18 setembro 2021

Uma carta: "Impressionando os Anjos" – por José Luís Lira (*)

    Quando meu amigo Samyr Figueiredo faleceu, Você não acreditou. Ao me ver chorando, tentando me animar, Você pediu que eu ouvisse a canção religiosa “Verdades do Tempo”, de Thiago Brado. Em dado trecho da música se ouve: “Passado não volta, futuro não temos e o hoje não acabou/ Por isso ame mais, abrace mais/ Pois não sabemos quanto tempo temos pra respirar/ Fale mais, ouça mais/ Vale a pena lembrar que a vida é curta demais”. As lágrimas embaçam um pouco a vista e preciso, instantes em instantes, levantar os óculos para desumedecer os olhos...

   Há alguns dias encontrei várias fotos nossas. A Professora Graça Fonteles escreveu sua biografia para apresentar, oficialmente, seu nome para patrona da cadeira 40 da Academia Cearense de Cultura. Foram tantas lembranças e acabei indo a Fortaleza. Recordo bem do que Você falava de quando seu pai faleceu e Você ia ao cemitério só para estar lá. Acho que me impregnei desse sentimento e diante de seu túmulo, lembrei, também, de uma pergunta sua, há tempos... Estávamos num sebo no Rio de Janeiro e do nada Você perguntou: “Será que no céu tem livros?”. Eu indaguei o porquê da pergunta e Você disse que seria “muito triste a vida sem livros” e eu citei Jorge Luis Borges: “Siempre imaginé que el paraíso es una especie de biblioteca”. No retorno ao hotel, ouvi uma música que meu irmão Ticar já tinha me apresentado. Mas, hoje ela teve o real significado e a vejo nova...

    A música é “Impressionando os anjos”, de Theo Andrade e Gustavo Mioto, cantada por Mioto. É sobre uma separação pela morte. Dizem eles: “Hoje foi tudo bem, só um pouco cansativo/ Dia duro no trabalho que acabou comigo/ Tô aqui com os pés pra cima pronto pra dormir/ A saudade de você é visita frequente/ Que nem a sua tia chata que irritava a gente/ Ah, saudade da gente.../ Ah, falando nisso, terminei o livro que você pediu pra eu ler/ E só na página 70, entendi você/ Naquela parte onde diz que o amor é fogo que arde sem se ver/ Como é que tá aí?/ De você faz tempo que não ouço nada/ Fala um pouco, sua voz tá tão calada/ Sei que agora deve estar impressionando os anjos com sua risada/ Mas de você faz tempo que não ouço nada/ Fala um pouco, sua voz tá tão calada/ Aí de cima, fala alto que eu preciso ouvir/ Como é que tá aí?”

   A página citada é de Camões: “Amor é fogo que arde sem se ver,/ é ferida que dói, e não se sente;/ é um contentamento descontente,/ é dor que desatina sem doer”. Sei que diferentemente da música, Você não impressiona os anjos com sua “risada”, mas, com seus poemas, seus aconselhamentos, sua sabedoria e seu afeto que não conseguia esconder quando amava. Aqui, Sahila, a saudade é grande... Tantas coisas aconteceram. Algumas que nós até falávamos que aconteceria quando Você ou eu fôssemos e, ao mesmo tempo dizíamos, não: não será assim. Enfim, não esqueço de Você um só dia e como seria bom ouvi-la. Naquela varanda, com o vento batendo em nossas faces e Você a dizer coisas tão bonitas. É assim que a lembro...  “A saudade de Você é visita frequente... Como é que tá aí?/ De Você faz tempo que não ouço nada/ Fala um pouco, sua voz tá tão calada”... Mas, eu sei que Você está bem. Desculpe as reticências e nem me preocupei em tanto repetir “Você”... Sei que não incomodará!
    

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


17 setembro 2021

Os riscos do imponderável - Por: Emerson Monteiro



- Quem sente o verdadeiro perigo a cada instante não teme um instante de perigo. (Rabi de Guer).
Histórias do Rabi – Martin Buber

Quais aqueles que, em sã consciência, poderão dizer que estejam plenamente seguros diante do Desconhecido em movimento? A todo o momento, em face de tudo, mergulhamos no limbo da realidade feitos peixes vindos de outros mares que sumiram nos céus. Tocamos em frente o trem da nossa história feitos meros viventes do inesperado, tateando o escuro do porvir, às vezes dotados do mínimo de certezas, no entanto apenas minúsculas partículas das horas. Fragmentos, pois, desse futuro, deslizamos os passos nessa estrada, nem sempre senhores de todos os meios de que carecemos no sentido da paz.

Foram tantas as ocasiões de juntar experiências, no entanto apenas isso sendo aquilo que daria certo se assim houvéssemos posto em prática. De faróis que iluminaram o passado, avaliamos meios de melhorar a nós mesmos, nesse processo de querer desvendar o verdadeiro motivo de estarmos aqui.

Portanto, de aprendizes a senhores demanda o Infinito. Ninguém, de pleno senso, haverá de manter o curso dos acontecimentos tão só pelo desejo de ser um sábio, pois a todo segundo vêm novas instruções da escola dos mistérios desta escalada incessante.  

A leveza desse universo de cada um significa, por isso, tempo da mais pura convicção de fragilidade das ações humanas, longe da prepotência e dos arroubos de quantos, neste deserto de extremo risco. Quando acalmar as águas turvas da insegurança, eis o equilíbrio de que necessitamos, a depender das firmezas interiores. Daí a importância de clarear a consciência e nela estabelecer a luz do conhecimento através das práticas pessoais. De tudo quanto sabemos que sejamos disto os senhores.

E dos frutos dessa fidelidade da gente com a gente virão os meios de que precisamos, no sentido da evolução individual e, consequentemente, do progresso da Humanidade de que somos parte inevitável.

16 setembro 2021

Jackson Bantim, um artista que enriquece a cultura caririzeira

Por Carlos Rafael Dias

Carlos Rafael e Jackson Bantim


É costume dizer que “santo de casa não obra milagre”. 

Definitivamente, esse provérbio não se aplica ao artista cratense (e caririzeiro) Jackson de Oliveira Bantim, também conhecido por Bola.

Fotógrafo, cineasta, artista plástico, produtor cultural, museologista, autor de letras de músicas em parceria com Cícero do Assaré, Francisco Saraiva, Luiz Fidélis, Willian Brito e Rosemberg Cariry, gravadas pelo Quinteto Violado, Cícero de Assaré, Francisco Saraiva & Herdeiros do Rei, Vicente Neto & Forró de Raiz e  Eduardo Júnior  &  filhos do Crato, dentre outros, - Jackson Bantim é a autêntica expressão de um artista militante que tem na cultura uma espécie de flâmula norteadora de rumos e prumos.

Na ativa desde o início da década de 1970 (portanto, já se vão 50 anos de vida dedicada à arte), Jackson Bantim conserva o entusiasmo de sempre. 

Não esconde, na sua pitoresca sinceridade, os desapontamentos e as angústias que os esporádicos reveses da vida causam indistintamente naqueles que fazem a opção pelo diletantismo caracterizador do amor verdadeiro à arte.

Segue em frente, de cabeça altiva e triunfante.

Suas obras sãos os louros da vitória que insiste ostentar, não por vaidade ou soberba, mas como prova da resistência tão necessária e urgente nestes tempos duros de pandemia e pandemências.

Encheria laudas e mais laudas descrevendo em minúcias as contribuições de Jackson Bantim para a nossa cultura caririzeira. 

Basta, no entanto, citar a receptividade que seu filme As sete almas santas vaqueiras vem tendo na plataforma You Tube. Já são cerca 75 mil visualizações, o que o transforma em um fenômeno de massa nesses tempos de modernidade líquida.


Jackson não sobrevive financeiramente do seu trabalho artístico. Tão pouco é um mercenário da arte. Ele trabalha há 18 anos na Universidade Regional do Cariri - URCA, e lá ajudou a fundar a Rádio Universitária 94,3, que foi um grande sonho por ele idealizado e, finalmente, realizado.

Antes, tive o privilégio de tê-lo como um profícuo e competente assessor quando fui secretário de Cultura do Crato, entre 1999 e 2000. Foi de sua lavra a condução de projetos comunitários mantidos em bairros carentes da cidade, a exemplo da Rádio Comunitária, Biblioteca e Videoteca Rabo da Gata, no Alto da Penha.

Jackson Bantim pode até não ser um santo, na acepção formal da palavra, mas é um milagre vivo que se multiplica em ações benévolas e altruístas.


Depoimentos sobre Jackson Bantim (Bola)


Ter valor é mais importante que ser famoso.

Valor é consistência, diante de tanto sucesso passageiro.

Valor é acender holofotes de dentro pra fora.

Quando alguém ou algum trabalho tem valor, isso é um verdadeiro sucesso.

Parabéns pela sua realização. E que a alegria de fazer bem feito continue a dirigir as suas produções, meu caro Bantim.

Thiago Araripe (cantor e compositor)


Eu sempre lhe considerei um expoente dos cineastas cearenses .... o problema é que as relações de poder contaminam o discernimento e o justo reconhecimento daqueles que militam na área de cinema... 

Parabéns meu amigo. Seu trabalho tem seu lugar junto aos grandes cineastas cearenses e brasileiros e não deixa a desejar em nada se comparado aos demais.

Ricardo Damasceno (professor universitário)


Parabéns, Bola.

Rosemberg Cariry (cineasta, poeta e escritor)


Pois é, meu amigo Bola... mas um dia esse reconhecimento chega...

Baden Powell (radialista)

15 setembro 2021

Fahrenheit 451 - Por: Emerson Monteiro


Desconheço o porquê de, há pouco, relembrar esse filme de François Truffaut, um clássico da década de 70, que trouxe às telas o livro homônimo de Ray Bradbury. O romance apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido. O personagem central, Guy Montag, trabalha como "bombeiro" (o que na história significa "queimador de livro"). O número 451 é a temperatura (em graus Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius. Wikipédia

Motivo por demais pertinente na época de agora, quando praticamente os meios eletrônicos dominam o território das letras e imagens, e os jornais, antes detentores das mentes com suas edições impressas, veem-se na condição inesperada de circular pela rede internacional de computadores, e o livro também padece da febre fantasmagórica do anonimato dos números elétricos, dos celulares e computadores.

A que temperatura isso vem de queimar nos circuitos mentais desses aparelhinhos exóticos ninguém, por cento, possui instrumento de avaliar, nem mesmo nas urnas contemporâneas de tantas inovações. O que saber, no entanto, resta circulando pela galáxia dos lixos plásticos dessa nossa civilização de bombeiros a queimar certezas que somem no vasto universo das interrogações. Mesmo assim as editoras persistem no afã de lançar aos mercados seus lançamentos em refinadas produções gráficas.

O fetichismo do livro impresso ganhou, assim, dimensão jamais imaginada de entes exóticos e seus leitores, num tempo em que tudo permite vascular os gênios do passado em velocidade estúpida, porquanto nunca foi tão fácil usufruir das obras de todas as gerações, em questão de minutos, sejam livros, filmes, composições musicais, telas, fotografias, quais herança comum aos aficionados das artes e dos séculos a um só instante.

Ao que nos consta, porém, vivemos o frenesi dos objetos diante da carência de senso crítico, fruto de acomodação e excesso, a determinar carência do que sejam valores e atitudes. Entretanto só o desenrolar dos acontecimentos provará do avanço da ciência na alma humana.

Ernesto Piancó - Por: Emerson Monteiro


Às 10h45 do dia quente de março e eu aqui ao volante, numa quarta-feira de sol aberto, à espera do espaço providencial de voltar ao circuito do tráfego que sobe a Rua Cel. Antônio Luiz, não achando vaga, dado o fluxo intermitente, barulhento, de carros, motos e bicicletas, indo rápidos aos seus destinos. Essa artéria virou retrato do trânsito caótico citadino, nível a que se chegou em matéria de sobrecarga, na era escura do petróleo.

Naquilo de aguardar o momento certo de encaixar feito objeto, no círculo em movimento das coisas que lotam as ruas, lembrei de um personagem cratense, constante no tempo de minha infância, Ernesto Piancó, parente próximo de Dona Chiquinha, educadora emérita de boa parte dos meus estudos, na década de 60.

Seu Ernesto, homem robusto, atarrancado, gostava de andar com uma pasta preta de couro, e de conversar nas rodas de amigos, bem humorado, afeito na característica de sempre repetir em voz forte, gutural, cheia, a mesma expressão: - Ave Maria!

Figura de permanente simpatia aquele cidadão...          

Nisso continuo aguardando a hora exata de lançar o carro no burburinho das horas na roleta mecânica, lembrando dele, pessoa das tradicionais que marcaram época, nesse lugar antes pacato. Os tempos marcham céleres em qualquer canto de planeta. O progresso se oferece nas possibilidades de multiplicar fragmentos do relógio, sem que denote fácil quais os frutos imediatos que advêm disso. As pessoas correm, correm, noutros ritmos febris. Filas constantes de uns perseguindo os outros, trilhas urbanas cotidianas da civilização maquinal. Intimoratos defensores dos direitos civis, audazes parceiros da pós-modernidade, aqui perto eles passam feitos cometas, em seus trombáticos cavalos velozes de cores reluzentes...

O sol ainda mais quente aquece a pele, o cabelo, no brilho das máquinas trepidantes. Crato nada deixa a dever aos outros centros dagora. As mototaxistas vieram acrescentar melhores médias ao formigueiro populacional. Transportam passageiros com menor ocupação de solo, preços módicos e maior velocidade. Compromissos. Negócios. Responsabilidades. Época de sobreviver das inimagináveis profissões. Idades. Vocações. Saber esperar, ânimo de poucos. Paciência, qualidade rara das contingências.

Noutro momento, a cidade andava passos leves, românticos, talvez. Havia ocasião de falar em bancos de praça, parar nas esquinas e sentir o calor agradável das manhãs, sem preocupações urgentes, prementes. Os tipos populares marcavam a paisagem, naqueles dias dourados. 

Quem testemunhou manifestação da veia jocosa de Seu Ernesto foi o escritor Jurandy Temóteo: Certa vez, num tempo em que eram ainda precárias as acomodações da Praça Siqueira Campos, em Crato, estavam ele e Ernesto Piancó sentados em um dos poucos bancos que havia no logradouro. Próximo, duas jovens estabeleceram diálogo que parecia de pouco duração, no entanto se alongando a ponto de querem espaço no assento de três lugares já preenchido pelas duas pessoas que os ocupavam, Ernesto e Jurandy.

Uma das mocinhas, sem aguentar a demora dos assuntos que conversavam, aventurou a vaga que restava no banco, e insinuou:

- Seu Ernesto, o senhor poderia cruzar as pernas para que eu também sentasse?

De inopino, o personagem pitoresco revidou ao jeito do seu característico bom humor:

- Cruze a senhora, que não tem o que amassar. 

... 

Quando parece surgir a chance na correia dentada do carrossel, um pedestre corta meu barato e cruza ao meio na minha frente. Outras vezes de certeza virão, penso cá dentro.

Os pensamentos retornam a Seu Ernesto, sua pasta preta, seu vozeirão. Pasta de tipo menor, com alças de viajante, representante comercial. Ele vendia alguma coisa. Não lembro bem o quê fosse. Agora, arriscaria dar algum palpite: planos de saúde, seguros de vida, lotes de terra, publicidade... (Quem sabe?).

Enfim consigo a prenda esperada, jogar o carro no fluxo da onda, e vou junto, de novo, nessa roda viva em que transformaram os detalhes do caos generalizado. Sozinho, na quente manhã, ao som de suspiros, ergo a voz com gosto e alívio, simulando na lembrança a fala recorrente de Ernesto Piancó:

- Ave Maria! – entre as carcaças luminosas dos outros automóveis.

(Ilustração: Rua Dr. Miguel Limaverde, Crato CE).

14 setembro 2021

A consciência da Consciência - Por: Emerson Monteiro


Isto de saber que tudo em volta é mera sombra da luz que somos nós resume o significado de todas as coisas. Que somos a testemunha de nós mesmos daqui do Chão. Que ilusão e sombra representam o reflexo da luz que transportamos no nosso ser. Que a essência do que existe habita em nosso interior, na forma de consciência de Si. Que isso, de revelar a que viemos, tem por finalidade viver enquanto existimos provisoriamente no decorrer do processo das horas que se desfazem aos nossos olhos.

Transportamos vidas e vidas nessa busca incessante, o que acontece durante as vezes que aqui estamos ou estivemos nos dias pretéritos. Onde existe luz há de haver sombra, nas situações ora experimentadas, no dia-a-dia, nos sonhos, no sono, enquanto buscamos a resposta dessa longa interrogação que trazemos no íntimo. A sede da Consciência, da Luz essencial de que falamos, mora no âmbito do coração espiritual, mais do que só no coração físico. Eis o seu pouso geográfico em nosso corpo.

Todo tempo de reconhecer tais interpretações nos vem oferecido na máquina que aqui viemos exercitar, o trilho perfeito de responder ao enigma que lá um momento decifraremos e conquistaremos, ao sol do definitivo senso, a Consciência... As contradições destas horas na matéria são a escola do autoconhecimento.

Isto, pois, que seja a definição dos valores humanos face ao destino e às circunstâncias. Teto do mistério das indagações, pousaremos no Reino de uma paz soberana, esperança e glória da mais pura tranquilidade, conquista dos tronos e apreensões da História deste itinerário parcial ora vivido. Pela força do exemplo além da força das palavras, os aventureiros de mil experiências avançam dentro de si próprios, na firme convicção de vencer e chegar aos céus da tão desejada Felicidade durante quantos milênios, até o domínio da Consciência absoluta. 

(Ilustração: A luta entre o Carnaval e a Quaresma, de Pieter Bruegel, o Velho).

13 setembro 2021

O poder da palavra escrita - Por: Emerson Monteiro


Os temas dos livros falam disso, dessa capacidade que a palavra tem de levar adiante valores e influenciar gerações. Quais fermentos de épocas as mais distantes, causam revolução, modificam comportamentos e refazem a história dos povos. Avançam pelos costumes e transformam o modo de ver das civilizações. Desde sempre, os textos impressos marcam definitivamente o pensamento dos seres humanos. Tipos móveis no Oriente e a tipografia de Gutenberg, no Ocidente, sustentaram a transmissão do conhecimento, constituindo a base dos avanços desses tempos atuais.

Nisso, os livros chegam às consciências, constroem impérios e definem o jeito de viver das multidões, o que exige senso crítico de quem lê. Ainda que produzidos em série, as obras literárias ficam restritas a pequenos bolsões de leitores fieis. Dos alfabetizados, pequena quantidade alimenta a vocação pelas páginas, gastando o que aprendem tão só no uso da sobrevivência, nas leituras especializadas.

Contudo, há gama infinita de alternativas, desde estilos a gêneros, dos contos e crônicas, aos romances, ensaios, dissertações aprofundadas de assuntos, filosofias, religiões, manuais técnicos, todos ao sabor das necessidades e dos tempos. Por vezes, criam modas e dominam grandes públicos. Editoras mil produzem belas obras e bibliotecas as acumulam em gama de incontáveis autores.

Daí, as influências restam ao gosto de todo leitor. Qual dizem, o papel aguenta tudo. Isto sujeita, no entanto, a resultados nalgumas horas adversos, porquanto a dualidade dessas influências permite inocular vírus letais naqueles que leem. No que seja deste chão, corre o risco das distorções. A arte literária, ao seu tempo, não poderia deixar de sofrer tal contingência. Os livros transportam, pois, os efeitos de seus criadores, isto indiscriminadamente.

Esse poder inolvidável da palavra escrita requer, portanto, zelo de quem a utiliza, seja na emissão quanto na percepção. Os frutos deste plantio significam resultados espirituais nos aficionados das letras e podem iluminar as mentes e transformar quem melhor delas usufrua, nessa conquista de tantas realizações maravilhosas.

Madre Feitosa - Por: Emerson Monteiro


Neste dia (13 de setembro) vemos registradas atitudes de reconhecimento à Carmelita Feitosa, Madre Feitosa, pelos seus cem anos de nascimento, anjo de bondade, em ocasião propícia a que patenteemos nossa gratidão face aos tantos seres humanos que usufruíram e usufruem da oportunidade do crescimento por meio do carinho da uma inteira vocação à formação da juventude, matéria prima da realização dos ideais da Verdade, da Justiça e da Paz.

São raras essas pessoas, contudo elas existem. Realizam trabalhos de bondade e amor e deixam marcas profundas nas pessoas e nos lugares onde vivem. Demonstram a grandeza dos espíritos evoluídos durante suas existências e aprimoram a consciência de quantos puderam delas se aproximar e testemunhar da pureza das almas que possuem, nos momentos em que desfrutam dessa ágape, confirmando o poder dos assuntos espirituais. Têm brilho próprio, refletem dimensões superiores da realeza divina ainda aqui neste chão. Prudentes, coerentes, justos, exercitam a força viva do Bem nas obras que idealizam e promovem. Deixam traços da mais infinita sabedoria que contém os santos, razão principal de estarmos na condição humana, o caminho indelével da transformação dos seres perecíveis em puros espíritos, neste laboratório de salvação, o que, um dia, faremos nesta caminha da luz à busca de nossa essência, onde traçamos nossos destinos. Estrelas que iluminam o trilho de muitos através da educação, da cultura, do exercício profícuo das profissões, das religiões, das missões de liderar os demais seres humanos, sempre estarão junto dos grupos sociais, demonstração cabal do sentido maior que viemos cumprir, e que nunca estaremos sozinhos diante do Eterno.   

Assim, querida amiga e orientadora, rendo-me às graças benfazejas desta comunidade caririense em lhe querer retribuir, no mínimo possível, as virtudes que dedicou a todos que desfrutaram e desfrutam da grandeza de sua alma, chama votiva do amor de nosso Pai e Senhor da Existência.

Meu abraço e minha admiração, venho agora, manifestar, hoje e sempre, em nome da minha geração agraciada por sua rara presença de Amor e Trabalho.

11 setembro 2021

Lá onde dormem os sonhos - Por: Emerson Monteiro


Vê o tempo como uma imagem de sombras, fora dele está nossa verdadeira face.
Jalal ud-Din Rumi

Ali na raiz de tudo quanto existe, nas dobras dessas noites que fogem na luz às sombras do dia, bem ali, repousam, em seus ninhos, os sonhos. Íntimo coração das existências, há em nós estes céus do Infinito que sacodem nossas almas diante da persistência do tempo, a escada que esconde a paz das horas. Ali, dentro das lembranças do quanto de histórias deixamos guardado, o mistério trabalha na oficina dos sonhos. E crescemos pouco a pouco pela face do firmamento, elaboramos a esperança e a fé, enquanto rugem as dores dos rios nas suas cachoeiras inesgotáveis de tanta maravilha.

Sacudimos passos nas estradas poeirentas do destino, olhos fixos na felicidade, porém andarilhos de mundos até então desconhecidos. Alimentamos o fulgor de perfumes e desejos, enquanto vivem os instantes das horas dentro do tesouro desta realidade que o somos. Muitos dias, quantas luas, no desfilar dos fenômenos que se desfazem imediatamente das nossas mãos. Nem os imaginamos, e somem na trilha das ausências, numa velocidade incontrolável. Pequenos, uns quase nada, testemunhamos esses fiapos coloridos que desparecem dentro e fora da gente. Morada dos no entanto, persistimos na possibilidade dos depois inexistentes. Lúgubres de talvez, avistamos o impossível nessas fagulhas apressadas dos momentos que de nós se desprendem, nos devoram e fogem indiferentes.

Assim, borbulhas desses mares de contrições, rendemos graças ao calabouço de todos os credos, e adormecemos nos braços da vontade imprudente que significamos. Andamos, andamos, e sonhamos, no pouco que nos resta, face a face conosco e nossas apreensões. Quais escravos, pois, do tempo, num tal dia ganharemos a liberdade tão sonhada neste sonho de viver eternamente as flores da certeza no Eu da perfeição que já trazemos dentro de nós, ao sabor deste tudo que se desfará em um Nada absoluto.

(Ilustração Jalal ud-Din Rumi).

10 setembro 2021

A hora do acerto - Por: Emerson Monteiro


São as normas da Natureza às quais só resta obedecer com fidelidade. Tantos equívocos jogados na roleta da sorte e quando menos esperar o vértice do triângulo acenderá na escuridão das noites mornas e chegarão os emissários do Infinito a impor suas condições inarredáveis. Quantos mistérios ainda estão a caminho?! Horas a fio, nesse andar dos movimentos, enquanto aceitamos viver sob as mil circunstâncias do existir...

Rendição incondicional, a cada um conforme seu merecimento. As luzes do original que cercam o Universo de todo lado nem disso cabem fugir, conquanto sejamos cativos da mera contingência dos humanos. Todavia transportamos no íntimo todos os códigos e as interpretações de revelar, neste plano, os segredos de amar, autores, portanto, da própria salvação. Os mestres vêm a isso, de dizer as formas do encontro consigo próprio no âmago da Consciência, e nisto ultrapassarmos o abismo das ausências.

Nesse dizer de tantos pelas histórias deste mundo, há definições perfeitas de encontrar as portas do depois, porquanto viemos nesta disposição. Durante o tempo das nossas presenças, bem aqui, impera o ditame da transcendência, de vivenciar compreensões do que seja a suprema Lei que tudo rege, enfim.

Quem contará dos passos que daremos vida afora perante as dúvidas desse encontro com as bênçãos da Eternidade? Séculos, milênios no calendário dos destinos. Forças exponenciais dominam o instante nas trilhas dos céus. Todos, sem exceção, a tanger os sóis, nos riscos deixados a todo dia. Nós, senhores dos mesmos desafios, respostas às interrogações das doces amarguras.

Quantos filmes ainda iremos ver, quantas músicas ainda ouviremos, quantos sonhos?... Sabe-se, contudo, que existem as barreiras e as estações, os cravos e as ferraduras... Angústias e faustos... Passageiros, pois, dessa harmonia, alimentamos certezas de um dia ser feliz, almas enfileiradas aos pavios dos moinhos feitas instrumentos da realização do Ser na espontaneidade natural que nos transporta. Filhos da solidão, apenas vislumbramos o pouco do que dizem os santos e mergulhamos na individualidade, fieis autores da criação deste momento sem fim, amém.

09 setembro 2021

Estava a Mãe Dolorosa – por José Luís Lira (*)

      O martirológio romano traz-nos, em 15 de setembro, a memória de Nossa Senhora das Dores. O Stabat Mater, hino muito antigo que do latim significa “Estava a mãe”, afirma: “Estava a Mãe dolorosa/ Junto da Cruz, lacrimosa,/ Da qual pendia o seu Filho./ Banhada em pranto amoroso,/ Neste transe doloroso,/ A dor lhe rasgava o peito”. Em Lucas 2,33-35, vemos a profecia de Simeão à Maria Santíssima: “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. 

    Muitas das pessoas que nos leem são mães. Todas tiveram a alegria da notícia de que estavam grávidas, contemplaram seus filhos no nascimento e por eles se apaixonaram e nesse momento vemos o amor imortal, aquele que transcende a qualquer amor. É muito bom às mães contemplar os momentos de alegria dos filhos, os destaques na escola, na faculdade, na vida. É muito, muitíssimo doloroso pensar que um dia haverá uma separação entre os dois. Mas, isto é a lei da vida. Maria Santíssima experimentou das alegrias, mas, também experimentou das dores. Ela guardava tudo no coração. No coração de Mãe que minha mãe diz que nunca se engana.

    Maria Santíssima acompanhou todos os passos de Jesus. E eu a imagino à distância, vendo a missão do Filho que também era Deus, o Messias esperado por seus antepassados, acontecendo. Como ela saberia, estando em Nazaré e Ele em Cafarnaum, ou em Betânia, ou na Cidade Santa de Jerusalém? Como seriam as comunicações naqueles tempos? Não sabemos...

   Ela o encontra na quarta estação da Via-Crucis. É sua quarta dor. Os admiradores de Jesus e até seus discípulos não O acompanhavam. Um destes em quem Ele muito confiava até disse que não O conhecia. É a vida. Com ela estavam sua irmã, João, o evangelista, e Maria Madalena. Eles não abandonaram o Mestre nem sua Mãe. 

   Madalena haveria de ser a que primeiro viu o ressuscitado e espalhou a boa-nova por onde andou. João, um pouco antes do momento áureo da morte de Jesus que para os que cremos não foi morte, mas, sim um retorno aos braços de Deus – que Ele nos ensinou que é AMOR –, foi chamado, junto com Maria Santíssima, pelo Mestre como se o fizesse a todos nós, a toda a humanidade e disse, olhando para sua Mãe: “Eis aí o teu filho” e olhando para João, “Eis aí tua mãe”. E o Evangelho diz que desde aquela hora João a honrou como Mãe. Esta rápida reflexão não poderia concluir o mistério que aí se encerra. Jesus-Deus demonstrando toda sua preocupação com aquela em quem habitou por nove meses, um ser especial, escolhida entre todas as mulheres para aquela missão. Se preocupa também com a humanidade, em João. E nos dá uma responsabilidade que às vezes nós não enxergamos como deveria: a de honrar sua Mãe, Maria Santíssima, como nossa mãe. 

   Aquelas dores da Mãe de Deus se transformariam. Ela sabia que seu filho era o Filho de Deus. Era o Deus-Vivo. Penso eu que, embora sem compreender humanamente, no íntimo ela sabia que tudo era parte do plano de Deus ao permitir que seu Filho, Deus com Ele, estivesse na Terra. Maria se torna nossa Mãe, ao pé da Cruz, e a crucifixão que era a mais horrenda condenação, símbolo da maior injustiça, nos possibilitou a abertura das portas do Paraíso e se tornou símbolo do cristianismo. A exemplo de Maria, é preciso ter esperança, mesmo em tempos turbulentos!

    Viva à Mãe da Esperança!

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


Há um ser original - Por: Emerson Monteiro


Aonde quer que seja, em tudo, afinal, persiste o mistério da Criação. Nem de longe a razão dos humanos galgou explicar o primeiro passo das existências, inclusive da própria racionalidade donde vêm as dez mil coisas. Assim, vaga, solto no ar dos infinitos, o sinal enigmático de quem, lá um dia, resolveu trazer à tona tantos do que, todo momento, mantêm viva a continuidade e o furor dos acontecimentos. Um Ser soberano, até então inexplicável nos termos conhecidos, algo que flutua entre o Tempo e a Eternidade, entre os números e as palavras. Ser capital das inesgotáveis finalidades, raiz das condições e penhor da Justiça absoluta, que rege e contém no seu âmago a real concretude dos valores definitivos.

E, o que, por demais, toca as possibilidades na essência de tudo, na alma do Universo, habita todos os seres, fagulhas da mesma Luz, sol da mesma finalidade. Numa perfeita harmonia, os segundos marcam, pois, o ritmo do Cosmos, qual o que pulsa em nossos corações. Ajustar a tanto, resta que desvendemos a caligrafia original, que a isto aqui viemos. Parceiros da magnitude, tangemos nossos barcos aos mares da Felicidade, quais senhores dos astros e experimentos das nossas indagações e magnitudes. Isto é, partes desse penhor de eternidade que conduzimos em nossos passos.

Daí, fora de cogitações e dos raciocínios só materiais, ora prosseguimos na elaboração da arte de extrema criatividade, peças que compõem cores e sonhos, à medida de todos os instantes. Criamos de nós o íntimo dos mundos e os fazemos em movimento.

Senhores de si, respondemos aos chamamentos de nossa humana consciência até quando de tudo façamos um instante só da pura Paz, de que seremos autores e fieis senhores, conquanto em todo há um Ser original.

06 setembro 2021

Sementes de eternidade - Por: Emerson Monteiro


Isso é o que nós somos. Em um mar de fragmentos, que se desfazem no tempo, transportamos em nós a força de permanecer para sempre, no entanto algo a despertar no transcorrer das gerações. Tais instrumento que habita nosso ser espiritual, então, há que vir à tona, certo dia, quando chegar na consciência do absoluto, o dispositivo vinculado à perfeição, pois somos disso os guardiões. Moléculas do eterno, deslizamos no Tempo feitos aprendizes que buscam sua origem essencial. A todo instante vêm lições, num processo de constante experimentação às respostas que oferecermos aos deuses do Infinito.

Um nada diante do turbilhão de tudo, queremos achar o pouso de tantas vidas, feitos viajantes perdidos pelas florestas do esquecimento. Universos paralelos ao itinerário dessa condição, observamos o espaço, os objetos e as pessoas, exercendo a função de conhecer. Tateamos numa escuridão enigmática, porém dotada dos elementos de que carecemos até desvendar de vez o mistério das existências.

Espécie de ficção em que somos autores e personagens, desvendamos nossa história, segundo a segundo, quais realidades e espelhos num mesmo indivíduo. Esse estado transitório significa a presença dos seres no momento de agora, no presente, razão única de tudo quanto representa o universo da Criação. Um a um, constituímos, assim, o sentido da história das civilizações durante toda a Eternidade.

Os meios a que cheguemos ao destino vêm dos elementos dos mundos aonde vivermos. Nós e a realidade, destarte, conduzimos em si o significado das esperanças dos tempos felizes. São infindáveis chances de equilibrarmos o estado definitivo das eras e dos astros. Nisso, diante de tão nobre razão de continuar, haja o que houve, seremos os artesões dos destinos e audazes criadores de tudo quanto existirá no decorrer dos acontecimentos deste Chão e do que virá logo depois, nesta hora.

04 setembro 2021

Independência do Brasil, ano 199– por José Luís Lira (*)

 


   Cinco de setembro, amanhã, há 199 anos, o futuro Imperador Pedro I, longe da sede da Corte por quase um mês, deixava São Paulo rumo ao Rio de Janeiro naquela que se tornou a viagem da Independência do Brasil. O Príncipe Real fora apaziguar os ânimos em São Paulo. Durante sua viagem, chegou ao Rio ordens para que ele, Dona Leopoldina e os filhos retornassem para Portugal. A Princesa, chefe do Conselho de Estado e Regente Interina do Brasil, naquele 02/09/1822, convocou o Conselho de Estado que se manifestou pela Independência do Brasil. A Princesa e o Ministro José Bonifácio de Andrada e Silva enviaram cartas ao então Príncipe Pedro de Alcântara, a quem caberia a decisão e este, corajosamente, aos 24 anos incompletos, proclamou a Independência quando alcançava as margens do Rio Ipiranga, já distante da capital paulista, na época, em 7 de setembro de 1822. No próximo ano celebraremos os 200 anos da Independência do Brasil.

   Dom Pedro I do Brasil ou Pedro IV de Portugal é o grande herói da Independência do Brasil. É um herói que precisa ser reanalisado popularmente. Ele foi-nos passado nos livros de História da República do Brasil como aventureiro, autoritário e sua biografia contradiz tudo isso. 

   Proclamada a Independência, Dom Pedro I (Ele afirmou que se “se visse obrigado a governar sem uma Constituição, imediatamente deixaria de ser Imperador” [REZZUTTI, Paulo. SP: Leya, 2015, p. 177]) e o Império (Forma na qual, inteligentemente, garantiu a unidade do País), queriam uma Constituição. Empossada em 03/05/1823, a Assembleia Constituinte se degastou, num processo que acabou por obrigar o Imperador a dissolver a Assembleia e nomear um Conselho de Estado, sob sua coordenação, para fazer uma Constituição muito mais liberal do que a que pretendia a Assembleia. Em 15 dias a Carta estava pronta. No livro “Dom Pedro: A história não contada”, Rezzutti afirma: “Se analisarmos as propostas da Constituinte de 1823 e a Constituição de 1824, uma coisa fica clara: a segunda era realmente mais liberal em diversos pontos. (...) Quanto aos direitos invioláveis das pessoas e propriedades, a Constituição de 1824 listava 34 pontos, enquanto a anterior só mencionava seis”. Em 25/03/1824, Dom Pedro I apresentava ao Brasil sua primeira Constituição. 

   A História registra a renúncia de Dom Pedro a dois tronos. Primeiro o de Portugal, em favor da filha que se tornaria D. Maria II e depois, o do Brasil, em favor do filho que se tornou D. Pedro II. Dom Pedro de Alcântara, o Duque de Bragança, faleceu poucos dias antes de completar 36 anos, em 1834. 

   O Ministro José Bonifácio, ao saber da morte do grande homem, escreveu a Dom Pedro II: “... D. Pedro não morreu, só morrem os homens vulgares, e não os heróis. Eles sempre vivem eternamente na memória ao menos dos homens de bem, presentes e vindouros; e sua alma imortal vive no céu, para fazer a felicidade futura do Brasil e servir de um modelo de magnanimidade e virtudes a Vossa Majestade Imperial, que o há de imitar...”. 

   Precisamos estudar verdadeiramente este homem para celebrar seu ato histórico no próximo ano com desfiles cívicos nas ruas, porque neste, com pandemia, não é recomendável as ruas, mas, sua memória podemos fazer onde estivermos!
   Viva Dom Pedro I!

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


03 setembro 2021

A essência de tudo - Por: Emerson Monteiro


Os poemas de Castro Alves por vezes regressam ao gosto do sentimento e marcam presença de um passado bem de hoje junto de nós. São falas do doce coração a reviver sonhos de antigamente nos olhos da imortalidade. Um querer de sempre, alimento das vivas impressões de horas eternas grudadas intensas na memória da gente, que se sobrepõem à vontade de permanecer nos momentos de felicidade. Unidas, ah quem pudera, numa eterna primavera...

Quantos lugares na alma insistem permanecer assim perenes no campo da continuidade. As existências inesgotáveis na música do instante, pedaços de emoções que sustentam os céus das substâncias de quando tudo houver depois, no sumiço das cores e dos movimentos. Nem sei o tanto de lembranças que flutua no decorrer desse mistério de estar e aqui permanecer para sempre.

As palavras têm disso, retalhos das paisagens de rastros inolvidáveis, sobrevivência dos haustos da alma em forma de colchas que o tempo sacode nas fímbrias do horizonte sem fim. Luzes. Imagens. Sentimentos acesos nas tardes intensas do universo das vidas. Amor, afinal. Força de um poder descomunal que rege fenômenos e sóis nos céus. Sacode as circunstâncias e alimenta o gosto de sustentar as barras dos dias nas hostes dos corações. Suavidade intensa, música terna e doces harmonias. De tudo, a luz definitiva de uma calma interior.

Fermento dos deuses, o Amor cobre de sonhos a inexorabilidade das dez mil coisas que compõem os acontecimentos. Sustenta a condição dos seres que sentem seus segredos guardados no tesouro da existência. Resiste a tudo quanto há, no fio condutor da essência que rege o Mistério. Amor, fonte suprema das histórias e dos personagens que nele movimentam o oceano das certezas. Amor, o limite das existências no sacrário de dores e virtudes, esperanças e realizações. Amor, o autor do quanto alguém imaginou e fez disso o eterno motivo de todas as aspirações de perfeição. 

01 setembro 2021

1º de setembro de 2021 – há 100 anos, Denizard Macedo nascia em Crato. (por Armando Lopes Rafael)

 
Prof. Denizard Macedo, um cratense ilustre

   José Denizard Macedo de Alcântara veio ao mundo em Crato, na Praça da Sé, em 1° de setembro de 1921. Naquele dia a população cratense festejava a data consagrada a Nossa Senhora da Penha, Imperatriz e Padroeira desta cidade. Talvez por isso seus pais fizeram-no afilhado da Virgem da Penha.

      Denizard Macedo viria a se destacar como um intelectual. Foi, também, professor em várias instituições de ensino de Fortaleza, além de um homem de ideias firmes e transparentes. Lecionou na Escola Preparatória de Cadetes, do Colégio Militar do Ceará, Instituto de Educação, Faculdade Católica de Filosofia, Escola de Serviço Social e vários educandários de segundo grau. Incursionando na política foi eleito vereador por Fortaleza. Foi também jornalista, ensaísta, historiador, conferencista e geógrafo. Pertenceu à Sociedade Cearense de Geografia e História, Instituto do Ceará e Academia Cearense de Letras (onde ocupou a cadeira de n° 34, substituindo outro cratense, J.de Figueiredo Filho).

       Foi, também, Secretário da Cultura do Ceará. Escreveu as seguintes obras: A Universidade na Defesa Nacional; Fundamentos da Administração Cearense; A Conjuntura Histórico-Geográfica da Industrialização Brasileira; Racionalização da Competência Administrativa do Município; Geografia da América; Cultura e Universidade; Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro; Ascensão e Declínio do Magistério Brasileiro; Ensino de Filosofia no Ceará e Retrato da História da Independência.

                                                         Casamento de Denizard & Eliana

          Católico sincero, possuidor de sólida formação moral e religiosa, Denizard era monarquista convicto, apesar de a República brasileira, àquela época, proibir qualquer divulgação pública sobre as vantagens da forma de governo monárquica. Para quem não sabe, os monarquistas foram os últimos anistiados políticos desta ineficiente e caótica república brasileira. Havia uma cláusula pétrea, vigente nas Constituições republicanas (foram 6 no total) as quais proibiram,  durante 100 anos (de 1889 a 1988) mencionar-se, em público, as vantagens da monarquia.  Somente com o advento da sétima constituição republicana – a atual –, promulgada em 1988, concedeu liberdade aos monarquistas de exporem à luz do sol suas ideias. 

     Denizard Macedo faleceu com 63 anos de idade.É considerado uma das mais valorosas pessoas nascidas na Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara.

Denizard Macedo pouco antes da sua morte