05 dezembro 2021

Neste universo da gente - Por: Emerson Monteiro


Há um rio a correr dentro da gente, formado de tudo quanto se viveu, amou, padeceu, acreditou, e que nunca interrompe seu curso indefinidamente. Cenas marcantes de relacionamentos com a realidade, com as emoções, enfieira dos dias, que a memória grava nas paredes da alma. São sinais desses mistérios ocasionais de tudo que se experimentam sem interrupção, num movimento interminável, pelo vasto oceano das vivências sucessivas. Marcas e pessoas, entranhadas nos sentimentos e lugares das circunstâncias vividas, demostram as lições de que sempre assim existimos depois de conhecê-las, numa espécie de cenário das histórias e dos momentos, territórios onde representamos as peças de nossa humana condição. Força descomunal constrange esse itinerário, assegurando todo tempo que existimos, portadora do saldo das experiências de que haveremos de nos libertar tão logo encontremos o foco essencial de uma consciência clara lá adiante.

Nisto, sim, num objetivo certo, a razão do tanto de existir eis o sentido natural desse encontro consigo que resta basicamente desvendar; do ser pessoal que adquiriremos durante a presença neste mundo. Nada existe de mero acaso. As proporções originais do labirinto em que movemos nossa consciência significam este curso original das existências, peças-chave de onde nascemos a construir um novo e definitivo Ser. Somos quais navegantes de nós mesmos, autores do que resta descobrir nestas águas sacrossantas de onde advêm os instrumentos de nossa libertação.

A isso, na busca do encontro a que os místicos e conhecedores das profundezas do Eu interior trazem luzes, nessa revelação em movimento, a Civilização afirma seus conceitos culturais. Cabe, pois, elucidar os refolhos da alma e achar de vez a forma de solucionar os dramas atuais da personalidade em crescimento.

(Ilustração: A queda dos anjos rebeldes, de Rubens).

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