15 outubro 2021

João Paulo I ( O Papa Sorriso) Beatvs Brevis– por José Luís Lira (*)

 

   O dia 13 de outubro de 2021 assinalou os 104 anos do milagre do sol, em Fátima, Portugal. Foi a última aparição oficial de Nossa Senhora aos três pastorinhos: Santos Jacinta e Francisco Marto e Serva de Deus Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, a Irmã Lúcia! 

   Cento e quatro anos depois, num mesmo dia 13 de outubro, Sua Santidade o Papa Francisco autoriza a promulgação de decreto que reconhece a validade de um milagre atribuído ao Papa João Paulo I, Albino Luciani, no século, a quem já me referi em outra ocasião como o segundo Papa de 1978, o ano de três papas, todos possuindo relação com Nossa Senhora de Fátima.

   No dia da Transfiguração do Senhor de 1978, falecia, em Castel Gandolfo, o Papa Paulo VI (1963-1978). Foi ele o primeiro Pontífice a ir a Fátima e conversar com a Irmã Lúcia, vidente, em 1967. Entre 25 e 26 de agosto foi realizado o conclave, sendo eleito o Cardeal Albino Luciani, que adotou o nome João Paulo, em homenagem aos seus predecessores. 

   Consta que o Cardeal Luciani, conforme declaração de Edoardo Luciani (Berto), seu irmão, ao visitar a Irmã Lúcia, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, recebeu dela o tratamento de “Santo Padre”, ligando-o ao mistério de Fátima. No dia 28 de setembro, 33 dias após o início do Pontificado, um dos mais breves na história da Igreja, ele faleceu, mas, deixou marcas profundas. 

   Em 16/10/1978, foi eleito o Cardeal Wojtyła, o Papa João Paulo II, detentor de um dos pontificados mais longos da Igreja. O atentado que sofreu no dia 13/05/1981, foi o terceiro segredo de Fátima. Ele beatificou os dois pastorinhos Francisco e Jacinto Marto e foi, por excelência, o Papa de Fátima!

   Os desígnios de Deus só Ele mesmo conhece. E eis que neste dia 13 de outubro de 2021, a Santa Sé comunica que o milagre atribuído ao Venerável João Paulo I foi promulgado e ele será beatificado. Eu tinha pouco mais de quatro anos quando Suas Santidades Paulo VI e João Paulo I, faleceram. Lembro-me das lágrimas pelo Papa falecido e da euforia, logo depois, com a escolha do novo Pontífice. 

   Recordo-me que nossa casa, no sítio Correios, passava por reforma e pediram que eu fosse à uma casa vizinha, em busca do que necessitavam. Ao chegar à vizinha, ela chorava porque o Papa havia falecido e eu retruquei. Já tem outro e ela me afirmou: foi esse mesmo! Ela ouvira a notícia no rádio. Adulto, encontrei-me de novo com a história do Papa João Paulo I, o “Papa sorriso”, assim conhecido, por sua alegria e docilidade.

   Antes do pontificado, no qual não saiu da Cidade Eterna, a Roma dos Papas, o Patriarca de Veneza, Cardeal Alino Luciani, esteve no Brasil. Na Diocese de Santa Maria, RS, teve por anfitrião o Bispo Dom Ivo Lorscheiter, primo de Dom Aloísio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza. O futuro Beato João Paulo I, em novembro de 1975, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Santa Maria. Cardeal Luciani e Dom Aloísio, criado cardeal em 1976, foram amigos por toda a vida e no conclave que o elegeu Papa, ele confessou que votou em Dom Aloísio Lorscheider. Dom Ivo chegou a almoçar com o Papa, num dos dias de seu curto pontificado.

   Os três papas de 1978 e o predecessor, São João XXIII, na glória de Deus, se irmanam mais uma vez, no reconhecimento da santidade!

   Deus seja Louvado!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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