22 janeiro 2021

Ânsias de liberdade - Por: Emerson Monteiro


Desde sempre que vem sendo assim, de querer além de tudo permanecer intacto o espaço entre os dois pontos, aqui e o que virá em seguida sem sombra de dúvidas. Isto é, a iniciativa humana de liberdade dá sequência interminável ao passado e mesmo então se desfaz no correr das circunstâncias. E nem por isso haverá desistência, jamais. O impulso de salvação desse estado de constante desaparecimento ao final, transcorridos séculos de busca, triunfará na satisfação de revelar a si mesmo nalgum lugar.

A vontade, instrumento de continuar os dias, sustenta, pois, o senso das agruras de vencer o tempo e ganhar a doce Eternidade qual prêmio, após o embate de nós com nós mesmos, ausências de certeza, no entanto. Heróis dos sonhos, guerreiros invadem o palco do momento e permanecem de olhos fixos no firmamento lá distante. Nutrem a firme certeza que consigo será diferente do que sempre antes. Sustentam o instinto implacável da sobrevivência e manejam com qualidade armas de combate. Ninguém nunca viverá de tudo quando as determinações fixaram o prazo das expectativas.

Conquanto em sendo de tal modo, no entanto, a arte é inevitável, sustenta o embate do inútil e do desaparecimento, cruel epopeia das horas. Almas gritam carinho, esperança, amor, sóis e luas de enlevos, saudades mil e céus de felicidade, por milênios afora. Na beleza desse universo ensimesmado, tangemos o carrossel das verdades provisórias que carregamos no peito. E sorrimos, e cantamos, e vivemos.

A constância desse itinerário de tantos nos deixa extáticos, luzes na imensidão que iluminam a História. Costumamos alimentar o barco dos desaparecimentos num ritual de sacerdotes e religiões secretas, guardadas no coração das pessoas. Nesse ritmo das existências, muito mais que meros atores da contemplação dos finais inevitáveis, agimos e damos voz ao silêncio adormecido dentro do presente, e que some ligeiro nas asas frágeis do futuro. 

(Ilustração: Papiro egípcio).

Esperança – José Luís Lira (*)

   Costuma-se definir 31 de dezembro o dia da Esperança. Não há registro nos calendários cívicos desta comemoração, contudo, nos habituamos a desejar um feliz ano novo e todos os anos fazemos isto. Rezamos. Comemoramos. Celebramos. Ano passado foi diferente, mas, a presença da esperança era percebida aqui e alhures. Domingo último parecia esse dia. Parecia que segunda-feira novo ano se iniciaria. O País atento aguardava o resultado das análises das vacinas que nos imunizarão contra a covid-19 que se espalhou rapidamente pelo mundo e há quase 12 meses, um ano, mudou nossos hábitos, trabalhos, rotinas, nossas vidas. A ANVISA aprovou por unanimidade as duas vacinas que serão aplicadas no povo brasileiro. Foi um momento de grande alegria e esperança. Ainda naquele dia São Paulo aplicou as primeiras vacinas.

     Segunda-feira, 18, o País começou a receber as doses em todos os seus Estados. É evidente que nos emocionamos ao ver o anúncio do governador Camilo Santana de que as vacinas estavam em solo cearense e que os primeiros beneficiados foram os profissionais de saúde. E chegou mais próximo de nós. E acho que já passava de 22 horas quando o Prefeito Ivo Gomes anunciou que as vacinas também Sobral estava recebendo as primeiras doses e uma auxiliar de enfermagem e uma agente de saúde sobralenses seriam as primeiras a serem vacinadas. Junto com meus pais com os quais estou desde o início da pandemia e da partida de minha querida Matusahila, celebrei. O papai deu vivas e agradeceu a Deus.

      É para renovar as esperanças mesmo. Agradecer, mas, não esquecer de que a pandemia ainda está por aí. Vai ser necessário muito esforço nosso e do Poder Público para o restabelecimento da normalidade. Professor que sou, comuniquei aos meus alunos com euforia. No fundo, nessa pandemia, nos fizemos companhia. Nos primeiros dias de isolamento criei um grupo de comunicação para meus alunos no Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú, disponibilizei meu número de telefone pessoal e começamos a conversar, trocar mensagens. Durante este período, realizamos atividades, sarau literário e júri simulado. Depois, vieram as aulas à distância e continuamos em contato.

     Na primeira mensagem que dirigi aos meus alunos, no dia 20/03/2020, um dia depois da festa do Padroeiro do Ceará e meu onomástico, São José, eu falava de ânimo e esperança. Eu confesso que não tinha ideia do que se tornaria este período... Dizia eu e, hoje, reitero: caríssimos amigos e amigas, vivemos momentos difíceis, mas, não podemos desanimar. É preciso cautela e serenidade. 

    Independentemente de sua crença, confie, ore, mas, faça sua parte. Cumpra a quarentena. Aguardem as informações oficiais e não creiam nessa gama de informações desencontradas que vemos nas redes sociais. Para ânimo, lembremos-nos da canção de Gonzaguinha: "Ontem o menino que brincava me falou/ Que hoje é semente do amanhã/ Para não ter medo que esse tempo vai passar/ Não se desespere não, nem pare de sonhar/ Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs/ Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar/ Fé na vida, fé no homem, fé no que virá/ Nós podemos tudo/ Nós podemos mais". 

   Fiquemos em paz e que a Luz de Deus nos ilumine e nos ensine a viver na esperança por dias sempre melhores!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.