24 agosto 2021

O céu das palavras - Por: Emerson Monteiro


No instinto de encontrar a paz na consciência, objetivo de tudo quanto há, eis que os nativos pelejam nos desertos da solidão, feitos feras que fogem de si pelas sombras de procuras desesperadas. Insistem na esperança de, lá um tempo, desvendar o mistério dessas andanças, e quando mesmo aguardam, nisso dão de cara com as visagens que sempre lhe perturbaram antes. Vasculham o lixo dos desassossegos e das ideias, e veem o tanto de perdição das horas equivocadas no pranto das vezes largadas ao vento quais inúteis paisagens fossem das noites insones.

Daí que vêm as palavras a trazer orações, confortos e litanias. Gritam sons harmoniosos, entoando loas aos sentimentos, ferindo de dor as fibras da emoção, paixões desenfreadas, ânsias e desejos que alimentaram essas ocasiões escuras de saudades e prantos. Palavras cadenciadas à luz da verdade escondida debaixo dos olhos da ausência de quem mais esperava os segredos desta vida. Elas, as palavras, que consolam e alimentam. Revivem sonhos adormecidos que persistem vivos na memória, certezas de melhores momentos de amor e carinho.

São inúmeras as oportunidades em que as falas dizem disso, desses amores que vagam pelos dias, nas portas abertas dos instantes que se renovam perante almas perdidas no lodaçal das amarguras. Trazem notícias de mundos outros que ainda virão tão logo as mágoas sejam só fumaça no coração das pessoas. Existem, pois, essas possibilidades vivas de recriação das luzes da plena Felicidade. Que sustentem a firmeza na fé e trabalhem a certeza íntima do Ser. Porquanto a continuação de tudo leva a isto, da reconquista dos sois que pertencem a todos.

E nisso as palavras falam com força e constroem o instinto de encontrar a paz da consciência, objetivo de tudo quanto existirá, no entanto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.