29 outubro 2021

Saudade na Academia Sobralense – por José Luís Lira (*)

 

   Santo Ambrósio de Milão escreveu sobre a morte de seu irmão Sátiro, em 379: “... Não devemos, pois, chorar a morte que é a causa da salvação universal; não devemos fugir à morte que o Filho de Deus não desprezou nem evitou”. Com a graça de Deus, estes tempos estranhos estão passando e a normalidade começa a ser uma esperança maior, mas, todos indistintamente, tivemos a partida de alguém que amamos. A Academia também as teve e guardará sempre a memória, registrando a saudade dos que se foram.

    Nosso Confrade Édison Luís Rodrigues de Almeida, faleceu aos 91 anos, em 6 de setembro último. Foi tabelião do Cartório Edson Almeida, 2º Ofício, de Sobral, grande destaque na sociedade sobralense, tendo exercido por uma dezena de vezes a Presidência do Lions Clube Caiçara e a Governadoria do Distrito L-15. Era casado com dona Maria Sônia Cavalcante de Almeida, com quem foi pai de quatro filhos. Integrou a Academia Sobralense de Estudos e Letras – ASEL, na qual ocupou a Cadeira de n° 33, tendo por patrono Capistrano de Abreu. Lembro-me que quando assumi a presidência da ASEL, enviei-lhe carta convidando para participar das sessões da Academia e o nobre Confrade, no alto de seus mais de 80 anos compareceu e fez questão de destacar a importância daquela carta para sua presença. Nunca esqueci disso e por várias vezes tivemos encontros nas reuniões, nas festividades da Academia e era sempre com muita cordialidade que nos cumprimentávamos. Sobral perdeu uma reserva moral e um Lord na acepção da palavra.

    Aos 89 anos nos deixou, no último dia 23, o Confrade Francisco Jerônimo Torres, groairense com cidadania honorífica de Sobral. Ex-seminarista do Seminário São José de Sobral, conclui o segundo grau no Colégio Dom Pedro II, no Rio de Janeiro. Licenciado em Letras pela Faculdade de Filosofia Dom José (1971), na Faculdade de Filosofia de Fortaleza (1982), especializou-se em Tecnologia Educacional. A Academia de Letras era seu destino natural e compôs a Academia Sobralense de Estudos e Letras, ocupando a Cadeira de n° 4, tendo por patrono Adolfo Caminha. Era um dos mais assíduos acadêmicos em minha gestão. Jerônimo Torres era casado com dona Zuíla Mendes Torres, com quem era pai de cinco filhos.

     Foi revisor de publicações nacionais, como o Jornal do Brasil (1954/1964); revisor e redator auxiliar da revista “O Cruzeiro” (1959 /1964). Atuou no “Correio da Semana” (1957/1958) e iniciou-se no magistério em Groaíras, na Escola Paroquial Pio XII e no Centro Educacional Padre Mororó. Em Sobral lecionou na Faculdade de Filosofia Dom José e no Colégio Estadual Dom José Tupinambá da Frota. Exerceu a função de Secretário de Administração das prefeituras de Sobral e Groaíras; chefiou o gabinete do prefeito de Sobral e a presidência do Frigorífico Industrial de Fortaleza, entre tantas outras. Meu primeiro contato com ele foi na minha candidatura à Academia Sobralense. Telefonei e ele me fez uma pergunta intrigante: “Você já ouviu sua voz?”. Calei-me. Ele disse então: “Ela nos traz paz!”. Paz, na realidade, nos trazia ele com sua presença que agora está na glória de Deus.

     Aos dois Confrades que desfrutaram da imortalidade literária e agora conhecem a imortalidade eterna, nossa homenagem, bem como a todos os falecidos que descansem em Paz!

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

28 outubro 2021

Tais nuvens que se desfazem - Por: Emerson Monteiro


Nada mais que isso é o que somos... Máquinas de ver passar o tempo, no entanto submissas a questões fundamentais. Notas da sinfonia magistral do instante, ainda buscamos a pureza da nossa sonoridade primeira. Lembro de certo trecho do livro A erva do diabo, de Carlos Castañeda, moda nos anos 60, quando, após receber os ensinos de Dom Juan, dele se despede o feiticeiro, deixando-lhe, porém, uma tarefa a cumprir, prova de haver aprendido as lições. Já tarde da noite, numa casa abandonada onde se achavam, em um deserto do México, Castañeda haveria de encontrar o seu lugar na varada escura dessa habitação utilizando nisso um pequeno palito de fósforo, a medir passo a passo todo o chão. De certeza, ali estaria aquele ponto só a ele destinado.

No frenesi de corresponder aos seus anseios, seguiu exaustivamente noite adentro, indo, afinal, cumprir a tarefa quase nos claros da madrugada.

Quais assim vivemos, de buscar o lugar a que nos destinamos, peças soltas de uma engrenagem insólita. Tateamos o mistério, espécies de lesmas da alma, na gana de revelar a que aqui nós estamos. Por vezes, tratamos de inventar nossas próprias regras, contudo detentores das restrições impostas diante da ordem do Universo, por si virtuosa em tudo. Palmilhamos as folhas do momento presente, experimentamos as determinações da incerteza e sussurramos canções as mais diversas, e tantas horas ausentes da composição original a que devemos cumprir com fidelidade e receber o prêmio dessa Verdade.

São tantas as visões do que resta viver, todavia tanto desencontradas da real condição de vencer os desafios da sorte ainda incerta. Vele que seja desse modo, porquanto outro jeito jamais haverá de existir o que não corresponda aos valores definitivos da determinação do Ser perfeito de quem somos diletos filhos. Enquanto isto, no alto dos céus, deslizamos as vidas no simples gesto de sonhar com o Sol pleno das manhãs primaveris.  

A Lei da Bipolaridade - Por: Emerson Monteiro

 


Tudo tem que ter o seu contrário para poder existir, este o princípio único do Universo, ou a Lei da Bipolaridade. Daí vêm outros conceitos: Ação e Reação, dos Contrários, a dialética de Hegel, o Mal e o Bem do maniqueísmo, etc. Este o princípio oriental do Yin e do Yang, no Taoísmo, a complementariedade no equilíbrio da Natureza. Princípio básico, pois, norteia todo acontecimento onde quer que acontece, oferecendo meios de compreensão por demais necessários, inclusive às nossas atitudes diante desses dois hemisférios que compõem desde nossa constituição física, a alimentação, os pensamentos, as mínimas atitudes.

No que diz respeito ao ser interno, esses valores significam os vícios e as virtudes, o querer e o poder, a palavra e os praticados, o açúcar e o sal, o egoísmo e o amor, a razão e a emoção, deixando-nos conscientes de ser o início e o fim de nós mesmos. Raiz fundamental dos fenômenos das existências, desde que identifiquemos tais funcionalidades ser-nos-á de valiosa importância exercitar as práticas equivalentes, porquanto dessas lateralidades nasce a resposta maior do mistério que aqui representamos entre matéria e espírito, atores dos nossos próprios sonhos.

Isso lembra, sobremodo, o mito da esfinge, na lenda de Édipo, do Egito Antigo, quando, a fim de ultrapassar a barreira fatal do Destino, teria de resolver o enigma: - Decifra-me ou te devoro. Bem isto que todos haveremos de responder na face final dos dias, ao término da existência; o que viemos fazer neste mundo, caminho do reino dos Espíritos e portal da Eternidade.

Somos isto, assim, parcelas em movimento do Grande Todo, artífices desse Infinito que ora já descortinamos à medida do conhecimento, da luz que houvermos adquirido no transcorrer das vidas na carne deste Chão.

Ao que disse Gandhi: - Um vibrando para o Bem vale por milhões virando para o Mal. Cabe-nos definir a que sentido tangemos as nossas existências  perante as contradições dos tempos inevitáveis de Tudo e em todo lugar.

 

27 outubro 2021

Pronunciamento da Família Imperial com relação à novela "Nos tempos do Imperador"

   Atendendo ao apelo de pessoas amigas e daqueles que hoje constituem uma forte corrente monárquica, manifestamos, com justa indignação, não apenas como seus descendentes e herdeiros dinásticos, mas também como brasileiros que verdadeiramente amam sua Pátria e valorizam sua História, nosso repúdio aos ataques da TV Globo, através de sua novela “Nos tempos do Imperador”, contra a honra do Imperador Dom Pedro II.

   Dom Pedro II foi o nosso melhor Chefe de Estado, cuja boa obra na condução dos destinos públicos do Brasil, ao longo de quase meio século de reinado pessoal, faz-se sentir até os dias de hoje. Senhor de costumes privados sabidamente ilibados, o Imperador foi também um pai de família modelar, coluna do lar, protetor suave e varonil dos seus. 

   A Globo vem promovendo sistematicamente, nas últimas décadas, uma verdadeira revolução cultural, caracterizada pela desconstrução dos padrões tradicionais, a promoção da extravagância, da amoralidade e da cultura do caos, e denegrindo sistematicamente a nossa Nação. 

   No entanto, o maior biógrafo de Dom Pedro II é, sem dúvida alguma, o povo brasileiro, que, passados quase 130 anos de sua morte no injusto e penoso Exílio, não se esqueceu da grande respeitabilidade, da paternalidade e, sobretudo, da brasilidade de sua figura, e por isso mesmo rejeita as investidas mentirosas contra a sua memória. Não surpreende, pois, a novela estar registrando índices de audiência fraquíssimos, para a grande consternação da emissora, conforme tem sido noticiado na imprensa.

São Paulo, 27 de outubro de 2021 

Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil
Dom Bertrand de Orleans e Bragança
Príncipe Imperial do Brasil
Dom Antonio de Orleans e Bragança
Dona Christine de Orleans e Bragança
Dom Rafael de Orleans e Bragança
Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança

25 outubro 2021

A estrada da evolução - Por: Emerson Monteiro


Há quem diga que vivemos um sonho, espécie de fumaça que se desmancha nos momentos e some. Que outra realidade impera bem no íntimo da Consciência. Que, lá certo dia, chegaremos ao teto dessa compreensão e nos libertaremos das malhas da ilusão. Que viver significa isso, experimentar o desfalecimento das aparências e vagar solto nos ares do Universo. Que o mais é puro apego ao inexistente, qual quem busca fogo-fátuo, dia após dia, nos entretanto a obter apenas uma recompensa parcial devida ao impulso dessas inexistências em que mourejamos. 

Assim, dentro disso, no furor desse tempo só provisório, aqui tocamos o crivo do Destino tais aventureiros da compreensão relativa das fantasias que ferem os sentidos, sem, contudo, nelas permanecermos em caráter definitivo, a não ser numas fases temporárias que representam as poucas histórias individuais. Testemunhas, pois, dos experimentos desse mistério profundo, reunimos nossas memórias em barcos de lembranças, alimento da improvisação de viver. Viver e continuar. Persistir no fluxo dos céus, naves de galáxias até agora desconhecidas. Nós, fragmentos do grande todo num movimento constante.

Daí, vêm as lendas e lendas guardadas na alma das pessoas. Elas, que transcorrem o tempo, instrumentos da sorte de si mesmas, fruto do entendimento e suas práticas transitórias. Sabemos pouco do que seja isto; inclusive de conhecer a insustentabilidade em que sussurramos os desejos, nessa casa transitória.

Contudo, não poucos perdem o senso vez em quando. Sabem que seguem sem saber aonde ir. Reúnem as peças da engrenagem que elas são, todavia ignoram a que se destinam. Perdem o mapa desde logo, fugitivos de si à mercê das estações. Perfeições parciais, querem de algum modo desvendar o itinerário, entretanto esquecidos do que nunca lembraram antes, seres flutuantes em um mar de sonhos. Valiosos artesões de máquinas maravilhosas, lhes aceitam entregar o comando. Vagões sem saída que sejam visíveis, pedras agitam no coração pela vontade imensa de encontrar, face a face, a essência que dentro do Ser revelará, de uma vez por todas, a Verdade salvadora.

24 outubro 2021

Outubro poético – por José Luís Lira (*)


   O Dia do Poeta e da Poesia são distintos no Brasil. Conforme dados oficiais, o dia 20 de outubro é o Dia do Poeta, data escolhida para celebrar o dia 20 de outubro de 1976, quando em São Paulo, surgia o Movimento Poético Nacional, na casa do intelectual Paulo Menotti Del Picchia.

   O Dia Nacional da Poesia já foi celebrado em 14 de março, em caráter não-oficial. A data de nascimento do poeta Castro Alves, 14 de março de 1847. Em 31 de outubro, celebra-se, oficialmente, o Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao nascimento do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade (Lei Federal 13.131, de 3 de janeiro de 2015, em vigor).   Ainda existe o Dia Mundial da Poesia, em 21 de março, que celebra a nível internacional a Poesia. Esta data foi criada pela UNESCO, em 16 de novembro de 1999.

   Nos últimos dias li um jovem poeta que em breve dará uma demonstração de sua poesia em publicação. É o meu colega de profissão no Direito e amigo Dr. Macsimus Duarte. Li, também, a poesia madura de Erivalda Ximenes Paiva. Recebi seu livro de presente no dia em que palestrei sobre meu patrono na Academia Groairense de Letras, Mons. Luís Ximenes de Aragão Freire, também poeta, no dia 10/11/2018, há quase três anos. O título de seu livro é “Na melodia da madrugada”. E eu fico a me indagar sobre quem é mais amigo do poeta que madrugada. A autora abre seu livro com “A Saudade” que “No coração faz morada/ grudada à alma da gente/ não nos larga nem por nada/ água que desce em torrente”. E segue com “A Profecia”: “No poema vejo a profecia/ dizendo que n’alma lhe vai/ na caneta as palavras vão nascendo/ humano, divo a essência se sobressai”. E volta à saudade que “Invade a alma da gente/ vai percorrendo caminhos/ deixando-nos consciente/ que não estamos sozinhos”. “E a saudade é assim/ esse pequeno sinal/ que parece não ter fim”.

   A autora homenageia sua terra, sua paróquia, sua padroeira, seus párocos, destacando o Mons. Cleano Tavares que é tão presente na Academia Groairense. Mas, também fala dos amores humanos, da natureza e conclama: “Capte as mensagens/ do amanhecer/ que está no ar/ e que só os que amam/ podem perceber, e até falar”.

   Homenageando sua mãe, Erivalda faz prece: “Minha doce mãe como é bom te amar/ E pedindo a Deus numa prece sozinha/ Para que ELE venha lhe abençoar”. “Enlevo uma prece e oração/ Anjo de bondade a cuidar com desvelo/ Do filho pequeno todo amor e esmero”.

   O sertão não é esquecido e “As plantações estão floridas/ Nos pendões dos milharais/ É do meu sertão querido/ Tudo isso e muito mais”. “E breve se colherá”. A poetisa ou poeta, como preferem alguns, tem tão belos poemas que cabe ao leitor averiguar. Por isso recomendo a leitura de sua poesia que invade a alma e faz a gente sonhar. Parabéns, Confreira.

   Dedico esta coluna às Professoras Efigênia Alves, Maria Fernandes, Esliane Brito, tia Madá (Madalena Ribeiro, minha professora nos tempos de colegial) e aos alunos do Fundamental II – turmas do 6°, 7°, 8° e 9° ano do Colégio Oriento, de Guaraciaba do Norte, que me convidaram para participar da 19ª edição do PLICO – Projeto Literário do Colégio Oriento, num Café Literário. Perguntas inteligentes, espaço agradável. Excelente acolhida! Sigam em frente. A poesia e a literatura ganharão excelentes autores desse projeto!
    

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

21 outubro 2021

Lá de onde chegam as recordações - Por: Emerson Monteiro


Certa feita, li algo a respeito de serem captados sinais de televisão emitidos alguns anos antes, cinco a sete anos, que, aos pedaços, foram sintonizados em um receptor na costa do Pacífico, na América do Sul. Algo assim fantasioso, de que seguiriam vagando no éter, donde permanecessem circulando quem sabe até quando?... Mas que foram vistos e documentados.

Sinto isso meio parecido ao andar pela cidade onde vivi largo tempo nesta vida, ao me deparar com reedições sucessivas de cenas doutras oportunidades antigas, lembranças persistentes que parecem ficar grudadas nas paredes, ruas e praças, a falar daquelas horas por mim vivenciadas nas décadas anteriores. São sensações, memórias, ocasiões, que, por vezes, insistem sobreviver, guardando situações, pessoas, momentos...

Quais viessem de fora, dalgum outro semblante invisível, no entanto de novo nascem daqui de dentro dagente. Quase seriam mais fortes no sentimento e no pensamento do que ao tempo em que existiram na realidade. Nisso vêm acrescidas de emoções, saudades, tais fragmentos soltos de pessoas que nelas viveram. Um espetáculo intenso de fortes ondas desse mar perdido na distância dos dias, que voltam e tocam nossos pés, uma reedição das horas mortas que não aceitariam desaparecem de tudo.

Mesmo que saibamos sumir nos escombros do passado, entretanto gritam forte pelas cavernas do ser e querem, a fina força, dominar, tais fantasmas criados de nós, fortes fiapos da alma que vamos largando, momento a momento, do que a gente foi, pensou, falou, sentiu, fez, e que seguem nossos passos, espécies de filamentos eternos de nossa consciência que não aceitam nos abandonar jamais.

Bem desse jeito, ao caminhar pelas calçadas, pelos lugares onde encenamos a nossa história, ladeados por tantos e tantos protagonistas, na cidade em que habitamos e mourejamos, há muito que distinguir dessa longa caminhada rumo aos segredos de que somos guardiões da própria jornada.

Quantas eternidades existem, pois, no seio da única Eternidade, e que delas significamos testemunhas privilegiadas dos sonhos e senhores das nossas perenes recordações?!

18 outubro 2021

O desafio das palavras


Há que se ter o que contar diante das vidas que escorrem no tabuleiro dessas longas jornadas. Tantas as ocasiões e histórias a dizer, enquanto o silêncio descreve o seu caminho dentro das pessoas, que o território fica estreito a permitir vasões imensas de narrativas, durante todo tempo. E dizer histórias felizes, ainda que, no intervalo do princípio ao fim, haja situações por vezes dolorosas, desencontradas. No mínimo que possuam um final feliz, a permitir esperança ao coração das criaturas envolvidas. Nesse nada disso de só querer narrar momentos tristes que marcam profundamente o coração e largam motivos de revolta ou desespero é preciso trabalhar o sentido a que descobrir reais alternativas de tocar adiante o barco neste mar de sargaços e dúvidas dos horizontes do Chão. Urgente isto de ressignificar as nuances e desvendar o mistério das condições, formas de construir a firmeza e criar marra perante as fases da existência. Ninguém nasce feito, todavia faz a si no choque das gerações, nos embates das ondas, nos transes e formas de aprimorar o crescimento inevitável que a dor e o amor oferecem todo momento.

Na elaboração das almas, pois, no auge dessa epopeia que atravessamos de usufruir das possibilidades que a Natureza oferece de achar o caminho da evolução através de nossos mesmos passos. Dado que o acaso não existe, que não existe a coincidência, somos instrumentos do destino que usinamos das nossas próprias mãos. Esse ofício de buscar a perfeição mora nas pessoas. Assim, quais artífices da sorte à nossa disposição, temos, por fina força, de vencer os desafios de tudo quanto seja minerar a exatidão matemática dos nossos acordes, aperfeiçoar o pouco e transformar em muito, até desvendar o objetivo de tudo isto. Portanto, a seara é o mundo, a semente somos nós.

17 outubro 2021

O infinito de nós mesmos - Por: Emerson Monteiro


Logo ali quando tudo se desfaz diante das garras de um passado disforme, mora uma sede imensa de perenidade. As hostes do Tempo, contudo, impõem suas condições e temos de nos render à máquina do Infinito. Isso no mínimo toca o apiário da vontade e nos vemos face ao desejo de resistir às ânsias e angústias. Ou então socar a cabeça nas areias da ilusão. É nessa hora quanto pesa a alfândega da realidade espiritual de que tantos querem escapar. Olhos postos, pois, nas quebradas do destino, tocamos o rebanho dos nossos atos e mergulhamos nas súplicas da solidão. Nós, autores de nós mesmos.

Quantas buscas e tentativas pelo território da dúvida. Senhores dos próprios pés, sem, no entanto, ser senhores dos frutos do que plantamos, aceitemos ou não de bom grado, o muito pouco do podemos usufruir daquilo que havíamos imaginado de liberdade. Seres em aproximação da Verdade, eis o que somos afinal.

Mitos de largos sonhos, dosamos a pílula dos nossos atos e nela trabalhamos o instante final das criaturas. Ninguém, por si, deterá a força do Poder. Instrumentos da Lei, possuímos, tão só, a chance de acertar na milhar da Salvação, porém valores em crescimento durante todo tempo. Claro que potencial em movimento, contudo restritos às dimensões de uma realidade maior, a Consciência, que tudo rege e domina, de que, lá certa hora, seremos herdeiros e coautores através das nossas inevitáveis existências.

Fugir de si em que direção, se somos meras fagulhas ao vento? A aceitação de nossa dimensão significa, portanto, o início da transformação a que estamos sujeitos nesse encontro de nós conosco próprios. Daí a importância da humildade, da simplicidade e da certeza. Isto seja dizer que os humanos são a vida em elaboração na floresta da essência de tudo quanto persistirá enquanto a luz se forma nas profundezas dos Céus.

15 outubro 2021

João Paulo I ( O Papa Sorriso) Beatvs Brevis– por José Luís Lira (*)

 

   O dia 13 de outubro de 2021 assinalou os 104 anos do milagre do sol, em Fátima, Portugal. Foi a última aparição oficial de Nossa Senhora aos três pastorinhos: Santos Jacinta e Francisco Marto e Serva de Deus Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, a Irmã Lúcia! 

   Cento e quatro anos depois, num mesmo dia 13 de outubro, Sua Santidade o Papa Francisco autoriza a promulgação de decreto que reconhece a validade de um milagre atribuído ao Papa João Paulo I, Albino Luciani, no século, a quem já me referi em outra ocasião como o segundo Papa de 1978, o ano de três papas, todos possuindo relação com Nossa Senhora de Fátima.

   No dia da Transfiguração do Senhor de 1978, falecia, em Castel Gandolfo, o Papa Paulo VI (1963-1978). Foi ele o primeiro Pontífice a ir a Fátima e conversar com a Irmã Lúcia, vidente, em 1967. Entre 25 e 26 de agosto foi realizado o conclave, sendo eleito o Cardeal Albino Luciani, que adotou o nome João Paulo, em homenagem aos seus predecessores. 

   Consta que o Cardeal Luciani, conforme declaração de Edoardo Luciani (Berto), seu irmão, ao visitar a Irmã Lúcia, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, recebeu dela o tratamento de “Santo Padre”, ligando-o ao mistério de Fátima. No dia 28 de setembro, 33 dias após o início do Pontificado, um dos mais breves na história da Igreja, ele faleceu, mas, deixou marcas profundas. 

   Em 16/10/1978, foi eleito o Cardeal Wojtyła, o Papa João Paulo II, detentor de um dos pontificados mais longos da Igreja. O atentado que sofreu no dia 13/05/1981, foi o terceiro segredo de Fátima. Ele beatificou os dois pastorinhos Francisco e Jacinto Marto e foi, por excelência, o Papa de Fátima!

   Os desígnios de Deus só Ele mesmo conhece. E eis que neste dia 13 de outubro de 2021, a Santa Sé comunica que o milagre atribuído ao Venerável João Paulo I foi promulgado e ele será beatificado. Eu tinha pouco mais de quatro anos quando Suas Santidades Paulo VI e João Paulo I, faleceram. Lembro-me das lágrimas pelo Papa falecido e da euforia, logo depois, com a escolha do novo Pontífice. 

   Recordo-me que nossa casa, no sítio Correios, passava por reforma e pediram que eu fosse à uma casa vizinha, em busca do que necessitavam. Ao chegar à vizinha, ela chorava porque o Papa havia falecido e eu retruquei. Já tem outro e ela me afirmou: foi esse mesmo! Ela ouvira a notícia no rádio. Adulto, encontrei-me de novo com a história do Papa João Paulo I, o “Papa sorriso”, assim conhecido, por sua alegria e docilidade.

   Antes do pontificado, no qual não saiu da Cidade Eterna, a Roma dos Papas, o Patriarca de Veneza, Cardeal Alino Luciani, esteve no Brasil. Na Diocese de Santa Maria, RS, teve por anfitrião o Bispo Dom Ivo Lorscheiter, primo de Dom Aloísio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza. O futuro Beato João Paulo I, em novembro de 1975, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Santa Maria. Cardeal Luciani e Dom Aloísio, criado cardeal em 1976, foram amigos por toda a vida e no conclave que o elegeu Papa, ele confessou que votou em Dom Aloísio Lorscheider. Dom Ivo chegou a almoçar com o Papa, num dos dias de seu curto pontificado.

   Os três papas de 1978 e o predecessor, São João XXIII, na glória de Deus, se irmanam mais uma vez, no reconhecimento da santidade!

   Deus seja Louvado!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


12 outubro 2021

Ter fé - Por: Emerson Monteiro


Fé é isto, de ter a força de nunca desistir. Ter a raça e o pudor de enfrentar o que vier, livre do que aconteça no decorrer da resistência. Furor de coragem indômita. Pendor a exerce a função de sobrevivente dos incontáveis vendavais em meio aos escombros do inesperado. Superar a si mesmo nas condições de imaginar saídas impossíveis, nas noites mais escuras. Sustentar o ânimo, inclusive dos que estejam por perto. Fé, além da crença, na certeza plena de dominar temores e repousar na paz da consciência, instrumento de atravessar desertos e mares bravios. A mística dos deuses, de trazer sempre o amuleto de todas as luzes e de todos os santos. Confrontar o inderrogável, nas cenas brutais da película. Aceitar seguir o caminho limpo de Deus qual herói das próprias aventuras. Alma soberana dos altares medievais. Gladiador dos coliseus da virtude e amante do amor verdadeiro durante as eras remotas da Cristandade. Senhor de novos sonhos, autor das epopeias maravilhosas da realização de tudo quanto de bom existe, aonde assim esteja, no vigor das gerações.

Querer e poder, à medida do empenho das forças, na essência de si, valor maior da existência e caminho de superação dos limites humanos. Ser senhor da vontade e conduzir a Salvação pelas dobras sombrias dos instintos. Viver qual quem reconhece a que veio.

Acreditar no inacreditável, pois, mesmo face ao desespero, o gênero humano carece das convicções definitivas nos valores puros, na ciência da Natureza, nos pendores da imortalidade, da justiça, nos patamares eternos, sob o sentido absoluto da Inteligência Suprema, senhor de todas as leis. Aceitar de bom grado a mensagem dos espíritos que nos indicam reais objetivos e razão de estarmos aqui. No silêncio dessa história de tanta beleza que habita o nosso ser interior, quedarmo-nos de corações contritos aos braços da Esperança, calma que nos alimenta e evolui.

(Ilustração: O Angelus, de Jean-François Millet).

11 outubro 2021

A exatidão da Natureza - Por: Emerson Monteiro


Toda movimentação das vidas querer explicar os fenômenos e resulta na limitação dos seres humanos, ainda precisando de aprimoramento até chegar ao senso maior do Absoluto. Há muitos bons resultados, sem dúvida no transcorrer das civilizações. Porém a identificar de tudo o que significa perfeição deixa um tanto de percorrer. Nisso, as dúvidas. Os limites que pegam forte diante das horas críticas. Mesmo assim, um rastro de evolução marca o longo itinerário. Às vezes, me pego a considerar: O avião; as pessoas voam. A comunicação; quanta maravilha, às raias da beleza da Natureza. A Medicina, os materiais, as descobertas científicas, as realizações arquitetônicas, os transportes, as artes, tantos valores admiráveis das descobertas, dos sonhos às certezas.

O místico hindu Ramakrishna considera ser Deus a natureza intrínseca da Realidade, o penhor e essência das existências. Dele advêm todas as virtudes. O Tempo, o ritmo dos astros, as cores, a Luz, a Paz, a Verdade, a Justiça, todo o arcabouço dos céus, isto que aqui bem representamos, na compleição das nossas possibilidades, em um corpo de riqueza inigualável, o qual conduz ao mistério da realização do Ser.

Então, nós, viventes, ensaiamos a música da Salvação em nossos próprios passos, autores e senhores da consciência que impera no íntimo de nós mesmos. Sementes, pois, da exatidão da Natureza, somos os seus herdeiros, de tudo quanto há durante todo tempo. Estamos no foco principal da intenção divina. A distância que resta neste caminhar vem ser o que denominam Liberdade.

Tais personagens desse soberano episódio da Criação, que toquemos nossa história por meio da responsabilidade para conosco e partilhemos este poder infinito que transportamos com todos os que seguem ao nosso lado rumo ao Cristo, nos páramos da Eternidade.

08 outubro 2021

A busca incessante da realização do Ser - Por: Emerson Monteiro


São tantos esses momentos, dos quais só alguns inesquecíveis. Na alma da gente, bem ali, pulsa vivo o coração; porém, numas quantas intensidades, o que determina continuar, o que prevalece no decorrer da Eternidade. É o som vago dessas harmonias, que cresce no mais íntimo das criaturas e ecoa ao longe, pelo Universo inteiro. Lembranças de razões marcantes que permaneceram, das vivências, das emoções, que determinaram a sequência natural da sobrevivência do ser; ânsias, lamentos e sonhos que permanecem guardados desde sempre, determinações que conduziram nossos passos rumo da felicidade.

Inúmeras vezes, elas regressam na forma de recordações; tristes ou felizes; sobrenadando por dentro das pessoas quais restos dos naufrágios antigos que teremos sido. Chegam, batem os porões da percepção e pedem que sejam ouvidas, espécies animadas que persistem e crescem à medida dos próprios desejos, pois adquirem vida íntima. Nem sei de que mundos regressam, tão incólumes e faceiras. Sei, sim, que avançam e dominam o território da presença nas pessoas. Gritam, revivem, sustentam, onde estejamos, a criar espaços intermináveis entre hoje e nunca mais, longas pontes do Infinito ao Desconhecido.

Preenchem espaços no pensamento, nos bastidores dos dias, até dominar as asas da imaginação e mergulhar o firmamento da memória; vivemos, assim, submissos dessas visagens do passado que nos dominam e crescem, senhoras feiticeiras de reinos encantados, restos de filmes de antigamente.

Do pouco que ora esquecemos do poder dessas influências misteriosas, disso a gente alimenta vorazmente o que restava de significarmos. Trabalho inevitável,  urgente, das sobras desses fantasmas, daquilo reconstruímos o ser que ora somos. Arquitetamos fugir sobre o abismo das horas mortas, e tricotamos tecidos de esperança, a revelar faces novas. Alienígenas de nós mesmos, batemos muitas portas à procura do que a gente seja de verdade. Fervilhamos pântanos, sobrevoamos hemisférios, experimentamos existências, enquanto a Paz crepita em nossas entranhas, no poder maior da Consciência eterna que nos aguarda logo adiante.

Formação do Cristianismo de Eliandro Nascimento – por José Luís Lira (*)

   Desde que foi lançado, em 2020, fiquei curioso em ler o livro do colega de magistério e investigador científico, Prof. Francisco Eliandro do Nascimento, doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará. Eliandro é tão presente nos cursos de Direito, onde leciona Filosofia Jurídica, que achei que ele era formado em Direito. Além do amor pelo Direito e pela Filosofia temos alguns elos, entre os quais a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de onde ele é egresso e onde eu leciono desde 2004, no Curso de Direito, e o maior deles: a amizade e admiração que temos por um dos maiores filósofos de nossos tempos e eu ainda tenho a honra de ostentar que fui professor dele, o Mestre – literalmente Mestre – José Cândido Fernandes. Eu tenho consciência de que mais aprendi do que ensinei ao Mestre Cândido, mas, gosto de destacar essa faceta.

   E apresentando o segundo livro de nosso autor, Eliandro Nascimento, “A Formação do Cristianismo e as Contradições das Culturas Grega, Romana e Judaica”, editado pela AIAMIS, em rápidas palavras, o Mestre Cândido aponta as bases do trabalho de Eliandro: “Com carisma, mística, espiritualidade, e compromisso, que lhe são peculiares, elaborou uma ampla e profunda pesquisa: exegética, histórica, filosófica e teológica. Produzindo assim um texto bem estruturado, organizado, documentado e bem enriquecido” e recomenda o trabalho aos interessados e estudiosos do tema, como “grande contribuição”. Inicialmente, o Mestre Eliandro nos diz seu principal objetivo neste livro: “realizar uma análise do conceito ‘Plenitude dos Tempos’ utilizado por Paulo e compreender o contexto histórico, filosófico e teológico da formação do Cristianismo”. 

   A estrutura do livro se dá em quatro capítulos principais, excluindo-se prefácio, apresentação, introdução, considerações finais, posfácio e bibliografia, esta que dá suporte ao trabalho. Assim temos uma leitura d’a Plenitude dos Tempos; a contribuição dos Gregos, com a língua grega, a filosofia grega, a presença de Alexandre, o Grande, conclui este capítulo; a contribuição dos romanos, com contexto histórico de Roma, a pax romana e a engenharia de Roma. E aqui, permito-me abrir parênteses, em que a engenharia romana contribuiu para a divulgação do cristianismo? Conforme nosso autor, “Roma havia desenvolvido, a partir da perspectiva de um mundo globalizado, um sistema de estradas nunca visto antes em nenhum momento histórico”, ressaltando ainda que eles “implementaram um ideal de lei universal”. Assim, foi por essas estradas que Paulo, p. ex., leva a mensagem cristã a pontos variados. Destaca a Via Ápia. E quantos cristãos foram martirizados nessa Via? Incontáveis. 

   Finalmente, em quarto capítulo, o autor elenca o “irmão mais velho do cristianismo”, o judaísmo, com a história dos judeus que é tão originária para o cristianismo, o monoteísmo e as sinagogas que são, também, bases para o cristianismo, visto que acreditamos num só Deus, trino, mas, um só Deus e nossos templos, nossas Igrejas. Aqui o próprio Eliandro lembra-nos que judaísmo espera um Messias e, nós, cristãos, o vemos em Jesus, o Cristo.

   Este espaço é breve e serve para recomendar a leitura deste importante trabalho e parabenizar ao autor por sua contribuição à historiografia cristã.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


05 outubro 2021

A primeira manga da estação - Por: Emerson Monteiro

Amor, o alimento dos deuses, e essa vontade forte de continuar, ainda que seja assim no decorrer do tempo a convidar os que vivem aqui. Diante das situações, viver qual jamais. Sustentar com ânimo todas as circunstâncias, perante o exercício das normas do Universo. Aquecer o coração de bons sentimentos. Gravar na memória as boas lembranças, as palavras felizes e os pensamentos de certezas mil. Seguir sabendo que, nesta escola, as lições indicam sempre nossas necessidades. Saber praticar o que elas ensinam, fieis às atitudes que a vida impõe a título de evolução. Selecionar vivências da forma que melhor possamos prosseguir e ultrapassar os obstáculos.

As palavras quais sejam os instrumentos de sustentação da alegria; construir em nós o que desejamos de tocar em frente através dos caminhos que nos levam a sonhos de esperança. Colher em nossos desejos a maneira ideal de transformar dificuldades em degraus de paz.

Enquanto isto, durante essa prática de coerência, aperfeiçoar a existência em nossas mãos de modo a receber da Natureza tudo de bom que tem a nos oferecer toda hora. Escolher o lado bom em tudo. Ver com olhos de obediência os princípios originais da Perfeição absoluta de que somos componentes e beneficiários. Ser o que ansiamos, na medida dos momentos e das oportunidades. Exercitar o silêncio da alma tal quem cria o reino da tranquilidade no território de nós mesmos.

São recados que trazem os dias luminosos às nossas mãos nos instantes que se seguem. Usufruir da criatividade à nossa disposição. Viver, pois, intensamente o direito de harmonizar os passos com o ritmo que a tudo percorrer, dentro e fora das pessoas. Essa positividade mais que possível persistirá nos frutos eternos da construção desse mecanismo perfeito de poder amar e ser felizes que somos todos nós.

01 outubro 2021

Oh Santo de Deus muito amado! – por José Luís Lira (*)

 

    São Francisco Louvado Sejais!, assim cantamos na ladainha de São Francisco de Assis. Setecentos e noventa e cinco anos nos separam de morte por quem louvou ao Senhor Deus, chamando-a “nossa irmã a Morte corporal,/ da qual homem algum pode escapar”. Conforme seus biógrafos, sentindo a morte próxima, Francisco solicitou à nobre Jacopa de' Settesoli, uma amiga romana, que trouxesse o necessário para seu sepultamento. Foi despedir-se da Irmã Clara e das irmãs, em São Damião e voltou à Porciúncula, deu instruções para ser sepultado nu, e no pôr do sol de 3 de outubro de 1226, depois de ler algumas passagens do Evangelho, faleceu rodeado de seus companheiros, nobres amigos e outras personalidades. 

   Menos de dois anos depois, o Papa Gregório IX foi a Assis para canonizá-lo, em 06/07/1228. Em 1230, foi inaugurada uma nova basílica em Assis, dedicada ao Santo, abrigando suas relíquias e o seu túmulo definitivo. 

   Dante Alighieri (1265-1321) escreveu que Francisco foi uma “luz que brilhou sobre o mundo”. Francisco foi um poeta existencial. Na juventude, como todo rapaz de sua época, aventureiro, namorador... Em 1202, alistou-se na guerra que Assis desenvolvia contra Peruggia, mas foi capturado e permaneceu preso por cerca de um ano. Em 1205, engajou-se no exército papal que lutava contra Frederico II, tornando-se Cavaleiro. Deixando o campo de batalha, voltou à sua cidade. Ali, ao passar por uma igreja em ruínas, ouviu o chamado: “Francisco, reconstrói a minha Igreja” e fez uma revolução na Santa Madre Igreja.

   O martirológio romano registra em 4 de outubro, um dia após seu encontro com Deus: “Memória de São Francisco, que, depois de uma vida despreocupada, se converteu à vida evangélica em Assis, na Úmbria, região da Itália, encontrando Jesus Cristo especialmente nos pobres e tornando-se ele mesmo pobre ao serviço dos necessitados. Reuniu em comunidade consigo os Frades Menores, pregou o amor de Deus a todos nas suas caminhadas, inclusivamente na peregrinação à Terra Santa, mostrando com as suas palavras e atitudes o desejo de seguir a Cristo, e quis morrer deitado sobre a terra nua”.

   O maior local de devoção ao Santo é sua terra, Assisi, na Peruggia, Itália, onde um dia percorri seus caminhos. No Ceará está o segundo maior santuário franciscano do mundo: Canindé. O início de tudo se deu no século XVIII, quando foi construída uma capela dedicada a São Francisco, vindo, da Itália, sua primeira imagem. A capela deu origem à bela Basílica Menor de São Francisco, da qual tive a honra de relatar o Parecer de Tombamento, no Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará. 

   Em 2018, pelo Decreto Legislativo N° 020/2018, publicado no Diário Oficial do Município de Canindé, de 1°/11/2018, foi concedido o “Título Honorífico de CIDADÃO CANINDEENSE, ao PADROEIRO da Cidade, São Francisco (in memoriam)”. Não encontrei, em lugar nenhum, tributo semelhante a um santo padroeiro. O Vereador Carlos Anastácio, autor do projeto, em justificativa, relatou a biografia do Santo e destacou: “se alguém merece tal honraria de cidadania canindeense, esse é São Francisco”.

   São Francisco é irmão de todos os cristãos e de nós, cearenses, muito próximo, pela cidadania canindeense! 

     São Francisco nos abençoai!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.