11 agosto 2021

A unidade original - Por: Emerson Monteiro


Quando desaparece a dualidade, encontra-se a unidade.
Farid ud-Din Attar

 Bem isso de aonde estamos todos indo, ao fim dos tempos conhecidos. Esse afã acontece dentro da consciência da gente. Nem adiante fingir que resolve lá fora se não resolveu aqui dentro. Passo definitivo da aventura de viver, resta saltar no vazio do inesperado e achar o nada absoluto que significa o Eu interior e o ego exterior, cena em que ambos somem da visão até nunca mais existir. Este o encontro de tantos, que buscam no agir dos movimentos, afeitos no senso de uma finalidade a tudo quanto acontece no decorrer das gerações. O casamento imortal da ópera e do determinismo disso tudo, raiz da Criação.

Tal quem voa sobre o abismo das ausências e ganha sobreviver depois de desaparecer no eterno. Pássaros da solidão humana, vamos nesse embalo de quantas procuras, netos filhos de si mesmo, passageiros da agonia. No entanto, há, sim, real objetivo nessa exclusão das horas do quanto existe aqui no campo da visão, ausência de que nascemos no decorrer dos infinitos de nós mesmos. Propensos a desvendar o mistério de viver, saímos à cata dos valores essenciais que antes imperavam na inocência das crianças, e construiremos as trilhas do renascimento através das linhas desse oceano das almas. Sustentamos o instinto de saber quem somos de uma vez por todas. Dois que se debatiam nas ondas feitos escravos no desejo ferrenho da libertação.

Só quando, lá então, mergulharmos em nós próprios, acharemos a tão sonhada paz no seio da unidade, que bem assim também nos anseia à medida dos nossos sonhos. Nós conosco traçamos, então, o mapa do tesouro e elaboramos das ruínas o passado que desmanchou aos nossos pés. Senhores de si, abriremos o sol do coração e refaremos a luz que sempre esteve aqui conosco.  

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