17 abril 2021

As manhãs aqui - Por: Emerson Monteiro


Nesses tempos de isolamento, anos 2021, as horas ficaram como que mais agarradas dentro da gente onde passam numa busca perene de novidades quais sejam. Dali, os sons das manhãs claras de sol intenso na vegetação da serra orvalhada. Pássaros que percorrem as árvores à cata dos motivos de cantar, e cantam. O cacarejar e o cocoricó de galos e galinhas vagado no terreiro. Latidos de cães desocupados contrapõem as falas desencontradas dos outros animais. Ao longe, vindos daqui de onde moram vizinhos músicos, ouço acordes de um trompete, seguidos das notas suaves de um piano, a preencher de lucidez as pautas do silêncio. Nisso, a necessidade rasante de dominar o instinto de correr pelas distâncias do passado, enquanto, do outro lado de mim, as penas do presente querem impor a qualquer preço visões intermitentes do futuro só inexistente. No entanto vago apreensivo na trilha estreita entre eles dois, ora vencido, ora vencedor dessas imaginações inesperadas, vadias e corriqueiras, dos dois senhores à procura de cativos, o passado e o futuro, duas ficções das circunstâncias, no entanto pura abstração do presente raquítico de nós em nós carentes de maiores convicções.

Vagas manhãs estas de tempos esquisitos, depois das agruras sanitárias que invadiram o mundo. Disso tudo, resta o senso das indagações de quando será diferente, o que tanto aguardamos e nele desenvolvemos nossos projetos de vida regular. Quando, afinal, abriremos as janelas da alma e deixaremos entrar a luz da consciência plena que já chega às mentalidades, contudo deve nutrir o espaço entre as sombras preguiçosas desta civilização. Após o que mais haverá de chegar ao poder o valor da realidade, livre dos cascalhos e dos escombros?! Algo assim de querer saber o que existe logo ali, transcorridos próximos dias de tanta dúvida, quanto ao que herdaremos disso tudo.

Em meio, pois, às forças da natureza, isto de querer solucionar de uma vez por todas o problema do mal que ainda aflige a humana incoerência, nos dias da véspera de novas possibilidades, sempre a vicejar no coração das pessoas, instrumentos de alegria e paz.

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