31 dezembro 2021

Postagem de reflexão no último dia de 2021: A primeira poetisa negra dos EUA

 

    Um resumo sobre a história de uma mulher, sobre a qual vale a pena sabermos mais!  
“Chamava-se Phillis, porque era o nome do navio que a trouxe, e Wheatley, que era o nome do comerciante que a comprou. Ela nasceu no Senegal.

   Em Boston, os traficantes de escravos colocaram-na à venda:
-Ela tem sete anos! Ela vai ser uma boa égua!
    Ela foi tocada, nua, por muitas mãos.

    Aos treze anos, já escrevia poemas numa língua que não era a sua.
Ninguém acreditava que ela era a autora. Aos vinte anos, Phillis foi interrogada por um tribunal de dezoito cavalheiros iluminados de toga e peruca.

    Ela teve que recitar textos de Virgílio e Milton, algumas passagens da Bíblia, e também teve que jurar que os poemas que havia escrito não eram plagiados. De uma cadeira, ela fez seu longo exame, até que o tribunal a aceitou: ela era uma mulher, ela era negra, ela era uma escrava, mas ela era uma poetisa.

      Phillis Wheatley, foi a primeira escritora afro-americana a publicar um livro nos Estados Unidos"

Fonte: Rosicler Moraes E Souza via “Grandes Mulheres Que Marcam a História”
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Postagem: Armando Lopes Rafael

Curiosidade: como surgiu a palavra “escrúpulo”

     Os dicionários definem “escrúpulo” como: Essência moral; caráter virtuoso: sempre se comporta com escrúpulo; Comportamento cuidadoso; excesso de zelo, meticulosidade: a análise do livro foi feita com muito escrúpulo; Condição que demonstra dúvida ou hesitação sobre se adequar ou agir de determinado modo: o prefeito falava sem escrúpulo; Estado de apreensão sobre o que é bom ou ruim; receio de errar ou de se enganar: escrúpulo religioso.

     Mas você sabe como surgiu a palavra “escrúpulo”?


    Em latim ′′ escrúpulum ′′ designava uma pequena pedra afiada. Ela costumava dar problemas aos legionários romanos durante as suas longas caminhadas. Pequenas pedras entravam nas suas caligae, sandálias abertas, entre a sola e o pé, causando desconforto recorrente.

    Os ′′ escrúpulos ′′ colocavam então os legionários perante uma escolha: sofrer continuando em frente, ou parar para a tirar, correndo o risco de diminuir a marcha da coluna e sofrer as repreensões dos seus superiores.

    Pouco a pouco, a expressão ′′ ter escrúpulos ′′ saiu do campo militar para se referir a qualquer interrogação sobre a conduta a adotar.

    Tribunas, generais, senadores que iam a cavalo ou eram carregados de cama, assim como os poderosos de hoje não tinham escrúpulos.”


Fonte: José Albuquerque via Guilherme Duarte\Arte, Cultura e História
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30 dezembro 2021

Assim é que tem que ser - Por: Emerson Monteiro


Uma flor cai, embora nós a amemos; e uma erva daninha cresce, embora não a amemos... Desta forma nossa vida deve ser entendida. Então não há problemas. Suzuki Rosh

Desde sempre que se busca demonstrar que há outro universo que não este universo visível. Por mais seja dito, persiste a dúvida quanto à vida após a morte, que quem foi nunca voltou para dizer, no entanto sobejam os médiuns que dão as notícias do além, escrevem livros, cartas, manifestam suas falas, seus segredos, etc.

Existem fenômenos que ocorrem sempre, inclusive impulsionam a civilização, porém não são tão visíveis, a energia elétrica, por exemplo. Que há um mundo paralelo a este insistem os cientistas a demonstrar. Seguem as dúvidas, no entanto.

O mundo onde vivemos, a máquina psíquica que somos, funciona sem parar e moramos dentro dela, em constante movimento de energia e formas. A música que toca nossos ouvidos, também invisível, domina o éter e quedamo-nos extasiados. O sabor, invisível. O olfato, invisível. O tato, invisível. De visível mesmo só a visão, entre os cinco sentidos. E de todo, impossível duvidar das abstrações dos acontecimentos em volta.

Que existe um poder depois de tudo, que equilibra o Cosmos, a quem resta duvidar?! À audácia dos que mantém a certeza da dúvida em todos os quadrantes, permissão do pensamento e das palavras. Espécie de dúvida sistemática, qual dizem, por adoção tocar adiante o barco dessa vida humana que envolve questionar de ofício. Um direito, quiçá um dever.

Contudo, que poder temos, pois? De duvidar é insuficiente a contrariar o argumento maior da continuidade do mistério em ação, todo tempo. Habitamos a máquina mais perfeita que existe e dela desconhecemos as mínimas equações.  Ainda que seja deste modo, nada resta senão baixar a cabeça e concordar que, na verdade, muito pouco sabemos da real inteireza das existências de que somos parte e função.  

28 dezembro 2021

As fronteiras da Razão - Por: Emerson Monteiro


Entre esta uma vez e todas as outras, nesse tabuleiro estreito da terra de ninguém, lá onde impera só o êxodo das civilizações de papel, ali moram os bruxos. Eles, seres estranhos, irreais, que carregam sacos de quinquilharias, sobras de refeições dos pássaros noturnos, asas de morcegos, cascas de árvores carcomidas, extintas, chás das ervas fantasmagônicas, perfumes exóticos, garras de animais retorcidas em noites de lua nova; tudo, por fim, que diga respeito aos mistérios das sombras adormecidas. Arrastam consigo crenças disso, num absoluto que de há muito deixou de existir nos seus mesmos corações empedernidos pela sorte agoureira, vã. Assim eles tangem seu rebanho das ilusões de viver na força dos poderes inexistentes, porém que vivem numa intensidade inimaginável dentro das cavernas escuras, e aferretam o corpo sadio das verdades deixadas cá neste mundo pelos místicos que sofreram a síndrome da perfeição e sobrevivem pelos céus.

Vemos isso a cada segundo que se extingue nas dobras dos fins das tardes bonitas do Sertão. Esses encapuzados seres que transitam ao som dos derradeiros cantos das aves do Paraíso e soltam lamentos de quem sumirá pela escuridão feitos rebotalhos de exércitos derrotados nas guerras de perpetuação das espécies abstratas. Vê quem quer e alimenta esse desejo transcendente de resistir às maldições dos que desaparecem tão logo a luz refaça na claridade das manhãs.

Vivem cheios disso, das flores do esquecimento, das relíquias dos santos que contiveram a ação devastadora do tempo. São eles os dias em sua fome voraz de triturar os anseios, que contam as lendas maravilhosas de todo instante; guardam de tudo um pouco, na trilha das almas em movimento, sem, igualmente, querer presenciar o que as memórias insistem dizer pelas estradas dos sóis.

As melhores lembranças viram, pois, trastes empoeirados nas prateleiras das casas abandonadas, tomadas por entes vazios, deixados apagados nas lareiras do transitório, que de lá nunca voltaram. Recordações, saudades, apegos que foram embora e perderam aqui suas tais quimeras de contos esquecidos em reinos bem distantes e eternos.   

Registros históricos - Por: Emerson Monteiro


Hoje à tarde, em conversa com Gabriel, meu neto, vim a conhecer esta história da Segunda Grande Guerra, página dolorosa da Humanidade, episódio que fui pesquisar e aprofundar, que trata do seguinte acontecimento:

Sabe-se na história que o efetivo brasileiro entrou na luta junto das tropas aliadas no dia 02 de julho de 1944, incorporadas ao 5º. Exército dos Estados Unidos, data em que embarcaram 25 mil dos nossos soltados com destino à frente da Itália. No fragor da batalha, a FEB – Força Expedicionária Brasileira, cumpriria das mais cruentas missões, dentre essas a tomada de Montese, Fornovo e Monte Castelo.

Diante da tomada de Montese foi que ocorreu a história que quero aqui contar, isto quando três soldados brasileiros, em patrulha no campo daquela região, deram de cara com nada menos uma companhia inteira do Exército alemão, algo em torno de 100 homens, e não aceitaram a rendição, partindo para o confronto direto, sem outra alternativa que fosse existir, encararam com denodo a contingencia. Era o dia 14 de abril de 1945. Assim, eles resolveram defrontar o inimigo, pelejando até o derradeiro cartucho de munição, sendo em consequência eliminados pelos soltados alemães.

A coragem dos brasileiros, no entanto, impressionou sobremaneira até o comandante germânico, que ao enterrá-los apôs sobre a cova uma placa com os dizeres Drei Brasilianische Helden, Três Heróis Brasileiros.

Eram seus nomes: Geraldo Baêta da Cruz, de 28 anos, vindo de Entre Rios de Minas, Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, natural de Rio Preto na Zona da Mata, e Arlindo Lúcio da Silva, de 25 anos, proveniente de São João del Rey.

Eis uma das tantas páginas que honram a nossa Pátria e demonstram o brio de nossa gente altiva e trabalhadora, de que jamais devemos nos esquecer.

27 dezembro 2021

A lenda do quarto Rei Mago - Por Emerson Monteiro


Essa história circula na humanidade desde os primeiros tempos do Cristianismo e mais recentemente veio trazida à literatura pelo escritor holandês Henry van Dyke. Aborda a existência de um rei oriental que também soube que Jesus nasceria em Belém e seguira a Estrela no rumo da Judeia. Levava consigo rico tesouro em pedras preciosas.

Ao decorrer da caminhada, porém, dado encontrar pessoas carentes pelos caminhos, cuidou de atendê-las com fraternidade (E este Rei Mago os assistiu com alegria e diligência, deixando a cada uma delas uma peça de valor), gastou com isso parte do rico tesouro e os dias necessários a que chegasse no momento certo de encontrar o Filho do Homem e os outros reis junto da Manjedoura. Jesus e seus pais já haviam fugido para o Egito face à perseguição do Rei Herodes.

O sábio, no entanto, seguiu a procurá-lo. Sempre tinha notícias da presença do Divino Mestre onde quer que passasse.

Nisso transcorreram algumas décadas. Lá um dia, em Jerusalém, presenciou Jesus sendo julgado e condenado, e avistou ser Ele pregado na cruz aos apupos da multidão enfurecida. Macerado pelas dores que presenciava, então se rendeu ao desânimo e se reconheceu à inutilidade de sua longa jornada.

Ainda permaneceria em Jerusalém, exausto e alquebrado, já sentindo próximo o seu final. Lá certa noite, no alojamento em que dormia, notou intensa uma claridade semelhante à luz de mil sóis, quando viu chegar a figura magnânima do Cristo. Ajoelhado aos seus pés, ainda tinha guardado consigo uma das joias que tão carinhosamente trazia, a oferecer ao Mestre.

Em pranto de dor, carinhosamente pediu perdão de não haver vindo a tempo de avistar o Menino Deus nas flores perfumadas da manjedoura.

Foi então que Jesus lhe dissera:

- Você não falhou, meu filho. Pelo contrário, me encontrou por toda sua vida. Quando eu estava nu, você me vestiu. Eu estava com fome e me deu o alimento. Eu estava com sede e me deu com que mitigar a sede. Fui preso e me visitou. Bem, eu estava em todas as pessoas pobres que você assistiu no seu caminho. E muito agradecido por tantos presentes de Amor que meu oferecia naquelas ocasiões! Agora, você estará comigo para todo o sempre, porque dos Céus vem o meu reconhecimento e sua recompensa. 

26 dezembro 2021

Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, um grande benfeitor de Crato -- por Armando Lopes Rafael (*)

 

   Ele foi um homem notável. Um intelectual brilhante. Um sacerdote que deixou marcas por onde passou. Sua produção literária – original e profunda – atesta o seu valor.

   Rubens Gondim Lóssio nasceu na cidade de Jardim, Ceará, no dia 27 de maio de 1924, filho legítimo de Júlio Lóssio e Eleonor Gondim Lóssio. Fez o curso de humanidades no Seminário São José do Crato e o de Filosofia e Teologia no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Ordenou-se Sacerdote Católico, no dia 20 de dezembro de 1947. Foi Cura da Sé Catedral de Crato e professor da Faculdade de Filosofia do Crato (embrião da atual Universidade Regional do Cariri–URCA) e de vários Colégios de Crato. Pertenceu ao Instituto Cultural do Cariri tendo sido o primeiro ocupante da Cadeira Dom Francisco de Assis Pires, naquela instituição.

Algumas realizações feitas na Catedral 

       Até o início da década 1950, a nossa vetusta catedral era um templo escuro e feio. Ao assumir a função de Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha e Cura da Catedral, Mons. Rubens Gondim Lóssio construiu os dois braços do prédio (o da direita e o da esquerda) ampliando o espaço interno daquela igreja. Também procedeu à reforma do altar-mor da catedral.. Comprou novos bancos para aquele templo e dotou nossa principal igreja do bonito aspecto que ela hoje possui.

   No curato do Mons. Rubens foram construídas:

– A capela de Nossa Senhora das Graças
    O altar desta capela foi confeccionado, em 1952 – por iniciativa do Monsenhor Rubens Gondim Lóssio – em marmorite na cor marfim, por encomenda junto à Marmoraria Raia, da cidade de Fortaleza. Já a imagem de Nossa Senhora das Graças, também foi adquirida por Mons. Rubens e está colocada sobre um suporte na parede, acima do altar. Sob a mesa do altar fica um desenho, em alto relevo, das duas faces da Medalha Milagrosa. 

– A capela de Nossa Senhora de Fátima   
   Também construída por monsenhor Rubens Gondim Lóssio, cujo altar é de mármore branco, tendo por base uma placa de mármore preto. Na base do altar foi colocado um desenho de bronze representando o Coração Imaculado de Maria, cercado de espinhos. Pontifica nessa capela uma belíssima imagem de madeira, de Nossa Senhora de Fátima, medindo cerca de um metro de altura. Esta escultura foi esculpida em Portugal, em 1954, por Guilherme Thedin, o mesmo escultor da imagem-peregrina da Virgem de Fátima, que percorreu os cinco continentes, na década de 1950. Para a confecção dessa imagem – ofertada à catedral pelo Sr. João Bacurau – Mons. Rubens mandou de Crato para Portugal um toro de cedro. Esta capela foi inaugurada, em 8 de dezembro de 1955.

– A capela de São José
   Outra construção, feita no curato do Monsenhor Rubens Gondim Lóssio foi a Capela de São José, inaugurada em 1962. Essa capela guarda semelhança com a de Nossa Senhora de Fátima. Também o altar dessa capela é de mármore branco, tendo por base uma placa de mármore preto. O mesmo material, com a mesma cor, foi utilizado no piso da capela. Uma belíssima imagem, em tamanho natural, de São José, adquirida por Mons. Rubens, ainda hoje pontifica sobre o altar.

– Os altares laterais da catedral construídos no curato de Mons. Rubens
      Nos corredores laterais da Sé de Crato foram construídos dois altares de alvenaria, com base de marmorite. O da esquerda é dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus, e o da direita, a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

O escritor
   Mons Rubens Gondim Lóssio escreveu e publicou os seguintes trabalhos: “O desafio da Universidade nova”, 1971; “A serviço da palavra sob o impacto da mudanças”, 1973; “UNICAP em resposta ao desafio do Nordeste”, 1973; “Caracterização geral dos candidatos ao vestibular unificado”, 1977; “Ensino superior em Pernambuco: sistema de acompanhamento”, 1970; “Nossa Senhora da Penha de França: padroeira do Crato”, 1961; “Renúncia à Catedral e Paróquia de N. S. da Penha”; 1969, e diversos outros trabalhos publicados em revistas científica, seminários, encontros e reuniões.
    Recebeu “Menções Honrosas”, Diplomas, Certificados e Medalhas pelos relevantes serviços prestados à educação e à sociedade dos Estados de Pernambuco e do Ceará.

Algumas de suas iniciativas na comunidade
    Mons. Rubens era um espírito dinâmico e empreendedor. Dotado de cultura invulgar foi um homem querido, admirado e respeitado pela comunidade cratense. Sua passagem entre nós deixou rastros inapagáveis. Deve-se a ele a mudança de alguns nomes dos atuais distritos do município de Crato. Citemos alguns: o então povoado Ipueiras foi denominado oficialmente  de Dom Quintino, em homenagem ao primeiro Bispo de Crato. A antiga vila Conceição recebeu o nome de Santa Fé. Já a localidade Passagem das Éguas teve sua denominação mudada para Monte Alverne. Todos são progressistas distritos de Crato. Na área citadina, o antigo bairro Rabo da Gata, graças a iniciativa do Mons. Rubens passou a ser chamado oficialmente de Alto da Penha.

Outras iniciativas

    Mons. Rubens adquiriu algumas casas (existentes no fundo da catedral) demoliu-as e lá construiu salas para reuniões e um amplo auditório, tudo incorporado ao edifício da Igreja-Mãe da Diocese de Crato. Este auditório, por iniciativa do penúltimo Cura da Catedral – Pe. Francisco Edmilson Neves Ferreira – (hoje Bispo de Tianguá-CE) recebeu o nome de “Auditório Mons. Rubens Gondim Lóssio”. Justa homenagem.

     Vale registrar que, ainda por iniciativa do Mons. Rubens, foi confeccionado – em 1954 – um belíssimo monumento de bronze, para assinalar a promulgação do Dogma de Assunção de Nossa Senhora, pelo Papa Pio XII, o qual foi colocado na Praça da Sé. No ano anterior – 1953 – Mons. Rubens havia mandado erigir outro pequeno monumento, este comemorativo à passagem da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, em Crato. Este pequeno monumento encontra-se até hoje no jardim do lado direito da Catedral de Nossa Senhora da Penha.

     Ao tempo que foi Vigário e Cura da Catedral de Crato, Mons. Rubens manteve atualizado o "Livro de Tombo", lá escrevendo todos os registros da sua dinâmica administração, quer na área pastoral, quer na  social, bem como registrando suas pesquisas feitas  sobre a história religiosa de Crato.

 Sua saída de Crato
    Desgostoso com o desmembramento feito na Paróquia de Nossa Senhora da Penha, a qual ficou reduzida a poucos quarteirões no centro de Crato, em 1969, Mons. Rubens deixou a Diocese do Crato e fixou residência na cidade de Recife, Pernambuco, onde veio a ocupar o cargo de Magnífico Reitor da Universidade Católica de Pernambuco, de janeiro de 1971 a janeiro de 1978.

     Sobre seus últimos dias, o cronista Antônio Morais escreveu, recentemente, que ele pediu dispensa do estado clerical e, depois de obtida essa permissão, casou no dia 22/12/1978 com a pernambucana Vitória Maria Leal. Do seu casamento nasceu, em 13 de maio de 1980, uma filha, registrada pelo nome  Delame Maria Leal de Lóssio. 

    Rubens Gondim Lóssio faleceu em Recife, em 04 abril de 2005, legando aos pósteros o exemplo de um cidadão honesto e inteligente, profundamente devotado ao serviço da comunidade. Ainda hoje seu nome é lembrado com profundo respeito pela comunidade cratense, a quem serviu com competência e idealismo, por várias décadas da sua profícua existência.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).

Quantas perguntas e o mundo - Por: Emerson Monteiro


Se a ciência quer ser verdadeira, / Que ciência mais verdadeira que a das cousas sem ciência? 
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Tempos de rigidez ao sol do meio dia, eis o tanto que nos caberia tocar adiante e viver cada vez mais com gana a intensidade dos valores eternos, ao sabor das profecias e dos deuses. Época esquisita quais esquisitas foram todas as épocas e todas as vezes em que a história das imprevisões foi narrada em volta das fogueiras, nas horas das mil desatenções dos homens e das máquinas, e de todas suas tradições arrevesadas.

Na verdade, a existência de tudo nada representaria além da formação das nuvens pelos céus da consciência humana em um mero jogo de claro escuro entre partes alucinadas, em noites de ambição. Bandos de hienas soltas nas matas do desespero de que nada há de conhecer além do fim que lhes aguarda nessa comédia bufa e seus desejos e ambições.

...

Sempre que as palavras querem, assim, tomar e despejar o fel dos instintos e desesperos, acalmo, pois, os pensamentos e peço que compreendam a fome de viver de todos, também dos insetos, das lesmas e dos gigantes. A vontade que o sentimento impõe, nesse querer insano da falta de amor, de sonhos bons, trazer a intenção de saber o quanto é necessário acreditar na melhor sorte dos dias que vêm ao sabor das manhãs ensolaradas, donde nascem os mistérios de sorrir e ouvir do silêncio as confidências de que tudo anda no melhor dos mundos, e somos seus passageiros em movimento pelas fantasias que criam pássaros e flores sempre.

Das certezas que persistem, face ao que até hoje aconteceu em todos os lugares e nas florestas do passado, nada representa em vista da verdade real, a não ser que sustentemos a condição de parceiros dessa agonia em invenção que chamam vida. Ampliar o senso nos nossos passos e abraçar de vez o Infinito. Veja então o que resta fazer, e durma em paz no seio doce da divina Criação.

24 dezembro 2021

Ao Menino Jesus – por José Luís Lira (*)

     Penso que só na infância me dirigi ao “Papai Noel”, figura inspirada em São Nicolau. Algum pedido de criança, influenciado pela mídia. Depois que tomei real consciência, é a Vós que me dirijo, a verdadeira e central figura do Natal que é Vós: o Menino Jesus.

   Meu caro e querido Menino Jesus, quando cresceste, disseste: “Deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o Reino dos Céus”. Há alguns anos ouso escrever-Vos. Não o trato com a cerimônia que deveria dispensar, mas, ainda assim, muito respeitosamente. Nestes dias celebraremos vosso Natal e o novo ano ao qual sempre almejamos dias melhores. 

   O livro do Martirológio cristão estabelece no dia 24 de dezembro a “Comemoração de todos os santos antepassados de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão, filho de Adão, isto é, dos patriarcas que agradaram a Deus e foram encontrados justos, os quais, sem terem obtido a realização das promessas, mas vendo-as e saudando-as de longe, morreram na fé: deles nasceu Cristo segundo a carne, que está sobre todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos”.

   O mesmo Martirológio registra dia 25, “Passados inumeráveis séculos desde a criação do mundo, quando no princípio Deus criou o céu e a terra e formou o homem à sua imagem; depois de muitos séculos, desde que o Altíssimo pôs o seu arco nas nuvens como sinal de aliança e de paz; vinte e um séculos depois da emigração de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus; treze séculos depois de Israel ter saído do Egito, guiado por Moisés; cerca de mil anos depois que David foi ungido rei; na semana sexagésima quinta, segundo a profecia de Daniel; na Olimpíada cento e noventa e quatro; no ano setecentos e cinquenta e dois da fundação de Roma; no ano quarenta e dois do império de César Octávio; estando todo o orbe em paz, Jesus Cristo, Deus eterno e Filho do eterno Pai, querendo consagrar o mundo com a sua piedosíssima vinda, concebido pelo Espírito Santo, nove meses depois da sua conceição Augusto, nasceu em Belém de Judá, da Virgem Maria, feito homem: Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a carne”.

   O linguajar talvez seja complexo para uma criança, mas, sei que Vós sois criança diferenciada. Sois Deus-Menino e sentimo-nos amparados junto de Vós e desejamos que aquela Luz que brilhou em Belém que é Vós, ilumine todo o mundo, nos traga o fim dessa pandemia, a paz, o apoio aos que necessitamos sempre de Vós!

   E quando na Santa e Abençoada Noite de Natal entoarmos a canção de Franz Gruber, façamos com corações confiantes: “Noite feliz, noite feliz/ Oh Jesus, Deus da luz/ Quão afável é o Teu coração/ Que quiseste nascer nosso irmão” e nos façais assimilar Vossos ensinamentos, o que me faz recordar outra canção, diria prece, do Pe. Zezinho, tão atual nos nossos dias: “Tu que foste criança Jesus/ E sofreste a pobreza também/ .../ Ensina os que mandam no mundo/ Por onde recomeçar”.

   Nestes tempos confusos, meu querido Menino Jesus, Vós sois além de nossa Salvação, nossa Esperança e que a esperança, a paz, o amor, a saúde e a prosperidade estejam sempre nos corações dos homens de boa vontade!

   Que 2022 seja de calor, a quem sente o frio da falta de lar; do amor a quem não é amado; da piedade e da misericórdia a todos!

   Hosana, Filho de Deus!
   Gratidão!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


23 dezembro 2021

Há um mistério no dizer - Por: Emerson Monteiro


Nessa vontade que a gente alimenta de querer dominar o impossível, vez em quando resta suportar os rigores das limitações do pequeno e do grande que já o somos. Daí vem aquilo de a gente pensar que diz o que esteja dizendo e que o outro pensa ouvir o que esteja ouvindo, na distância quilométrica das duas paredes que se interpõem na comunicação dos seres humanos. Lao-Tsé afirma que o verdadeiro Tao é indizível. E que o que é dito não é o verdadeiro Tao (Tao, a razão e fonte encontrada em tudo o que tem existência no mundo. www.dicio.com.br).

Bem estas as circunstâncias do processo da Comunicação que nos vemos a ele submetidos todo momento, inclusive, da gente com a gente mesma. Quais dois eus, em constante busca de compreensão, sofrem-se nisto conflitos monumentais. O resumo da história da raça vale tais confrontos de consequências dolorosas tantas vezes. Causa principal dos resultados diários da existência, esse improviso domina todas as instituições e ocasionam marasmos e pelejas. Quando, no entanto, haverá outros resultados que mereçam frutos melhores eis o império da razão.  

Desde sempre vem sendo deste modo, tais pratos de uma balança cósmica em constante oscilação, as teses filosóficas provam sobejamente o conflito das gerações consigo próprias. Hegel traz a dialética de Tese/Antítese, que geram a Síntese, uma nova tese, que enfrentará nova antítese, de que sucederá nova síntese. O Mal e o Bem, das religiões maniqueístas. O Inferno e o Céu, dos místicos. A Sombra e a Luz. A Lua e o Sol. O ego e o Eu superior. Anticristo e Cristo.

Porém nisso habita a fonte do equilíbrio universal de que somos fontes,  instrumentos e coautores, dentro da ciência da perfeição absoluta, tão logo identifiquemos o Eu verdadeiro, o fiel desta balança fantástica, nossa origem definitiva. A isto nos vemos e porfiamos à busca da harmonia dos contrários pelo sentimento puro e fiel do Amor, única fonte do Silêncio e da Paz. Isso tudo no simples dizer...

(Ilustração: Um baobá de mil anos).

22 dezembro 2021

Os doces percentuais da sorte - Por: Emerson Monteiro


A isso que também chamamos de livramentos, em que tantos falam e que nos ocorrem à medida que defrontamos situações extremas e delas saímos ilesos quais miraculadas criaturas aos cuidados de forças ainda desconhecidas. Todos têm inúmeros momentos de que lembrar, quando o tempo fechara e, de uma hora a outra, surgem meios de permanecer livres dos dessabores do tempo. Ocasiões várias são desse jeito.

Ao furor permanente da Justiça suprema, existem as ocorrências do movimento que a tudo rege. Sem sombras de dúvidas, a quem queira ver e sentir existe uma perfeita concatenação de fatores que gera o Infinito. Numa ordem mais que matemática, cresce o vento e balança o mar, e novas chances vêm aos céus de quem merece.

Bem isso de merecer, qual diz a população, fazes por ti que os Céus te ajudarão. Daí o senso de justiça que domina os acontecimentos mundiais e individuais.

Pois o Poder maior a tudo pode. Nisso vem de perguntar: - O que deduzem das leis do Universo aqueles que teimam e as confrontam na maior sem cerimônia? O que se passa no íntimo secreto daqueles que agem ao bel prazer das satisfações pessoais, tais fossem autores particulares da ordem que movimenta o Cosmos? Bom, paro e fico examinando a mim mesmo, que tantas vezes foco apenas em mim os interesses e esqueço os momentos e o senso. Então, segundo as Escrituras Sagradas, disponho nas mãos essas sementes de frutos bons e as escondo. A semeadura é livre. A colheita, obrigatória. Ouvimos quantas vezes e ignoramos essa Verdade.

Diante desse território do tempo nas vidas, o Eu é o presente, porquanto o passado passou e o futuro ainda não existe. Aqui, neste exato instante imperam todas as possibilidades dos acertos, enquanto muitos dormem sob o manto escuro da desatenção e da ausência de Luz.

É isto, ficam essas poucas palavras aos poucos que param nos textos e buscam sentido nestas parcelas do Tempo que nos são determinadas a que alimentemos Esperança e Fé, e que colhamos Alegria e Paz na consciência.

(Ilustraçao: A persistência da memória, de Salvador Dali).

21 dezembro 2021

As funções deste Universo - Por: Emerson Monteiro


As funções deste chão em que a gente vive, onde movimentamos de tudo, ao sabor das nossas ansiedades. Quase comum se imaginar que sabe tudo, e agimos feitos autores. Trabalhamos o tempo à medida que chegam as ideias. Fazemos, fazemos, daí o quadro atual dos acontecimentos. Quais quem acredita conhecer os mistérios da Natureza, essa estrutura maravilhosa, as lições passam longe de uma geração a outra.

Nisso e disso, dessa constante improvisação acentuada, deixamos de lado os aprendizados e encetamos sempre novas tentativas e erros ou acertos, mas sem gravar na consciência o velho sonho da Liberdade com responsabilidade. Daí, vêm os sofrimentos.

...

Em face do Universo, eis o que somos. Tudo, diante do eterno das existências. Valiosos seres em ação nos trilhos do Infinito. Enquanto agir permite construção dos passos seguintes, tocamos as folhas em branco do Destino quais instrumentos da perfeição em movimento sob nossas mãos. Viver, pontear os céus em forma das nuvens que transitam pelo teto azul do firmamento, e sentimos em nós mesmos tamanha possibilidade.

...

Os místicos falam que a realidade é mais adiante. Isto que vivemos equivale a mero sonho de que precisamos despertar. Espécies de seres improvisados neste tudo enquanto, só lá adiante distinguiremos o que seja a Verdade. Tais luzes em formação; um dia iluminaremos nosso interior e despertaremos da longa jornada rumo a nós mesmos. No campo das individualidades vive o plano da Criação universal, do qual significamos protagonistas. O espaço, o nosso palco. O tempo, o roteiro. Há conceitos importantes a fim de compreender o seja isto. Dentre eles a Reencarnação.

Muitos reclamam dessa possibilidade, no entanto bem representa o que há de perfeito entre as tantas noções. De uma vida a outra, os espíritos crescem da própria experiência e somam valores. Com isso, aprimoram a pertinência de trabalhar com os segredos deste Universo e distinguem o errado e o certo, até às raias da Felicidade plena.

17 dezembro 2021

Um começo – por José Luís Lira (*)

    Próximo sábado é Natal. Amanhã é o quarto domingo do advento, do tempo de esperas à vinda de Nosso Senhor, Jesus Cristo. E o Evangelho, de Lucas, nos remete ao “Magnificat”. E como a expressão de Isabel, “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”, me serve hoje.

   Há um dia, 17 de dezembro, chegou aos 90 anos, nosso queridíssimo Mons. Francisco Sadoc de Araújo, sobralense, que de tão grande e de tantos feitos ultrapassa os limites de nosso pensar para defini-lo. Todos sabemos que há tempos o Mons. Sadoc deixou suas atividades. Primeiro foi o problema de vista e depois outros foram se acentuando. É ele o maior historiador de Sobral e sua região. Sua Cronologia Sobralense é leitura obrigatória se quisermos entender no que se tornou a antiga Fazenda Caiçara. Que grande homenagem poderíamos prestar-lhe? No momento não é fácil, em face de sua condição de saúde. A oração é sempre um alento que não dispensamos, mas, decidimos fundar o Instituto Histórico e Geográfico de Sobral (IHGS), neste dia de seus 90 anos. E, mais ainda, a exemplo do que fora feito a Dom Pedro II no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tornamos o Mons. Sadoc de Araújo patrono do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral!

    O Instituto Histórico e Geográfico de Sobral – IHGS –, fundado nos 90 anos do Mons. Francisco Sadoc de Araújo, é uma sociedade cultural de duração ilimitada, sem fins econômicos, com a finalidade de promover o estudo e a divulgação da História e da Geografia e áreas afins de Sobral, do Ceará e do Brasil. O IHGS faz homenagem ao sobralense Mons. Sadoc de Araújo, pelo desempenho de seu papel como sacerdote católico, notável estudioso da História de Sobral e de sua região metropolitana, autor da Cronologia Sobralense, fundador e primeiro Reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), igualmente fundador da Igreja do Cristo Ressuscitado, que deu origem à Paróquia do Cristo Ressuscitado, da qual foi o primeiro Pároco, membro do Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico, imortal da Academia Cearense de Letras, da Academia Sobralense de Estudos e Letras e da Academia Brasileira de Hagiologia. Por essa razão, Mons. Francisco Sadoc de Araújo, sendo considerado hors-concours, ou seja, fora da competição, quando se trata de Sobral, sua religiosidade, sua educação e sua História, patroneará o IHGS, reconhecido, doravante como a Casa do Mons. Sadoc de Araújo. São letras estatutárias e a instalação do IHGS será em 1° de julho de 2022, dando início às celebrações dos 249 anos de Sobral, 200 anos da Independência do Brasil, 100 anos da Academia Sobralense de Letras e 140 anos de nascimento de Dom José Tupinambá da Frota.

   Neste dia dos 90 anos do Mons. Sadoc, 85 anos do nosso Santo Padre, Papa Francisco e, se vivo estivesse, 100 anos de Dom Walfrido Teixeira Vieira, terceiro Bispo de Sobral, também eu aniversario. Não faço data fechada, nem tenho as mercês dos santos homens que citei, mas, também celebro a vida que é de Deus e a Ele entrego-a diariamente, pedindo-lhe que na minha hora, lembre-se de mim, perdoando as inúmeras falhas que tenho.

   Aproveito para agradecer as felicitações pela criação do IHGS e por ter sido aclamado primeiro Presidente e pelo meu aniversário! 

   Deus Lo Vult!

          (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


15 dezembro 2021

Aceitar o silêncio - Por: Emerson Monteiro


Essa a necessidade imensa que parece trazer à tona o que silenciosamente acontece lá dentro de si, e bem reflete a chama viva dos pensamentos e sentimentos. São eras e eras de esforço em transformar o silêncio do Tempo na matéria prima de estudos pessoais. Buscamos aflitas formas de responder ao desafio dessa continuidade, no entanto presos quase só aos conceitos repetitivos de outros e de outros tempos. Tais instrumentos de neutralizar o desespero dessa vertigem do desaparecimento constante, que morde sem descanso a alma das criaturas, insistimos vencer o silêncio da história que passa e ficamos atônitos de largar no passado ruínas e monumentos do que somos e antes fomos. Ah, quantas luas mais hão de vir até que despertemos da ânsia de encontrar o sentido de tudo isto que aqui ora experimentamos.

Enquanto que, ininterruptos, desfilam ao nosso lado os passos harmoniosos do quanto testemunhamos sem desvendar o tal mistério e estar e desfrutar de todos os meios da revelação que nos espera de olhos abertos na claridade do Sol de todo dia. E saber que a resposta mora no íntimo de todos sem nenhuma exceção, seres determinados ao Eterno que já o somos e ainda carecemos desvendar.

Horas, vidas, nuvens e pensamentos, e sentimentos, ruídos mil a inundar as clareiras do Silêncio, durante sua presença nas consciências em movimento. Quais câmaras de eco desse infinito ainda adormecido, tateamos o escuro das multidões às vistas de achar felicidade no varejo das horas mortas.

Ouvir, contudo, que a voz de todas as certezas grita forte no nosso coração, a pedir realização de um Eu maior que aguarda de braços abertos o final do corredor dessa longa aventura errante. Calar um tanto a pressa de desejar o domínio e viver intensamente com Amor no coração, quantos aguardam esse momento definitivo das respostas que habitam perenes na paz do Silêncio presente a todo instante no penhor das gerações.
 

História dos Olhares

 


Olhar de Nossa Senhora do Bom Conselho 
(afresco existente na Basílica da cidade de Genazzano, Itália)

   Desejaria um dia estudar um capítulo especial da História da humanidade: a história dos olhares! Dos olhares magníficos, dos olhares esplendorosos, dos olhares suaves, dos olhares doces, dos olhares tristes, dos olhares de esperança, dos olhares de perplexidades! Dos olhares de indagação, de ordenação, de planejamento, de imprecação, de castigo!
    Ou o olhar bondoso e jubiloso de Nossa Senhora ao pousar sobre seus devotos, ou ainda o olhar tão poderoso de Nosso Senhor Jesus Cristo!

(Plínio Corrêa de Oliveira)

14 dezembro 2021

O sol da Consciência - Por: Emerson Monteiro


Sejam elas quais sejam, luzes ou substâncias, o que lhes dá claridade é a força viva da humana consciência. Sem qualquer distinção, tais expostas à luz do Sol, nós as iluminamos ao contemplá-las. Pouso das naves dessa percepção, sobrevoamos tudo em volta e divisamos a presença da nossa própria história naquilo em que fixamos a visão. Este sol, pois, somos nós mesmos, o que dá qualidade às coisas, pessoas e lugares, numa velocidade equivalente à velocidade da luz. Assim que notamos o mundo, dele fazemos objeto da nossa compreensão em movimento. Mágicos e videntes, tangemos as bordas dessas existências ao instante atual e alternamos a oportunidade que lhes oferecemos de preencher o espaço da nossa identificação, recriando mundos e universos instantaneamente, no fluir das intenções.

Criadores do espaço, no decorrer do tempo escrevemos a história à medida que nela projetamos esse poder infinito de identificar e produzir as cenas da realidade que nasce de dentro das pessoas e ganha essência na proporção em que essa consciência se faz ação efetiva, a lhes oferecer existências, no correr dos gestos de quem age e denomina. Em tese, sem que existíssemos jamais haveria existências.

Esse dom de produzir universos durante as horas equivale ao que denominamos poder, razão maior de ultrapassar as limitações físicas e desvendar o mistério das individualidades. Interpretar o significado e a motivação de vir aqui e tocar adiante o princípio da vida, causa primeira de tudo quanto há. Espécie de labirinto em formação, percorremos todas as estações da natureza através de nossa consciência criadora.

Contudo essa tal compreensão necessita da mesma condição de a gente denominar também esta significação no interior, dentro de que fazemos parte, a preencher de percepção o que vemos e sentimos na alma, existências vivas nesse espaço interior que somos nós desde sempre, até que iluminemos a nós próprios, motivo de todas as existências em nós.

Sejam elas quais sejam, luzes ou substâncias, o que lhes dá claridade é a força viva da humana consciência. Sem qualquer distinção, tais expostas à luz do Sol, nós as iluminamos ao contemplá-las. Pouso das naves dessa percepção, sobrevoamos tudo em volta e divisamos a presença da nossa própria história naquilo em que fixamos a visão. Este sol, pois, somos nós mesmos, o que dá qualidade às coisas, pessoas e lugares, numa velocidade equivalente à velocidade da luz. Assim que notamos o mundo, dele fazemos objeto da nossa compreensão em movimento. Mágicos e videntes, tangemos as bordas dessas existências ao instante atual e alternamos a oportunidade que lhes oferecemos de preencher o espaço da nossa identificação, recriando mundos e universos instantaneamente, no fluir das intenções.

Criadores do espaço, no decorrer do tempo escrevemos a história à medida que nela projetamos esse poder infinito de identificar e produzir as cenas da realidade que nasce de dentro das pessoas e ganha essência na proporção em que essa consciência se faz ação efetiva, a lhes oferecer existências, no correr dos gestos de quem age e denomina. Em tese, sem que existíssemos jamais haveria existências.

Esse dom de produzir universos durante as horas equivale ao que denominamos poder, razão maior de ultrapassar as limitações físicas e desvendar o mistério das individualidades. Interpretar o significado e a motivação de vir aqui e tocar adiante o princípio da vida, causa primeira de tudo quanto há. Espécie de labirinto em formação, percorremos todas as estações da natureza através de nossa consciência criadora.

Contudo essa tal compreensão necessita da mesma condição de a gente denominar também esta significação no interior, dentro de que fazemos parte, a preencher de percepção o que vemos e sentimos na alma, existências vivas nesse espaço interior que somos nós desde sempre, até que iluminemos a nós próprios, motivo de todas as existências em nós.

11 dezembro 2021

Tática de avestruz - Por: Emerson Monteiro


Quem não sabe é como quem não vê.
Sabedoria popular

Tanto tempo a passar pelos mesmos corredores e as gerações deixam claro que praticamente exercitam muito pouco daquilo que aprenderam na longa estrada de tantos séculos e milênios de peia. Qual quisessem enganar a si, multidões repetem fórmulas vencidas e padecem das mesmas deficiências. Esquisito se não fosse o tanto de dolorosa verdade que isto encerra. Pouco ou quase nada desvendaram das leis que regem este Universo. Numa espécie de Lei da Gravidade espiritual, vemo-nos a ela submetidos, isto sem ter que pedir explicação. Essa a luz da consciência, o que por demais carecemos durante toda Eternidade.

No entanto há limites intransponíveis que sustentam as bases das existências, independente de soberba dos humanos, e estabelecem as fronteiras e os destinos. Quiséssemos justificar as leis da História e ver-nos-íamos diante desses limites indevassáveis além de toda vontade individual.

Existem, portanto, evidências definitivas as quais pressupõem valores até então vulgarmente desconhecidos. Quedamo-nos tais cegos de nascença no reconhecimento desse Poder, aprendizes da sorte em condições primárias. As filosofias, os mestres, santos e místicos buscam aprofundar a compreensão geral, porém submersos às restrições generalizadas da grande massa. Daí, ainda que vítimas das próprias alucinações, a horda segue, passos largos, na direção dos abismos que criam constantemente, esquecidos das dores do passado.  

...

Assim, embriagados no desconhecimento, ignoramos todas as evidências dos segredos e mistérios da Natureza, querendo reinventar aquilo de que somos meros aprendizes, num improviso de causar espanto; deixamos, pois, o corpanzil da raça humana à mercê das consequências dos seus atos e escondemos aquilo que seriam as normas da inteligência debaixo das sombras, na incerteza. Vítimas, pois, desses equívocos, tocamos a vida ao encontro de uma razão maior que nos espera sem qualquer dúvida.

O resumo da história conta disso, das carências de lucidez nas atitudes, quando são urgentes outras práticas sob os princípios da paz, revestidas nos hábitos de aceitação dos valores que façam notar a importância dessa transformação. Saber, sabemos. Que dia resolver, isto reclama dos sonhos a coerente providência neste mundo antiquário.

10 dezembro 2021

Duas frases para reflexão neste fim-de-semana

 “Estou convencida de que se cada um votasse livremente, a maioria por meu Pai seria incontestável. Agora tudo foi feito pelo Exército, por conseguinte pela força. Pode-se mesmo dizer que tudo foi feito por alguns oficiais.

(Princesa Isabel, em documento intitulado “Memória para meus Filhos”, que escreveu em novembro de 1889, durante a viagem da Família Imperial Brasileira para o seu injusto e penoso Exílio na Europa, após a quartelada republicana do dia 15 de novembro de 1889).

“Se a Monarquia não pertencesse à atualidade, eu não ouvia falar tanto da sua necessidade.”

(Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 até o seu falecimento, em 1981, em entrevista ao periódico monarquista português “O Debate”, publicada em sua edição de 6 de dezembro de 1962).

130 anos da morte do Imperador, que passou à
História como "O Maior dos Brasileiros"





O Natal está chegando– por José Luís Lira (*)

 

    Estamos advento, primeiro tempo do Ano Litúrgico ou ano novo na Igreja Católica e antecedente do Natal. Mesmo no segundo ano com pandemia, a cidade se ilumina mais. Todos nos preocupamos em montar a árvore de natal, o presépio. Nos shoppings e outros espaços públicos vemos decorações natalinas. Existe incentivo ao consumismo e a mente, inquieta, insiste em voltar 2021 anos. 

   Maria e José já deveriam ter deixado sua Nazaré, na Galileia, para realizarem o recenseamento, conforme edito de César Augusto. José, o carpinteiro, era nascido em Belém, a cidade de David, na Judeia, e para lá deslocar-se-ia com Maria, sua esposa, que estava grávida. Ainda hoje não é uma pequena distância. Penso que a esta altura, dias antes do nascimento de Jesus, José, seu pai amoroso, e Maria, sua mãe, já estavam a caminho… e, diríamos, do caminho que trouxe a redenção, a salvação à humanidade.

   A história do Filho de Deus é inspiradora. Digo isso sem ameaças de cair em lugar comum. Vejamos: a concepção. Um anjo veio à terra e foi ao encontro de uma virgem, hoje sabemos, concebida sem a mácula do pecado, pois, Deus “jamais entrará numa alma de má fé e jamais habitará num corpo sujeito ao pecado” (Sb. 1,4). Maria estava noiva e “não conhecia” homem algum. Mas, o Espírito Santo de Deus viria sobre ela e quem n’ela fora gerado é o Filho de Deus. Sem nada contar a José sobre os acontecimentos, Maria vai ajudar à prima. Isabel exulta em ver a prima, exclamando: “Donde me vem a honra de receber a Mãe de meu Salvador”.

   Após o nascimento do filho de Isabel e Zacarias, Maria volta à Nazaré. Àquela altura, a barriga já era evidente e ela ainda não casara com José. Ele, um homem justo, decide abandonar Maria para que ela não fosse apedrejada, conforme as leis da época. Mas, o anjo aparece em sonho a José e revela o que estava a acontecer e diz mais, ele, José, daria o nome ao Filho de Deus, Jesus, e seria seu guardião. É ou não é uma superação, como dizemos hoje? Inspira-nos e faz-nos lembrar a pequenez das dificuldades cotidianas ante essa realidade.

   Mas, recordando a ideia principal, Maria e José se encaminhavam a Belém. José não tinha mais parentes na cidade, Maria também não. Mas, mostrando que Deus tudo planeja e “há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ecl. 3,1), o recenseamento foi um modo de Deus determinar que seu Filho humanizado nascesse na Cidade de David, Belém, a “Casa do Pão”. Jesus se tornaria, depois, o Pão Eucarístico. E nós veremos nos dias seguintes. Eles chegarão a Belém e lá não encontrarão hospedagem. É tarde. Maria sente que o nascimento de Jesus se aproxima. Hora ímpar em que Deus se faz homem e diríamos que o céu se encontra ou se faz terra. Os animais são os anfitriões. O berço do Filho de Deus será uma manjedoura, cocho de comida dos animais...

   Será que não encontramos outras famílias nessas condições, guardadas as proporções? Onde está Jesus – Luz da Luz? É Ele a luz principal da decoração natalina? Será que a figura do papai Noel – da tradição de um bispo católico dos primeiros séculos –, não toma o lugar do Jesus? Será que o consumismo não ocupa o espaço da solidariedade?

   Reflitamos e não hesitemos em colocar Jesus e a solidariedade por Ele ensinada, verdadeiramente, no centro do Natal!

          (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


09 dezembro 2021

Aflição populacional - Por: Emerson Monteiro


Desde que os grupos de poder observaram que o excesso de gente na Terra ocasionaria mais e mais demanda por alimento e pela divisão dos recursos naturais, pondo a risco os lucros do capital em detrimento do trabalho, passaram a maquinar urgências de conter o crescimento desordenado da população. Vieram, com isso, as teorias políticas materialistas, sobretudo após a Revolução Francesa, quando, então, foram sendo questionados os valores arcaicos do domínio dos impérios, e que custaram logo adiante duas guerras mundiais de horripilante memória. Evidenciou-se que a explosão populacional traria desconforto aos donos das bases econômicas, e as elites se insurgiriam e manipulariam sobremodo os bolsões de pobreza, por meio das táticas políticas e legislativas na grande maioria das nações menos desenvolvidas, como ficou evidente na história.

Nisso, dentre alternativas visíveis, haveria a divisão das fontes de produção pela coletivização, no entanto as ditas revoluções socialistas, nessa perspectiva, resultaram infrutíferas e geraram novas elites de poder, o que hoje basicamente caracteriza o quadro mundial da geopolítica, fruto de tentativas frustradas nessa redivisão da riqueza através das lutas de classe.

O panorama atual persiste, pois, sem maiores modificações, com as nações ricas a gerir o poder econômico agora sob o símbolo das avançadas tecnologias da informação e do monopólio severo dos bens de produção e dos mercados, sempre nas mãos dos abastados poderosos. Ao mesmo tempo, as populações pobres seguem ao largo sem um lugar ao sol, num crescimento de progressão geométrica desordenada, face a face com o crescimento econômico apenas em nível aritmético.

A esse tempo, os métodos de dominação e redução humana continuam pensados e praticados através das divisões étnicas em conflito, nas guerras de extermínio, da fome avassaladora e do domínio das lideranças perversas e dos profissionais da ganância política.

Até esta data, todavia, nenhum recurso racional de equilíbrio populacional coerente se fez valer além de teses universitárias isoladas, por vezes distantes da realidade e de uma justiça esclarecida, deixando à margem os dotes clássicos da inteligência e dos espíritos evoluídos.

Vivemos, a bem dizer, o marco zero da igualdade tão necessária ao exercício desses conceitos sociais honestos, onde o sonho de todos da tão desejada paz da Humanidade venha a ser posto em prática. De certeza, isso não virá através da redução populacional bárbara a troco das atitudes insanas ou discriminação de qualquer natureza. Há de haver bom senso e princípios solidários que a todos atendam sem qualquer distinção, através das virtudes significativas do amor e da fraternidade, razões essenciais de tudo que existe e existirá perante a verdadeira natureza espiritual dos seres humanos.

08 dezembro 2021

Este ser que somos nós - Por: Emerson Monteiro


Uma réstia na vastidão dos infinitos; o transporte das individualidades que desmancham no firmamento das horas feito relâmpagos nas noites escuras da solidão. Pessoas, indivíduos, criaturas... Rastros de perfeição inimaginável, sequenciamos viver sob esse teto de pensamentos e sentimentos, ondas inteligentes formadas pelas praias do talvez.

Mergulhar esses nós que somos equivale existir dentro das paredes em movimento onde habitamos, escafandros de matéria, quando ora administramos conduzir a consciência em elaboração e classificar objetos e lugares, ideias e pessoas, numa efusão aparente de liberdade, no entanto cercados de limites invisíveis, inexpugnáveis. Quais autores de nós mesmos, apenas exercitamos a ginástica das horas, mágicos na essência de que nem conhecemos a origem e os motivos de estar neste chão.

Nisso, vem fome de conhecer que impera no desejo de eternizar os momentos que nos fogem apressados no tempo, contudo meras alimárias de rebanhos invisíveis, debaixo de leis que quase desconhecemos e, de modo bárbaro, fazemos delas largos esforços de cumprir o leu da sorte, no roteiro das ausências. Claudicamos assim submersos a normas que contrariamos, e temos de responder nas vidas que se repetem, escravos e senhores desta humana condição.

...

Nessa vontade forte por demais de a tudo superar, chegam ânsias de interpretar o destino abandonado em nossas próprias mãos de aprendizes da felicidade, entretanto ainda só pacientes da dúvida. São muitos os dias de expectativa que batem insistentes nas paredes foscas da gente, tateando na escuridão dos mistérios e parceiras da loteria das ilusões; quase nunca detentores de marcas inatingíveis, outrossim lutadores nos ringues de um prazer insaciável da carne.

A pretensão, portanto, de lá certa vez desvendar de todo esse enigma de que nascemos e junto de quem adormecemos e acordamos, vamos estudando as lições, selecionando o clima das atitudes, porém já cientes de haver apenas isso de persistir na busca do sentido absoluto da certeza que nos traz até aqui e, pacientemente, espera que despertemos do sono cataléptico das almas aflitas, e participemos dos frutos da vitória a mais esplendorosa.  

07 dezembro 2021

5 de dezembro: aniversário da morte de Dom Pedro II – por José Luís Lira (*)

    Há 130 anos partia do mundo dos vivos o maior brasileiro de todos os tempos, Sua Majestade Dom Pedro II. A França Republicana lhe deu tratamento de Chefe de Estado e o tratou por Imperador do Brasil. Os daqui devem ter ficado com remorso com o que fizeram ao Magnânimo Imperador!

Salve Dom Pedro II,
Deus salve a Pátria!

Publicado originalmente no Facebook do autor


(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

ROSEMBERG CARIRY TEM TESE DE DOUTORADO APROVADA PELA UNIVERSIDADE DO PORTO, PORTUGAL

 


O
cineasta, escritor e poeta caririzeiro Rosemberg Cariry  (Antonio Rosemberg de Moura) teve sua tese  doutoral JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO: O SAGRADO, A ARTE E A UTOPIA DA TERCEIRA ERA DO ESPÍRITO SANTO aprovada  nesta segunda-feira, 6 de dezembro, por unanimidade pela banca examinadora, com recomendação  de publicação;  obtendo, assim, o grau de Doutor em Educação Artística pelo  Programa Doutoral em Educação Artística, com dupla titulação, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Portugal.

 

A Mesa, presidida pelo Prof. Dr. Mário Bismarck, contou com as presenças do prof. Dr. Cláudio Novaes, Prof. Dr. Filipe Zau e Prof. Dr. Jorge Ramos do Ó – representantes de universidades de Portugal, Angola e Brasil.  O orientador foi do Prof. Dr. José Carlos de Paiva e Silva e o co-orientador foi o Prof. Dr. Tiago Barbedo Assis.

 

RESUMO DA TESE

Este estudo tem o propósito de entender o significado histórico e simbólico da tradição religiosa e cultural do Espírito Santo, em Portugal, e da sua difusão nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, na Ásia e no Brasil – país onde se manifesta até hoje, em várias de suas regiões, estando inscrita também em movimentos sociais de significativa importância, como Canudos, Contestado, Juazeiro do Norte e Caldeirão. Elege como foco mais destacado o Juazeiro do Padre Cícero, cidade romeira do Cariri Cearense, para nela identificar algumas especificidades dessas manifestações do sagrado, da arte e da utopia vinculados à referida tradição. Parte de uma arqueologia do cristianismo primitivo e suas principais cismas, passando pelos movimentos milenaristas e religiosos da Idade Média, até chegar às grandes navegações, quando se dá a difusão da cultura portuguesa em vários continentes, através das suas conquistas e instalação das colônias. Utiliza obras e autores, de épocas diversas, por se tratar de uma temática aberta a inúmeros enfoques e campos do conhecimento, indo da teologia à sociologia, da história à antropologia, da estética à política; bem como fontes e técnicas variadas de pesquisa, como livros, entrevistas, narrativas orais, registros etnográficos, canções, poemas, vivências culturais e recursos audiovisuais, sabendo que sujeitos, subjetividades, fragmentos e sentidos simbólicos fazem parte de processos sociais identitários e simbólicos, em permanente construção, reconstrução e (des)construção. Para a definição do alcance da análise pretendida sobre o fenômeno estudado e do seu contorno cultural no Brasil faz algumas escolhas de natureza conceitual e operacional, a partir de um enfoque fenomenológico e do debate contemporâneo acerca das relações entre arte, cultura, educação e práticas comunitárias, seguindo correntes distintas, que estão postas em movimento, no interior das ciências sociais europeias e latino-americanas, de onde retira alguns expoentes e questões postas em destaque, em especial, o conceito de transbarroco, para pensar os dilemas identitários de sociedades com passado colonial. Apresenta como resultado a ideia de que, nas manifestações correntes no norte e nordeste do Brasil, a Festa do Espírito Santo encarna o significado de sentido de vida, estabelecendo uma microtopia (realização da vida e da beleza possível, no espaço reinventado de forma comunitária), dentro da realidade opressiva da sociedade capitalista excludente, neoliberal e globalizada; no caso do Juazeiro, mais que uma festa, o Império do Espírito Santo constitui toda a simbologia da cidade, como espaço sagrado capaz de operar a própria mística da busca popular pela renovação do mundo.

 

Parabéns por mais essa importante vitória, Dr. Rosemberg Cariry.

05 dezembro 2021

Neste universo da gente - Por: Emerson Monteiro


Há um rio a correr dentro da gente, formado de tudo quanto se viveu, amou, padeceu, acreditou, e que nunca interrompe seu curso indefinidamente. Cenas marcantes de relacionamentos com a realidade, com as emoções, enfieira dos dias, que a memória grava nas paredes da alma. São sinais desses mistérios ocasionais de tudo que se experimentam sem interrupção, num movimento interminável, pelo vasto oceano das vivências sucessivas. Marcas e pessoas, entranhadas nos sentimentos e lugares das circunstâncias vividas, demostram as lições de que sempre assim existimos depois de conhecê-las, numa espécie de cenário das histórias e dos momentos, territórios onde representamos as peças de nossa humana condição. Força descomunal constrange esse itinerário, assegurando todo tempo que existimos, portadora do saldo das experiências de que haveremos de nos libertar tão logo encontremos o foco essencial de uma consciência clara lá adiante.

Nisto, sim, num objetivo certo, a razão do tanto de existir eis o sentido natural desse encontro consigo que resta basicamente desvendar; do ser pessoal que adquiriremos durante a presença neste mundo. Nada existe de mero acaso. As proporções originais do labirinto em que movemos nossa consciência significam este curso original das existências, peças-chave de onde nascemos a construir um novo e definitivo Ser. Somos quais navegantes de nós mesmos, autores do que resta descobrir nestas águas sacrossantas de onde advêm os instrumentos de nossa libertação.

A isso, na busca do encontro a que os místicos e conhecedores das profundezas do Eu interior trazem luzes, nessa revelação em movimento, a Civilização afirma seus conceitos culturais. Cabe, pois, elucidar os refolhos da alma e achar de vez a forma de solucionar os dramas atuais da personalidade em crescimento.

(Ilustração: A queda dos anjos rebeldes, de Rubens).

04 dezembro 2021

A intuição - Por: Emerson Monteiro


Dessas variantes que chegam em ocasião necessária e trazem consigo milhares de pequenas partículas de longas jornadas mentais, invadindo o deserto da gente e esfacelando de vez a sequidão do silêncio. Chegam, e determinam. Impõem, até podemos dizer, qual sonho que se houvesse real sonhariam longe das mais vagas previsões. Trazem de junto, no entanto, respostas a quantas perguntas que viviam vagando os céus da consciência, talvez fora de propósitos, mas que pediam resultados, a fim de escolher um caminho a seguir. Então, abrem alternativas de modo que restam disso tão somente andar pelo espaço da imaginação na busca de conhecer aonde ir nessas paisagens da existência.

São assim as intuições tais inspiração de momento a momento, resgando clareiras nessas florestas dos dias, talhos imensos no teto do universo em movimento de dentro das pessoas. E daí, surgem questões de querer saber também o que nadaria no íntimo das outras criaturas, que diriam a si que presenciassem da própria história. Mesmo que sejam só figuras de preencher o território que ocupem, no entanto se não iguais pelo menos que sejam tão parecidas com a nossa identidade.  Gente, afinal.

Nisso, nos observando, queremos conhecer que, se somos iguais às outras criaturas caminhando ao nosso lado, ao menos saber quem o são, e nós iguais dessa forma seremos. Essa procura insana de revelar o ser de dentro, se nem saber o que eles, os outros, sejam, de maneira semelhante vagam todos no tempo feitos fervilhantes pensamentos em ação inevitável.

Intuir, pois, eis o formato de transcrever no sentimento aquilo que as horas quiseram falar e deixamos de interpretar, esse esforço sobre-humano de salvar a pele e trazer à tona conteúdo às nossas almas vazias. Sustentar o enredo das histórias individuais, porém só meras peças soltas de descomunais quebra-cabeças, numa constante agitação. Fagulhas de fornalha acesa sob camadas sucessivas de terra em que antes fomos o abismo desse nada que bem ali permanecemos até desaparecer.

Siara: Uma Lenda de Amor – por José Luís Lira (*)

   Normalmente um romance histórico busca uma inspiração em fatos do passado, em personalidades históricas ou anônimas. O indianismo brasileiro foi dominado por José de Alencar que inaugurou o romance brasileiro no gênero. É claro, sem querer entrar em polêmica, não se pode esquecer de Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, português, romancista, político que nem Alencar e, também, indianista. 

   Tudo isso me vem à mente quando concluí a leitura “Siara: Uma lenda de Amor”, da confreira Grecianny Carvalho Cordeiro. A autora é Promotora de Justiça no Estado do Ceará, com mestrado em Direito Público pela Universidade Federal do Ceará e pela Universidade de Fortaleza. Escritora e jornalista, articulista do Jornal O Estado. Da Academia Cearense de Letras, da Academia Metropolitana de Letras e da Academia Fortalezense de Letras, entre outras. Autora de livros, jurídicos, romances, poemas. 

    O livro em comento é um romance histórico. Estamos no Brasil holandês e o Ceará está dividido entre indígenas e holandeses. Neste contexto surge uma história de amor que move a história. É o amor de Laila, uma cacique indígena (é tão diferente que o computador não quer aceitar “uma cacique”), e o holandês Jonas.  

    De início da história, têm-se a impressão que o desfecho será parecido com Iracema, a lenda da mãe da raça cearense com seu filho Moacir ou filho da dor. Cresci na Ibiapaba, estudei no Ipu e conheço muito bem o cenário e a história de Alencar. Mas, no final o leitor se surpreenderá e aqui não abordarei para que o próprio leitor constate. Além de apresentação, prólogo e epílogo, o romance é composto por 31 capítulos. Romance, histórico, e interessante observar, têm notas de rodapé com fotos históricos e suas páginas lemos, com citações indiretas, Matias Beck, Raimundo Girão, Câmara Cascudo, Barão de Studart, entre outros. 

    Personalidades históricas são as mais variadas e podemos observar que nossa autora promove um encontro entre Martim Soares Moreno (considerado fundador do Ceará e, ficcionalmente, pai do filho de Iracema citada no início) e Laila, a cacique: “recordava vagamente desse português de nome Martim, trazido à presença de seu pai através do primo Jacaúna”, contextualiza. 

    Uma das forças motoras do romance é a busca de prata pelos holandeses, suas presenças na serra de Maranguape, Fortaleza, Camocim e na Ibiapaba. Observamos que o romance mostra também a força da mulher indígena e a coragem da cacique Laila quando da retirada dos holandeses do Ceará me lembrou o final do Memorial de Maria Moura, quando a Moura decide ir à batalha contra seus inimigos sem medo de morrer ou com esperança de viver. A cacique não abandona seu povo. É a única sobrevivente e como profetizará, sua história sobreviveu ao tempo, emoldurada pelo amor de um holandês e uma índia. Ela lembra que “Aquele era o seu Siara”. E aquela “espantosa felicidade” ultrapassou a razão sempre mortal diante da imortalidade do amor. 

    O livro de Grecianny Carvalho Cordeiro é daqueles que devemos ter sempre por perto para quando faltar algo interessante para ler, reler, folhear e se emocionar com tão belo enredo.
     Resta, portanto, parabenizar a autora e recomendar “Siara: Uma lenda de amor”, de Grecianny Carvalho Cordeiro (Fortaleza: Sol Literário, 2020, 224 páginas).
 
       (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.
 

01 dezembro 2021

Dias melhores já vêm - Por: Emerson Monteiro


Nesses mecanismos das horas durante os quais ocorrem os fenômenos da natureza, dentro deles existem reservas inesgotáveis de possibilidades abertas todo tempo aos seres humanos. Inclusive vindas do âmago desses mesmas criaturas tão ricas de modificações aos quadros existentes, haja vista o quanto de evolução da técnica desde sempre vem acontecendo, abrindo espaços às maravilhas dessa natureza humana, sua comunicação, seus transportes, sua ciência revolucionária. Que mais esperar dessa evolução sem limites, a não ser perfeição dos métodos e a prática dos novos conhecimentos na área da psicologia voltada ao progresso das coletividades, à divisão da riqueza, herança comum a todos, e a uma paz e amizade fraternas como jamais imaginado diante dos acontecimentos antigos. São chegados, pois, esses momentos de solidariedade que tantos aguardamos no transcorrer das gerações, quando seremos, então, irmãos de verdade, e ampliar nossos conhecimentos de viver em grupo, voltados ao bem de todos, sem exceção ou divisão.

A isso nunca será demais mergulhar nos nossos sentimentos e desvendar segredos da consciência que imperam no nosso íntimo, razão de estar aqui, motivo da persistência desta vida no seio da história mãe. Trabalhar meios de somar esforços pelo sentido da confiança e dos valores positivos. Vêm de longe tais esperanças, isto por meio da cultura, das artes e do senso de aprimoramento das instituições.

Sem sombra de dúvidas, agora isto repousa nas atitudes dos indivíduos, quando aceitem renovar os métodos de trabalho e de compreensão de que os bens da natureza da Terra pertencem a todos, nisto suficientes à causa principal de aceitar as contradições e trabalhar a igualdade de condições pelos favores do tempo. Foram muitos séculos de expectativa até desvendar a urgência de voltar nossos esforços pessoais ao interesse da sociedade como um todo. Por isso, perante a inevitável percepção de que somos um ente único e indivisível, chegam dias de pura transformação das mentalidades em universo pleno desta visão igualitária e fértil dos dias de hoje.