01 outubro 2021

Oh Santo de Deus muito amado! – por José Luís Lira (*)

 

    São Francisco Louvado Sejais!, assim cantamos na ladainha de São Francisco de Assis. Setecentos e noventa e cinco anos nos separam de morte por quem louvou ao Senhor Deus, chamando-a “nossa irmã a Morte corporal,/ da qual homem algum pode escapar”. Conforme seus biógrafos, sentindo a morte próxima, Francisco solicitou à nobre Jacopa de' Settesoli, uma amiga romana, que trouxesse o necessário para seu sepultamento. Foi despedir-se da Irmã Clara e das irmãs, em São Damião e voltou à Porciúncula, deu instruções para ser sepultado nu, e no pôr do sol de 3 de outubro de 1226, depois de ler algumas passagens do Evangelho, faleceu rodeado de seus companheiros, nobres amigos e outras personalidades. 

   Menos de dois anos depois, o Papa Gregório IX foi a Assis para canonizá-lo, em 06/07/1228. Em 1230, foi inaugurada uma nova basílica em Assis, dedicada ao Santo, abrigando suas relíquias e o seu túmulo definitivo. 

   Dante Alighieri (1265-1321) escreveu que Francisco foi uma “luz que brilhou sobre o mundo”. Francisco foi um poeta existencial. Na juventude, como todo rapaz de sua época, aventureiro, namorador... Em 1202, alistou-se na guerra que Assis desenvolvia contra Peruggia, mas foi capturado e permaneceu preso por cerca de um ano. Em 1205, engajou-se no exército papal que lutava contra Frederico II, tornando-se Cavaleiro. Deixando o campo de batalha, voltou à sua cidade. Ali, ao passar por uma igreja em ruínas, ouviu o chamado: “Francisco, reconstrói a minha Igreja” e fez uma revolução na Santa Madre Igreja.

   O martirológio romano registra em 4 de outubro, um dia após seu encontro com Deus: “Memória de São Francisco, que, depois de uma vida despreocupada, se converteu à vida evangélica em Assis, na Úmbria, região da Itália, encontrando Jesus Cristo especialmente nos pobres e tornando-se ele mesmo pobre ao serviço dos necessitados. Reuniu em comunidade consigo os Frades Menores, pregou o amor de Deus a todos nas suas caminhadas, inclusivamente na peregrinação à Terra Santa, mostrando com as suas palavras e atitudes o desejo de seguir a Cristo, e quis morrer deitado sobre a terra nua”.

   O maior local de devoção ao Santo é sua terra, Assisi, na Peruggia, Itália, onde um dia percorri seus caminhos. No Ceará está o segundo maior santuário franciscano do mundo: Canindé. O início de tudo se deu no século XVIII, quando foi construída uma capela dedicada a São Francisco, vindo, da Itália, sua primeira imagem. A capela deu origem à bela Basílica Menor de São Francisco, da qual tive a honra de relatar o Parecer de Tombamento, no Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará. 

   Em 2018, pelo Decreto Legislativo N° 020/2018, publicado no Diário Oficial do Município de Canindé, de 1°/11/2018, foi concedido o “Título Honorífico de CIDADÃO CANINDEENSE, ao PADROEIRO da Cidade, São Francisco (in memoriam)”. Não encontrei, em lugar nenhum, tributo semelhante a um santo padroeiro. O Vereador Carlos Anastácio, autor do projeto, em justificativa, relatou a biografia do Santo e destacou: “se alguém merece tal honraria de cidadania canindeense, esse é São Francisco”.

   São Francisco é irmão de todos os cristãos e de nós, cearenses, muito próximo, pela cidadania canindeense! 

     São Francisco nos abençoai!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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