24 janeiro 2021

Palavras positivas II - Por: Emerson Monteiro


Sei que poucos leem, nesses tempos acelerados e maquinetas impacientes... Há mil jogos nas mãos que imaginam o que querem e buscam desesperadamente aonde possam encontrar o que mais pretendem... Por isso, a gente que escreve tem de se conformar em ler o que escreve, ainda que sozinhos, nessa multidão informe, independente do que outros possam fazê-lo, pois escrever significa gesto puro de deixar que o fluir do tempo não passe tão ligeiro e que dele possamos guardar algo precioso dos pedaços vivos da vida que experimentamos dos pedaços de nós, rescaldos e pensamentos apressados, secretos. Escrever, sobremodo, representa bem isto, juntar gravetos secos de palavras em feixes de recordações, vontade insistente de querer o eterno que vem de dentro do coração e some nas curvas do destino; quem sabe?, até dividir desse tão pouco de formas e sentimentos.

Bom, e quando vêm as frases, elas ficam ali forçando a porta da consciência na firme certeza de que a gente atenderá seus pedidos e passaremos adiante desejos fortes de repartir da alma o que lhe anima, em querer que outros o saibam. Palavras, ah, palavras!, quanta beleza no hálito doce das realidades internas. Lembrar que tudo resume o domínio da esperança e da fé, na ânsia incontida do dizer aquilo que, agonizando, repousava nas praias instáveis do presente.

Dias e dias sem par nisto de aguardar o pouso e chegar ao território da permanência absoluta diante do Universo apressado. Àquele pouso das águias, dos mistérios, lá onde mora o definitivo de pessoas e objetos, ideias e firmamentos, numa velocidade constante. Aonde reuniremos nós conosco próprios e, certo dia, lamberemos as feridas da experiência, laços da Eternidade e repastos desse chão. Saberemos, enfim, o quanto nos custou crer firmemente na condição de artífices da sorte e chegaremos impávidos ao colosso das horas. Depois de tudo, pois, dormiremos em paz, condição inevitável de sonhar os melhores sonhos e vivê-los com igual intensidade nas luzes do amanhã tão esperado.