23 abril 2021

Santo Antônio: Sabedoria e Humildade – por José Luís Lira (*)

 

     Outro dia iniciei os comentários sobre o livro “Santo Antônio: A história do intelectual português que se chamava Fernando, quase morreu na África, pregou por toda a Itália, ganhou fama de casamenteiro e se tornou o santo mais querido do Brasil”, Editora Planeta, autoria de Edison Veiga, a mim presenteado pelo amigo e colega na advocacia Macsimus Duarte. Uma coluna não é suficiente para comentar o trabalho de Veiga e mais ainda a história e a santidade de Antônio a quem chamo “o Grande”. Mesmo com esta, ainda retornarei ao tema.

    Edison explica que “Santo Antônio de Pádua, o homem que tomou para si o nome da cidade e rendeu a ela fama mundial, não nasceu Antônio, muito menos paduano. Por batismo, Santo Antônio se chamava Fernando. E nasceu em Lisboa, que na época ainda não era a capital de Portugal”. Este confirma o que se costuma dizer que a pátria do Santo é o local do qual ele retorna à Casa do Pai pelo falecimento. Assim, por exemplo, Santa Paulina e São José de Anchieta são santos brasileiros, os Beatos Assunta Marchetti, Eustáquio Lieshout, nascidos em outras terras, são tão brasileiros quanto Santo Antônio Galvão, Santa Dulce dos Pobres, Beata Nhá Chica e Beato Donizetti Tavares, brasileiros por nascimento. 

    Antônio descende de nobres. Seu pai, Martin vem dos herdeiros de Godofredo de Bulhões, aclamado o primeiro soberano do Reino Latino de Jerusalém que, para mim, é muito especial, pois é dele que se origina a Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, nobre e pontifícia, na qual me honro em ser cavaleiro e secretário-geral do Conselho na Lugar-Tenência do Rio de Janeiro. O pai de Antônio e sua mãe eram nobres. Veiga nos informa que Martin de Bulhões, mais do que fidalgo, era prefeito de Lisboa. Antônio, então Fernando, estudou o trivium: gramática, retórica e dialética; o quadrivium: aritmética, geometria, astronomia e música. Por nobreza, estudou cavalaria, ao completar 15 anos. Mas, Fernando “não iria se tornar cavaleiro como o pai. Ele havia conhecido: sua família seria a Igreja; suas batalhas seriam com as armas da fé”. O nobre se tornou monge agostiniano, sendo ordenado Sacerdote. Com o passar do tempo, se tornou franciscano, então jovem instituição com o fundador ainda vivo, Francesco di Assisi. O Padre Fernando largou nome e sobrenomes e se tornou Frei Antônio (Antão, na forma latina, Antonius).

    O Frei – Irmão – Antônio, diz-nos seu novo biógrafo Veiga, “Havia se tornado um homem que cultivava o silêncio – assim refletia, meditava e conversava com Deus” e desenvolveu a missão brilhante em prol do Reino de Deus. Mais uma vez recorrendo a Veiga: “Ele era a prova de que era possível mesclar humildade com conhecimento, simplicidade com doutrina, coração com razão”. São Francisco o chamara de seu “Bispo”, sendo, depois, aclamado o primeiro doutor ou mestre franciscano e o povo observou sua santidade reconhecida pela Igreja menos de um ano após seu falecimento.

    O Santo esteve nos exércitos português e brasileiro após sua morte. Entre nós, Antônio é general da reserva não remunerada e na Igreja, Doutor Evangélico. De Fernando Martins de Bulhões a Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, de sacerdote agostiniano a frade franciscano, tudo isto e muito mais está no valioso livro de Veiga!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

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