11 novembro 2021

Nada a comemorar neste 15 de novembro – por Armando Lopes Rafael

 

    2021 vai ficar marcado como o ano da CPI da Covid (apropriadamente denominada pelo povo como “A CPI do Circo"). Mas não é dessa risível CPI que venho falar hoje. Na próxima segunda feira –  aniversário da  “Proclamação” da República –  será mais um feriado nacional. E, como sempre, a maioria do povo não saberá a razão desse feriado. Empurrada goela abaixo na população brasileira, em 1889, por meio de um golpe militar, a tal “Proclamação” é um episódio da história sem nenhuma ressonância nas camadas do povo.

  O que tem sido a República nestes 132 anos desde que foi instaurada sem consulta popular? 

  Um ex-governador de São Paulo, Franco Montoro, gostava de lembrar que República vem de “res-publica” (coisa pública) e não de “Cosa Nostra”, o que ela  teria virado no Brasil... Em um artigo, o historiador Marcos Antônio Villa definiu bem os dias atuais da república brasileira. A conferir as palavras daquele historiador:

“Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. A impunidade acabou transformando alguns deles em referências morais, por mais estranho que pareça.

“Vivemos uma época do vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer preço. E rapidamente. Não importam os meios. Garantidos pela impunidade, sabem que se forem apanhados têm sempre uma banca de advogados, regiamente pagos, para livrá-los de alguma condenação.

“São anos marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disso. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e no qual nada é proibido. Pois os poderosos exercem o controle do Estado - controle no sentido mais amplo e autocrático possível. Feio não é violar a lei, mas perder uma eleição, estar distante do governo.

“Neste universo sombrio, somente os áulicos - e são tantos - é que podem estar satisfeitos”.

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