31 agosto 2021

A História não se repete - Por: Emerson Monteiro


Esses caçadores de ilusão que o somos vivem disso, de imaginar perenidade no tempo que passa e alimentar a fantasia de que tudo será qual ontem foi. Isso, no entanto, os deuses da história nem de longe querem sustentar, sob pena de quebrar o senso da espontaneidade que de longe a tudo devora todo instante. Enquanto o presente significa rio entre dois fogos, o passado e o futuro, a história, por sua vez, representa o espelho no qual a humanidade reflete a imagem dos séculos, muitos deles até perdidos na imensidão do abismo das inexistências.

A velocidade com que a vida disfarça o tempo em movimento, tal vela acesa que alumia e nunca retornará, marcam as criaturas a angústia do inevitável das abstrações que o vento arrasta pelos céus. A isto negam razão de ser e mergulham nas trevas do que teria sido. Fogem de si quais vítimas da própria incoerência. E resistem ao desespero formando trincheiras imaginárias, desenhando visões do paraíso nos prazeres e objetos, escondendo da alma um desejo constante de humana salvação.

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Durante o itinerário dessa busca, estabelecem os padrões, as religiões, as ciências. Nisso, a razão cria na velocidade das horas. Sustentam os haveres das alucinações. Sabem que seriam eles os autores das revelações, todavia. Cavam o solo da solidão onde imperam. Estabelecem as lutas da sobrevivência até sem nelas acreditar, bandos alucinados de zumbis nas noites escuras.

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Lá um dia, então, deparam com o princípio da Consciência maior e refazem o percurso donde vieram. Abrem os braços aos segredos da promissão que carregaram consigo durante infinitos, e adormecem no alvorecer da iluminação de Si mesmos. Bem isto o repicar da História mãe, nos carinhos das maravilhas em que vivemos o despertar da Eternidade.

30 agosto 2021

Discernimento - Por: Emerson Monteiro


Observar com calma e nitidez a distinção entre o que sentir e pensar, qual houvesse um observador dentro do que é observado, vem de uma espécie de agente de acompanhamento de como gastamos o tempo. Ele seleciona o que aproveitamos e dispensa o que classifica de desnecessário. Nisso, o grau de compreensão que determina o que somos do que poderíamos ser. Dessa soberania, resta avaliar pensamentos, sentimentos, atitudes, compromissos, desistências, encaminhamentos, planos, etc. Daí, o custo da administração, que fica por nossa conta. Tal agente de acompanhamento, no entanto, desaparece logo após seus julgamentos e encaminhamentos, e ficamos nós conosco próprios a sorver os resultados, frutos da responsabilidade daquilo que aceitamos do ente misterioso que sumiu ali pelos resvaladouros deste mundo depois de nos dizer o jeito de agir. Vivemos quase que sem saber do onde vieram as orientações, ou desorientações, a ponto de imaginar que parecia estar fora de si, e que recebera nem sei de onde os sinais do que devesse praticar.

São, assim, quais três personagens em um só, o que pratica, o que ouve e o que determina. Deles todos, o principal significa o que sai de cena e deixa que os outros dois vivam de perto as situações que acontecem no transcorrer da existência. Três funções de um mesmo ser: autor, diretor e ator.

Em tudo isto, o que vem à tona, no ato simples de experimentar um jeito de responder ao desafio de estar aqui, e qual disso a finalidade, fica por conta do que podemos aceitar dos segredos da natureza de que somos parte.

Nisso de usufruir o melhor em tudo, impera o discernimento do que fazemos daquilo que nos caberia fazer. Em torno de todo personagem, há os fatores que circunscrevem o espaço deste aprimoramento. Território estreito, a individualidade permite descobrir o momento e o motivo exatos de estar neste mundo, e o que o futuro tem a nos julgar.

(Ilustração: Ieronimus Bosch).

29 agosto 2021

Antes de ouvir o silêncio - Por: Emerson Monteiro


Antes e depois das explosões deste mundo parcial, na aflição dos refugiados que sobrevivem às injustiças dos homens, na fome do desespero dessas populações largadas a ermo, partos angustiados das mães em luta contra a indiferença das guerras, logo em seguida vem o grito surdo das multidões desesperadas, olhos postos na lama dos séculos; são os fieis ao sonho da liberdade prometida. Quanto de clamor penetra, pois, o silêncio das realidades, na solidão de amores esquecidos, calmaria de barcos abandonados às marés dos desencantos, tropel inútil das marcas que ferem os dias da indiferença, lesmas a deslizar pela inconsciência dos tais senhores desavisados.

Enquanto isso, nalgum lugar dos céus, a meio caminho das pessoas e do tempo, retomam seus acordes os instrumentos dessa sinfonia das certezas de que tudo perderá o senso diante do repicar dos sinos da Verdade. Ainda que pareça drama de perdidos autores, há o equilíbrio que constrange ao fim os vermes, aqueles que praticaram gestos obscenos de furor e perversidade, na ilusão de ser donos e superiores, a ferir de morte o valor inevitável das oportunidades.

Quais torrentes de luz, somos esses espelhos de um tudo, neste passeio constante da realidade. Reunimos em nós pedaços da eternidade que transportamos; construímos as trilhas de toda geração que nos sucede. Ao destoar o coro da perfeição, aprendemos nisto divisar o que nos aguarda logo ali nas raízes do inevitável. No entanto a escola ensina sempre que há o Ser divino, a Razão absoluta.

Daí a gente ouve, no escuro dessas noites, as notas da melodia que toca o coração; revivem os sentimentos e alimentam a saudade doutras esperanças. Inúmeros acordes vagam no vento, nos ciciar das matas, no latido distante dos cães nas madrugadas. Compomos em nós próprios os amores da felicidade que agora pulsa os momentos em nossas almas. A suavidade das estrelas envolve de emoção as pausas dos sons, sob a regência magistral de encantos do Infinito.

O Conde D'Eu e suas lembranças do Brasil

(Postagem feita inicialmente no Facebook da Pro Monarquia)

    Em 1921, quando – após mais de três décadas do início do injusto e penoso exílio imposto à Família Imperial Brasileira quando do golpe de Estado republicano de 15 de novembro de 1889 – o Conde d’Eu enfim pôde visitar o Brasil, um ano antes de seu falecimento, Sua Alteza foi recepcionado e acompanhado pelo historiador Max Fleiuss, que deixou narrados alguns episódios ocorridos naquela ocasião:

“No Palace Hotel, onde se achava hospedado, assisti a várias cenas que lhe confirmavam a estupenda memória. Certa manhã foi visitá-lo um cavalheiro da família Miranda Montenegro. Ao entrar, fez uma reverência. O Conde encarou-o, e de pronto chamou-o pelo nome de batismo, e nos disse havê-lo conhecido menino, na fazenda de seus genitores, contando pitorescamente vários incidentes, um dos quais foi a passagem numa pequena ponte carcomida, do que resultou um banho nada confortável.

“Outra visita foi a de um ancião de grandes barbas brancas, calças da mesma cor e um fraque antigo. Ao vê-lo, o Conde abraçou-o com enternecimento e, pondo-lhe a mão na cabeça, exclamou:
“– Cá está ela!
“Era uma depressão produzida por bala, na batalha de Campo Grande. O velho chorou de prazer.” 

 

Fonte: XAVIER, Leopoldo Bibiano. Revivendo o Brasil-Império. 1º ed. São Paulo: Artpress, 1991, p. 177.

Foto abaixo: Sua Alteza Imperial o Príncipe Dom Gastão de Orleans, Conde d’Eu, na última fotografia tirada antes de seu falecimento, ocorrido a 28 de agosto de 1922.


 

Um Presidente de República católico visto na perspectiva de um Príncipe Católico

 (excertos de uma postagem do Facebook da Pró Monarquia)

   No último dia 6 de agosto, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, foi convidado de honra da Conferência “Dom Gabriel García Moreno: o Presidente dos equatorianos de ontem, hoje e sempre”, promovida no formato de videoconferência, a fim de marcar o transcurso, naquela data, do 146º aniversário do martírio daquele que muitos consideram o maior estadista católico do século XIX.

   Falando em espanhol, o Príncipe Imperial proferiu palestra intitulada “García Moreno sob a perspectiva de um Príncipe Católico”, discorrendo brilhantemente sobre aquele monarquista e paladino da defesa da Santa Igreja, que foi Presidente do Equador por duas vezes – entre 1861 e 1865 e depois entre 1869 e 1875 – e consagrou seu País ao Sagrado Coração de Jesus. Eleito para um terceiro mandato, foi assassinado a 6 de agosto de 1875, pela Maçonaria. Mas sua memória é até hoje celebrada no Equador.

   Discípulos de Doutor Plinio, o Príncipe Imperial e seu irmão, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, foram desde o início, em 1960, membros da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, e hoje são Diretores e grandes entusiastas do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, tendo participado de sua fundação, precisamente por encontrarem ali a principal frente de batalha em prol de um Brasil autenticamente cristão e monárquico, a Terra de Santa Cruz.


Assista também em nosso canal no YouTube: https://youtu.be/zISSb0sYhzo
Aqueles interessados em assistir à Conferência “Dom Gabriel García Moreno: o Presidente dos equatorianos de ontem, hoje e sempre” podem fazê-lo através do link:
https://www.youtube.com/watch?v=oo-lG0WB1P4

28 agosto 2021

A Arte da Escrita – por José Luís Lira (*)

    Um leitor me escreve (meu e-mail está na coluna e procuro dar resposta a todos os e-mails) pedindo que eu fale sobre a arte de escrever. É última semana de recesso do meio do ano para nós professores, dia de clima temperado aqui no sítio e decidi ir ao encontro de velhos poetas. Sou tentado a transcrever autopsicografia para atender ao leitor. O vate português Fernando Pessoa que tão bem encarnou e viveu a alma poética, dizia: “O poeta é um fingidor./ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente.// E os que leem o que escreve,/ Na dor lida sentem bem,/ Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm.// E assim nas calhas da roda/ Gira, a entreter a razão,/ Esse comboio de corda/ Que se chama o coração”.

   Rachel de Queiroz, a autora que mais me inspira indiscutivelmente, em sua última crônica publicada na imprensa, em 22 de março de 2003, a partir daí ela disse que iria tirar férias, as primeiras em seus 70 anos de crônica e jornalismo, mas, não voltou, destaca na crônica “A ‘inspiração’ não vem para todos”: “O processo todo é penoso e dolorido – e se pode comparar a alguma coisa, digamos que se parece muito com o processo fisiológico -, que se assemelha terrivelmente à uma gestação, cujo parto se arrastasse por muitos meses e até anos”. Rachel dizia que não gostava de escrever e por isso, talvez, sua escrita tenha sido genial, tão bem trabalhada nos mínimos detalhes.

   Mas, ainda tentando responder ao leitor, decidi assistir pela enésima vez ao filme “Shakespeare Apaixonado”, de 1998, que retrata uma espécie de bloqueio criativo em Shakespeare que não consegue escrever nada. Em resposta a um dono de teatro que lhe cobrava “a peça”, o intérprete de Shakespeare diz a este: “Você não tem alma. Como iria entender o vazio da solidão?”. Mas, tudo se muda quando ele encontra uma paixão, uma musa para seus textos que passam a fluir naturalmente.

    Embora considere que escrever é algo “viciante”, Você começa e não quer mais parar, para se ter algo bem escrito é preciso ter uma causa a atender e porque não dizer que se escreve melhor quando se está apaixonado, que nem o tema do filme? A paixão tem variadas manifestações e aqui me lembro de Dom Helder Câmara que dizia que o segredo da eterna juventude era ter um ideal. Não quero aqui falar em livro meu, mas, quando o trabalho tem uma razão, ele flui. Não simplesmente por acaso, como quando numa hora vaga escrevo um poema, busco uma ideia para uma crônica. E até esta crônica tem razões de ser. Primeiro, é uma resposta; segundo, almejo que seja lida e seria estranho, mais uma vez citando o filme, “um poeta sem palavras”.

   Meu caro leitor, Wagner Mello, não sei lhe dizer se há uma técnica. É um mistério e lembrando Shakespeare, existem muitos “mistérios entre o céu e a terra”. A inspiração ajuda muito, uma razão, destinação também. Você não me diz no e-mail se escreve também ou se pretende escrever, mas, se puder dar alguma orientação, é interessante escrever de modo que todos entendam, nada de termos muito rebuscados. É preciso ser entendido para poder ser lido, seja em texto poético, histórico, jornalístico, enfim, na crônica ou romance. E recordando a musa Rachel de Queiroz, ademais, se “pena, padece e só então escreve”.


   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


24 agosto 2021

O céu das palavras - Por: Emerson Monteiro


No instinto de encontrar a paz na consciência, objetivo de tudo quanto há, eis que os nativos pelejam nos desertos da solidão, feitos feras que fogem de si pelas sombras de procuras desesperadas. Insistem na esperança de, lá um tempo, desvendar o mistério dessas andanças, e quando mesmo aguardam, nisso dão de cara com as visagens que sempre lhe perturbaram antes. Vasculham o lixo dos desassossegos e das ideias, e veem o tanto de perdição das horas equivocadas no pranto das vezes largadas ao vento quais inúteis paisagens fossem das noites insones.

Daí que vêm as palavras a trazer orações, confortos e litanias. Gritam sons harmoniosos, entoando loas aos sentimentos, ferindo de dor as fibras da emoção, paixões desenfreadas, ânsias e desejos que alimentaram essas ocasiões escuras de saudades e prantos. Palavras cadenciadas à luz da verdade escondida debaixo dos olhos da ausência de quem mais esperava os segredos desta vida. Elas, as palavras, que consolam e alimentam. Revivem sonhos adormecidos que persistem vivos na memória, certezas de melhores momentos de amor e carinho.

São inúmeras as oportunidades em que as falas dizem disso, desses amores que vagam pelos dias, nas portas abertas dos instantes que se renovam perante almas perdidas no lodaçal das amarguras. Trazem notícias de mundos outros que ainda virão tão logo as mágoas sejam só fumaça no coração das pessoas. Existem, pois, essas possibilidades vivas de recriação das luzes da plena Felicidade. Que sustentem a firmeza na fé e trabalhem a certeza íntima do Ser. Porquanto a continuação de tudo leva a isto, da reconquista dos sois que pertencem a todos.

E nisso as palavras falam com força e constroem o instinto de encontrar a paz da consciência, objetivo de tudo quanto existirá, no entanto.

23 agosto 2021

Um começo de conversa - Por: Emerson Monteiro

 


O canto / Está escrito: “Ele pôs termo às trevas”. / Ao ler estas palavras, o Rabi de Kotzk costumava exclamar: ­– Deus deixou um canto livre nas trevas para que o homem possa abrigar-se. (Do livro Histórias do Rabi, de Martin Buber)

Há que ser sempre assim, canto a que chegar um dia deste, através de si próprio, pelas trevas da matéria onde ainda estamos no dispositivo da consciência de achar o portal da libertação aonde possamos nos abrigar do destino.

A isto viemos aqui. Quais labirintos a céu aberto, e tocamos as existências neste segmento de revelar a nossa Salvação. Nisto indicam as escolas filosóficas e religiosas, durante todo tempo, setas no caminho do Infinito, pois a tanto somos destinados, numa missão redentora.

Quais viventes livres nos labirintos individuais da Natureza, tocamos cada passo na busca desse desiderato de argonautas do Espírito, frutos da sequência original de tudo quanto existe. Daí, as muitas histórias pessoais do conhecimento adquirido no transcorrer das gerações, porquanto viemos aqui tantas vezes quantas necessárias sejam até desvendar a saída deste Chão e encontrar o reino definitivo da Eternidade espiritual.

Porquanto significamos um sistema inteiro de autoconhecimento, a dispor da evolução pessoal, estrada dos sonhos e das luzes, em nossas mesmas mãos. Das experiências guardadas, somamos forças de, lá num certo momento, divisar, no horizonte das reencarnações, o sentido pleno de tudo quanto vivermos e guardarmos, farnel das jornadas aprendidas e praticadas. Simples, pois, interpretar os motivos que nos trazem neste mundo, conquanto pudermos avaliar a perfeição absoluta da Criação a que pertencemos.

Por mais desejemos fugir dessa sequência natural do processo da transcendência aos níveis superiores, em nós importam os limites desta liberdade maior aos quais nos destinamos, seres em potencial da Certeza de uma fé perene e reveladora.

22 agosto 2021

Sucatas eletrônicas - Por: Emerson Monteiro

Vida é aquilo que acontece enquanto se está engalfinhado nas redes sociais.
 Nesses tempos só eletrônicos, de admirar que ainda estejam vivendo, pois. Outro dia, meus netos acharam restos de um computador jogado nas calçadas do bairro e ficaram a examinar seus componentes; a placa, os eletrodos, os circuitos, assim quais quem descobre as entranhas de um lagarto mecânico seco no sol. Nas entrelinhas das peças, olhos bem abertos, jamais imaginariam que hoje o mundo depende disso com quase exclusividade, não fosse comer, trabalhar e dormir. Disso e das bolsas de valores espalhadas nos pregões das matinês. Quanta mudança em tudo. Sobremodo nesta geração que vem do telefone de parede e das velas acesas dos jantares solenes. Dias e séculos em tão poucos minutos, na cachoeira do tempo a deslizar pelas corredeiras. Na escola de Jornalismo, a gente estudava a proximidade da notícia. Que, na redação, seria mais importante a notícia do vizinho que levara um tombo e torcera o pé do que um atentado terrorista do outro lado da Terra. Já agora tanto faz, quanto tanto fez, porque nem dos vizinhos a ninguém importa o suficiente (Farinha pouco, o meu pirão primeiro, qual dizem na Bahia).
De caras enterradas nos jogos eletrônicos e nos celulares, correm as multidões à busca da fúria do próximo desejo. Tais máquinas de fazer o filme do inútil, no canal por assinatura, as emoções viraram coisas, objetos de somenos. Correr sem ter aonde, viver aos trancos e barracos as invenções do último tipo. Chavões de si mesmos, criaturas pensantes resistem às horas feitas aos pedaços de uma engrenagem avassaladora jogada no lixo, em que dinheiro pesa o quanto de felicidade que podem adquirir nos shoppings de esquinas engarrafadas. Tipo isso de crítica de nós próprios, vemos nenhuma coerência de submissão aos valores deturpados da evolução científica, no entanto numa fase de experiência mil.

20 agosto 2021

Diocese de Tianguá: Jubileu de Ouro – por José Luís Lira (*)


   A Diocese de Tianguá foi criada por São Paulo VI, Papa, juntamente com as Dioceses de Itapipoca e Quixadá, a 13/03/1971 e foi desmembrada da Diocese de Sobral, em todo o seu território.

   É interessante, nesse Jubileu, destacar a importância de Dom Walfrido Teixeira Vieira, Bispo de Sobral (1965-1998), na criação da Diocese de Tianguá, embora se saiba que o projeto estava nos planos de seu antecessor, Dom João José da Motta e Albuquerque. Também interessante é lembrar carta assinada por cinco párocos, vigários e um cooperador, dirigida ao Bispo de Sobral, Dom Walfrido, datada de 31/07/1965, pedindo a criação da Diocese de Tianguá. São eles: Mons. Antonino Soares, Pároco de Guaraciaba do Norte; Mons. Antônio Regino Carneiro, Pároco de Viçosa do Ceará; Pe. José Aristides Cardoso, Vigário de Ibiapina; Pe. João Batista Araújo, Vigário de Carnaubal; Pe. Tibúrcio Gonçalves de Paula, Vigário de Tianguá e Pe. Fulton Bezerril, Vigário Cooperador de Tianguá. Durante muito tempo, a Diocese de Tianguá recebeu o epíteto de “a Diocese dos Monsenhores”, visto que grande maioria de seu clero recebera essa titulação da Santa Sé.

   Dom Frei Timóteo Francisco Nemésio Pereira Cordeiro, OFM, foi nomeado o primeiro Bispo da Diocese de Tianguá, a 30/04/1971, sendo sagrado Bispo no Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé, no dia 04/06/1971, pelo então Bispo de Sobral, Dom Walfrido Teixeira Vieira, o grande artífice da criação da Diocese.

   A instalação da Diocese de Tianguá e sua posse se deram em 22/08/1971, em solenidade sob a presidência do Cardeal Aloísio Lorscheider, contando com a presença do Núncio Apostólico, D. Umberto Mozonni, de numerosos bispos, destacando o de Sobral, Dom Walfrido Vieira e Dom José Coutinho, de Estância, Sergipe, que foi pároco na Diocese e Bispo Auxiliar de Sobral; do então Governador do Estado e outras autoridades.

   Dom Timóteo ainda é lembrado pelos diocesanos e recebe homenagens. Após o falecimento de Dom Timóteo, ocorrido em 20/03/1990, o Mons. Tibúrcio Gonçalves de Paula foi eleito administrador Diocesano, pelo Colégio dos Consultores da Diocese, até a chegada do novo Bispo.

    O segundo Bispo foi Dom Francisco Javier Hernández Arnedo, OAR, nomeado bispo de Tianguá por São João Paulo II, em 06/03/1991 e, recebeu a sagração episcopal das mãos do Cardeal Aloísio Lorscheider, a 19 de maio do mesmo ano, em Manaus, sendo empossado no dia 24/06/1991. No seu profícuo pastoreio criou paróquias, áreas pastorais e deu nova dimensão à Diocese.

    O atual Bispo de Tianguá é Dom Francisco Edimilson Neves Ferreira, empossado a 20/05/2017.

    A Diocese possui em seu território Litoral e Sertão e a Serra da Ibiapaba, denominada de “Serra Grande da Ibiapaba”, um Planalto com média de 640 a 950 metros de altitude sobre o nível do mar e politicamente, conta com 13 municípios, 20 Paróquias e o Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Fátima da Serra Grande, sediado em São Benedito.

   Nessas celebrações, neste domingo, 22, Frei Santiago Lazaro, pároco de Nossa Senhora dos Prazeres, de Guaraciaba do Norte, inaugurará a nova Galeria dos Párocos e as fotos dos três Bispos da Diocese de Tianguá.
 
     Senhora Sant’Ana, padroeira da Diocese, juntamente com Nossa Senhora – a Virgem dos Prazeres, proteja todo este povo de Deus!

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.



19 agosto 2021

Os quatro cavaleiros do Apocalipse - Por: Emerson Monteiro


Tudo a seu tempo. Nos idos da Segunda Grande Guerra, quando imaginaram haver topado no limite previsto pelas Escrituras de que a raça humana, lá um momento, chegaria aos extremos das eras e ...

Bem, por que escrever assim trazendo tamanhos conceitos históricos, quando há tanto o que ainda realizar? Fico meio sem jeito de fugir dessa rotina de mensagens que ora circulam o mundo. Pensar no tanto que já se obteve de sucesso nas tantas áreas do raciocínio e, de uma hora a outra, tudo virar apenas isso de perdição?

Sei não, mas acho cedo de pensar no desaparecimento das civilizações e começar tudo outra vez, dessa em níveis mais adiantados, segundo outros conceitos, de que a Terra passará a um patamar superior, sob o prisma dos planetas habitados.

Porém imperam graus de barbarismo nos muitos aspectos do que ora presenciamos diante dos acontecimentos. Espécie crônica de egoísmo parece querer dominar a mentalidade, numa indiferença de causar espanto, sob seus variados aspectos.

Enquanto que as experiências do passado precisam fazer efeito positivo no comportamento das pessoas, que abram os olhos da consciência e passem a exercitar os valores aprendidos no decorrer das gerações, no que, por vezes, a preguiça moral impera e destrói esperanças e sonhos.

Sei, por conta do instinto, que o Espírito tem condições de aprimoramento e o senso da fraternidade, e trabalhar os sentimentos é um dever, a fim de encontrar as respostas dos desafios à maldade, às indiferenças e aos desastres cometidos sem a menor reação de solidariedade. Sabe-se, a toda hora, da urgência de sentido às ações praticadas no transcorrer dos séculos, que tão só depõem contra a perfeição que poderíamos identificar em nós mesmos. No entanto a História demonstra exatamente o contrário, em uma avaliação geral do que até agora se produziu de consistente. Conquanto desejemos dias claros e realizações de paz, seremos sempre os atores da cena de que necessitamos vivenciar.

(Ilustração: Pieter Brueguel, o Velho).

16 agosto 2021

O que dizer nesta hora - Por: Emerson Monteiro


Neste tempo de enormes contradições que parecem dominar o palco dos acontecimentos mundiais, o que deixa vir à tona e acrescenta algo que seja de esperança e mudança positiva. Tempos de guerras localizadas, mesmo assim não menos cruéis do que as mundiais, com morticínio em massa de grupos sobre grupos, aos olhos de uma humanidade incapaz de apresentar saídas justas e equilibradas. Hora crítica também no quadro sanitário, com virose de proporções inimagináveis a ceifar vidas dentre todos os povos. Fase de crise alimentar que se alastra no Planeta e ameaça sobremodo os países mais populosos. Urgência de lideranças honestas e estadistas de visão que possam mitigar a necessidade coletiva de comandos justos. Que dizer, pois, que represente alguma perspectiva, invés de encher o espaço, pura e simplesmente, de aflição e desânimo. Olhemos com olhos claros.

A expansão indisciplinada dos seres humanos pela face da Terra, cedo ou tarde, daria nisso, numa ausência de sentido às experiências egoístas dos poderosos na luta de fracos e fortes, que significa poder viver diante das suas carências básicas. Até convencer os donatários da riqueza de que os recursos naturais devem ser repartidos de igual para igual nenhum sintoma indica esta sensibilidade nos viventes atuais. Apenas uma sede galopante de posse empana os céus. Aonde virar e vemos a ganância prevalecer sobre o bom senso.

Seguíssemos assim, haveria impasse absoluto na existência da vida. No entanto há que surgir alternativa que vença tais inviabilidades. Em termos práticos, a força de uma certeza maior que prevaleça quanto a tudo de ruim. Os limites aí estão face ao quadro dantesco de um momento jamais vivido. Só a destruição, por si só, em nada representaria o Poder maior das existências que nos trouxe até aqui. Queremos crer, por isso, por tamanha adversidade a superar, que vivemos agora um novo desafio, parto de novos tempos e novas luzes.

15 agosto 2021

A arte de dominar o Sentimento - Por: Emerson Monteiro

Ou seja, de que jeito dominar a Si Mesmo e preencher o pano da visão.

Existe uma parábola zen que fala de um monge que sai a procurar um touro bravio que fugira e avança mata adentro. Depois de longa jornada, quando localiza o animal, principia a domá-lo, tarefa das quase impossíveis. Nessa aventura, termina por conquistar a fera. Assim, obtém a graça de montar o touro e retornar, pondo-o no curral. Em tranquilidade, se senta na varada e ali permanece a contemplar a Lua.

Outro tanto disso tudo significa o empenho de cada um aqui do Chão, dominar a natureza de que parte, alentar o ânimo da imaginação, penetrar as sombras da vontade e desvendar na calma a Paz de que fomos feitos.

De quando em quando, vem essa impetuosidade de sentir a força do Amor, a que empenhamos esforços de controlar, restando saudades, angústias, solidão, impasses, talvez até o desânimo. Agonia. Dizem que quem ama sofre, mas quem não ama sofre mais. Nesse ímpeto de tocar em frente, que inexiste outro tanto senão isso, o monge que trazemos conosco avança nas florestas da alma, na ação de desvendar os mistérios da felicidade, que fogem pelas esquinas do desconhecido. E vivemos, e seguimos, e amamos mesmo assim.

Contam as escolas místicas que o maior empenho de Jesus há de ter sido condensar toda sua vibração inigualável num único Ser e vir ao mundo demonstrar, a todos nós, as vias da Salvação. Magnânimo empenho, magistral compensação. Enquanto que resta-nos concentrar nossos esforços, energia, pensamentos e sentimentos, numa causa primeira e encontrar a Luz da Consciência nas palmas do coração. Quanto viver, quanta arte, quanta verdade. A isto viemos e daremos de conta, no vigoroso compromisso de apaziguar a nós mesmos e realizar o Bem maior, penhor da nossa maior gratidão.

13 agosto 2021

E quando soar a última trombeta - Por: Emerson Monteiro


Ali quando chegar a hora derradeira do impossível de seguir adiante, na pequenez do que nós somos. Quantos sinais de interrogação podem surgir nessa frase dos tempos finais da consciência?! Nisso, as gerações se sucedem. Lastro de tantas vidas que demonstra o tanto de viver e esperar mais no tempo. E o que fazer senão tocar em frente o prumo das existências e aguardar novos sóis e novas terras? Isso bem na hora do limiar dos infinitos que nos aguarda de braços abertos.

Assim, o vislumbrar do instante definitivo, daquela ocasião quando fecha a empanada e os atores saem de cena, por vezes exaustos, noutras apenas trôpegos das visões do inútil. Luzes apagadas indicam o término da função, e surgem as perguntas de o que aprendemos dos apuros e das festas.

O som cavo do horizonte a gritar pelas vastidões do mistério, e nós apenas afeitos ao inesperado quais alimárias sem destino. Sim, seres individuais. Mapas estanques de si mesmo, pranteamos a história que termina. Alguns admitem que o mundo acaba a quem morre. Outros, no entanto, narram dos livros sagrados que virá um instante preciso de prestar contas do que aqui nos fora entregue, a fim de revelar os segredos da Natureza. A alma, qual livro de todas as explicações, soma necessidade com sinceridade; bem sabem da urgência do sentido que caminha aqui ao nosso lado. Ninguém veio neste chão por mero acaso, pois.

Nessa intenção, inesperam as expectativas sólidas dos dias que passam na esteira silenciosa do tempo, que transcorre sem avisos prévios. Há os credos que falam da hora precisa em que os céus mudarão de cor e astros rolaram no espaço. A quem nos cabe indagar dessa hora crucial a não ser à nossa consciência?! Que sou, donde venho e aonde irei, causas essenciais que moram sempre no coração da gente.

Santa Mãe dos Prazeres: duzentos e sessenta anos! – por José Luís Lira (*)

 

   As primeiras notícias que temos da festa de Nossa Senhora dos Prazeres em Guaraciaba do Norte, é que seu ápice se dava no dia 6 de janeiro, dia de Reis, um dos prazeres celestes de Nossa Senhora. A bênção da capela, realizada pelo fundador, Pe. Felipe Dias Santiago. Nesta mesma data foram realizados os primeiros batizados naquela capela. A partir daí Nossa Senhora com o título “dos Prazeres” se tornou a maior protetora daquele povo serrano. Quatorze párocos passaram desde a instalação da Paróquia, em 1888, até a proclamação do Dogma da Assunção de Nossa Senhora, dada na festa de Todos os Santos de 1950, quando a festa passou a ser celebrada em agosto. E, muitas gerações de cristãos celebram suas padroeiras com títulos de Nossa Senhora, sem data fixa, com festa em 15 de agosto. 

   Numa cidade que nasceu no entorno da pequena capela dedicada à sua Padroeira, esse se constitui o período mais importante da vida religiosa e social, pois, após as celebrações têm sempre parque, barracas e mais atividades. 

   Em agosto, esteja onde esteja, programo alguns dias da “festa” para estar com meus pais e meus conterrâneos na grande celebração à nossa Padroeira, devoção portuguesa que chegou ao Brasil junto com os descobridores e que em mim, se inseriu na alma desde a mais tenra infância. Foi com Nossa Senhora dos Prazeres que aprendi a confiar na mãe de Deus como minha mãe também e mãe de todos!

   Celebramos os 260 da bênção da primeira capela e realização de seu festejo. O povo guaraciabense é um povo de profunda religiosidade. Dos 132 anos de instalação da Paróquia, 54 fora a Paróquia dirigida pelo mesmo pároco, santo no coração de nós que o conhecemos, Mons. Antonino Cordeiro Soares († 1990).

   A devoção a Nossa Senhora dos Prazeres surgiu em Portugal e com os portugueses veio a esta Terra de Santa Cruz que depois se tornou o Brasil, pois que Pedro Álvares Cabral, em sua viagem ao Brasil, em 1500, se fazia acompanhar da imagem de Nossa Senhora da Esperança. Em 1722, o Frei Agostinho de Santa Maria argumentava que Nossa Senhora dos Prazeres possui o mesmo significado da devoção de Cabral.

   O texto bíblico diz: “... em alma perversa a Sabedoria [Deus] não entra;/ ela não habita um corpo sujeito ao pecado” (Sab 1,4). Deus fez morada, fisicamente, em Maria, por nove meses e desde que Ela fora criada e por toda a eternidade, seu coração é puro da mácula original. Por isso, não há o que se discutir quanto aos méritos de Maria, aquela que incitou Jesus a demonstrar seu primeiro milagre (Jo 2,1-12) e Ela nos deu a lição definitiva: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

    E sobre Maria [De qua natus est Iesus], Mãe de Deus e nossa, a Virgem dos Prazeres celestes, não os nossos frágeis e passageiros prazeres humanos, que pela sua importância, podemos afirmá-la a fundadora de Guaraciaba do Norte. Sua devoção, a nós trazida pelo Pe. Felipe Santiago fez surgir a Cidade, e para homenageá-la, escrevi o livro “Nossa Senhora dos Prazeres e a história de Guaraciaba do Norte”, lançado em julho último, registrando o lapso temporal de 260 anos, que, com a graça de Deus, chegou às mãos do Papa Francisco que enviou bênção ao nosso povo por carta publicada na contracapa do livro.
   Ave, cheia de graça, Nossa Senhora dos Prazeres!

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


12 agosto 2021

Imaginação - Por: Emerson Monteiro


Quem escreve vive disso, de buscar motivos de preencher as páginas. Espécie de instinto de expressão que não aguenta ficar quieto e se mexe por dentro da pessoa, e quer porque quer dizer algo que ali esteja escondido nos refolhos da distância, numa propensão da mais difícil resistência. Correr mundos e encontrar os temas. Vasculhar as latas de lixo da história, nas histórias que ouviu, nos livros que leu, nas fantasias que viveu vagando pelo estômago do pensamento, desejos que fossem a transformar em palavras, fome de transmitir de si mesmo o mistério do momento que passa veloz. As palavras são assim, têm vida própria, disso não restam dúvidas. Elas formam as frases e as frases conduzem os pensamentos. Seja o que for, há que demonstrar nas fagulhas de sentimentos as opiniões ou quimeras. Vagueiam pelos céus da mente feitas folhas secas das árvores da emoção. Quase que, certas horas, tomam das mãos de quem escreve e saem rebeldes pelas tramas dos destinos, animais bravios da criação, pedras que rolam dos montes lá adiante, e chegam aqui, e machucam os pés dos audaciosos videntes da imaginação.

Isso depois das várias tentativas de ficar em silêncio, no entanto a mesma febre que volta acesa às asas do pensamento e derrama fogo em brasa nos rios das criaturas, vítimas que parecem da intenção de devastar o Infinito e minerar mistérios e existências. Os sonhos falam disso, dessa disposição dos aventureiros da palavra escrita de desvendar universos recônditos da alma e trazer de volta, ainda envolta na placenta destes partos, a vontade insana de achar a porta do tempo, e salvar do desaparecimento as lâminas da memória que insistem sumir no túnel desta solidão.

Bem isto, de ir até os desertos da saudade e revirar as dobras do passado até salvar da inexistência o que ontem tanto significou às razões da presença. Contudo, sob o domínio dessa condição tão sobre-humana de vencer os caprichos do Poder soberano, supera os traumas da inutilidade e aceita permanecer, exausto, nos braços de um amor maior de todos, o sol da Consciência no eterno movimento.

(Ilustração: O astrônomo, de Vermeer).


11 agosto 2021

A unidade original - Por: Emerson Monteiro


Quando desaparece a dualidade, encontra-se a unidade.
Farid ud-Din Attar

 Bem isso de aonde estamos todos indo, ao fim dos tempos conhecidos. Esse afã acontece dentro da consciência da gente. Nem adiante fingir que resolve lá fora se não resolveu aqui dentro. Passo definitivo da aventura de viver, resta saltar no vazio do inesperado e achar o nada absoluto que significa o Eu interior e o ego exterior, cena em que ambos somem da visão até nunca mais existir. Este o encontro de tantos, que buscam no agir dos movimentos, afeitos no senso de uma finalidade a tudo quanto acontece no decorrer das gerações. O casamento imortal da ópera e do determinismo disso tudo, raiz da Criação.

Tal quem voa sobre o abismo das ausências e ganha sobreviver depois de desaparecer no eterno. Pássaros da solidão humana, vamos nesse embalo de quantas procuras, netos filhos de si mesmo, passageiros da agonia. No entanto, há, sim, real objetivo nessa exclusão das horas do quanto existe aqui no campo da visão, ausência de que nascemos no decorrer dos infinitos de nós mesmos. Propensos a desvendar o mistério de viver, saímos à cata dos valores essenciais que antes imperavam na inocência das crianças, e construiremos as trilhas do renascimento através das linhas desse oceano das almas. Sustentamos o instinto de saber quem somos de uma vez por todas. Dois que se debatiam nas ondas feitos escravos no desejo ferrenho da libertação.

Só quando, lá então, mergulharmos em nós próprios, acharemos a tão sonhada paz no seio da unidade, que bem assim também nos anseia à medida dos nossos sonhos. Nós conosco traçamos, então, o mapa do tesouro e elaboramos das ruínas o passado que desmanchou aos nossos pés. Senhores de si, abriremos o sol do coração e refaremos a luz que sempre esteve aqui conosco.  

09 agosto 2021

Mistérios da compreensão - Por: Emerson Monteiro


Desde há muito que se buscam respostas face aos significados da consciência em desenvolvimento. São os rastros das civilizações que mostram os vários momentos dessa busca incessante. Quer-se responder, pois, com sabedoria aos desafios das situações vividas durante todo tempo. Ficaram as marcas deixadas pelos que intentaram esclarecer os povos, contudo a história prossegue na mesma intenção de responder e dominar os ditames da Natureza em prol de pequenos grupos. Vêm os mestres e indicam caminhos, quais túneis de larga profundidade no espírito, porém, logo adiante, outras gerações parecem ignorar os resultados oferecidos e desmancham o que eles fizeram.

Bem isso de crescer em relatividade, nesse movimento sinuoso dos tempos. Novos desafios, novas respostas, novos desafios... Ainda assim, a espécie evolui. Somam respostas e respostas, e o que antes parecia impossível depois reúne frutos promissores, a ponto de hoje dispormos das oportunidades raras de entendimento quais nunca noutras épocas. No mínimo possuímos chances de dominar os instintos perversos e construir o mundo novo.

Exemplo mais evidente do que dissemos representa o avanço tecnológico dos dias atuais. Quisessem ou não seus inventores, os recursos científicos ganharam corpo e até agora jamais havíamos tido tanta possibilidade da realização dos sonhos humanos. Infinitas barreiras ficaram atrás e os instrumentos de crescimento coletivo dominam as necessidades.

No entanto requer, tudo isso, o senso prático da democratização a todos, sob pena de criar conflitos inevitáveis entre ricos e pobres no seio das nações. Se a evolução tecnológica ganha níveis inimagináveis, o princípio da consciência coletiva precisa, com urgência, prevalecer e circular o mundo. Os equipamentos agora permitem a redistribuição da riqueza com imensa facilidade, desde que advenha o reconhecimento da fraternidade no seio das multidões. De nada valeria tanto progresso não fosse a benefício da grande sociedade, em favor da paz e da solidariedade.

A compreensão, portanto, agora exige bom senso e bons sentimentos, só isto que justificará todo o sacrifício da humanidade durante tantas vidas.

08 agosto 2021

O Universo em nós - Por: Emerson Monteiro


Dentre os enigmas do destino, há isso de transportar conosco aonde formos o Universo. Partículas do grande todo isso é o que somos. Dar-se o jeito de viver com arte. Descobrir a infinitude da vida que significamos. Fagulhas do Sol. Alentos das matas. Ondas de mar sem limites. Isso que somos todos, independente da vontade de quem seja. Artífices da sorte, peças de um quebra-cabeça que montamos toda manhã. Nem de longe resta fugir, pois não existe outro pouso. Seres, assim, suficientes, transportamos meios de encontrar nos achar lá no íntimo.

Nítido quadro da existência, mantemos o movimento das esferas nas limitações de uma consciência em desenvolvimento. Trabalhamos os passos que nos conduzem à libertação. Trazemos, dentro do cosmos que habitamos, a luz da percepção. Destarte, cápsulas desta evolução pessoal, revivemos a criação da Eternidade quando vivemos. Instrumentos, pois, da revelação desse processo, equilibramos o conhecimento na forma que compreendemos e praticamos o que compreendemos. Dotados de todas as peças a isto necessárias, funcionamos no ritmo da presença de agora, olhos postos no futuro. Ainda que desejássemos demasiadamente, o trilho equivale à oportunidade única de estar aqui neste mundo.

Daí, dispositivos da humana transformação em novos emissários da perfeição, fazemos parte integrante do sistema universal das criaturas. Regidos pela disposição da felicidade que transportamos na alma, vivenciamos o dever de recriar o equilíbrio do qual nascemos. Momentos sem fim, alimentamos a esperança de paz que nos chama diante do eterno. Com isso, preenchemos, do início ao término, a Natureza, tais moléculas de compreensão, partes integrantes da história durante todo tempo. Desse modo seremos trabalhadores efetivos das origens do que existe e modificamos a sorte em favor da certeza de um Eu Maior que somos desde sempre.

Avança na intenção de destruir uma reserva ambiental no município de Crato – por Armando Lopes Rafael

    A denúncia já havia sido feita há um ano. Naquela ocasião foi divulgado nas redes sociais:

   " A se confirmar rumores, circulantes na cidade, uma propriedade rural que se constitui numa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), existente no Sítio Cobras, zona rural de Crato poderá desaparecer. Existe naquela localidade, localizada próxima à fronteira de Crato-Juazeiro do Norte, uma propriedade que preserva a fauna e a flora daquela região.  Além da proibição de desmatamento, o proprietário daquele sítio mantém lá um plano de reflorestamento e conservação de espécimes de arvores centenárias. Preservam-se aves e pássaros, hoje raros na zona rural do Cariri.

    "Não conseguimos apurar maiores detalhes sobre esses rumores. No entanto, o que se comenta é que o sítio vai ser desapropriado para lá ser construída uma subestação da rede elétrica na Região Metropolitana do Cariri. A se confirmar tais rumores, os prejuízos para a preservação ecológica e manutenção da beleza cênica daquela localidade sofrerá danos irreversíveis. Urge que todos os segmentos da sociedade caririense se movimentem com vistas a apurar a veracidade desses rumores. E estes, se confirmados, devem motivar a mobilização de toda a sociedade para evitar esse dano irreparável ao meio ambiente da nossa região".

Situação se agrava

    Esperava-se um recuo por parte a empresa que tenta a desapropriação; esperava-se maiores  protestos de segmentos de destaque na sociedade do Crato e do Cariri. Ocorreu exatamente o contrário. Noticia-se agora a empresa estatal vai ampliar a área para desapropriação para aumentar a subestação de energia elétrica e uma linha de transmissão em mais 4 (quatro) hectares em relação ao projeto anterior.

       Esse vandalismo premeditado vai impedir que o proprietário do terreno citado possibilite a abertura daquele sítio à visitação pública, como era seu desejo. Seria uma oportunidade não só de preservação do pouco que resta da natureza, mas permitir que a população conheça como era a fauna e flora do Cariri à época de sua povoação, no século XVIII.

        Por fim, é bom não esquecer que subestação e transmissão ode linha elétrica são considerados o segundo maior poluidor da natureza, perdendo apenas para as usinas nucleares.
         E a tudo isso o povo do Crato e do assiste sem protestos nem reação contrária. Até quando? 
 
PS -- Anteriormente, eu havia citada o nome de uma empresa privada como a interessada na desapropriação desse terreno. Entretanto, em 11-08-2021, a Assessoria daquela empresa telefonou negando que fosse ela a interessada nessa empreitada, e sim outra. Fica minha desculpas pela troca dos nomes.

06 agosto 2021

Sesquicentenário do Dr. José Saboya – por José Luís Lira (*)

    A coluna de hoje é biográfica. Em 6 de agosto de 1871, há 150 anos, nascia em Sobral, José Saboya de Albuquerque, filho do Cel. Ernesto Deocleciano de Albuquerque e de dona Francisca Saboya de Albuquerque. Seu pai, Ernesto Deocleciano, foi pioneiro na industrialização sobralense, bem como relevante empreendedor para o desenvolvimento econômico da Região Centro-Norte do Estado do Ceará, cuja influência chegou ao vizinho Estado do Rio Grande do Norte.

   José Saboya estudou as primeiras letras em Sobral e fez estudos preparatórios em Fortaleza, de onde partiu para se matricular na Academia de Direito do Recife. Saboya recebeu a Carta de Bacharel em Ciências jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, a 19 de setembro de 1891, com idade de 20 anos. Ainda antes de se formar, exerceu interinamente a Promotoria, em Sobral, de julho a setembro de 1890, aos 19 anos, demonstrando, no mínimo, altíssima capacidade. A 2 de maio de 1892, Dr. José Saboya foi nomeado juiz substituto de Sobral, cargo que exerceu até 14 de agosto de 1899, quando foi promovido a Juiz de Direito. Durante 36 anos, com muita dignidade e sabedoria, exerceu a função até 26 de setembro de 1935, quando se aposentou por limite de idade. No cargo de juiz, Dr. José Saboya jamais experimentou ver suas sentenças revogadas pelo Tribunal de Justiça do Ceará.

   Sobralense de escol e apaixonado por sua terra, quase nunca se afastou de Sobral. Além do tempo em que esteve em Recife, estudando, quando foi Secretário do Interior e Justiça do Ceará de 1916 a 1918, a convite do seu primo governador Dr. João Thomé de Saboia, residiu em Fortaleza, mas, em dois anos organizou tudo e voltou a Sobral para reassumir o seu Juizado. Consta que, em 1926, o governador Moreira da Rocha, sobralense, veio especialmente a Sobral para convidar o magistrado para assumir uma vaga de desembargador e a resposta foi: “Quando o Tribunal for transferido para Sobral”.   

    Após aposentar-se, em 1935, Saboya assumiu o comando da Fábrica de Tecidos Ernesto Deocleciano. Concomitantemente a essa função, passou a dedicar-se à política, comandando a UDN – União Democrática Nacional na Zona Norte. Muitas das importantes decisões para essa região como para todo o Ceará tiveram sua participação sem exercer cargo político.

   Dr. José Saboya de Albuquerque casou-se, a 30/11/1893, com dona Maria da Soledade Pessoa de Saboya – a Sinhá Saboya, neta do Senador Paula, com quem teve sete filhos. José Saboya foi um dos fundadores da Academia Sobralense de Estudos e Letras, a qual presidiu entre 04/03/1948 a 26/04/1950 e foi um dos fundadores do Derby Clube Sobralense.

    Dr. José Saboya de Albuquerque faleceu a 26 de maio de 1950, no Rio de Janeiro, onde foi sepultado. Posteriormente seus restos mortais trasladados para Sobral, sendo sepultado no Cemitério São José. Seu nome é lembrado em ruas, praças e instituições na região, com destaque para o Fórum Dr. José Saboya de Albuquerque, em Sobral, sendo, ainda patrono da Cadeira de n° 18 da Academia Sobralense de Letras Jurídicas, cujo primeiro ocupante foi o desembargador do Trabalho Judicael Sudário de Pinho († 2020).

   No sesquicentenário, a lembrança dos familiares, amigos e confrades das duas Academias a Sobralense de Letras e a de Letras Jurídicas!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.



05 agosto 2021

Cariri, anos 60 e 70 - Por: Emerson Monteiro


Em dias recentes, encontrei o cantor e compositor Abidoral Jamacaru, numa das ruas de Crato, e relembramos os acontecidos das décadas de 60 e 70, fase de movimentos político-sociais significativos também no Cariri. Ele trouxe de volta alguns nomes dos que, à época, desenvolveram primeiros haustos de uma cultura de vanguarda entre nós. Daí me veio essa intenção de trazer alguns desses personagens que agitaram nosso mundo daquela hora, inclusive com repercussão nas gerações posteriores, nas artes plásticas, na música, no cinema, na literatura, no jornalismo, no rádio. Acho dever daqueles que viveram aqueles tempos tão sombrios e de tanta resistência que mantenham viva a memória de época tão marcante da História.

Por isso, relembro aqui alguns desses nomes valiosos, que integraram a contracultura caririense em fase nebulosa no mundo inteiro, tempos das revoltas estudantis na Europa, em países da Cortina de Ferro, nos Estados Unidos. Atravessávamos a Guerra do Vietnam e suas repercussões na história da Humanidade desde então. Crescia a música de protesto no Brasil; avançava o rock na cultura de massa; se instalava, no seio da juventude, o Festival de Woodstock; o movimento hippie; chegavam os primeiros filmes de diretor; o Cinema Novo emergia pelo País; a censura dominava os festivais da canção, naquela hora crítica; e sobretudo em Crato ocorreram montagens de peças teatrais, editamos jornais alternativos, formamos grêmios estudantis, vieram as primeiras manifestações de novas composições musicais, além das exposições de artes plásticas.

Dentre os que vêm à memória, posso citar Tiago e Flamínio Araripe, Assis Lima, José Esmeraldo, Fernando Lins, Alzir Oliveira, Antônio Vicelmo, Pedro Antônio, Huberto Tavares (Bebeto), Rosemberg Cariry, Jefferson Junior, Célia Teles, Jackson Bola Bantim, o Grupo Baiano de Teatro (José Luiz e Túlio Penna, Claúdio Dortas, Paulinho Costa) trazido pelo secretário de cultura Hélder França, todos esses movimentos depois sequenciados, já na década de 70, pelos Salões de Maio e de Outubro, e pelos festivais regionais da canção, com alguns nomes também ali destacados, quais Abidoral Jamacaru, Geraldo Urano, Luiz Karimai, Gilberto Morimitsu, Stênio Diniz, Luiz Carlos Salatiel, Carlos Rafael, Magébrio e Marigério Lucena, dentre outros mais que marcariam profundamente as gerações posteriores.

Foram vivências da mais rara intensidade, exemplo de preservação da cultura popular regional e das tradições desta região de larga influência no cenário cultural nordestino. Guardo, pois, com imenso carinho e saudade extremada as lembranças daquele cenário de que participei ao lado de tantos valores determinantes e inesquecíveis da nossa lide cultural.

(Ilustração: Dona Ciça do Barro Cru).

04 agosto 2021

Algumas notas dos tempos atuais - Por: Emerson Monteiro


Quantas vezes cresce na gente uma vontade extrema de compreender o tempo, contudo quase nada significa o tal desejo ardente diante da pressa dos acontecimentos que passam em velocidade exponencial. Correr sem conta e ter aonde ir. Olhar no horizonte das pessoas e notar o quanto de parecença umas com as outras nesse êxtase individual de riqueza, fama e prazer. Tantos, na pressa de continuar qualquer que seja. Vêm os pretextos de fazer algo que preencha a necessidade das satisfações de estar aqui. Todos, sem exceção, analisam em volta o movimento das estruturas em flagrante decomposição e trabalham um modo de acalmar os ânimos, de esconder de si o que quase nada reconhece de real, tão só o instinto de sobreviver, mergulhar nos dias feitos seres desconhecidos até então, que estejam de junto e que também esperam as respostas que circulam no ar.

Quando menos esperam, porém, as notícias rasgam o silêncio e constroem pensamentos de lógica, edifícios de sustentação do impulso de viver, conquanto lá numa ocasião dessas venha à tona o motivo de caminhar. Assim também com relação a tudo o mais, as amizades, as possibilidades, os impasses, as contradições, os excessos e as preocupações. Testemunhas, pois, da própria ausência de conhecimento, no entanto vagueiam num faz de conta quase agressivo de deixar que tudo aconteça, livre da presença dos que se foram e deixaram atrás deles as lembranças de tantas dúvidas quantas as que agora persistem. Saudades ambulantes, tontas de paixão, arrastam o destino pelos desertos da solidão.

E o movimento dos astros lança fagulhas no escuro da imensidão, espécie de chamamento a outras dimensões as quais nem de longe podemos, de sorte, agora percorrer. São horas de esperança que envolvem de cores o aço que recobre as promessas de Luz.


02 agosto 2021

Dimensões II - Por: Emerson Monteiro


Há certas qualidades nas existências que pedem o mínimo de atenção quando a elas nos direcionamos. São aspectos vários da Natureza que impõem aprofundamento além do puro raciocínio. Exigem mergulhos profundos nos abismos da imaginação, podemos até dizer. Dentre uma dessas existências, por exemplo, a dimensão do Infinito sideral, os céus em tudo quanto é direção aqui de junto da gente. Quanta grandeza nas qualidades das distâncias dessa grandeza absoluta. Aonde chegar depois de tantos e tantos anos-luz, sem quaisquer referências a nós, seres tão diminutos.

Paremos um pouco e vamos buscar nos instrumentos de pesquisa algumas medidas, quais sejam: Ano-luz (l.y., do inglês light-year) é uma unidade de medida usada na Astronomia. Significa a distância que um fóton (uma partícula de luz) percorre durante um ano.

A velocidade da luz é a mais rápida que existe. A capacidade de um fóton se deslocar é de 300.000 quilômetros por segundo. Cada ano-luz corresponde a cerca de 9,5 trilhões de quilômetros, ou seja, 9.500.000.000.000 quilômetros.

Um fóton percorre a distância da Lua ao planeta Terra em cerca de 1 segundo. Apesar de ser o corpo celeste mais perto da Terra, a distância entre a Lua e o nosso planeta é de aproximadamente 384 mil quilômetros. Site Toda Matéria (Astronomia)

Nisto, quedemo-nos a considerar as dimensões do Cosmos, que se espraia ao firmamento sem conta. Lembro alguém dizer que existem estrelas no Infinito que, dada a distância em que existem, cuja luz ainda não chegou à Terra desde sempre criada que foi tão longe daqui. De vez que, ao aprofundar a vista no azul do céu, a distância da Terra ao Sol é cerca de 150 milhões de quilômetros ou 1 unidade astronômica (UA).  Wikipédia Enquanto a estrela mais distante de nosso planeta, a Alfa de Centauro, fica a 4,37 anos-luz.

Nisso, durante toda vida, pelejamos à busca de satisfazer valores imediatos, reduzidas marcas de insignificantes resultados diante do Eterno por demais desconhecido de todos nós. Bem isto, de avaliar paralelos do que nos cabe refletir face aos mistérios que rodeiam bem de perto, motivos de sobra de trabalhar nossas expectativas do amanhã mais radiante.

01 agosto 2021

Pantera Monteiro

 Hoje o Cariri está de luto pela partida precoce do artista zabumbeiro, percussionista, integrante da banda Dr. Raiz, Lindembergue Monteiro, nosso Pantera!

Jovem, sereno, sério e do bem, fez história na nossa música e nas nossas vidas!

Siga na luz e encontre paz!

*Foto cedida por Junu a Maria Carvalho





Um livro de fôlego - Por: Emerson Monteiro


Numa grata surpresa, recebo o livro Paris e seus Poetas Visionários, de Márcio Catunda, respeitado escritor cearense. Um livro, um clássico. Obra de feitio extraordinário pela qualidade gráfica e pelo seu conteúdo responsável e rico dos melhores detalhes de quem foi ver de perto os lugares onde nasceram e viveram os autores abordados, além do imenso zelo com as produções de todos eles, trabalho digno dos seus protagonistas.

Assim, na valiosa composição editorial, vemos desfilar aos nossos olhos nomes inesquecíveis da literatura da Cidade Luz, desde François Villon, Victor Hugo, Théophile Gautier, Charles Baudelaire, Guillaume Apollinaire, Louis Aragon, aos não menos festejados Verlaine, Rimbaud, Mallarmé, Paul Valéry, André Breton, Antonin Artaud, Paul Éluard, dentre outros não menos exponenciais.

Cada capítulo envolve a história pessoal, a formação desde a infância, vida familiar, vida amorosa, conflitos, ambientes históricos, até o estilo e as inesquecíveis realizações literárias, com amostragens rápidas desse conteúdo por demais reconhecido e consagrado no transcorrer das tantas gerações.

Márcio Catunda, poeta e compositor, autor de várias obras, tais Poetas Espanholes del Siglo XXI (2012), Terra de Demônios (2013) e Mário Gomes, Poeta, Santo e Bandido (2015), e mais outras, é membro da Academia Brasileira de Literatura e Jornalismo e da Academia de Letras do Brasil, pertencendo ao Itamaraty, na qualidade de membro da diplomacia brasileira.

Portanto, nessa bela edição da IMPRECE – Impressora do Ceará Ltda., de Fortaleza (2021), com texto de contracapa de Vianney Mesquita e orelhas de Anderson Braga Horta, o escritor Márcio Catunda presta merecida homenagem aos principais poetas parisienses, sem dúvida alguma de qualidade exemplar, ao nível dos que são ali enfocados, enfaixando o prólogo do livro com esta expressão: Benditos sejam os poetas que trabalham e se sacrificam para que desfrutemos da beleza da palavra e do sentimento que emanam de seu magnânimo altruísmo.

E afirma em outro momento do mesmo prólogo, Paris é um museu universal, ao que acrescentamos, que veio encontrar neste autor brasileiro o artesão eficiente de registrar a sua melhor riqueza poética, neste livro de tão agradável e enriquecedora leitura.

A literatura hoje - Por: Emerson Monteiro


Tempos atuais, quando gama infinita de obras preenchem os vagões dos computadores, dos sebos e das bibliotecas. Um tudo sem discriminação de língua, nacionalidade ou período histórico. Desde os clássicos desaparecidos e reaparecidos aos recentes manuais de sobrevivência na atualidade, um rio sem comportas. Meios mil de chegar aos sentimentos vagam nas estantes do pensamento humano. O interesse continua pelos livros qual jamais. Uma avalanche de alternativas inunda, pois, as máquinas contemporâneas de multiplicar ideias, deixando forte sabor de oportunidades sob quaisquer escolhas, o que corresponde às expectativas e sonhos de outros tempos.

Doutro lado, restam as indagações de aonde estamos indo com tanto conhecimento acumulado e permitido. Quais visões novas nascem desses recursos técnicos adquiridos durante tanto esforço milenar? Que perspectiva alimentar desses avanços e acessos permitidos às novas gerações?

Na certeza de que seguimos caminhos importantes do ponto de vista da construção de uma nova humanidade, quero crer nas transformações a melhores dias também provenientes dos livros, mais que nunca. Revisões históricas, novas interpretações da Natureza, soma dos fatores guardados nas civilizações, aprimoramento das filosofias, dos métodos sociais de organização da cultura, patrimônios artísticos inigualáveis, fruto do talento dos milhares de artistas e da catalogação, no transcorrer das gerações.

Há poucos anos, buscávamos, por décadas, obras esgotadas. Agora, em poucos instantes, se acham à disposição, numa riqueza de possibilidades inimaginável. Assim também na música, com todo seu acervo da história ao dispor de todos, a qualquer instante, por meio da rede internacional de computadores.

Faz uma migalha de tempo e vivíamos praticamente isolados nas províncias deste mundo, nas aldeias dos lugares. Neste momento, representamos a Aldeia Global, de Marshall Mcluhan, a súmula de todas as parcelas de um de pensamento e compreensão universais. Todos os estilos, todas as escolas e produções visíveis a olho nu, sem qualquer custo ou constrangimento.

Daí a urgência de maturidade aos seres humanos desta hora, herdeiros dos sacrifícios e contradições dos antigos, ora privilegiados da ciência do pensamento e de quem tudo de bom devemos aguardar, inclusive de cada um de nós, por si, que vivemos neste Planeta.