22 maio 2021

A dança dos amores - Por: Emerson Monteiro


Bem que poderia dizer A guerra dos amores, que é assim que se parece, como a um fortim depois dos longos combates, quando sobram mais escombros do que construção, cacos de todo lado, destruição e abandono. Assim a dança dos amores desta vida. Tantos desassossegos ao coração que dói de não ter tamanho. Lembranças boas, mas que ficaram largadas na estrada. Saudades acumuladas pelos cantos desse cômodo amarfanhado da alma da gente. Lindas noites, belos dias. Viagens, despedidas, sonhos desfeitos nas dobras do sentimento; distâncias, ilusões, promessas descumpridas, arrasos de causar espécie dentro das memórias já gastas e juras esquecidas nas poeiras do passado. Cartas perdidas, fotografias desbotadas, livros rotos.

Inexistissem amores, o que seria da música, dos romances, dos filmes, dos dramas e das óperas deste mundo. Que valeriam os esforços de competição e crescimento nos dias que sumiriam nas frestas do tempo?! Da beleza, da juventude, do sucesso romântico das histórias e lendas; dos reinos e epopeias?! A que serviriam tantas aventuras de heróis lançados aos desafios, nas batalhas mais cruéis?! De que sacrifícios os paladinos nasceriam, a enfrentar tempestades e dragões, não fosse o pulsar intenso dos corações aflitos de rever princesas nos condados impossíveis, nas dimensões do Infinito?!

Assim persistem os amores deste mundo, vidas adiante, largas margens dos rios de paixões desenfreadas, a nutrir de população a face dos séculos. Nisto, no ferver das contingências, domínio das criaturas ansiadas e febris, a desejar conter o movimento das marés dentro do peito. Desde sempre, lá dos inícios da adolescência, que guardamos essa mensagem que pede alimento dos deuses de ter alguém que nos ame, e a que amemos das entranhas, fragmentos de vontades que nunca pode dominar face aos impulsos dessa verdade, dos amores.

Ninguém, que nós o somos, desista do poder inigualável dessa energia maravilhosa de uma força descomunal que significa sonhar e trazer à vida o valor dos nossos sonhos e seus amores.

(Ilustração: O beijo V, de Roy Lichtenstein).

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