22 agosto 2021

Sucatas eletrônicas - Por: Emerson Monteiro

Vida é aquilo que acontece enquanto se está engalfinhado nas redes sociais.
 Nesses tempos só eletrônicos, de admirar que ainda estejam vivendo, pois. Outro dia, meus netos acharam restos de um computador jogado nas calçadas do bairro e ficaram a examinar seus componentes; a placa, os eletrodos, os circuitos, assim quais quem descobre as entranhas de um lagarto mecânico seco no sol. Nas entrelinhas das peças, olhos bem abertos, jamais imaginariam que hoje o mundo depende disso com quase exclusividade, não fosse comer, trabalhar e dormir. Disso e das bolsas de valores espalhadas nos pregões das matinês. Quanta mudança em tudo. Sobremodo nesta geração que vem do telefone de parede e das velas acesas dos jantares solenes. Dias e séculos em tão poucos minutos, na cachoeira do tempo a deslizar pelas corredeiras. Na escola de Jornalismo, a gente estudava a proximidade da notícia. Que, na redação, seria mais importante a notícia do vizinho que levara um tombo e torcera o pé do que um atentado terrorista do outro lado da Terra. Já agora tanto faz, quanto tanto fez, porque nem dos vizinhos a ninguém importa o suficiente (Farinha pouco, o meu pirão primeiro, qual dizem na Bahia).
De caras enterradas nos jogos eletrônicos e nos celulares, correm as multidões à busca da fúria do próximo desejo. Tais máquinas de fazer o filme do inútil, no canal por assinatura, as emoções viraram coisas, objetos de somenos. Correr sem ter aonde, viver aos trancos e barracos as invenções do último tipo. Chavões de si mesmos, criaturas pensantes resistem às horas feitas aos pedaços de uma engrenagem avassaladora jogada no lixo, em que dinheiro pesa o quanto de felicidade que podem adquirir nos shoppings de esquinas engarrafadas. Tipo isso de crítica de nós próprios, vemos nenhuma coerência de submissão aos valores deturpados da evolução científica, no entanto numa fase de experiência mil.

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