17 outubro 2021

O infinito de nós mesmos - Por: Emerson Monteiro


Logo ali quando tudo se desfaz diante das garras de um passado disforme, mora uma sede imensa de perenidade. As hostes do Tempo, contudo, impõem suas condições e temos de nos render à máquina do Infinito. Isso no mínimo toca o apiário da vontade e nos vemos face ao desejo de resistir às ânsias e angústias. Ou então socar a cabeça nas areias da ilusão. É nessa hora quanto pesa a alfândega da realidade espiritual de que tantos querem escapar. Olhos postos, pois, nas quebradas do destino, tocamos o rebanho dos nossos atos e mergulhamos nas súplicas da solidão. Nós, autores de nós mesmos.

Quantas buscas e tentativas pelo território da dúvida. Senhores dos próprios pés, sem, no entanto, ser senhores dos frutos do que plantamos, aceitemos ou não de bom grado, o muito pouco do podemos usufruir daquilo que havíamos imaginado de liberdade. Seres em aproximação da Verdade, eis o que somos afinal.

Mitos de largos sonhos, dosamos a pílula dos nossos atos e nela trabalhamos o instante final das criaturas. Ninguém, por si, deterá a força do Poder. Instrumentos da Lei, possuímos, tão só, a chance de acertar na milhar da Salvação, porém valores em crescimento durante todo tempo. Claro que potencial em movimento, contudo restritos às dimensões de uma realidade maior, a Consciência, que tudo rege e domina, de que, lá certa hora, seremos herdeiros e coautores através das nossas inevitáveis existências.

Fugir de si em que direção, se somos meras fagulhas ao vento? A aceitação de nossa dimensão significa, portanto, o início da transformação a que estamos sujeitos nesse encontro de nós conosco próprios. Daí a importância da humildade, da simplicidade e da certeza. Isto seja dizer que os humanos são a vida em elaboração na floresta da essência de tudo quanto persistirá enquanto a luz se forma nas profundezas dos Céus.

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