16 julho 2021

Limoeiro dos Pompeus por Romário Alves– por José Luís Lira (*)

Livro de Romário Alves


    Por ocasião da Live de lançamento do livro “Nossa Senhora dos Prazeres e a História de Guaraciaba do Norte”, resultado de longos anos de pesquisa, recebi o livro “Limoeiro dos Pompeus: Um resgate do Passado”, do historiador Romário Alves. Logo na apresentação diz o objetivo de trabalho: “eternizar de forma escrita a história de uma localidade chamada Limoeiro dos Pompeus”. E “Cada povoado tem suas histórias, seus contos, suas memórias, a sua peculiaridade”. O livro de Romário insere “O homem do campo, a dona de casa, o menino que joga bola no campinho... (...) no universo da História Nova, que vê todo e qualquer indivíduo, independente de sua classe social, como protagonistas do passado, do presente e do futuro”.
 
     Muita coisa interessante se observa em Limoeiro dos Pompeus. O primeiro rádio ali chegado nos anos 1940 e eu fico pensando as transmissões da segunda guerra mundial. As TV’s em preto e branco, fogão a gás etc., tecnologias que foram chegando e ficaram, se aperfeiçoaram, com inovações como telefonia e Internet, entre outras. Cita a economia e aqui lamento o fechamento dos engenhos de cana-de-açúcar, até a produção de açúcar mascavo. Destaque nesse item o mestre Enéas, que fabricava as peças dos engenhos. Vemos as hortas orgânicas, as bodegas que ainda existem e tantos registros. 

      Quando cita as secas, lembra a seca de 1915, imortalizada por Rachel de Queiroz, minha madrinha, no romance “O Quinze”. Os esportes são recordados com dois times locais e as famosas lendas de cada lugar se fazem presentes. De certo modo tive saudades do sítio Correios. São histórias bem parecidas e ressalto o protagonismo de meus pais em alguns itens naquela outra localidade.

      Nosso autor dedica, ainda, belas páginas à Capela de Nossa Senhora Aparecida que teve sua construção iniciada no Paroquiato do saudoso Pe. Raimundo Nonato Lúcio e os atuais tempos estranhos de pandemia são citados. Excelente registro. Quiçá todo povoado tivesse um desses. Nossa história seria mais rica.

      Sobre o “dos Pompeus”, deixo um desafio ao nosso autor: quando falo na educação de Guaraciaba do Norte no meu livro “De Volta a Campo Grande...”, cito que o Senador Pompeu estudou em Campo Grande. Quando falamos no episódio triste do Frei Agostinho, em 1850, concluímos que Maria Cambute (que ajudou o frade) trabalhava para os pais de João Miguel da Fonseca Lobo, nascido em Sussuanha, filho de Vicente Alves da Fonseca Lobo e dona Geracina Carolina de Sousa Lobo, parenta do Senador Pompeu, do qual Cambute foi “ama de leite”. O pai do Senador, Capitão de Milícia Thomaz d´Aquino e Sousa (alguns registra ‘de Souza’), faleceu em Guaraciaba do Norte, a 23/11/1839. O próprio Senador Pompeu cita isso num caderno de lembranças, transcrito no livro “O Clã de Santa Quitéria”, de Nertan Macêdo. O capitão acresceu aos nomes dos dois filhos homens que teve com Jeracina Isabel e Sousa, o nome Pompeu: Antônio Pompeu de Sousa Catunda (que seria pai do Senador Joaquim Catunda) e de Thomáz (Tomás) Pompeu de Sousa Brasil, o Senador Pompeu. Será que essa propriedade não era de Thomaz d’Aquino, pai dos Pompeus Antonio Pompeu (nome de importante rua em Fortaleza) e de Thomaz Pompeu (Senador Pompeu)? A sorte está lançada, ao nosso historiador cabe a pesquisa.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


 


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