20 setembro 2021

Vida interior - Por: Emerson Monteiro


Nessa busca do sentido de tudo, se chega a compreender a fluidez naquilo que avaliávamos ser pura realidade. Rastros de tempo que voam pelo abismo do passado logo viram presente ao impacto do futuro e esvaem ao clarão dos novos dias. Tais malabaristas das experiências adquiridas, os indivíduos avançam nessa fronteira do Nada, anestesiados pelas visões que projetavam na tela mental, e padecem da síndrome do desaparecimento instantâneo sem sombra de alternativas. Portanto, somos isto, sementes de um encontro marcado conosco próprios. Querer contrariá-lo eis o que restaria, por conta da sonhada liberdade, ou de nenhuma vontade de aceitar a morte como um valor definitivo.

Durante essa caminhada perene, no entanto, aparece necessidade do despertar, acordar daquilo que seria só pesadelo, desaparecimento inevitável. Daí o desejo de continuar, sobreviver a todo custo, se salvar. Desejo, ou consequência do viver em queda livre. Ainda que frágil, a vida traz em si o senso de eternidade, espaço apreendido na sombra das histórias e vivências. Ninguém que seja pretende apenas desfrutar das horas e nelas sumir nas suas entranhas de fatalidade.

Bem isto, a semente de uma vida interior, conquanto impossível prosseguir diante das peças deste cenário, que caem e somem aos nossos olhos. Persistirá força viva da imaginação e do furor da imortalidade. Querer e desenvolver isso através dos elementos da Criação, de que somos parte efetiva. Nas entrelinhas das dúvidas, ensaiamos a fome do poder, quais criaturas enigmáticas à procura da sorte. E mergulhamos nas cavernas deste ser que o somos, aventureiros da salvação.

O território aberto dos próximos acontecimentos supera, pois, nossos passos e alimenta nossas intenções de revelar a que viemos e descobrir, nas malhas da carne, o código perfeito desse mundo ignoto e rico de surpresas, o reino de toda possibilidade, quando as ilusões se apagarão à luz resplandecente das manhãs espirituais.

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