29 agosto 2021

O Conde D'Eu e suas lembranças do Brasil

(Postagem feita inicialmente no Facebook da Pro Monarquia)

    Em 1921, quando – após mais de três décadas do início do injusto e penoso exílio imposto à Família Imperial Brasileira quando do golpe de Estado republicano de 15 de novembro de 1889 – o Conde d’Eu enfim pôde visitar o Brasil, um ano antes de seu falecimento, Sua Alteza foi recepcionado e acompanhado pelo historiador Max Fleiuss, que deixou narrados alguns episódios ocorridos naquela ocasião:

“No Palace Hotel, onde se achava hospedado, assisti a várias cenas que lhe confirmavam a estupenda memória. Certa manhã foi visitá-lo um cavalheiro da família Miranda Montenegro. Ao entrar, fez uma reverência. O Conde encarou-o, e de pronto chamou-o pelo nome de batismo, e nos disse havê-lo conhecido menino, na fazenda de seus genitores, contando pitorescamente vários incidentes, um dos quais foi a passagem numa pequena ponte carcomida, do que resultou um banho nada confortável.

“Outra visita foi a de um ancião de grandes barbas brancas, calças da mesma cor e um fraque antigo. Ao vê-lo, o Conde abraçou-o com enternecimento e, pondo-lhe a mão na cabeça, exclamou:
“– Cá está ela!
“Era uma depressão produzida por bala, na batalha de Campo Grande. O velho chorou de prazer.” 

 

Fonte: XAVIER, Leopoldo Bibiano. Revivendo o Brasil-Império. 1º ed. São Paulo: Artpress, 1991, p. 177.

Foto abaixo: Sua Alteza Imperial o Príncipe Dom Gastão de Orleans, Conde d’Eu, na última fotografia tirada antes de seu falecimento, ocorrido a 28 de agosto de 1922.


 

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