01 julho 2021

Estradas vadias - Por: Emerson Monteiro


Quantas vezes o vento / apagará meus rastros / no chão do parque?
                                                                                            Márcio Catunda

Os dias foram espalhados nos trilhos do tempo e largam agora essas mais profundas interrogações no íntimo das criaturas. Nuvens que, lá no céu, alimentam os sonhos, os pensamentos, as transmissões radiofônicas, tudo afinal, aonde irão esconder seus gestos insistentes de tocar em frente os fragmentos e as horas? Sem um mínimo de propósito que seja visível, lá de dentro dalgum lugar regressam ao firmamento dos sinais passageiros que logo mais se desfarão sobre as memórias guardadas nas gentes em movimento. Quer-se tanto fugir desse tropel do desconhecido, no entanto o caminho prossegue minuto a minuto sob os pés ansiosos de algo definitivo. Nisso, pensamentos e sentimentos invadem constantemente o espaço que resta entre o silêncio e as histórias do mundo lá de fora.

Parar o quê e quando serão meras conjecturas que adormecem a toda manhã. Vagamos feitas folhas ao vento. Há que haver, debaixo das perfeições, respostas plausíveis de resumir essa força do destino que arrasta vidas e vidas. Ouvimos só a música do Infinito e assistimos o passar cadenciado das horas quais notas de uma sinfonia de catedrais feitas aos pedaços de nós mesmos, marcas indeléveis de existências abandonadas que gritavam aflições de dúvidas.

Espécies de seres ainda inocentes de si, viver alimenta a consciência desses mistérios que crepitam nas almas e as envolvem de sombra e luz, que vagam pelas planícies das dores. Minúsculas peças de largo oceano, flutuamos nas circunstâncias tais senhores da ausência e autores dos próprios segredos que sempre nos arrastam ao Sol.

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