13 novembro 2021

(15 de novembro) “Hoje é feriado nacional sem comemoração”

(Excertos de longa reportagem publicada pelo jornal  “Diário do Nordeste”)

Escrito por Redação,  15 de Novembro de 2004  

Pracinha da Cruz do Século, localizada no local onde foi fuzilado 
o herói monarquista Pinto Madeira, no bairro do mesmo 
nome na cidade de Crato

Esta matéria foi publicada há 17 anos. Mas permanece atualíssima

   Crato (Sucursal) — “A Proclamação da República, que deveria ser comemorada hoje, é apenas mais um feriado nacional. O desconhecimento e o desinteresse em relação à data é, no mínimo, curioso. O Cariri ocupa lugar de destaque na luta entre monarquistas e republicanos. Episódios marcantes da mudança de regime são rememorados nas fachadas de prédios antigos e em logradouros públicos. Nas escolas públicas de municípios cearenses, os estudantes mostram-se indiferentes à data, mesmo com trabalhos realizados em sala de aula.

    O Cariri mantém vivas as lembranças do Império, regime que antecedeu a República. Os principais episódios que marcaram a mudança do regime estão presentes nas fachadas dos prédios antigos que testemunharam o conflito de idéias entre republicanos e monarquistas. A mais forte imagem dessa luta de idéias é a Cruz do Século, erguida no bairro Pinto Madeira, onde o líder monarquista foi fuzilado. No local, muitas pessoas, acendem velas e fazem promessas, a maioria, sem saber o que Pinto Madeira representou para a região. E assim, acendendo uma vela à República e outra à Monarquia, as pessoas simples comemoram mais um feriado, sem saber o motivo. O aposentado Alfredo Rodrigues, 74 anos, que nasceu e cresceu no bairro Pinto Madeira, não sabe a origem do nome do bairro onde mora, muito menos o que significa Proclamação da República.

   O escritor e historiador monarquista, Armando Lopes Rafael, lembra que o Crato poderia ser uma das poucas cidades do Ceará a comemorar o aniversário da Proclamação da República, neste 15 de Novembro. “Poderia. Mas também aqui, a exemplo do restante do País, a data passa sem nenhuma comemoração”. Ao fazer este comentário, Armando Lopes Rafael lembra que hoje somente uma minoria nos meios acadêmicos não perde oportunidade para enfatizar a participação da cidade na Revolução Pernambucana de 1817. Iniciada em Recife (PE), esse movimento libertário e republicano estendeu-se até o Crato, que foi palco de um confronto ideológico entre o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, monarquista e católico tradicionalista, e membros da influente família Alencar, de formação liberal, defensora dos princípios republicanos e laicos da Revolução Francesa de 1789.

   Armando Lopes Rafael destaca os heróis monarquistas, começando pelo brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, nascido no Crato. O mais conhecido herói da Monarquia, porém, ficou sendo o caudilho Pinto Madeira. Crato o homenageia dando o seu nome a um dos bairros da cidade. A primitiva Casa da Câmara, onde Pinto Madeira foi julgado, e o local onde foi fuzilado são preservados. Neste último, a Prefeitura construiu uma praça chamada de “Cruz do Século”. É que o local do fuzilamento foi escolhido a fim de abrigar uma cruz de madeira para assinalar a passagem do século 19 para o século 20.

    Conhecido como pessoa vingativa e, até certo ponto violenta, Pinto Madeira, após sua trágica morte, foi transformado em “santo”. Segundo o historiador Irineu Pinheiro, no Crato antigo as pessoas faziam promessas e iam agradecer as “graças alcançadas” acendendo velas no local onde tombou o monarquista caririense”.

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