20 abril 2021

Outras dimensões - Por: Emerson Monteiro


Seria por demais pretensão dos humanos que houvesse tão só o esquadro onde vivem nas suas limitações e energias. Conquanto de tamanha perfeição, isto existe apenas no que tange aos corpos e a natureza. Já os resultados de uso deixam a desejar em termos do aproveitamento a que viemos. O corpo de matéria chega às raias da exatidão, no entanto os que o manuseiam são meros aprendizes, haja vista os frutos e a utilização do espaço. Claudicam até os extremos da pouca habilidade no uso, ferem tanto a si quanto aos outros, vez que habitam a carne quais donos absolutos do que nem de longe assim parecem ser.

Doutro lado, persiste o Universo ilimitado, profundo, infinito, de maravilhas pouco conhecidas pelos viventes da Terra. Lá, então, a existência das dimensões inexploradas, morada dos deuses. Isto no que diz respeito ao território exterior; quanto ao continente interior das criaturas, sempre ao livre dispor dos que pretendem desenvolver o senso do inexplorado, podem mergulhar aos abismos dos mistérios mais profundos. Bem próximo de nós e em nós se contêm as chances do aprimoramento, isso que estudam os sábios nas buscas incessantes da revelação dos segredos que, um dia, nos libertará dos laços primários ao mundo animal.

São elas as outras dimensões além do visível, além dos cinco sentidos e do pensamento, as quais vibram intensamente em volta das dúvidas e que podem abrir de par em par as portas da consciência, caminho da evolução de tudo quanto há. Enquanto autores, portanto, de novos níveis de aprimoramento e senhores da humana salvação, vemo-nos a braços com os desafios da sobrevivência e desfrutamos os prazeres da história pessoal, entretanto meros aprendizes dos meios de reconhecer a finalidade que nos traz a este chão. Lado a lado, seguimos o curso das eras e demonstramos, no dia-a-dia, quanto adquirimos de conhecimento através das nossas práticas de vida.   

18 abril 2021

18 de abril de 1857 - Por: Emerson Monteiro


Há precisos 164 anos, nesta data, em Paris, Allan Kardec lançaria O livro dos Espíritos, a primeira manifestação da Doutrina dos Espíritos, sendo esta a obra que enfoca o seu aspecto filosófico. Dentre as repercussões do livro, à época, a Academia de Ciências de Paris, em pronunciamento coletivo, avaliaria que nesse trabalho, de 1.019 perguntas feitas por Kardec aos espíritos, e respondidas através da mediunidade psicográfica, ali estaria respondidas todas as indagações que qualquer cientista de sã consciência faria sobre a vida após a morte.

Depois de O livro dos Espíritos, seria lançado em janeiro de 1861, O livro dos Médiuns, ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, o aspecto científico da Doutrina, considerado por muitos, ainda hoje, o maior tratado de parapsicologia até agora produzido. Logo adiante, em abril de 1864, viria O Evangelho segundo o Espiritismo, o aspecto religioso, a inteirar as três dimensões do Espiritismo, de filosofia, ciência e religião. Nesse livro estão comentários às máximas morais de Jesus, seguidas de mensagens psicografadas de espíritos luminares da Humanidade a propósito dos temas vistos nos capítulos do livro.

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte León Denizard Rivail, educador francês, discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi, em vida, ainda editaria duas outras obras com base nos conceitos doutrinários espíritas, a saber, O Céu e o Inferno (a Justiça Divina segundo o Espiritismo), em agosto de 1865, e A Gênese (os milagres e as predições segundo o Espiritismo), em janeiro de 1868, que somadas às lançadas no princípio totalizam o Pentateuco Kardequiano. Existem outros livros de sua autoria também lançados em vida, porém estes citados são os básicos a quem queira conhecer os ensinos do Espiritismo.

Com a morte de Kardec, ocorrida em 31 de março de 1869, foram reunidos escritos diversos do autor, os quais vieram publicados sob o título de Obras póstumas. No decorrer dos seus esforços de codificar a Doutrina dos Espíritos, Allan Kardec editaria uma publicação denominada Revista Espírita, onde apresentou os mais diversos registros de estudos e fenômenos mediúnicos verificados pelo mundo afora ao tempo de seu trabalho de codificação.  

17 abril 2021

As manhãs aqui - Por: Emerson Monteiro


Nesses tempos de isolamento, anos 2021, as horas ficaram como que mais agarradas dentro da gente onde passam numa busca perene de novidades quais sejam. Dali, os sons das manhãs claras de sol intenso na vegetação da serra orvalhada. Pássaros que percorrem as árvores à cata dos motivos de cantar, e cantam. O cacarejar e o cocoricó de galos e galinhas vagado no terreiro. Latidos de cães desocupados contrapõem as falas desencontradas dos outros animais. Ao longe, vindos daqui de onde moram vizinhos músicos, ouço acordes de um trompete, seguidos das notas suaves de um piano, a preencher de lucidez as pautas do silêncio. Nisso, a necessidade rasante de dominar o instinto de correr pelas distâncias do passado, enquanto, do outro lado de mim, as penas do presente querem impor a qualquer preço visões intermitentes do futuro só inexistente. No entanto vago apreensivo na trilha estreita entre eles dois, ora vencido, ora vencedor dessas imaginações inesperadas, vadias e corriqueiras, dos dois senhores à procura de cativos, o passado e o futuro, duas ficções das circunstâncias, no entanto pura abstração do presente raquítico de nós em nós carentes de maiores convicções.

Vagas manhãs estas de tempos esquisitos, depois das agruras sanitárias que invadiram o mundo. Disso tudo, resta o senso das indagações de quando será diferente, o que tanto aguardamos e nele desenvolvemos nossos projetos de vida regular. Quando, afinal, abriremos as janelas da alma e deixaremos entrar a luz da consciência plena que já chega às mentalidades, contudo deve nutrir o espaço entre as sombras preguiçosas desta civilização. Após o que mais haverá de chegar ao poder o valor da realidade, livre dos cascalhos e dos escombros?! Algo assim de querer saber o que existe logo ali, transcorridos próximos dias de tanta dúvida, quanto ao que herdaremos disso tudo.

Em meio, pois, às forças da natureza, isto de querer solucionar de uma vez por todas o problema do mal que ainda aflige a humana incoerência, nos dias da véspera de novas possibilidades, sempre a vicejar no coração das pessoas, instrumentos de alegria e paz.

Verdades Inquestionáveis

 A Monarquia combate a corrupção

   A Monarquia não pretende ser uma panaceia, capaz de curar milagrosamente todos os males, mas é certo que ela cria as condições necessárias para sanar ou ao menos minorar muitos deles, dentre os quais a corrupção. Isso porque a forma de governo monárquica traz consigo uma influência altamente positiva sobre o andamento dos negócios públicos, sejam políticos, econômicos ou sociais.

   Há que se considerar que o Imperador paira acima dos interesses políticos ou privados de qualquer ordem, com o seu interesse pessoal se confundindo inteiramente com os da Nação. O Soberano pode, assim, exercer sobre a política e a administração pública uma ação moralizadora ao mesmo tempo firme e serena, de modo a corrigir e por nos eixos o que deve ser corrigido e ordenado.

    Pelo contrário, na República, se deseja alcançar os mais altos cargos, um político tem literalmente que comprar o apoio dos amigos e até mesmo dos inimigos; caso contrário, ele cai em desgraça e não consegue governar. Basta lembrarmos aqui os tristemente famosos “Mensalão” e “Petrolão”, para não falar de outros esquemas de corrupção...
Conforme mostra o quadro abaixo, dos quinze países menos corruptos do mundo, um total de nove são Monarquias, a começar pelos dois primeiros, o Reino da Dinamarca e a Nova Zelândia. O Brasil, por sua vez, graças à República, ocupa a desonrosa 94º posição na classificação, ficando muito abaixo de países como Tunísia (69º) e Senegal (67º).

    Fica evidente a falta que faz em nosso País uma figura como a do Imperador Dom Pedro II, que, utilizando-se do Poder Moderador e de sua inegável presença moralizadora, era o grande fiscalizador da honestidade pública. De fato, o célebre escritor Monteiro Lobato comparou Sua Majestade à “Luz do Baile”, apagada pela República, com os lamentáveis resultados que hoje assistimos.

Que volte a tremular na nossa Pátria a Bandeira do honrado Império do Brasil

16 abril 2021

O lugar do coração - Por: Emerson Monteiro


Nessa busca incessante de achar paz dentro da geografia da gente, quantos pontos cardiais de esperança o coração e a vontade experimentam na revelação das flores e dos frutos, estando a alma em sintonia consigo mesma. Andam devagar nas estradas desta vida; olham insistentes o crivo dos sentimentos; e caminham de olhos atentos às margens de tanto amor pelos desvãos das promessas. Os sinos da alegria que sacodem o valor de sonhos e sorrisos contêm o impulso extremo de vislumbrar os jardins de mais além, nos pequenos louvores das estrelas, de contemplar o firmamento no íntimo das nossas canções.

De palmilhar, pois, as gretas de nós mesmos, lá certo dia se aprenderá o jeito bom de acreditar nos valores da satisfação de nossos instintos no nível mais alto da consciência. Coragem de sustentar normas de bondade sem perder tempo nas longas escolhas que fluem feito folhas e logo em seguida desaparecem como que por encanto no horizonte da pureza do tempo. Nisso, alimentam os gestos de união das criaturas, força inigualável de tempos novos cheios de felicidade.

Assim, depois de longos desfiladeiros de solidão, por fim deparam com o senso da razão de ser o amigo fiel das lonjuras. E amar define o senso da evolução perante os seres, modo perfeito de satisfazer a eterna procura dos melhores momentos. Quantas vezes, neste afã de revelar tais meios de harmonizar o universo dos aventureiros, neste procedimento, somos vistos pelas normas do divino instante qual milagres da Criação, e rimos de tão merecedores, na realização do Ser.

Bem isto, seremos os autores da humana concretude face ao movimento persistente das ondas deste mar infinito de histórias sem fim. Suaves parceiros dos segredos do equilíbrio de luzes e sons, enfim abriremos a porta do silêncio e habitaremos o país das emoções em festa.

Príncipe Philip, o Duque de Edimburgo – por José Luís Lira (*)

 Príncipe Philip (1921--2021)

   O título também poderia ter, romanticamente, um subtítulo: a história de um amor ou, ainda, mais realisticamente, o marido da Rainha Elisabeth II, da Inglaterra. A morte do Príncipe Filipe, nascido Príncipe da Grécia e Dinamarca, foi o principal noticiário dos últimos dias. Seu sepultamento ocorre neste sábado, na Capela de São Jorge, que fica no Castelo de Windsor, 2 meses antes de seu aniversário de 100 anos. Todos os que me conhecem sabem que vejo na monarquia constitucional como a melhor forma de Governo. O monarca atua como Chefe de Estado e é reconhecido como uma espécie de grande pai da Nação. Sua Alteza Imperial e Real Dom Bertrand de Orleans e Bragança, que celebrou 80 anos em fevereiro último, tetraneto de nosso primeiro Imperador, Dom Pedro I, diz com muito acerto que todo brasileiro aspira o ideal monárquico. Quantos reis no Brasil temos? Rei da música, rei do futebol, princesas etc., muitos. E presidentes? Só de instituições. A monarquia nos foi tirada, mas, nós não a esquecemos.

    Voltando ao Príncipe Filipe, sua história é muito interessante. Filho do príncipe André da Grécia e Dinamarca e da princesa Alice de Battenberg que depois de viúva se tornou freira na Igreja Ortodoxa e foi sepultada em Jerusalém, Filipe nasceu na Grécia, pertencendo às famílias reais grega e dinamarquesa. Sua família foi expulsa da Grécia enquanto ainda era criança, durante o Golpe de 1922. Filipe estudou na França, Inglaterra, Alemanha e Escócia, ingressando na Marinha Real Britânica, em 1939, aos 18 anos. Numa ocasião, Filipe conheceu a Princesa Elisabeth, filha do Rei Jorge VI do Reino Unido. Consta que foi amor à primeira vista. Ela tinha 13 anos, ele 18 anos. Eles são primos de segundo e de terceiro grau. Para casar-se com a então Princesa Elisabeth e herdeira do trono do Reino Unido, em 20 de novembro de 1947, Filipe renunciou seus títulos gregos e dinamarqueses, converteu-se da ortodoxia grega para o anglicanismo e recebeu o título de Duque de Edimburgo. Tratou-se de uma extrema renúncia pessoal. Ele sabia que não receberia o título de Rei-Consorte da Rainha, mas, de Príncipe-Consorte. Que sua vida ficaria completamente atrelada à Rainha não só no aspecto sentimental, mas, em todos os aspectos. Ainda assim ele a tudo renunciou por amor à Princesa que ele viu se tornar Rainha e se tornou o pai do sucessor de Elisabeth no trono, Príncipe Charles (Carlos, em português), avô do Príncipe William (Guilherme, em português), que sucederá a Charles e assim sucessivamente.

    Pelos mais de 70 anos de serviço à realeza inglesa, vimos o mundo todo se manifestar solidariamente à Rainha e sua Família. Os próprios ingleses sentiram a partida do Príncipe Filipe como se de alguém da família. Foram muitas as declarações neste sentido de líderes mundiais, destacando Sua Santidade o Papa Francisco, reis, rainhas, presidentes, chanceleres e outras personalidades, entre as quais Sua Alteza Imperial e Real Dom Luiz de Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil e herdeiro de direito do trono brasileiro. O povo inglês lembrará o Príncipe Filipe, como nós, brasileiros, lembramos de Dona Leopoldina e Dona Teresa Cristina, imperatrizes, esposas dos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II.

      Que Deus o guarde!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

15 abril 2021

O poder dos acontecimentos - Por: Emerson Monteiro


Incrível a força que as coisas parecem ter quando têm de acontecer.
 Nietzsche                                     

São essas as ilustrações do livro da natureza, no fluir dos fenômenos. Tantas e quantas vezes, devido a um mínimo, ocorrem aparentes acasos, jamais imaginados que houvessem sido exequíveis, porém dotados de plena coerência (Deus não joga dados, nas palavras de Einstein). Quando, então, algo vem à tona, efeito de mil de milhões de fragmentos, traz em si o processo espontâneo dos acontecimentos.

Isso de considerar coincidência fica por conta das poucas (ou nenhuma) justificativas aparentes, quais numa orquestra monumental regida pelos magos da história. Aonde ir, pois, ali impera a força viva de leis inderrogáveis, o que significa a pedra de toque dos céus às mãos de uma Inteligência Suprema.

Espécie de universo integrado, objetos e gente circulam este planisfério da ordem dessa harmonia. Assim, em meio ao painel infinito que gira pelas horas, sem cessar um só momento, desliza faceira a humana consciência, na busca de si própria, em nuvens planetárias vagando entre a sombra e a luz da existência; sustentam no território da matéria estes aventureiros da razão, ora vestidos de palavras, ora de emoções. Desejos em ação, paixões por vezes alucinadas de revelar perfeições a qualquer custo, no entanto sujeitos bater de frente nos sonhos de felicidade, e padecer as dores dos partos alucinados, vidas adentro.

Outrossim submetidos às ordens do mistério, rendem graças aos diversos deuses que lhes traz a vontade aparentemente soberana, porém autora, nalguns instantes, de cruéis enganos das tais criaturas humanas. Serem meros sujeitos das consequências, dão de cara nas cavernas do desconhecido, e padecem de não saber ainda qual rumo irá seguir nesse roteiro dos instrumentos. Bem isto, aprendizes das cicatrizes que adquirem, tatuam na carne os meios de guardar consigo o senso da Razão maior, lá um dia.

13 abril 2021

Esses messias indecisos - Por: Emerson Monteiro


A que viemos aqui... Qual sentido extremo de viver neste chão... A porta do definitivo... Quantas vezes assim de mergulhar e querer saber, no entanto de susto voltam apressados aos afazeres das ausências deste objetivo que olha de longe o movimento da gente. Lá dispersos, agarrados na vegetação das margens, tantos buscam esquecer a que vieram.

Fugir, porém, não consta desse roteiro, porquanto nem aonde fugir existe. E lustram as estradas de rastros incertos, elas, as criaturas. Escrevem milhares de cartas aos céus, definem sonhos de querer o melhor, ordenam as horas de acordo com suas próprias interrogações... Plantam, colhem; vivem, revivem; alimentam desejos de perfeição quais mergulhadores de mares desconhecidos, sem saber jamais nem o que buscam afinal.

Contudo só aguardar, que existe, sim, real finalidade (Sois deuses e não o sabeis, disse Jesus). A todos há essa fatalidade, concretizar o projeto da Criação, mesmo que omitam de si a condição essencial de estar e ser diante dos segredos guardados. Solene imaginar isto, de ser messias em crescimento, até um clímax de maturação. Fortes vínculos nos prendem ao desconhecido, algo religioso, original, astrofísico, eterno...

Desde que aceito no íntimo da solidão cósmica das existências, antes somos isto a improvisar desempenhos no teto das dúvidas, meros experimentadores dos destinos. Arrastar correntes enquanto isso, nas vidas que se sucedem. Quantas e tantas luas e baladas, e filmes, e livros, e encontros, e desencontros, ainda instrumentos de forças até então abstratas, poderosas, outrossim.

No sol quente das manhãs, ali, gelados por dentro, impera esse instinto de sobreviver aos impactos inevitáveis de um viver provisório. Queremos, todavia, desvendar os enigmas destas horas que projetam cores, luzes, movimentos, pedaços de sentimentos e pensamentos, que desmancham as idades e burilam os corações na forma de uma verdade definitiva, que o seremos para sempre. Somos, pois, a semente do Infinito plantada no mais profundo de nosso ser. Tais fagulhas, significamos o primeiro instante da revelação original.

24 de abril: festa de São Fidelis Sigmaringa, Co-padroeiro de Crato

No próximo dia 24, a comunidade católica cratense lembrará o Dia de São Fidelis de Sigmaringa. Este frade capuchinho, foi escolhido por Frei Carlos Maria de Ferrara para ser o Co-padroeiro da “Missão do Miranda!”, esta o embrião da atual cidade de Crato. Sobre este grande Santo, reproduzimos abaixo excertos de um artigo escrito pelo pensador católico Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

O martírio de São Fidelis de Sigmaringa, ocorrido há 399 anos, em 24 de abril de 1622

     “Modelo de leigo e advogado católico, de religioso e de mártir, São Fidelis de Sigmaringa foi suscitado por Deus no início do século XVII para pregar uma autêntica reforma católica na Suíça alemã, e reconduzir à verdadeira Igreja os que se haviam deixado seduzir pela heresia de Calvino. O Santo nasceu em Sigmaringa, às margens do Danúbio, no Principado de Hohenzollern, Alemanha, filho de João Rey, descendente de espanhóis, de fé sólida e honestidade comprovada. Este, por suas qualidades morais e administrativas, chegou a ser escolhido para conselheiro da Corte e prefeito de sua cidade adotiva. Sua mãe chamava-se Genoveva de Rosemberg. Marcos Rey, como se chamava o menino, desde tenra idade professava entranhada devoção à Virgem e horror ao pecado, revelando formação religiosa tão profunda, que marcou toda uma vida que seria depois coroada com a palma do martírio.

      Inteligente e aplicado, Marcos fez com sucesso seus estudos na Universidade católica de Friburgo, na Suíça. De elevada estatura, bela presença, semblante sério e sereno, ele era respeitado pelos professores e admirado pelos condiscípulos que, por sua ciência e virtude o cognominaram o Filósofo Cristão. Após diplomar-se em Direito civil e canônico, Marcos aceitou o convite de alguns condiscípulos para servir-lhes de companheiro e guia numa viagem cultural por várias nações da Europa. Conhecendo diversas línguas, Marcos exerceria também a função de intérprete. Na França, o Santo aceitou os desafios de protestantes para debates em praças públicas, confundindo-os sempre. No Franco Condado ingressou na Confraria de São Jorge, cuja finalidade era a de dar sepultura aos condenados à morte.

      Estabelecendo-se depois em Colmar como advogado, teve muito êxito, e em breve adquiriu fama e clientela. O Dr. Marcos Rey, no entanto, preferia as causas dos pobres às dos ricos, para poder defendê-los gratuitamente. Em suas defesas jamais utilizou recurso algum que pudesse tisnar a honra da parte contrária. Certo dia, a Providência iria servir-se de um de seus sucessos para apartá-lo do mundo. Defendendo uma causa justíssima, fê-lo com tanta maestria, que encerrou o caso de vez. O advogado da parte contrária confidenciou-lhe então que, se ele não protelasse seus casos para ir vivendo por conta de seus clientes, acabaria morrendo de fome. Era preciso ir esticando-os às custas deles, para ter o necessário para viver.

       Essa observação interesseira e muito mundana, desgostou tanto o Santo que, como outro grande santo e famoso advogado, Santo Afonso Maria de Ligório, o Dr. Marcos Rey desiludiu-se do mundo da jurisprudência, decidindo-se a abandoná-lo de vez. Depois de fazer os exercícios espirituais, ele pediu admissão no Convento capuchinho de Friburgo. Por sugestão do Superior, recebeu antes a ordenação sacerdotal. Na festa de São Francisco de Assis de 1612, cantou sua Primeira Missa e recebeu o hábito capuchinho, trocando seu nome batismal pelo que o imortalizaria, Fidelis de Sigmaringa.

No ano de 1621, o exército austríaco invadiu a região dos grises suíços, tendo sido escolhido o Santo para capelão do exército acantonado nos arredores de Feldkirch. Uma peste atacou as tropas fazendo inúmeras vítimas. Fidelis corria de um a outro atingido, a fim de levar auxílios materiais e da Religião aos enfermos, obtendo, junto aos ricos, donativos para comprar os remédios necessários aos feridos. Recorreu para isso ao próprio Arquiduque Leopoldo, generalíssimo do exército austríaco, para socorrer os empestados. Com sua prudência e caridade apaziguou um grupo de soldados rebelados por falta de víveres.

      Ocorreu depois que, quando o Arquiduque Leopoldo recobrou certos vales do país dos grises, na Suíça, que antes lhe pertenciam, pensou em enviar para lá missionários zelosos que pregassem a fé católica, e fizessem voltar ao grêmio da Igreja os infelizes que dela se haviam apartado por causa da pregação dos calvinistas. A Congregação da Propaganda Fidei, de Roma, nomeou São Fidelis chefe dos missionários. Quem não se convenceria ouvindo esse apóstolo desafiar os ministros protestantes, fazendo cair por terra todas suas argumentações? Vendo-o caminhar com os pés nus catequizando as crianças, procurando as ovelhas desgarradas através do gelo, dos rochedos escarpados e precipícios, até o coração mais empedernido no erro sentia-se comovido.

      É claro que isso só podia suscitar ódio nos inimigos da Fé. E São Fidelis não ignorava que poderia ser morto a qualquer momento. Ele teve mesmo uma premonição sobre seu próximo martírio. Chegando ao seu conhecimento vários complôs para assassiná-lo, e querendo morrer com as armas na mão, começou a assinar: “Irmão Fidelis, que dentro em breve será pasto de vermes”.

       No dia 24 de abril de 1622, depois de celebrar, saindo da igreja, no caminho caiu nas mãos de soldados protestantes, dirigidos por um ministro da mesma seita. Na recusa de abraçar o calvinismo, respondeu: “Eu vim até vós para refutar vossos erros, e não para aceitá-los”. A esta resposta, um dos hereges desferiu-lhe um violento golpe na cabeça, lançando-o por terra. O mártir conseguiu ainda pôr-se de joelhos, e dizer: “Ó Maria, Mãe de Jesus, assisti-me neste transe!”.


Dom Pedro II, o Imperador que impressionou o mundo

   Em julho de 1877, era inaugurada em Londres, no Reino Unido, a Exibição Caxton, organizada em honra de William Caxton, que no século XV havia introduzido a imprensa na Inglaterra. Na ocasião, William Ewart Gladstone, um dos mais célebres estadistas britânicos e futuro Primeiro Ministro, fez um discurso no banquete ao qual estavam presentes a Rainha Vitória e seu filho, o Príncipe de Gales, futuro Rei Eduardo VII.

    Naquele discurso, ergueu-se o brinde protocolar – o chamado “brinde da lealdade” – à Soberana inglesa, a Rainha Vitória e ao herdeiro do Trono, futuro Rei Eduardo VII. Normalmente, nenhum outro brinde se poderia fazer; contudo, Gladstone pediu licença, dizendo estar certo da aprovação não só da Rainha e do Príncipe de Gales, mas de todos os presentes, pois desejava saudar o Imperador Dom Pedro II.

    Sua Majestade, o Imperador Pedro II – então em sua segunda viagem ao Exterior – fora um dos primeiros a visitar a Exibição Caxton, e mantivera longa palestra com Gladstone, cujo discurso foi assim resumido nos jornais do dia seguinte:

“Esse homem – e posso falar com mais liberdade por estar ele ausente – é um modelo para todos os Soberanos do mundo, pela sua dedicação e esforços em bem cumprir seus altos deveres. É um homem de notável distinção, possuidor de raras qualidades, entre as quais uma perseverança e uma capacidade hercúleas. Muitas vezes começa seu dia às quatro horas da manhã, para terminá-lo tarde da noite.
“Atualmente, essas dezoito ou vinte horas de atividade diária, ele as emprega através do mundo, e em esforços constantes para adquirir conhecimentos de todo o gênero, que saberá aproveitar no regresso à Pátria. E continuará, assim, a promover o bem-estar de seu povo. É o que chamo, senhoras e senhores, um grande, um bom Soberano, que, pelo seu procedimento no alto cargo que ocupa, é um exemplo e uma bênção para a sua raça.”

FONTE: Leopoldo Bibiano Xavier, no livro “Revivendo o Brasil-Império”. 1ª edição. São Paulo: Artpress, 1991. página 30.

 

12 abril 2021

Hora de passar o mundo a limpo - Por: Emerson Monteiro


De que adiantou saber tanto e não praticar, ou praticar pela metade. Ou não saber. Nunca se descobriu tantos mistérios, no entanto a natureza permanece a nós desconhecida nos momentos mais críticos. Há que haver uma autocrítica severa diante disso tudo que vem ocorrendo. Repensar a finalidade e o que significa existir. Rever objetivos. Crer verdades nas potencialidades que nos sobram, a fim de construir o mundo novo de que falavam os visionários. Sonhar acordado, mas exercitar o direito de sonhar de todos. Exercitar as virtudes que decantam os filósofos, os santos e profetas. Aonde foram parar os planos de viver em paz numa sociedade justa das histórias que contavam nossos avós em volta da fogueira? Por que encontrar respostas e as deixarmos de lado quis fossem apenas ficções?

Enquanto isto, as leis da natureza prosseguem inevitáveis frente às estações, senhoras de si, por vezes severas, exigentes daqueles que as utilizam ao bel-prazer das humanas vaidades. Quanta exclusividade nas classes sociais dominantes, nas imposições da força bruta que arrasta os séculos, quantos gastos em armas, em sistemas de sacrificar populações no interesse de alguns, das elites hegemônicas... Quanto descaso no exercício da honestidade, do respeito aos demais, da ganância, interesses escusos... E querer respostas diferentes daquilo que apresentam, vê-se nisso as garras afiadas da ilusão que exigem justiça inevitável no decorrer das gerações, nas muitas ciências que devíamos guardar com zelo. Nada ficará impune nos delitos praticados em detrimento da paz.

Ainda que perfeito, maravilhoso, o Universo detém, infinito, o poder das vidas em todos os sentidos. E esse mundo principia dentro de cada um de nós, no espaço restrito de um tempo em movimento. Que estamos fazendo de nós mesmos, das nossas potencialidades em favor de revelar os valores positivos de existir em harmonia com as leis da Criação, apenas os indivíduos são capazes de responder, pois as determinações da existência assim impõem. O fazer do que nos resta face ao futuro desconhecido, só os seres humanos haverão de mostrar, nestes tempos de uma sobrevivência quase que tardia.

11 abril 2021

Convicção - Por: Emerson Monteiro


Além das certezas, logo ali perto, onde existe o território franco em que impera a entrega absoluta, isto livre de outras considerações, numa firme representação do que denominam Fé. Conceito por demais elaborado nos estudos das religiões, tal seja o Amor, tal disposição do ser contém valores adquiridos no decorrer das existências. Bem quando os conceitos das verdades várias deixam cair por terra os princípios só intelectuais, há que se adentrar o âmbito desse mecanismo guardado a sete chaves nos mistérios da consciência mãe. Reunir, assim, tudo enquanto vivência e valores, e mergulhar de corpo e alma no universo inesgotável da crença numa verdade única, indizível, insofismável, depois das considerações dos povos, tempos e costumes. Adiantar nos séculos e milênios e conhecer a claridade do poder divino.

Nisto impera o silêncio das horas, mares de infinitudes, sonhos de paz, ausência de preconceitos, divisões, obstáculos que sejam... Apenas a serenidade dos deuses na fronte das criaturas, passados que foram tempos de solidão e desventura. Novas florestas de esperança, desejos de serenidade, olhos de transcorrer as alturas e obter meios de cruzar os abismos mais profundos. A força plena do ânimo que sacode as bases da indiferença e impõe urgência de acalmar os pensamentos frívolos. Voos siderais às plagas celestes de que somos herdeiros e viventes.

Quantos disso necessitam, porém deparam laços de dúvida, amarguram intransigências da matéria, padecem a fome das alturas sem, no entanto, elevar aos céus o ímpeto das dores em princípio de vitória. Mesmo que limitada, a nossa humanidade atravessa, ardorosa e vadia, essa barreira do som das circunstâncias, por vezes longe de conhecer a que veio aqui. São gerações sucessivas de aprendizado pelas escolas deste mundo. Ardorosos aprendizes dos tantos sinais, contudo meros serviçais de sortes incertas, instrumentos de marcos ilusórios, transpiram necessidades desta condição dos entes fieis, heróis de novas danças e lúcidos donatários da Eternidade.

09 abril 2021

As portas da ilusão - Por: Emerson Monteiro


Largas, imensas, rasgam as vistas... Escancaradas bem na margem dos passos dessas criaturas humanas, por via do pensamento vacilado, torna-os meros escravos de si mesmos, entregues às ganas dispersas da ilusão entontecida, imprudente, das longas noites de loucura, vastos campos de amargas visões, dorsos amolados na fraqueza daquelas almas inebriadas de alucinadas perdições, dromedários dos vícios e das sombras.

Foram, pois, muitas daquelas horas de coragem às avessas, nas aventuras de abelhas de fastios exasperados, longas filas de zumbis lançados aos universos inexistentes, pecados de religiões invertidas e à toa, no tempo e no espaço fugido, ao longo das patas daqueles animais enfurecidos no deserto.

E pensar que a morte não é o fim, só um novo recomeço. Regras imortais das calandras desse mundo de surpresas, viemos aqui tão apenas experimentar viver e aprender, reconhecer as tantas oportunidades na aplicação do fenômeno vida, instrumentos de elaboração da consciência que o somos e seremos sempre. Nesse dizer, resta aprender, guardar o definitivo das luzes que percorrem o firmamento, experimentos de segredos tenebrosos.

Insistir em renunciar a tudo isso na intenção dos acertos, construir novos seres e salvação no íntimo da criatura em crescimento espiritual, foi assim e será o ofício da natureza, no coração de todos nós. Aprendizes do destino, talhamos vencer a ilusão num esforço necessário à libertação que nos aguarda mais dia menos dia.

Conquanto ainda em aprimoramento, no entanto seres de poderes incríveis, na força suprema de criar o painel das histórias individuais, qual função inevitável, no gesto de existir nas dobras do tempo onde habitamos. Senhores desta possibilidade às nossas mãos, construímos o futuro ao sabor do presente. Somamos força ao poder infinito dos mistérios, e dormimos no seio do Eterno quais minúsculas partículas da perfeição de que já somos dotados.

Esperança Renovada – por José Luís Lira (*)

      Esta semana da oitava ou primeira semana da Páscoa começou com a esperança de dias melhores. Pelo novo decreto municipal emitido pelo Prefeito de Sobral, Ivo Gomes, autorizou-se a retomada de algumas atividades, contempladas no decreto estadual, entre as quais o setor de construção civil. E nisto muito nos animamos pela possibilidade de reinício da restauração do Museu Diocesano Dom José, já septuagenário. Por conta disso voltei a Sobral e revi essa terra tão amada. Não fiz um tour, apenas fui aos locais que precisei ir. Sobral é uma cidade viva. Gostamos dela. Vivemos n’ela. A força que nos move nestes tempos é a esperança. Vemos os esforços das autoridades municipais e estaduais para proteger a VIDA. Outro dia me questionaram sobre uma possível “violação” ao direito de ir-e-vir e eu respondi – como responderia em qualquer ocasião –, que o direito à vida é maior. O choque de princípios constitucionais é sempre solucionado com ponderação e com o princípio da proporcionalidade. De que adianta eu ter o direito de ir-e-vir se enquanto usufruo ponho minha vida em risco e posso pôr a vida do outro também em risco. É preciso prudência e proporcionalidade que rima com humanidade, humildade etc. Não estamos confortavelmente livres dessa situação. Mas, vamos torcer e oferecer nosso contributo, mantendo o isolamento.

     Última quinta-feira o dia inspirou saudade porque foi o 11° mês de falecimento de minha amada Matusahila. É uma saudade tão grande que nosso conforto é saber que ela está na glória de Deus e a Deus a confiamos. Mas, nesse mesmo dia houve também alegrias. Acompanhei meu pai, dentro de sua faixa de idade, na vacinação dele contra a covid-19 e penso que na próxima semana será a vez de minha mãe, com a graça de Deus. E neste mesmo dia retornei à sala de aula como aluno, mesmo após mestrado, doutorado e pós-doutorado para uma Pós-Graduação em Direito, dessa vez em Direito Canônico, matéria que muito aprecio. Uma turma bem dedicada e preparada. Fiquei muito feliz participar. O público é mais de padres e religiosos(as), mas, temos leigos também, entre os quais me situo. Quando acolhi o convite, primeiro foi porque aprecio muito o tema; segundo porque é oportunidade de requalificação e a disciplina se envolve com as que leciono. O Curso é oferecido pelo Instituto de Estudos Superiores do Maranhão – Faculdade Católica. E se o magistério é um sacerdócio e o bom pastor, lembrando o Papa Francisco, é aquele que sofre a dor das ovelhas junto a elas, é muito interessante a nós, professores, que estamos vivendo esses tempos, passarmos para o lado do aluno que assiste aulas remotas. A experiência é sempre válida e se pode compreender melhor as limitações dos alunos nesse contexto sendo, também, aluno. 

     Falando em Papa Francisco, sua mensagem de esperança continua a ecoar do Vaticano para o mundo e no último domingo ele concedeu a bênção urbi et orbe (da cidade para o mundo). Sua imagem de pastor solidário com a dor das ovelhas, reitero, representa o maior estadista deste tempo de pandemia. A história fará o registro. E, confiando em Deus, aguardemos o dia em que venceremos essa etapa, com o abraço da paz nas Celebrações em Ação de Graças que será mais intenso. 

      Deus nos proteja

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


06 abril 2021

O rei de cada barriga - Por: Emerson Monteiro


Nesses tempos que é de guerra e paz, dormentes e impávidos lá vão eles, os donos do poder de tudo, ou nada. Umas, vestais de credos desconhecidos; outras, senhoras dos ares e dos mares. Que vale dizer tangem os rebanhos das consciências nas trilhas das lendas. Claro que existem os menos inúteis, no entanto que carregam consigo do pouco que juntaram das tralhas dos vagões. Olhos acesos nas sombras do que deveriam carregar, esquecem o peso e transportam multidão de ilusões em forma do vazio que significam viver. Sóis e luas, arrastam cruzes e matulões de vaidades soltas, cacarecos da ansiedade, das dores atrozes do desespero, de amanhã, de horas desejadas de ambições perdidas. Eles, muitos, bichos de lata e cavaleiros da solidão.

Isso bem dos tempos quando as amarras dos navios começavam a virar fiapos de lã num mar de vícios. E as luzes do alvorecer pedem mais sinceridade às criaturas, estas peças de reposição do destino cheias de certezas artificiais e cicatrizes de combates que nunca aconteceram dentro de si. Apenas saltimbancos doutros filmes jogados à lama dos séculos, à lata de lixo da história. Neles, que as esperanças viraram feras sem dentes e lâminas de papel toalha. Quase isso, de alimentar o firmamento de seres destinados a outros planetas vindos bem de longe, certo dia, à cata dos seus habitantes.

Fôssemos recorrer aos sonhos da ficção, diríamos só que já atravessamos o lodaçal dos resultados aqui plantados no decorrer das civilizações, conquanto aguardamos nova fase de alegria e uma coletividade fraterna, fruto do que até agora aprendemos a ferro e fogo. Nada, porém, foi para sempre, se assim o será nalgum momento perante as ilusões de um chão de tanta fantasia. Há que haver, por isto, solo fértil de verdades absolutas, oportunidades da visão plena e dos valores eternos, que persistem acesos em nossos corações.

NESTES TEMPOS DE DOR E PERPLEXIDADE PELA PANDEMIA DO VÍRUS CHINÊS

 Em meio à mediocridade – com raríssimas exceções – dos políticos brasileiros, leiam abaixo a mensagem do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança – este sim, um verdadeiro estadista! São palavras elevadas, frutos do equilíbrio, sensatez, serenidade e sensibilidade de Dom Luiz.. 


MENSAGEM DO CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASIL


    Meus muito caros brasileiros,

    No dia 1º de abril de 2020, quando os graves efeitos da pandemia do novo coronavírus apenas começavam a ser sentidos em nosso País, julguei ser de meu dever, como Chefe da Casa Imperial do Brasil, dirigir-lhes palavras de Fé, esperança e caridade. Passado um ano desde aquela comunicação, acredito ser oportuno revisitar os pontos ali levantados, à luz da experiência obtida desde então.

    Com profunda consternação, quero, antes de tudo, lamentar a perda irreparável de 321.515 vidas colhidas neste período no Brasil, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. Rogo a Deus Nosso Senhor, por intermédio da Santíssima Virgem, pelo eterno repouso dessas almas, e ofereço orações e solidariedade, em meu próprio nome e em nome de toda a Família Imperial, às famílias enlutadas e àqueles que vêm sofrendo, direta ou indiretamente, em função da crise sanitária.

    De outra parte, não posso deixar de comemorar o fato de mais de 11 milhões de nossos compatrícios – dentre os quais alguns de meus próprios irmãos, cunhadas e sobrinhos – terem superado a moléstia. Apesar dos problemas e das dificuldades por todos nós bem conhecidos, pode-se afirmar que o Brasil tem enfrentado esta verdadeira guerra, travada não em trincheiras, mas sim em leitos hospitalares, da qual pelo favor de Deus, e pelo valor de seus filhos, há de sair vitorioso.

    Neste sentido, devemos louvar o devotamento incansável de nossos cientistas, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que, com não pequeno risco para suas próprias vidas, têm se empenhado no combate e tratamento da doença; o trabalho e o sacrifício desses profissionais – assim como os dos chamados “trabalhadores essenciais”, que, a bem dizer, mantêm o País funcionando durante a calamidade – será sempre digno de toda a nossa admiração e reconhecimento.

    Convencido como estou de que o fim do flagelo não tardará, conclamo as Autoridades Constituídas em nível federal, estadual e municipal a deixarem de lado quaisquer discordâncias políticas e cooperarem, segundo suas legítimas atribuições, neste já dolorido esforço em prol da saúde do povo brasileiro. Recomendo-lhes ainda olhar com particular atenção a aflição de médios e pequenos empresários, profissionais liberais, autônomos, bem como os trabalhadores em geral e suas famílias, duramente atingidos pela crise econômica resultante da pandemia; o Brasil é lar de uma gente generosa, laboriosa e inovadora, que saberá superar mais esta crise, fazendo uso dos recursos com os quais nos dotou largamente a Divina Providência.

    Agora, uma vez mais, como católico, sinto ser necessário externar minha angústia ante a nova ameaça de fechamento das portas das Igrejas do Deus único e verdadeiro, privando tantos e tantos brasileiros de receberem os Sacramentos da Confissão e da Sagrada Comunhão e, mais grave ainda, levando muitos a falecer sem a Unção dos Enfermos.

    A prática da Religião é fator preponderante para a saúde psíquica de um povo, de modo que renovo aqui o meu respeitoso apelo aos membros do Clero para que – neste momento em que, com razão, preocupamo-nos com a saúde do corpo – não deixem de cuidar da saúde das almas e da salvação eterna de nossos irmãos, como tantos Santos o fizeram por ocasião das pestes que assolaram as nações no passado. E inspirado na Fé que moveu aqueles Santos, animou os mártires e ergueu a Civilização Cristã, convido todos à oração e à penitência.

    Por fim, dirigindo-me de modo particular aos sempre leais monarquistas, quero agradecer-lhes pelo exemplo de amor acendrado à Pátria, de solidariedade e de busca do bem comum que souberam dar ao longo do último ano.

    Na cuidadosa observância das necessárias medidas de resguardo, tem sido possível realizarmos pequenas reuniões, com número limitado de atendentes. Contudo, permanece minha orientação para que, por ora, Encontros Monárquicos e reuniões correlatas de maior porte permaneçam sendo realizados sob o formato de videoconferência, deixando que o uso sadio da tecnologia moderna transponha as vastidões geográficas de nosso rico País de dimensões continentais. Tanto quanto for possível, não faltará a essas beneficiosas conferências o concurso de meus imediatos herdeiros dinásticos, os irmãos Dom Bertrand e Dom Antônio e os jovens sobrinhos Dom Rafael e Dona Maria Gabriela.

Tenhamos em mente que o impedimento é momentâneo, e que muito em breve poderemos comemorar, todos juntos, o Bicentenário da Independência do Brasil, em 2022.

    Encerro esta comunicação da mesma forma que fiz há um ano: rogando a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, que leve consolo às famílias enlutadas, alento aos enfermos e que abençoe e proteja esta Terra de Santa Cruz, a Ela consagrada por meu tetravô, o Imperador Dom Pedro I, por ocasião do Grito do Ipiranga.

São Paulo, 1º de abril de 2021.

Dom Luiz de Orleans e Bragança

Chefe da Casa Imperial do Brasil




05 abril 2021

A lenda da Pedra da Batateira - Por: Emerson Monteiro


Eis o título do livro de Fátima Teles, que traz por subtítulo Uma história do Cariri, há pouco lançado, contendo ilustrações de João Alves, numa confecção gráfica da Premius Editora, de Fortaleza CE, 2020. Obra de cunho etnográfico, aborda em detalhes o mito maior da região do Cariri cearense, narrativa esta por demais conhecida, segundo a tradição, fruto dos tempos da colonização portuguesa. A autora desenvolve o tema distendendo sua narrativa em estilo prosaico e cordial, qual de uma avó, Dona Maricotinha, que conta aos netos esses feitos de quando os índios foram daqui expulsos de suas terras em nome do progresso e da civilização europeia. Resultado disso, esses tempos de agora e suas características profanas industriais.

A autora, no entanto, distende sua proposta a eras mais remotas, tratando do período Cretáceo, que bem caracteriza esta parte de mundo da Era Mesozóica, de quando surgiram as flores na Terra, enfocando, com isso, detalhes da nossa paleontologia regional, exaustivamente estudada, que marca presença nos anais acadêmicos. Vê, em paralelo, o aspecto ecológico conservacionista, por sermos detentores da primeira floresta nacional do Brasil, a Floresta Nacional do Araripe.

Assim, ao momento em que a escritora Maria de Fátima Araújo Teles, neta do emérito educador de Brejo Santo, Professor José Teles, nos conduz pelo universo da cultura original do povo e suas lendas, a publicação evidencia o talento de João Alves de Queiroz Neto, jovem desenhista que revela talento e criatividade neste livro que mereceu a revisão de Cleide Souza Teles, equipe esta que vem, com esta obra, enriquecer nossos acervos e aprofundar os conhecimentos de tradição rica e surpreendente, patrimônio, agora, também das novas gerações.

04 abril 2021

Aos olhos da noite - Por: Emerson Monteiro


Desde quando, lá adiante no céu do poente, o Sol esquece um dos lados da serra, nesse exato momento nasceu a noite, manto de negrume desenhado de estrelas. Bem ali, nas dobras do silêncio da natureza, outra realidade principia. Assim também nas pessoas, exames mais profundos da condição humana arma laços de busca lá dentro. Quais reflexos de si mesmos, caçam mistérios e respostas aos enigmas na Criação que vivem nas entranhas desses mundos que o somos. Saber de nós, das sombras que envolvem a compreensão de tudo, querer conhecer do que nos resta. Desvendar as histórias que acontecem e quase nem as dominamos. Pedaços de pessoas largadas no extremo de todo dia. As graves perguntas dessa existência que vêm mais fortes nessa hora.

Espécie de fantasmas da própria consciência, esses hominídeos vagueiam nas sombras à cata de reaver o que o dia os levou a deixar vidas que se consomem no furor do tempo. Fitam o vazio da compreensão e querem descobrir a que vieram, tais escravos de senhores esquecidos nas sombras que chegam.

A humanidade atravessa, pois, tempos tais, de tantas e largas indagações, porém certezas desconhecidas que lhes escapam à fome de saber. Marcas e filamentos dos lençóis esquisitos que os dominam, feitos fragmentos inúteis, lançados ao solo nas sementes e criaturas numa velocidade inevitável, nessa fase da história.

Qual manto de severa culpa, movem as estatísticas os números dos que se foram, aumentando inexplicavelmente novas perguntas, preenchendo o teto das condições deste chão. Vorazes senhores da transformação dos seres em objetos, seguem seu curso independente da ciência desses homens. Ninguém quer sumir de repente, no entanto aumentam os números ausentes, numa fase que já demora passar. De tão distantes e tão perto, a escuridão desses dias lembra as sombras noturnas que invadem a Terra, e os homens fixam no horizonte a sede do desejo de uma vida longa, saudável.

(Ilustração: Noite estrelada, de Vincent van Gogh).

O poder infinito da oração - Por: Emerson Monteiro


Pouco antes de sua morte, o Rabi Haim disse a um visitante: - Contasse eu nove amigos fiéis, com cujos corações o meu batesse em uníssono, cada um de nós meteria um pão na sacola e sairíamos juntos para o campo, e juntos andaríamos juntos pelo campo, e oraríamos e oraríamos até que a oração fosse ouvida e viesse a redenção.
Martin Buber (Histórias do Rabi)

Há alguns que oram dentro de tamanha convicção que as portas do Infinito se abrem e deixam passar a contrição. O fervor dos corações em plena coincidência daquilo a que oram e propicia o reviver as certezas e transformar o instante no que de melhor pedem os fiéis na força da convicção do Absoluto.

A oração qual fonte que vem dos que reconhecem a presença de Deus nos indícios do poder sem limites da Verdade. Abrem de si a leveza da emoção superior e deixam nascer a possiblidade de partilhar a força do mistério tenebroso na imensidão da vontade pura. Orar, que possibilita os meios reais de encontrar a própria essência do ser.

Daí o valor inestimável da prece com toda a intensidade da alma. Buscar uma forma de encontrar a resposta adequada aos nossos pensamentos de conforto. Fazer valer a fé em ação nos refolhos da consciência e chegar mais além das limitações do pensamento. Viver de dentro a experiência de falar com Deus. Circunscrever a vivência de guardar na certeza a glória infinita do Amor. Viver, afinal, o que de melhor possa, no sentido de responder ao vazio que, por vezes, quer tomar de conta dos dias escuros e trilhar as respostas que correspondam à conformação, e tranquilizar crises, situações inesperadas.

Uma forma de responder ao senso das fragilidades humanas. Sonhar com o impossível em termos de convicção e fervor.

(Ilustração: Angelus, de Jean-François Millet).



Os Dias Grandes – por José Luís Lira (*)

 

     Logo na sexta-feira que antecede a Semana Santa nós entrávamos no clima da Paixão de Cristo. A imagem de Jesus carregando a cruz percorrendo as principais ruas e o encontro d’Ele com Maria, sua mãe, Nossa Senhora das Dores, nos emociona(va) profundamente. Quando morávamos no sítio, sábado era dia de ir à cidade comprar os mantimentos para os Dias Grandes, sem esquecer-se de trazer um pouco a mais para doar aos que vinham pedir “esmolas” para o jejuar. Ainda no sábado à tarde, acompanhávamos nosso pai para a retirada do melhor “olho” de palmeira para o Domingo de Ramos, quando íamos à Missa vespertina e voltávamos para casa contritos, pois, os dias seguintes seriam de profunda reflexão. De início, não lembro bem, penso que o feriado se estendia por toda a semana. Assistíamos na TV, em preto e branco, a Paixão de Cristo, em vários episódios. Como no sítio só tinha TV lá em casa, os vizinhos acorriam e esta era posta do lado de fora, quando não chovia. Nossos vizinhos, parentes, amigos e nós mesmos, nos emocionávamos. 

     Com o passar do tempo, o feriado foi se resumindo. Só a partir da quarta-feira de trevas, data que lembra a traição de Judas e a entrega de Jesus aos seus carrascos, era feriado. Depois, o feriado se dava a partir quinta-feira santa, data importantíssima para os cristãos e, especialmente, para os cristãos-católicos: celebração do lava-pés, instituição do sacerdócio e da Eucaristia. Atualmente o feriado é sexta-feira da Paixão. Mas, no íntimo continuo achando que a semana toda é santa. São os dias mais importantes para a nossa fé cristã. Temos um vínculo deles com o Natal, pois, o Deus que se fez menino terno naquela festa, após sofrer horrores, por amor a nós, ressuscita/renasce triunfalmente.

     A mim, no ambiente familiar, sinto o mesmo clima em relação àqueles sagrados ritos e a o preparo para os Dias Grandes. Esta semana o papai, atento, se preocupava em comprar queijo, em saber se o feijão “novo” plantado lá no sítio estará bom na Semana Santa. A mamãe lembrava que sexta-feira de Passos não comeríamos carne e parecia que o tempo voltara. O clima de Semana Santa, como antigamente, se renovou. A exemplo do ano passado, essa Semana Santa é atípica. Assistimos à Missa de Ramos pela TV, no Sítio Monte Alegre. Os outros ritos sagrados também. E a mesa com tantos convivas não teve espaço este ano. É momento de reflexão e de pedir a Deus o fim da pandemia.

     As celebrações desde mais de um ano, me fazem recordar poema do amigo Dr. Ronaldo Frigini, “Templo vazio”, escrito ano passado: “Eu vi, Senhor/ Os bancos de teu Templo vazios/ Todos os teus não estavam neles/ Mas Tu estavas lá.// Eu vi Senhor/ O teu ungido a dignificar-Te/ E proclamar a Tua palavra/ Por que Tu estavas lá... Eu percebi Senhor/ Que embora estejamos cada um no escondido/ Tu nos dás força e coragem/ Para, no tempo que é Teu, podermos voltar para lá”.

       Participamos de celebrações, rezamos em família, jejuamos na sexta-feira santa e cantaremos Aleluia neste Sábado Santo, em preparo à Páscoa, pois, o Senhor Ressurgido da morte sobre nós derrama bênçãos, tudo assistido em casa. Emocionados, renovamos a sempre esperança de que a Páscoa do Senhor nos traga o fim da pandemia e a paz que aspiramos!

    Feliz Páscoa do Senhor Jesus!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.