09 setembro 2021

Estava a Mãe Dolorosa – por José Luís Lira (*)

      O martirológio romano traz-nos, em 15 de setembro, a memória de Nossa Senhora das Dores. O Stabat Mater, hino muito antigo que do latim significa “Estava a mãe”, afirma: “Estava a Mãe dolorosa/ Junto da Cruz, lacrimosa,/ Da qual pendia o seu Filho./ Banhada em pranto amoroso,/ Neste transe doloroso,/ A dor lhe rasgava o peito”. Em Lucas 2,33-35, vemos a profecia de Simeão à Maria Santíssima: “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. 

    Muitas das pessoas que nos leem são mães. Todas tiveram a alegria da notícia de que estavam grávidas, contemplaram seus filhos no nascimento e por eles se apaixonaram e nesse momento vemos o amor imortal, aquele que transcende a qualquer amor. É muito bom às mães contemplar os momentos de alegria dos filhos, os destaques na escola, na faculdade, na vida. É muito, muitíssimo doloroso pensar que um dia haverá uma separação entre os dois. Mas, isto é a lei da vida. Maria Santíssima experimentou das alegrias, mas, também experimentou das dores. Ela guardava tudo no coração. No coração de Mãe que minha mãe diz que nunca se engana.

    Maria Santíssima acompanhou todos os passos de Jesus. E eu a imagino à distância, vendo a missão do Filho que também era Deus, o Messias esperado por seus antepassados, acontecendo. Como ela saberia, estando em Nazaré e Ele em Cafarnaum, ou em Betânia, ou na Cidade Santa de Jerusalém? Como seriam as comunicações naqueles tempos? Não sabemos...

   Ela o encontra na quarta estação da Via-Crucis. É sua quarta dor. Os admiradores de Jesus e até seus discípulos não O acompanhavam. Um destes em quem Ele muito confiava até disse que não O conhecia. É a vida. Com ela estavam sua irmã, João, o evangelista, e Maria Madalena. Eles não abandonaram o Mestre nem sua Mãe. 

   Madalena haveria de ser a que primeiro viu o ressuscitado e espalhou a boa-nova por onde andou. João, um pouco antes do momento áureo da morte de Jesus que para os que cremos não foi morte, mas, sim um retorno aos braços de Deus – que Ele nos ensinou que é AMOR –, foi chamado, junto com Maria Santíssima, pelo Mestre como se o fizesse a todos nós, a toda a humanidade e disse, olhando para sua Mãe: “Eis aí o teu filho” e olhando para João, “Eis aí tua mãe”. E o Evangelho diz que desde aquela hora João a honrou como Mãe. Esta rápida reflexão não poderia concluir o mistério que aí se encerra. Jesus-Deus demonstrando toda sua preocupação com aquela em quem habitou por nove meses, um ser especial, escolhida entre todas as mulheres para aquela missão. Se preocupa também com a humanidade, em João. E nos dá uma responsabilidade que às vezes nós não enxergamos como deveria: a de honrar sua Mãe, Maria Santíssima, como nossa mãe. 

   Aquelas dores da Mãe de Deus se transformariam. Ela sabia que seu filho era o Filho de Deus. Era o Deus-Vivo. Penso eu que, embora sem compreender humanamente, no íntimo ela sabia que tudo era parte do plano de Deus ao permitir que seu Filho, Deus com Ele, estivesse na Terra. Maria se torna nossa Mãe, ao pé da Cruz, e a crucifixão que era a mais horrenda condenação, símbolo da maior injustiça, nos possibilitou a abertura das portas do Paraíso e se tornou símbolo do cristianismo. A exemplo de Maria, é preciso ter esperança, mesmo em tempos turbulentos!

    Viva à Mãe da Esperança!

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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