14 janeiro 2021

Há momentos de que memórias se repetem - Por: Emerson Monteiro


Isto, espécie de imagens recorrentes involuntárias, quais músicas gravadas nos escombros do passado, de lá vêm sempre esses pedaços de tempo que, sem querer, somos levados a reviver, a ver lá por dentro da gente. E que se repetem constantemente, tais domínios de uma área de nós mesmos que quer ser lembrada de algum modo, a indicar que ali tem algo a contar, de que nem nos levamos em conta. Pergunto sempre a razão disso, o motivo dessas ações do Inconsciente, livre de pedir licença e os apresentar à memória. 

Diante das ocorrências fortuitas, a demonstrar poder sobre mim, baixo a cabeça e admito nisso haver mistérios a ser descobertos, porquanto trazem força de querer que nelas veja o que por vezes até me parece semelhante a psicanálise independente, vinda dos refolhos da Natureza. Busco haveres que somem nas dobras do interior, animais ariscos e independentes, mas sei bem que querem falar o que ainda não escuto com nitidez. 

Há na mesma dimensão o esforço que faço de relembrar sonhos, alguns que quanto mais quero trazer à realidade da consciência eles fogem... e os persigo nas horas depois do sono, sem maiores sucessos. 

Já os sonhos apresentam disposição constante de projetar fragmentos exóticos. Filmes perfeitos nas suas produções, eles oferecem detalhes dos dias e contêm segredos profundos da história do que virá, porquanto, dos meus maiores desejos, este de conhecer o futuro suplanta os demais. Escarcavio feito mouro sinais nos sonhos, na ânsia incontida de trabalhar com eficiência os desdobramentos do presente. Neste quesito de sonhos tenho melhores resultados, pois observo o sentimento que resta gravado na mente, ainda que os esqueça no todo. Servem de instrumento nas situações que vou vivendo, dia após dia. Deparo circunstâncias difíceis, e invés de entrar em desânimo recorro aos detalhes oferecidos nos sonhos e acalmo os pensamentos, alimentando prenúncios que possa haver recebido nas ocasiões das viagens oníricas. Quis falar um pouco desses aspectos das lembranças, que sejam semelhantes na maioria das pessoas.