Serra Bantim, na nossa residência, à Rua Marieta Teixeira Mendes, Bairro Sossego, Crato. Na foto, os avós Pedro Bantim, Djaci Oliveira Bantim, João Idelfonso Serra, Iraci Magalhães Serra e os seus pais Jackson Oliveira Bantim e Fátima Magalhães Serra Bantim, além de amigos e amigas de Thiago.

 

Nesta foto de 1999, recordo-me das milhares tardes que passei junto com eles, praticamente todos os dias, por volta das 15h30m, aguardando o cafezinho que tinha diariamente na nossa residência, mantendo a tradição dos Oliveiras Bantins (Depoimento de Jackson Bantim).

 

No dia da primeira comunhão de Cia, Udim e Lé nós anos 60, na nossa residência na Vila Jubilar, Bairro Pimenta. O que chama atenção é o superado corte de cabelo tipo lata de sardinha, principalmente o meu (Depoimento de Jackson Bantim) Foto: Telma Saraiva.



 Os filhos unidos de Djaci Oliveira Bantim: Jocildo, Janildo, Janedson, Célida (im memoriam), Jackson, Jane Eyre e Jane Meire.


 Os patriarcas da família Oliveira Bantim: Pedro Bantim Neto e Djaci Oliveira Bantim.

 

Este quadro foi uma montagem que fiz, com o manuscrito de mamãe e fotos nossa, distribui com meus irmãos no dia do seu aniversario de 90 anos em 2017 (Depoimento de Jackson Bantim).


 

Neste manuscrito, mamãe se expressou com sentimento do verdadeiro amor e adoração que uma mãe sente por seus filhos, como se naquele momento ela estivesse ouvindo as palavras da mãe de Jesus (Depoimento de Jackson Bantim).

 

Família Oliveira Bantim (26 de fevereiro de 1977).


 

Foto atual dos irmãos Bantins.


Djaci e Jackson


Jackson e Djaci


Texto de Carlos Rafael Dias