30 abril 2021

Sons de carrilhão - Por: Emerson Monteiro


Vindos de longe, lá de outras horas silenciosas, de quando a cidade transpirava cheio de incenso e mirra pelas calçadas das igrejas. Havia qual o que espécie de religiosidade pelo ar. Um respeito às normas das mãos de ferro dos costumes europeus trazidos nas malas dos portugueses. Bom, sem querer avaliar resultados que estão aí ao dispor de quem quiser, lembro desse tempo de padres e freiras, e colégios, e rituais, pedaços de memórias de quando criança, de quando íamos às missas, às bênçãos, ouvir os cânticos acompanhados de órgãos e rebatidos ao ribombar dos sinos.

Depois, diante da aceleração dos séculos sem fim, vieram os ecos da deusa Razão e tanto se modificou o quadrante dos costumes. As encíclicas dos papas, a missa que deixaria de ser rezada em latim, as práticas dos credos e das cerimônias, o texto das orações. Mas bem isso que marcou a percepção do movimento dos astros nas praças e nos templos.

Primeiros foram os filmes que chegavam toda semana, de que íamos logo na segunda-feira ver os cartazes dos lançamentos. Isso principiava de acontecer a ponto de mudar em quase tudo as minhas concepções antes firmadas em conceitos da religião católica. Fiquei à margem de tudo aqui de antes. Dos sacramentos que recebera com a família, das rezas que Tia Vanice ensinava a gente à noite na véspera de dormir. Os conselhos dos meus pais sempre calcados na formação religiosa trazida do berço.

E me jogaria de corpo inteiro no mundo profano, nas festas, nas farras, nos passeios, política clandestina, bebida, cigarro, ritmo alucinado de finais da década dos 60, com hippies, rock, Guerra do Vietnam, tantos e quantos chamamentos vadios, nas hordas do desespero de uma época alucinada.

Ouço, agora, lá distante, o badalar daqueles carrilhões de outros tempos, sonoros sinais dos momentos outros abafados pelos instintos de uma geração macerada no caldo grosso das consequências históricas. Acalmo por dentro e reavivo o clima dessas lutas internas que atravessei e ora obtenho a oportunidade rara de poder ouvir de novo, na alma, o vigor de uma fé que mora nos meus sentimentos de saudade que restaram intactos.

Maio com suas flores chegou – por José Luís Lira (*)

     É primeiro de maio. Dia internacional do trabalho e nossa Santa Madre Igreja celebra São José Operário. O mês é dedicado a Maria Santíssima e se inicia com celebração a seu castíssimo esposo. Dois milênios depois a Sagrada Família de Nazaré ainda tem muito a nos ensinar e me aproprio de versos do Pe. Zezinho, SCJ, da “Cantiga por um casal fiel”: “Por vezes uma angustia me persegue/ E pergunto pra Maria e pra José/ Por que será que o mundo não consegue/ Entender o que se deu em Nazaré?”. Quantas questões poderíamos levantar? Amor, fidelidade, dúvidas, incertezas, obediência? Mas, tudo se resume na fé. Fé que fez Maria ser a mãe do próprio Deus. Fé que fez José se tornar o pai da Sagrada Família e o pai amoroso do Filho de Deus, Jesus!

   No título deste texto encontramos a “flor de maio” e pesquisando, encontrei a existência de uma cactácea epífita originária da Serra dos Órgãos e Serra do Mar, aqui no Brasil, com esse nome. Na Wikipédia, lemos que ela “não apresenta espinhos (...) Seu ciclo de vida é perene. Floresce em maio”. As flores de maio nos recordam aquelas que depositamos aos pés de Nossa Mãe Santíssima, Maria; também às que oferecemos às nossas Mães, no segundo domingo. Na minha família também lembramos nosso pai que este ano aniversaria no dia das mães. Recordamos o aniversário de nosso Bispo, Dom Vasconcelos, no dia 12, o mesmo dia em que minha cidade natal, Guaraciaba do Norte, celebra 230 anos de emancipação política que no dia 9 lembra 31 anos do falecimento de seu maior benfeitor, Mons. Antonino Soares.

     Maio também é dia minha eterna companheira, Matusahila Santiago. Nosso amigo João Soares Neto, intelectual e cônsul do México no Ceará, costumava nos chamar MatusaLira. Dia 8 será o primeiro ano de sua partida para a eternidade. Foi tão rápido e parece muito tempo. É uma saudade tão grande. A falta da conversa diária, os comentários sobre isto ou aquilo. Mas, Deus em quem tanto ela quanto eu acreditamos, é nosso conforto e, sabemos que um dia nos reencontraremos e teremos muito a conversar...
     Num só dia, três, temos o dia Mundial da Liberdade de Imprensa, da assinatura da Ata de Constituição do Museu de Arte Moderna do Rio, do Sertanejo e o dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Dia 7 além do Oftalmologista, lembramos o dia do Silêncio. E quanto silêncio se têm feito e o quanto ele é necessário. O autor de fábulas, Esopo nos recorda: "Os sábios falam pouco e dizem muito; os ignorantes falam muito e dizem pouco", enquanto Baltazar Gracián explica que "O silêncio é o santuário da prudência" e Santa Teresa de Calcutá nos ensina que "Deus se manifesta no silêncio".

    Entre flores e eventos, temos o dia da Cavalaria, do Campo, do Enfermeiro (mundial), Internacional das Famílias, do Gari, Internacional dos Museus, dos Acadêmicos do Direito, da Língua Nacional, do Trabalhador Rural, do Profissional Liberal, finalizando com o dia Mundial das Comunicações Sociais (31), quando a Igreja celebra a coroação de Nossa Senhora, dona do mês, no céu.

   Deixei por último o dia 13, data da abolição da escravidão no Brasil, com a assinatura da Lei Áurea, pela grande Princesa Isabel do Brasil, data em que anos mais tarde, em Portugal, Nossa Senhora apareceu e se tornou a Virgem de Fátima. 

   Que maio seja feliz a nós todos!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


29 abril 2021

O mundo e o Paraíso - Por: Emerson Monteiro


Os mitos significam isso, a metáfora do que representa o que contam. Eles, os mitos, buscam simbologia que corresponda ao que não poderia ser dito de outro modo. Dá-se um jeito de contar, nem que tenha de chegar a níveis de imaginação por vezes quais correspondentes ao universo mágico do religioso, transcendentes aos valores materiais e intelectuais.

Assim o mito do Paraíso Perdido, de quanto, na mitologia judaico-cristã, os humanos veem-se expulsos da perfeição original, da primeira inocência, pelo exercício frio do raciocínio, e vivenciam mundo do prazer no vão da própria sorte. Perdem a inocência no troco de revelar a si o poder da criação de outro padrão de consciência, onde o desejo individual toma conta do querer e esquecem as primeiras benesses de filhos diletos da pureza do que antes foram.

Ao defrontar o mundo diante das responsabilidades pelos seus atos, a criatura recria a essência que implica no ser senhor das atitudes, e diretamente comprometido nas consequências dessa nova possibilidade, isto quase nunca admitido.

Enquanto passam a agir pelas decisões pessoais, arca com os resultados, que sejam ruins ou bons, porém apenas daqui do Chão, do mundo em volta, sem os frutos divinos da essência de que fizeram parte certa vez. É andar em território livre, no entanto sob o crivo de razão insuficiente; de criatura em criador de outros paraísos, só que artificiais, sem merecer o mais sagrado da Criação original.

...

Já doutro modo, o Fim do Mundo, de que falam também os mitos em algumas civilizações, vem de significar a perda desse império de contradições a que vieram de cair depois de rejeitar o Paraíso, sujeitando-se agora ao encontro de Si Mesmo e ao regresso a planos transcendentais da pureza original, perdida no tempo da queda e fuga da inocência. Nisso descobrem novo paraíso dentro da consciência e reconquistam o Paraíso original, após o fim de um mundo até então visto sob o prisma da desobediência, desta feita com o mérito da plena Salvação.

28 abril 2021

Busca incessante do equilíbrio - Por: Emerson Monteiro


Mesmo quando transitamos nas áreas mais escorregadias, todos andam na intenção de achar os meios de ser feliz, seja assim quem quer que seja. Tantas vezes bater em portas representa isso de existir nas histórias deste mundo. Sair diariamente à cata dos instrumentos de equilibrar os dias, eis o ofício de todos. Vontade é que não falta de encontrar as tais expectativas de acalmar os sentidos e viver bem.

Contudo, defrontamos a necessidade urgente do autoconhecimento. Saber, na verdade, os motivos de estar aqui. Saber trabalhar os segredos deste equipamento primoroso que sustentamos às mãos e exercer as funções ideais daquilo que buscamos, sem perder o prumo e respeitando as leis da Natureza. Isso bem que significar existir, portanto.

Além de trabalhar com a gente, temos que desvendar os mistérios dos relacionamentos com as outras pessoas e com a natureza de que fazemos parte. Nisto, agimos diante da escola deste chão. Aprendemos de nós e aprendemos dos demais seres, nas oportunidades de vir até aqui. Simples, às vezes difícil, mas sempre dispondo, em nossas mãos, dos dispositivos de exercitar a missão de conhecer e se conhecer.

Enquanto permanecemos no exercício de aprimorar as normas de viver, desfrutamos das maravilhas de poder praticar o que aprendemos, respeitar os outros e manter o ritmo de nós mesmos. Trabalhar as condições de manter a ordem do Universo em nós. Descobrir que todos estamos num só barco e que os mares são idênticos. Aperfeiçoar e crescer, tais valores essenciais durante todo tempo. Quando ainda não conhecemos, no entanto, cabe respeitar os limites e aguarda a hora certa de cada elemento.

Um espaço ideal a preencher, um tempo restrito de sobreviver e utilizar os recursos do trabalho e da consciência de ser deste modo; aprender que sonhar representa o espelho de realizar a missão de estar na presença do desconhecido, e amar a vida com toda intensidade.

27 abril 2021

Paraísos artificiais - Por: Emerson Monteiro


Um mundo velho, atoleimado, vindo abaixo numa velocidade estúpida, e tantos ainda se achando meio cobertos de razão, atolados até o eixo na lama das ilusões que artificializaram. Que mundo, que estrelas, que gentes. Cercadas de falsos motivos de viver, amam mil trastes, lágrimas de langor, troços perdidos no pântano de uma corrupção generalizada nos espaços toscos da ignorância. Que mais esperar de uma gente que se arrasta pelo trilho de mentes sem cura. Bem isso de olhar pela janela dessa nave, enquanto cavam as próprias perdições, desfiladeiros de ausências logo ali na curva do Destino.

Existem, pois, soltos nas crinas dos laboratórios os tais instrumentos de enganar a si, isto a preço módico, no alcance das castas ditas de poder, que nutrem falsos luxos da matéria preciosa dos dias. Daí, correm soltas aos mercados tecnológicos à buscam de enganar seus pedaços de carne em decomposição, fertilizantes da história, o que vem passar depois da estupidez acelerada. Políticos, líderes de fancaria, pobres mortais das massas tóxicas. Capengas vilões da sorte alheia. Vão desfilando no picadeiro dos circos de horror em que produzem as crias da pobreza espiritual, transportam no bornal a falta de conhecimento.

Mesmo desse jeito, ocupam lugares e transferem ao lixo tantas oportunidades do que melhor poderia ser a rica imaginação humana. Refazem de sucata os sonhos vagos dos pobres enganos guardados debaixo de injustiças e sofrimento. Mas irão, sim, chegar ao dia, aos pousos certos, no alho das dores que fermentarem. Nem de longe ficarão impunes, enganchados naqueles abismos dos que perderam o prumo e querem, agora, corrigir a multidão. Ninguém foge ao crivo da Verdade, luz acesa de tudo, uma vez que só criar fantasias jamais encobriria a força descomunal do Tempo no seu eterno movimento. Mais perto estão os frutos dos desejos de Paz. Quem viver verá.

(Ilustração: Juízo Final, de Ticiano).

25 abril 2021

Testemunhas de nós mesmos - Por: Emerson Monteiro


Assim é viver. Conhecer a própria história. Seguir os acontecimentos qual se deles nem fôssemos também os responsáveis. No entanto, observadores fieis dos movimentos dos astros na nossa consciência. Parceiros de todos os detalhes, atores de todas as cenas, instrumentos de nossas reações e sujeitos de nossas atitudes. Ninguém, ainda que o deseje, viverá à margem das ocorrências em volta. Pelo não, pelo sim, haveremos de determinar o quanto mereçamos. Disso vêm interpretações de como participar da natureza, oferecer o melhor do que somos e aceitar as consequências do passado, porta aberta de um futuro promissor.

Somos nós as nossas escolhas diante dos dias. Há, entretanto, padrões eternos que determinam o jeito exato em que firmar os passos e conduzir as ações, isto que bem caracteriza a liberdade. Somos livres à medida que agimos conforme leis morais superiores, pois as nossas simples escolhas fazem delas apresentar os frutos do que façamos. Daí os conceitos de tantos pensadores que trabalham esse modo de agir dos humanos. Livres enquanto pautam seus praticados nos limites do aprimoramento, os quais nascem do tempo em nossa consciência. São leis efetivas, semelhantes a leis materiais, por exemplo. Ninguém foge ao destino que assim determinou, por isso.

De tal modo, o sonho de felicidade significa sonho de harmonia com o ritmo e a melodia das existências, até compreender o valor de obedecer aos tais padrões inevitáveis e enxergar o equilíbrio diante das leis eternas sob que nos vemos submetidos, a rumo de evoluir, espécie de determinação inderrogável de tudo quanto existe. Quase que meras testemunhas, pois, da Salvação, eis aqui o itinerário da evolução de que somos sujeitos e objetos em um único ser. O que nos cabe, porém, nesse percurso universal das criaturas representa a fórmula ideal de conhecer e exercitar os ditames desta sinfonia de que significamos os principais protagonistas durante as eras sem fim.

(Ilustração: O pagamento, de Pieter Brueguel o Jovem).

No tempo que os políticos brasileiros eram pessoas exemplares (um episódio na vida do Primeiro Ministro Duque de Caxias)

 


   O Imperador Dom Pedro II admirou em Florença, na Itália, o quadro “Batalha do Avaí”, do célebre Pedro Américo, retratando o importante embate ocorrido durante a Guerra do Paraguai. Quando, em 1877, a tela chegou ao Brasil, o Soberano foi novamente vê-la, fazendo-se acompanhar pelo septuagenário Duque de Caxias, então Presidente do Conselho de Ministros.

    Os elogios foram unânimes, mas o Presidente do Conselho, que havia comandado as tropas brasileiras durante toda a primeira fase da campanha paraguaia, incluindo a Batalha do Avaí, e era figura predominante na tela, conservava-se mudo. Por fim, percebendo o que ocorria, o Imperador discretamente lhe perguntou:

   – Que diz, Senhor Caxias?

    – Desejava saber onde o pintor me viu de farda desabotoada. Nem no meu quarto!

 FONTE: Leopoldo Bibiano Xavier, no livro “Revivendo o Brasil-Império”. 1ª ed. São Paulo. Editora Artpress, 1991. Página 151.

24 abril 2021

Notícias daqui de dentro - Por: Emerson Monteiro


Nesse tempo de viver, há que se achar oito de melhor rever o mundo e aceitar de bom grado viver da melhor forma, isso de adotar as existências quais instrumentos de revelar a si mesmos o eterno diante do inesperado, numa velocidade extrema de sonhar em falas diferentes, e credos, e luzes. Admitir a condição de que nada muda se a gente (você) não mudar. Abraçar de corpo e alma os detalhes das histórias de contar a nós mesmos, o quê desse tudo afinal, verdades que significam isto de abraçar a vida neste viver com paixão lances e passos, na sequência natural dos dias. Conhecer o mínimo que seja do que até aqui transportamos, de almas inquietas, leves, sem medo, nem culpa, porquanto ainda que nos acusemos de haver abandonado a liberdade em nome das pequenas aquisições, desse modo tem que valer em nós os gestos nossos de transformação que, todo momento, nos indicavam as horas que passam e nos pediam licença de acontecer nas estradas dos céus.

Nisso, escrever o tanto que as palavras pedem e suportam de serem ditas, no transcorrer das gerações desses momentos avassaladores do Infinito, quando a gente para um pouco e observa o processo ocasional que nos envolve, enquanto perguntamos a que viemos largados nas asas do firmamento. Alimentamos, pois, a vontade mais intensa de querer, de somar vontade e desafio numa força denominada poder, o impulso da coragem de andar através do inesperado e sustentar a estrutura de sobreviver perante tudo quanto. No entanto chegamos face a face às muralhas do desconhecido, e só então sustentamos o dever de continuar, noites e dias, mortais defensores da felicidade que o seremos de ser, minúsculos filamentos da Luz em forma de súditos da nossa humana proporção. Seguir, portanto, eis a lei e os destinos em quaisquer circunstâncias, venham de onde vier.

23 abril 2021

Resgate coletivo - Por: Emerson Monteiro


Faz perto de quatro décadas quando isso aconteceu. Era junho de 1982 (O Voo VASP 168 foi um acidente aéreo ocorrido em 08 de junho de 1982, quando um Boeing 727-200 com destino a Fortaleza se chocou contra a Serra da Aratanha, na cidade de Pacatuba, Ceará.) Wikipédia

Dentre as 137 vítimas fatais estava meu cunhado Wagner Dantas, esposo de  Lydia, minha irmã, ele um jovem empresário bem sucedido da confecção cearense, digno trabalhador e pai de quatro filhos. Foi um choque tremendo a nossa família, o que acompanhei passo a passo, inclusive na reorganização dos negócios da empresa e permanecendo junto de sua família durante 22 dias, eu e minha mãe. Dias difíceis, dolorosos, que marcaram profundamente a todos nós.

Nesse período, espírita que sou, frequentava às 16h dos sábados, reuniões privadas que ocorriam na União Espírita Cearense, à Rua Carapinima, em Fortaleza, quando havia manifestações mediúnicas de psicografia através de D. Maria de Lourdes, médium respeitada e eficiente. Recebia mensagens de entidades espirituais, dentre elas, naquela fase, pude presenciar comunicação escrita de um espírito que desencarnara no fatídico acidente aéreo. A pessoa se identificava como um dos passageiros, e revelou que naquele voo estiveram reunidos antigos membros do Império Romano à época da perseguição aos primeiros cristãos, os quais foram responsáveis pelas mortes das chacinas, com fieis sendo jogados de penhascos, queimados em fogueiras, atirados a feras e gladiadores, no Circo Romano.

O carma coletivo então adquirido viera, pois, de ser resgatado na ocasião do citado acidente. Mensagem equivalente eu leria, mais adiante, num dos livros mediúnicos de Francisco Cândido Xavier, que passaria à minha irmã, dessa vez também de outro passageiro, uma enfermeira que estava entre as vítimas e relatava idêntica explicação a propósito da ocorrência.

No transcorrer das consequências imediatas, de todas as vítimas restaram por volta de 200kg dos corpos, sepultados em cerimônia única, a meio de grande comoção pública, exatamente no Dia de Corpus Christi daquele ano.

Santo Antônio: Sabedoria e Humildade – por José Luís Lira (*)

 

     Outro dia iniciei os comentários sobre o livro “Santo Antônio: A história do intelectual português que se chamava Fernando, quase morreu na África, pregou por toda a Itália, ganhou fama de casamenteiro e se tornou o santo mais querido do Brasil”, Editora Planeta, autoria de Edison Veiga, a mim presenteado pelo amigo e colega na advocacia Macsimus Duarte. Uma coluna não é suficiente para comentar o trabalho de Veiga e mais ainda a história e a santidade de Antônio a quem chamo “o Grande”. Mesmo com esta, ainda retornarei ao tema.

    Edison explica que “Santo Antônio de Pádua, o homem que tomou para si o nome da cidade e rendeu a ela fama mundial, não nasceu Antônio, muito menos paduano. Por batismo, Santo Antônio se chamava Fernando. E nasceu em Lisboa, que na época ainda não era a capital de Portugal”. Este confirma o que se costuma dizer que a pátria do Santo é o local do qual ele retorna à Casa do Pai pelo falecimento. Assim, por exemplo, Santa Paulina e São José de Anchieta são santos brasileiros, os Beatos Assunta Marchetti, Eustáquio Lieshout, nascidos em outras terras, são tão brasileiros quanto Santo Antônio Galvão, Santa Dulce dos Pobres, Beata Nhá Chica e Beato Donizetti Tavares, brasileiros por nascimento. 

    Antônio descende de nobres. Seu pai, Martin vem dos herdeiros de Godofredo de Bulhões, aclamado o primeiro soberano do Reino Latino de Jerusalém que, para mim, é muito especial, pois é dele que se origina a Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, nobre e pontifícia, na qual me honro em ser cavaleiro e secretário-geral do Conselho na Lugar-Tenência do Rio de Janeiro. O pai de Antônio e sua mãe eram nobres. Veiga nos informa que Martin de Bulhões, mais do que fidalgo, era prefeito de Lisboa. Antônio, então Fernando, estudou o trivium: gramática, retórica e dialética; o quadrivium: aritmética, geometria, astronomia e música. Por nobreza, estudou cavalaria, ao completar 15 anos. Mas, Fernando “não iria se tornar cavaleiro como o pai. Ele havia conhecido: sua família seria a Igreja; suas batalhas seriam com as armas da fé”. O nobre se tornou monge agostiniano, sendo ordenado Sacerdote. Com o passar do tempo, se tornou franciscano, então jovem instituição com o fundador ainda vivo, Francesco di Assisi. O Padre Fernando largou nome e sobrenomes e se tornou Frei Antônio (Antão, na forma latina, Antonius).

    O Frei – Irmão – Antônio, diz-nos seu novo biógrafo Veiga, “Havia se tornado um homem que cultivava o silêncio – assim refletia, meditava e conversava com Deus” e desenvolveu a missão brilhante em prol do Reino de Deus. Mais uma vez recorrendo a Veiga: “Ele era a prova de que era possível mesclar humildade com conhecimento, simplicidade com doutrina, coração com razão”. São Francisco o chamara de seu “Bispo”, sendo, depois, aclamado o primeiro doutor ou mestre franciscano e o povo observou sua santidade reconhecida pela Igreja menos de um ano após seu falecimento.

    O Santo esteve nos exércitos português e brasileiro após sua morte. Entre nós, Antônio é general da reserva não remunerada e na Igreja, Doutor Evangélico. De Fernando Martins de Bulhões a Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, de sacerdote agostiniano a frade franciscano, tudo isto e muito mais está no valioso livro de Veiga!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

22 abril 2021

Luz do amanhecer - Por: Emerson Monteiro


O poder da Natureza revela sua pujança logo cedo, ao nascer do Sol. Daí em diante, o tempo desenrola as tantas qualidades de luz e cor, transformando os dias em manancial de riqueza ao dispor das massas humanas. Longos itinerários de possibilidades em que todos, sem exceção, experimentam o fruir das oportunidades, crescem no trabalho e buscam evolução. As horas assim oferecem os meios de encontrar caminhos de si mesmos e indicam o senso do aprendizado através das experiências, por vezes difíceis, porém sábias, aos moldes da perfeição que nos aguarda de braços abertos, e logo ali em frente.

Isto cabe a todos nós espalhados na face do Planeta. A escola desta vida disponibiliza os instrumentos da compreensão à inteligência das pessoas, dispositivos de revelar o objetivo de ser partícipe da sinfonia magistral da Criação em andamento. Pela força viva dos elementos que movem esse laboratório criativo, desvendamos os mistérios de conhecer a nós e ao Todo universal, vez contar em nossas mãos com o grande livro dos destinos absolutos que o somos.

Durante o percurso da existência, aqui formulamos o melhor projeto de aprimorar o nosso ser ainda primitivo, contando sempre com a sabedoria dadivosa do Amor, furto primordial do Tempo e do Espaço, ao qual votamos nossos desejos de Luz e Paz. Por meio do trabalho honesto, do estudo e dos praticados, construímos a certeza da Fé e moldamos nosso espírito no rumo do Infinito, porquanto já possuímos a cartilha da Salvação, bênção de todos e degraus da esperança porvindoura.

Foram muitos amanheceres, pois, que permitiram superar a materialidade e apaziguar instintos, fazendo disso uma jornada às estrelas, roteiro da humana purificação. Destarte, seremos herdeiros universais de tudo quanto há, durante todo tempo. Bem clara esta visão cósmica de fazer surgir em nós próprios a luz de um amanhecer definitivo.



21 abril 2021

O instinto das palavras - Por: Emerson Monteiro


Quando as palavras querem virar texto, elas ficam batendo nos pés da gente assim tais ondas nas praias, insistindo nascer lá de dentro feito fetos na hora do parto. A propósito, dia desses tive um sonho de quando morava com meus pais na Rua Padre Ibiapina, em Crato, antiga residência construída por Pergentino Silva, no Bairro Pinto Madeira, duas ruas depois da Estação Ferroviária. Lá vivemos em torno de 12 anos, meus pais e seus cinco filhos. Nos sonhos, em velocidade cinematográfica, passaram dezenas de momentos guardados na memória e que nem sabia mais que existiriam. Feitos um caleidoscópio, retornaram intensamente, sucessivamente. Isso através de vários meios de cenas. Sempre, no entanto, carregados das mesmas emoções antes vividas. Lembranças das muitas ocasiões preenchidas de afetos, dramas, aprendizados, que permanecem em mim quais pedaços da individualidade. Encontros e desencontros, notas de rodapé dos dias, trechos de livros lidos, imprudências cometidas, marcas deixadas dos relacionamentos íntimos, circunstâncias, apreensões. Houvesse instrumento de gravar sonhos, dali dar-se-ia produção digna de festivais, trechos diversos ricos de voltagem, cargas fortes de circuitos psicológicos, dores e prazeres vários. Nem precisei ir buscar; vinham à tona feitas ocasiões guardadas nalgum qualquer lugar deste Universo, tais arquivos que não se acabam mais. Resquícios perenes das histórias pessoais, que agora sei que todos os temos naquela biblioteca das vidas para sempre, quando, pois, quisermos visitar nossos passados e reviver os lances dos tempos registrados a ferro e fogo, serão motivos, talvez, de novas interpretações e reaproveitamentos. Transitei nessa incursão em transe de formas e cores, movimentos e sentimentos, bem aos moldes dos que descobrem tesouros de si mesmos, naquilo dos teosofistas chamam de registros acásicos, que jamais desaparecem. Testemunhos, portanto, dessas existências definitivas acondicionadas em dimensão além do tempo aqui conhecido, em gleba das existências de que somos partes integrantes, quem transcorrer pelas cavernas de todos os entes da Natureza infinita de que somos peças e consciências, saberá, decerto, do que estou dizendo.

20 abril 2021

Outras dimensões - Por: Emerson Monteiro


Seria por demais pretensão dos humanos que houvesse tão só o esquadro onde vivem nas suas limitações e energias. Conquanto de tamanha perfeição, isto existe apenas no que tange aos corpos e a natureza. Já os resultados de uso deixam a desejar em termos do aproveitamento a que viemos. O corpo de matéria chega às raias da exatidão, no entanto os que o manuseiam são meros aprendizes, haja vista os frutos e a utilização do espaço. Claudicam até os extremos da pouca habilidade no uso, ferem tanto a si quanto aos outros, vez que habitam a carne quais donos absolutos do que nem de longe assim parecem ser.

Doutro lado, persiste o Universo ilimitado, profundo, infinito, de maravilhas pouco conhecidas pelos viventes da Terra. Lá, então, a existência das dimensões inexploradas, morada dos deuses. Isto no que diz respeito ao território exterior; quanto ao continente interior das criaturas, sempre ao livre dispor dos que pretendem desenvolver o senso do inexplorado, podem mergulhar aos abismos dos mistérios mais profundos. Bem próximo de nós e em nós se contêm as chances do aprimoramento, isso que estudam os sábios nas buscas incessantes da revelação dos segredos que, um dia, nos libertará dos laços primários ao mundo animal.

São elas as outras dimensões além do visível, além dos cinco sentidos e do pensamento, as quais vibram intensamente em volta das dúvidas e que podem abrir de par em par as portas da consciência, caminho da evolução de tudo quanto há. Enquanto autores, portanto, de novos níveis de aprimoramento e senhores da humana salvação, vemo-nos a braços com os desafios da sobrevivência e desfrutamos os prazeres da história pessoal, entretanto meros aprendizes dos meios de reconhecer a finalidade que nos traz a este chão. Lado a lado, seguimos o curso das eras e demonstramos, no dia-a-dia, quanto adquirimos de conhecimento através das nossas práticas de vida.   

18 abril 2021

18 de abril de 1857 - Por: Emerson Monteiro


Há precisos 164 anos, nesta data, em Paris, Allan Kardec lançaria O livro dos Espíritos, a primeira manifestação da Doutrina dos Espíritos, sendo esta a obra que enfoca o seu aspecto filosófico. Dentre as repercussões do livro, à época, a Academia de Ciências de Paris, em pronunciamento coletivo, avaliaria que nesse trabalho, de 1.019 perguntas feitas por Kardec aos espíritos, e respondidas através da mediunidade psicográfica, ali estaria respondidas todas as indagações que qualquer cientista de sã consciência faria sobre a vida após a morte.

Depois de O livro dos Espíritos, seria lançado em janeiro de 1861, O livro dos Médiuns, ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, o aspecto científico da Doutrina, considerado por muitos, ainda hoje, o maior tratado de parapsicologia até agora produzido. Logo adiante, em abril de 1864, viria O Evangelho segundo o Espiritismo, o aspecto religioso, a inteirar as três dimensões do Espiritismo, de filosofia, ciência e religião. Nesse livro estão comentários às máximas morais de Jesus, seguidas de mensagens psicografadas de espíritos luminares da Humanidade a propósito dos temas vistos nos capítulos do livro.

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte León Denizard Rivail, educador francês, discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi, em vida, ainda editaria duas outras obras com base nos conceitos doutrinários espíritas, a saber, O Céu e o Inferno (a Justiça Divina segundo o Espiritismo), em agosto de 1865, e A Gênese (os milagres e as predições segundo o Espiritismo), em janeiro de 1868, que somadas às lançadas no princípio totalizam o Pentateuco Kardequiano. Existem outros livros de sua autoria também lançados em vida, porém estes citados são os básicos a quem queira conhecer os ensinos do Espiritismo.

Com a morte de Kardec, ocorrida em 31 de março de 1869, foram reunidos escritos diversos do autor, os quais vieram publicados sob o título de Obras póstumas. No decorrer dos seus esforços de codificar a Doutrina dos Espíritos, Allan Kardec editaria uma publicação denominada Revista Espírita, onde apresentou os mais diversos registros de estudos e fenômenos mediúnicos verificados pelo mundo afora ao tempo de seu trabalho de codificação.  

17 abril 2021

As manhãs aqui - Por: Emerson Monteiro


Nesses tempos de isolamento, anos 2021, as horas ficaram como que mais agarradas dentro da gente onde passam numa busca perene de novidades quais sejam. Dali, os sons das manhãs claras de sol intenso na vegetação da serra orvalhada. Pássaros que percorrem as árvores à cata dos motivos de cantar, e cantam. O cacarejar e o cocoricó de galos e galinhas vagado no terreiro. Latidos de cães desocupados contrapõem as falas desencontradas dos outros animais. Ao longe, vindos daqui de onde moram vizinhos músicos, ouço acordes de um trompete, seguidos das notas suaves de um piano, a preencher de lucidez as pautas do silêncio. Nisso, a necessidade rasante de dominar o instinto de correr pelas distâncias do passado, enquanto, do outro lado de mim, as penas do presente querem impor a qualquer preço visões intermitentes do futuro só inexistente. No entanto vago apreensivo na trilha estreita entre eles dois, ora vencido, ora vencedor dessas imaginações inesperadas, vadias e corriqueiras, dos dois senhores à procura de cativos, o passado e o futuro, duas ficções das circunstâncias, no entanto pura abstração do presente raquítico de nós em nós carentes de maiores convicções.

Vagas manhãs estas de tempos esquisitos, depois das agruras sanitárias que invadiram o mundo. Disso tudo, resta o senso das indagações de quando será diferente, o que tanto aguardamos e nele desenvolvemos nossos projetos de vida regular. Quando, afinal, abriremos as janelas da alma e deixaremos entrar a luz da consciência plena que já chega às mentalidades, contudo deve nutrir o espaço entre as sombras preguiçosas desta civilização. Após o que mais haverá de chegar ao poder o valor da realidade, livre dos cascalhos e dos escombros?! Algo assim de querer saber o que existe logo ali, transcorridos próximos dias de tanta dúvida, quanto ao que herdaremos disso tudo.

Em meio, pois, às forças da natureza, isto de querer solucionar de uma vez por todas o problema do mal que ainda aflige a humana incoerência, nos dias da véspera de novas possibilidades, sempre a vicejar no coração das pessoas, instrumentos de alegria e paz.

Verdades Inquestionáveis

 A Monarquia combate a corrupção

   A Monarquia não pretende ser uma panaceia, capaz de curar milagrosamente todos os males, mas é certo que ela cria as condições necessárias para sanar ou ao menos minorar muitos deles, dentre os quais a corrupção. Isso porque a forma de governo monárquica traz consigo uma influência altamente positiva sobre o andamento dos negócios públicos, sejam políticos, econômicos ou sociais.

   Há que se considerar que o Imperador paira acima dos interesses políticos ou privados de qualquer ordem, com o seu interesse pessoal se confundindo inteiramente com os da Nação. O Soberano pode, assim, exercer sobre a política e a administração pública uma ação moralizadora ao mesmo tempo firme e serena, de modo a corrigir e por nos eixos o que deve ser corrigido e ordenado.

    Pelo contrário, na República, se deseja alcançar os mais altos cargos, um político tem literalmente que comprar o apoio dos amigos e até mesmo dos inimigos; caso contrário, ele cai em desgraça e não consegue governar. Basta lembrarmos aqui os tristemente famosos “Mensalão” e “Petrolão”, para não falar de outros esquemas de corrupção...
Conforme mostra o quadro abaixo, dos quinze países menos corruptos do mundo, um total de nove são Monarquias, a começar pelos dois primeiros, o Reino da Dinamarca e a Nova Zelândia. O Brasil, por sua vez, graças à República, ocupa a desonrosa 94º posição na classificação, ficando muito abaixo de países como Tunísia (69º) e Senegal (67º).

    Fica evidente a falta que faz em nosso País uma figura como a do Imperador Dom Pedro II, que, utilizando-se do Poder Moderador e de sua inegável presença moralizadora, era o grande fiscalizador da honestidade pública. De fato, o célebre escritor Monteiro Lobato comparou Sua Majestade à “Luz do Baile”, apagada pela República, com os lamentáveis resultados que hoje assistimos.

Que volte a tremular na nossa Pátria a Bandeira do honrado Império do Brasil

16 abril 2021

O lugar do coração - Por: Emerson Monteiro


Nessa busca incessante de achar paz dentro da geografia da gente, quantos pontos cardiais de esperança o coração e a vontade experimentam na revelação das flores e dos frutos, estando a alma em sintonia consigo mesma. Andam devagar nas estradas desta vida; olham insistentes o crivo dos sentimentos; e caminham de olhos atentos às margens de tanto amor pelos desvãos das promessas. Os sinos da alegria que sacodem o valor de sonhos e sorrisos contêm o impulso extremo de vislumbrar os jardins de mais além, nos pequenos louvores das estrelas, de contemplar o firmamento no íntimo das nossas canções.

De palmilhar, pois, as gretas de nós mesmos, lá certo dia se aprenderá o jeito bom de acreditar nos valores da satisfação de nossos instintos no nível mais alto da consciência. Coragem de sustentar normas de bondade sem perder tempo nas longas escolhas que fluem feito folhas e logo em seguida desaparecem como que por encanto no horizonte da pureza do tempo. Nisso, alimentam os gestos de união das criaturas, força inigualável de tempos novos cheios de felicidade.

Assim, depois de longos desfiladeiros de solidão, por fim deparam com o senso da razão de ser o amigo fiel das lonjuras. E amar define o senso da evolução perante os seres, modo perfeito de satisfazer a eterna procura dos melhores momentos. Quantas vezes, neste afã de revelar tais meios de harmonizar o universo dos aventureiros, neste procedimento, somos vistos pelas normas do divino instante qual milagres da Criação, e rimos de tão merecedores, na realização do Ser.

Bem isto, seremos os autores da humana concretude face ao movimento persistente das ondas deste mar infinito de histórias sem fim. Suaves parceiros dos segredos do equilíbrio de luzes e sons, enfim abriremos a porta do silêncio e habitaremos o país das emoções em festa.

Príncipe Philip, o Duque de Edimburgo – por José Luís Lira (*)

 Príncipe Philip (1921--2021)

   O título também poderia ter, romanticamente, um subtítulo: a história de um amor ou, ainda, mais realisticamente, o marido da Rainha Elisabeth II, da Inglaterra. A morte do Príncipe Filipe, nascido Príncipe da Grécia e Dinamarca, foi o principal noticiário dos últimos dias. Seu sepultamento ocorre neste sábado, na Capela de São Jorge, que fica no Castelo de Windsor, 2 meses antes de seu aniversário de 100 anos. Todos os que me conhecem sabem que vejo na monarquia constitucional como a melhor forma de Governo. O monarca atua como Chefe de Estado e é reconhecido como uma espécie de grande pai da Nação. Sua Alteza Imperial e Real Dom Bertrand de Orleans e Bragança, que celebrou 80 anos em fevereiro último, tetraneto de nosso primeiro Imperador, Dom Pedro I, diz com muito acerto que todo brasileiro aspira o ideal monárquico. Quantos reis no Brasil temos? Rei da música, rei do futebol, princesas etc., muitos. E presidentes? Só de instituições. A monarquia nos foi tirada, mas, nós não a esquecemos.

    Voltando ao Príncipe Filipe, sua história é muito interessante. Filho do príncipe André da Grécia e Dinamarca e da princesa Alice de Battenberg que depois de viúva se tornou freira na Igreja Ortodoxa e foi sepultada em Jerusalém, Filipe nasceu na Grécia, pertencendo às famílias reais grega e dinamarquesa. Sua família foi expulsa da Grécia enquanto ainda era criança, durante o Golpe de 1922. Filipe estudou na França, Inglaterra, Alemanha e Escócia, ingressando na Marinha Real Britânica, em 1939, aos 18 anos. Numa ocasião, Filipe conheceu a Princesa Elisabeth, filha do Rei Jorge VI do Reino Unido. Consta que foi amor à primeira vista. Ela tinha 13 anos, ele 18 anos. Eles são primos de segundo e de terceiro grau. Para casar-se com a então Princesa Elisabeth e herdeira do trono do Reino Unido, em 20 de novembro de 1947, Filipe renunciou seus títulos gregos e dinamarqueses, converteu-se da ortodoxia grega para o anglicanismo e recebeu o título de Duque de Edimburgo. Tratou-se de uma extrema renúncia pessoal. Ele sabia que não receberia o título de Rei-Consorte da Rainha, mas, de Príncipe-Consorte. Que sua vida ficaria completamente atrelada à Rainha não só no aspecto sentimental, mas, em todos os aspectos. Ainda assim ele a tudo renunciou por amor à Princesa que ele viu se tornar Rainha e se tornou o pai do sucessor de Elisabeth no trono, Príncipe Charles (Carlos, em português), avô do Príncipe William (Guilherme, em português), que sucederá a Charles e assim sucessivamente.

    Pelos mais de 70 anos de serviço à realeza inglesa, vimos o mundo todo se manifestar solidariamente à Rainha e sua Família. Os próprios ingleses sentiram a partida do Príncipe Filipe como se de alguém da família. Foram muitas as declarações neste sentido de líderes mundiais, destacando Sua Santidade o Papa Francisco, reis, rainhas, presidentes, chanceleres e outras personalidades, entre as quais Sua Alteza Imperial e Real Dom Luiz de Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil e herdeiro de direito do trono brasileiro. O povo inglês lembrará o Príncipe Filipe, como nós, brasileiros, lembramos de Dona Leopoldina e Dona Teresa Cristina, imperatrizes, esposas dos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II.

      Que Deus o guarde!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

15 abril 2021

O poder dos acontecimentos - Por: Emerson Monteiro


Incrível a força que as coisas parecem ter quando têm de acontecer.
 Nietzsche                                     

São essas as ilustrações do livro da natureza, no fluir dos fenômenos. Tantas e quantas vezes, devido a um mínimo, ocorrem aparentes acasos, jamais imaginados que houvessem sido exequíveis, porém dotados de plena coerência (Deus não joga dados, nas palavras de Einstein). Quando, então, algo vem à tona, efeito de mil de milhões de fragmentos, traz em si o processo espontâneo dos acontecimentos.

Isso de considerar coincidência fica por conta das poucas (ou nenhuma) justificativas aparentes, quais numa orquestra monumental regida pelos magos da história. Aonde ir, pois, ali impera a força viva de leis inderrogáveis, o que significa a pedra de toque dos céus às mãos de uma Inteligência Suprema.

Espécie de universo integrado, objetos e gente circulam este planisfério da ordem dessa harmonia. Assim, em meio ao painel infinito que gira pelas horas, sem cessar um só momento, desliza faceira a humana consciência, na busca de si própria, em nuvens planetárias vagando entre a sombra e a luz da existência; sustentam no território da matéria estes aventureiros da razão, ora vestidos de palavras, ora de emoções. Desejos em ação, paixões por vezes alucinadas de revelar perfeições a qualquer custo, no entanto sujeitos bater de frente nos sonhos de felicidade, e padecer as dores dos partos alucinados, vidas adentro.

Outrossim submetidos às ordens do mistério, rendem graças aos diversos deuses que lhes traz a vontade aparentemente soberana, porém autora, nalguns instantes, de cruéis enganos das tais criaturas humanas. Serem meros sujeitos das consequências, dão de cara nas cavernas do desconhecido, e padecem de não saber ainda qual rumo irá seguir nesse roteiro dos instrumentos. Bem isto, aprendizes das cicatrizes que adquirem, tatuam na carne os meios de guardar consigo o senso da Razão maior, lá um dia.

13 abril 2021

Esses messias indecisos - Por: Emerson Monteiro


A que viemos aqui... Qual sentido extremo de viver neste chão... A porta do definitivo... Quantas vezes assim de mergulhar e querer saber, no entanto de susto voltam apressados aos afazeres das ausências deste objetivo que olha de longe o movimento da gente. Lá dispersos, agarrados na vegetação das margens, tantos buscam esquecer a que vieram.

Fugir, porém, não consta desse roteiro, porquanto nem aonde fugir existe. E lustram as estradas de rastros incertos, elas, as criaturas. Escrevem milhares de cartas aos céus, definem sonhos de querer o melhor, ordenam as horas de acordo com suas próprias interrogações... Plantam, colhem; vivem, revivem; alimentam desejos de perfeição quais mergulhadores de mares desconhecidos, sem saber jamais nem o que buscam afinal.

Contudo só aguardar, que existe, sim, real finalidade (Sois deuses e não o sabeis, disse Jesus). A todos há essa fatalidade, concretizar o projeto da Criação, mesmo que omitam de si a condição essencial de estar e ser diante dos segredos guardados. Solene imaginar isto, de ser messias em crescimento, até um clímax de maturação. Fortes vínculos nos prendem ao desconhecido, algo religioso, original, astrofísico, eterno...

Desde que aceito no íntimo da solidão cósmica das existências, antes somos isto a improvisar desempenhos no teto das dúvidas, meros experimentadores dos destinos. Arrastar correntes enquanto isso, nas vidas que se sucedem. Quantas e tantas luas e baladas, e filmes, e livros, e encontros, e desencontros, ainda instrumentos de forças até então abstratas, poderosas, outrossim.

No sol quente das manhãs, ali, gelados por dentro, impera esse instinto de sobreviver aos impactos inevitáveis de um viver provisório. Queremos, todavia, desvendar os enigmas destas horas que projetam cores, luzes, movimentos, pedaços de sentimentos e pensamentos, que desmancham as idades e burilam os corações na forma de uma verdade definitiva, que o seremos para sempre. Somos, pois, a semente do Infinito plantada no mais profundo de nosso ser. Tais fagulhas, significamos o primeiro instante da revelação original.

24 de abril: festa de São Fidelis Sigmaringa, Co-padroeiro de Crato

No próximo dia 24, a comunidade católica cratense lembrará o Dia de São Fidelis de Sigmaringa. Este frade capuchinho, foi escolhido por Frei Carlos Maria de Ferrara para ser o Co-padroeiro da “Missão do Miranda!”, esta o embrião da atual cidade de Crato. Sobre este grande Santo, reproduzimos abaixo excertos de um artigo escrito pelo pensador católico Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

O martírio de São Fidelis de Sigmaringa, ocorrido há 399 anos, em 24 de abril de 1622

     “Modelo de leigo e advogado católico, de religioso e de mártir, São Fidelis de Sigmaringa foi suscitado por Deus no início do século XVII para pregar uma autêntica reforma católica na Suíça alemã, e reconduzir à verdadeira Igreja os que se haviam deixado seduzir pela heresia de Calvino. O Santo nasceu em Sigmaringa, às margens do Danúbio, no Principado de Hohenzollern, Alemanha, filho de João Rey, descendente de espanhóis, de fé sólida e honestidade comprovada. Este, por suas qualidades morais e administrativas, chegou a ser escolhido para conselheiro da Corte e prefeito de sua cidade adotiva. Sua mãe chamava-se Genoveva de Rosemberg. Marcos Rey, como se chamava o menino, desde tenra idade professava entranhada devoção à Virgem e horror ao pecado, revelando formação religiosa tão profunda, que marcou toda uma vida que seria depois coroada com a palma do martírio.

      Inteligente e aplicado, Marcos fez com sucesso seus estudos na Universidade católica de Friburgo, na Suíça. De elevada estatura, bela presença, semblante sério e sereno, ele era respeitado pelos professores e admirado pelos condiscípulos que, por sua ciência e virtude o cognominaram o Filósofo Cristão. Após diplomar-se em Direito civil e canônico, Marcos aceitou o convite de alguns condiscípulos para servir-lhes de companheiro e guia numa viagem cultural por várias nações da Europa. Conhecendo diversas línguas, Marcos exerceria também a função de intérprete. Na França, o Santo aceitou os desafios de protestantes para debates em praças públicas, confundindo-os sempre. No Franco Condado ingressou na Confraria de São Jorge, cuja finalidade era a de dar sepultura aos condenados à morte.

      Estabelecendo-se depois em Colmar como advogado, teve muito êxito, e em breve adquiriu fama e clientela. O Dr. Marcos Rey, no entanto, preferia as causas dos pobres às dos ricos, para poder defendê-los gratuitamente. Em suas defesas jamais utilizou recurso algum que pudesse tisnar a honra da parte contrária. Certo dia, a Providência iria servir-se de um de seus sucessos para apartá-lo do mundo. Defendendo uma causa justíssima, fê-lo com tanta maestria, que encerrou o caso de vez. O advogado da parte contrária confidenciou-lhe então que, se ele não protelasse seus casos para ir vivendo por conta de seus clientes, acabaria morrendo de fome. Era preciso ir esticando-os às custas deles, para ter o necessário para viver.

       Essa observação interesseira e muito mundana, desgostou tanto o Santo que, como outro grande santo e famoso advogado, Santo Afonso Maria de Ligório, o Dr. Marcos Rey desiludiu-se do mundo da jurisprudência, decidindo-se a abandoná-lo de vez. Depois de fazer os exercícios espirituais, ele pediu admissão no Convento capuchinho de Friburgo. Por sugestão do Superior, recebeu antes a ordenação sacerdotal. Na festa de São Francisco de Assis de 1612, cantou sua Primeira Missa e recebeu o hábito capuchinho, trocando seu nome batismal pelo que o imortalizaria, Fidelis de Sigmaringa.

No ano de 1621, o exército austríaco invadiu a região dos grises suíços, tendo sido escolhido o Santo para capelão do exército acantonado nos arredores de Feldkirch. Uma peste atacou as tropas fazendo inúmeras vítimas. Fidelis corria de um a outro atingido, a fim de levar auxílios materiais e da Religião aos enfermos, obtendo, junto aos ricos, donativos para comprar os remédios necessários aos feridos. Recorreu para isso ao próprio Arquiduque Leopoldo, generalíssimo do exército austríaco, para socorrer os empestados. Com sua prudência e caridade apaziguou um grupo de soldados rebelados por falta de víveres.

      Ocorreu depois que, quando o Arquiduque Leopoldo recobrou certos vales do país dos grises, na Suíça, que antes lhe pertenciam, pensou em enviar para lá missionários zelosos que pregassem a fé católica, e fizessem voltar ao grêmio da Igreja os infelizes que dela se haviam apartado por causa da pregação dos calvinistas. A Congregação da Propaganda Fidei, de Roma, nomeou São Fidelis chefe dos missionários. Quem não se convenceria ouvindo esse apóstolo desafiar os ministros protestantes, fazendo cair por terra todas suas argumentações? Vendo-o caminhar com os pés nus catequizando as crianças, procurando as ovelhas desgarradas através do gelo, dos rochedos escarpados e precipícios, até o coração mais empedernido no erro sentia-se comovido.

      É claro que isso só podia suscitar ódio nos inimigos da Fé. E São Fidelis não ignorava que poderia ser morto a qualquer momento. Ele teve mesmo uma premonição sobre seu próximo martírio. Chegando ao seu conhecimento vários complôs para assassiná-lo, e querendo morrer com as armas na mão, começou a assinar: “Irmão Fidelis, que dentro em breve será pasto de vermes”.

       No dia 24 de abril de 1622, depois de celebrar, saindo da igreja, no caminho caiu nas mãos de soldados protestantes, dirigidos por um ministro da mesma seita. Na recusa de abraçar o calvinismo, respondeu: “Eu vim até vós para refutar vossos erros, e não para aceitá-los”. A esta resposta, um dos hereges desferiu-lhe um violento golpe na cabeça, lançando-o por terra. O mártir conseguiu ainda pôr-se de joelhos, e dizer: “Ó Maria, Mãe de Jesus, assisti-me neste transe!”.


Dom Pedro II, o Imperador que impressionou o mundo

   Em julho de 1877, era inaugurada em Londres, no Reino Unido, a Exibição Caxton, organizada em honra de William Caxton, que no século XV havia introduzido a imprensa na Inglaterra. Na ocasião, William Ewart Gladstone, um dos mais célebres estadistas britânicos e futuro Primeiro Ministro, fez um discurso no banquete ao qual estavam presentes a Rainha Vitória e seu filho, o Príncipe de Gales, futuro Rei Eduardo VII.

    Naquele discurso, ergueu-se o brinde protocolar – o chamado “brinde da lealdade” – à Soberana inglesa, a Rainha Vitória e ao herdeiro do Trono, futuro Rei Eduardo VII. Normalmente, nenhum outro brinde se poderia fazer; contudo, Gladstone pediu licença, dizendo estar certo da aprovação não só da Rainha e do Príncipe de Gales, mas de todos os presentes, pois desejava saudar o Imperador Dom Pedro II.

    Sua Majestade, o Imperador Pedro II – então em sua segunda viagem ao Exterior – fora um dos primeiros a visitar a Exibição Caxton, e mantivera longa palestra com Gladstone, cujo discurso foi assim resumido nos jornais do dia seguinte:

“Esse homem – e posso falar com mais liberdade por estar ele ausente – é um modelo para todos os Soberanos do mundo, pela sua dedicação e esforços em bem cumprir seus altos deveres. É um homem de notável distinção, possuidor de raras qualidades, entre as quais uma perseverança e uma capacidade hercúleas. Muitas vezes começa seu dia às quatro horas da manhã, para terminá-lo tarde da noite.
“Atualmente, essas dezoito ou vinte horas de atividade diária, ele as emprega através do mundo, e em esforços constantes para adquirir conhecimentos de todo o gênero, que saberá aproveitar no regresso à Pátria. E continuará, assim, a promover o bem-estar de seu povo. É o que chamo, senhoras e senhores, um grande, um bom Soberano, que, pelo seu procedimento no alto cargo que ocupa, é um exemplo e uma bênção para a sua raça.”

FONTE: Leopoldo Bibiano Xavier, no livro “Revivendo o Brasil-Império”. 1ª edição. São Paulo: Artpress, 1991. página 30.

 

12 abril 2021

Hora de passar o mundo a limpo - Por: Emerson Monteiro


De que adiantou saber tanto e não praticar, ou praticar pela metade. Ou não saber. Nunca se descobriu tantos mistérios, no entanto a natureza permanece a nós desconhecida nos momentos mais críticos. Há que haver uma autocrítica severa diante disso tudo que vem ocorrendo. Repensar a finalidade e o que significa existir. Rever objetivos. Crer verdades nas potencialidades que nos sobram, a fim de construir o mundo novo de que falavam os visionários. Sonhar acordado, mas exercitar o direito de sonhar de todos. Exercitar as virtudes que decantam os filósofos, os santos e profetas. Aonde foram parar os planos de viver em paz numa sociedade justa das histórias que contavam nossos avós em volta da fogueira? Por que encontrar respostas e as deixarmos de lado quis fossem apenas ficções?

Enquanto isto, as leis da natureza prosseguem inevitáveis frente às estações, senhoras de si, por vezes severas, exigentes daqueles que as utilizam ao bel-prazer das humanas vaidades. Quanta exclusividade nas classes sociais dominantes, nas imposições da força bruta que arrasta os séculos, quantos gastos em armas, em sistemas de sacrificar populações no interesse de alguns, das elites hegemônicas... Quanto descaso no exercício da honestidade, do respeito aos demais, da ganância, interesses escusos... E querer respostas diferentes daquilo que apresentam, vê-se nisso as garras afiadas da ilusão que exigem justiça inevitável no decorrer das gerações, nas muitas ciências que devíamos guardar com zelo. Nada ficará impune nos delitos praticados em detrimento da paz.

Ainda que perfeito, maravilhoso, o Universo detém, infinito, o poder das vidas em todos os sentidos. E esse mundo principia dentro de cada um de nós, no espaço restrito de um tempo em movimento. Que estamos fazendo de nós mesmos, das nossas potencialidades em favor de revelar os valores positivos de existir em harmonia com as leis da Criação, apenas os indivíduos são capazes de responder, pois as determinações da existência assim impõem. O fazer do que nos resta face ao futuro desconhecido, só os seres humanos haverão de mostrar, nestes tempos de uma sobrevivência quase que tardia.

11 abril 2021

Convicção - Por: Emerson Monteiro


Além das certezas, logo ali perto, onde existe o território franco em que impera a entrega absoluta, isto livre de outras considerações, numa firme representação do que denominam Fé. Conceito por demais elaborado nos estudos das religiões, tal seja o Amor, tal disposição do ser contém valores adquiridos no decorrer das existências. Bem quando os conceitos das verdades várias deixam cair por terra os princípios só intelectuais, há que se adentrar o âmbito desse mecanismo guardado a sete chaves nos mistérios da consciência mãe. Reunir, assim, tudo enquanto vivência e valores, e mergulhar de corpo e alma no universo inesgotável da crença numa verdade única, indizível, insofismável, depois das considerações dos povos, tempos e costumes. Adiantar nos séculos e milênios e conhecer a claridade do poder divino.

Nisto impera o silêncio das horas, mares de infinitudes, sonhos de paz, ausência de preconceitos, divisões, obstáculos que sejam... Apenas a serenidade dos deuses na fronte das criaturas, passados que foram tempos de solidão e desventura. Novas florestas de esperança, desejos de serenidade, olhos de transcorrer as alturas e obter meios de cruzar os abismos mais profundos. A força plena do ânimo que sacode as bases da indiferença e impõe urgência de acalmar os pensamentos frívolos. Voos siderais às plagas celestes de que somos herdeiros e viventes.

Quantos disso necessitam, porém deparam laços de dúvida, amarguram intransigências da matéria, padecem a fome das alturas sem, no entanto, elevar aos céus o ímpeto das dores em princípio de vitória. Mesmo que limitada, a nossa humanidade atravessa, ardorosa e vadia, essa barreira do som das circunstâncias, por vezes longe de conhecer a que veio aqui. São gerações sucessivas de aprendizado pelas escolas deste mundo. Ardorosos aprendizes dos tantos sinais, contudo meros serviçais de sortes incertas, instrumentos de marcos ilusórios, transpiram necessidades desta condição dos entes fieis, heróis de novas danças e lúcidos donatários da Eternidade.

09 abril 2021

As portas da ilusão - Por: Emerson Monteiro


Largas, imensas, rasgam as vistas... Escancaradas bem na margem dos passos dessas criaturas humanas, por via do pensamento vacilado, torna-os meros escravos de si mesmos, entregues às ganas dispersas da ilusão entontecida, imprudente, das longas noites de loucura, vastos campos de amargas visões, dorsos amolados na fraqueza daquelas almas inebriadas de alucinadas perdições, dromedários dos vícios e das sombras.

Foram, pois, muitas daquelas horas de coragem às avessas, nas aventuras de abelhas de fastios exasperados, longas filas de zumbis lançados aos universos inexistentes, pecados de religiões invertidas e à toa, no tempo e no espaço fugido, ao longo das patas daqueles animais enfurecidos no deserto.

E pensar que a morte não é o fim, só um novo recomeço. Regras imortais das calandras desse mundo de surpresas, viemos aqui tão apenas experimentar viver e aprender, reconhecer as tantas oportunidades na aplicação do fenômeno vida, instrumentos de elaboração da consciência que o somos e seremos sempre. Nesse dizer, resta aprender, guardar o definitivo das luzes que percorrem o firmamento, experimentos de segredos tenebrosos.

Insistir em renunciar a tudo isso na intenção dos acertos, construir novos seres e salvação no íntimo da criatura em crescimento espiritual, foi assim e será o ofício da natureza, no coração de todos nós. Aprendizes do destino, talhamos vencer a ilusão num esforço necessário à libertação que nos aguarda mais dia menos dia.

Conquanto ainda em aprimoramento, no entanto seres de poderes incríveis, na força suprema de criar o painel das histórias individuais, qual função inevitável, no gesto de existir nas dobras do tempo onde habitamos. Senhores desta possibilidade às nossas mãos, construímos o futuro ao sabor do presente. Somamos força ao poder infinito dos mistérios, e dormimos no seio do Eterno quais minúsculas partículas da perfeição de que já somos dotados.

Esperança Renovada – por José Luís Lira (*)

      Esta semana da oitava ou primeira semana da Páscoa começou com a esperança de dias melhores. Pelo novo decreto municipal emitido pelo Prefeito de Sobral, Ivo Gomes, autorizou-se a retomada de algumas atividades, contempladas no decreto estadual, entre as quais o setor de construção civil. E nisto muito nos animamos pela possibilidade de reinício da restauração do Museu Diocesano Dom José, já septuagenário. Por conta disso voltei a Sobral e revi essa terra tão amada. Não fiz um tour, apenas fui aos locais que precisei ir. Sobral é uma cidade viva. Gostamos dela. Vivemos n’ela. A força que nos move nestes tempos é a esperança. Vemos os esforços das autoridades municipais e estaduais para proteger a VIDA. Outro dia me questionaram sobre uma possível “violação” ao direito de ir-e-vir e eu respondi – como responderia em qualquer ocasião –, que o direito à vida é maior. O choque de princípios constitucionais é sempre solucionado com ponderação e com o princípio da proporcionalidade. De que adianta eu ter o direito de ir-e-vir se enquanto usufruo ponho minha vida em risco e posso pôr a vida do outro também em risco. É preciso prudência e proporcionalidade que rima com humanidade, humildade etc. Não estamos confortavelmente livres dessa situação. Mas, vamos torcer e oferecer nosso contributo, mantendo o isolamento.

     Última quinta-feira o dia inspirou saudade porque foi o 11° mês de falecimento de minha amada Matusahila. É uma saudade tão grande que nosso conforto é saber que ela está na glória de Deus e a Deus a confiamos. Mas, nesse mesmo dia houve também alegrias. Acompanhei meu pai, dentro de sua faixa de idade, na vacinação dele contra a covid-19 e penso que na próxima semana será a vez de minha mãe, com a graça de Deus. E neste mesmo dia retornei à sala de aula como aluno, mesmo após mestrado, doutorado e pós-doutorado para uma Pós-Graduação em Direito, dessa vez em Direito Canônico, matéria que muito aprecio. Uma turma bem dedicada e preparada. Fiquei muito feliz participar. O público é mais de padres e religiosos(as), mas, temos leigos também, entre os quais me situo. Quando acolhi o convite, primeiro foi porque aprecio muito o tema; segundo porque é oportunidade de requalificação e a disciplina se envolve com as que leciono. O Curso é oferecido pelo Instituto de Estudos Superiores do Maranhão – Faculdade Católica. E se o magistério é um sacerdócio e o bom pastor, lembrando o Papa Francisco, é aquele que sofre a dor das ovelhas junto a elas, é muito interessante a nós, professores, que estamos vivendo esses tempos, passarmos para o lado do aluno que assiste aulas remotas. A experiência é sempre válida e se pode compreender melhor as limitações dos alunos nesse contexto sendo, também, aluno. 

     Falando em Papa Francisco, sua mensagem de esperança continua a ecoar do Vaticano para o mundo e no último domingo ele concedeu a bênção urbi et orbe (da cidade para o mundo). Sua imagem de pastor solidário com a dor das ovelhas, reitero, representa o maior estadista deste tempo de pandemia. A história fará o registro. E, confiando em Deus, aguardemos o dia em que venceremos essa etapa, com o abraço da paz nas Celebrações em Ação de Graças que será mais intenso. 

      Deus nos proteja

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


06 abril 2021

O rei de cada barriga - Por: Emerson Monteiro


Nesses tempos que é de guerra e paz, dormentes e impávidos lá vão eles, os donos do poder de tudo, ou nada. Umas, vestais de credos desconhecidos; outras, senhoras dos ares e dos mares. Que vale dizer tangem os rebanhos das consciências nas trilhas das lendas. Claro que existem os menos inúteis, no entanto que carregam consigo do pouco que juntaram das tralhas dos vagões. Olhos acesos nas sombras do que deveriam carregar, esquecem o peso e transportam multidão de ilusões em forma do vazio que significam viver. Sóis e luas, arrastam cruzes e matulões de vaidades soltas, cacarecos da ansiedade, das dores atrozes do desespero, de amanhã, de horas desejadas de ambições perdidas. Eles, muitos, bichos de lata e cavaleiros da solidão.

Isso bem dos tempos quando as amarras dos navios começavam a virar fiapos de lã num mar de vícios. E as luzes do alvorecer pedem mais sinceridade às criaturas, estas peças de reposição do destino cheias de certezas artificiais e cicatrizes de combates que nunca aconteceram dentro de si. Apenas saltimbancos doutros filmes jogados à lama dos séculos, à lata de lixo da história. Neles, que as esperanças viraram feras sem dentes e lâminas de papel toalha. Quase isso, de alimentar o firmamento de seres destinados a outros planetas vindos bem de longe, certo dia, à cata dos seus habitantes.

Fôssemos recorrer aos sonhos da ficção, diríamos só que já atravessamos o lodaçal dos resultados aqui plantados no decorrer das civilizações, conquanto aguardamos nova fase de alegria e uma coletividade fraterna, fruto do que até agora aprendemos a ferro e fogo. Nada, porém, foi para sempre, se assim o será nalgum momento perante as ilusões de um chão de tanta fantasia. Há que haver, por isto, solo fértil de verdades absolutas, oportunidades da visão plena e dos valores eternos, que persistem acesos em nossos corações.

NESTES TEMPOS DE DOR E PERPLEXIDADE PELA PANDEMIA DO VÍRUS CHINÊS

 Em meio à mediocridade – com raríssimas exceções – dos políticos brasileiros, leiam abaixo a mensagem do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança – este sim, um verdadeiro estadista! São palavras elevadas, frutos do equilíbrio, sensatez, serenidade e sensibilidade de Dom Luiz.. 


MENSAGEM DO CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASIL


    Meus muito caros brasileiros,

    No dia 1º de abril de 2020, quando os graves efeitos da pandemia do novo coronavírus apenas começavam a ser sentidos em nosso País, julguei ser de meu dever, como Chefe da Casa Imperial do Brasil, dirigir-lhes palavras de Fé, esperança e caridade. Passado um ano desde aquela comunicação, acredito ser oportuno revisitar os pontos ali levantados, à luz da experiência obtida desde então.

    Com profunda consternação, quero, antes de tudo, lamentar a perda irreparável de 321.515 vidas colhidas neste período no Brasil, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. Rogo a Deus Nosso Senhor, por intermédio da Santíssima Virgem, pelo eterno repouso dessas almas, e ofereço orações e solidariedade, em meu próprio nome e em nome de toda a Família Imperial, às famílias enlutadas e àqueles que vêm sofrendo, direta ou indiretamente, em função da crise sanitária.

    De outra parte, não posso deixar de comemorar o fato de mais de 11 milhões de nossos compatrícios – dentre os quais alguns de meus próprios irmãos, cunhadas e sobrinhos – terem superado a moléstia. Apesar dos problemas e das dificuldades por todos nós bem conhecidos, pode-se afirmar que o Brasil tem enfrentado esta verdadeira guerra, travada não em trincheiras, mas sim em leitos hospitalares, da qual pelo favor de Deus, e pelo valor de seus filhos, há de sair vitorioso.

    Neste sentido, devemos louvar o devotamento incansável de nossos cientistas, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que, com não pequeno risco para suas próprias vidas, têm se empenhado no combate e tratamento da doença; o trabalho e o sacrifício desses profissionais – assim como os dos chamados “trabalhadores essenciais”, que, a bem dizer, mantêm o País funcionando durante a calamidade – será sempre digno de toda a nossa admiração e reconhecimento.

    Convencido como estou de que o fim do flagelo não tardará, conclamo as Autoridades Constituídas em nível federal, estadual e municipal a deixarem de lado quaisquer discordâncias políticas e cooperarem, segundo suas legítimas atribuições, neste já dolorido esforço em prol da saúde do povo brasileiro. Recomendo-lhes ainda olhar com particular atenção a aflição de médios e pequenos empresários, profissionais liberais, autônomos, bem como os trabalhadores em geral e suas famílias, duramente atingidos pela crise econômica resultante da pandemia; o Brasil é lar de uma gente generosa, laboriosa e inovadora, que saberá superar mais esta crise, fazendo uso dos recursos com os quais nos dotou largamente a Divina Providência.

    Agora, uma vez mais, como católico, sinto ser necessário externar minha angústia ante a nova ameaça de fechamento das portas das Igrejas do Deus único e verdadeiro, privando tantos e tantos brasileiros de receberem os Sacramentos da Confissão e da Sagrada Comunhão e, mais grave ainda, levando muitos a falecer sem a Unção dos Enfermos.

    A prática da Religião é fator preponderante para a saúde psíquica de um povo, de modo que renovo aqui o meu respeitoso apelo aos membros do Clero para que – neste momento em que, com razão, preocupamo-nos com a saúde do corpo – não deixem de cuidar da saúde das almas e da salvação eterna de nossos irmãos, como tantos Santos o fizeram por ocasião das pestes que assolaram as nações no passado. E inspirado na Fé que moveu aqueles Santos, animou os mártires e ergueu a Civilização Cristã, convido todos à oração e à penitência.

    Por fim, dirigindo-me de modo particular aos sempre leais monarquistas, quero agradecer-lhes pelo exemplo de amor acendrado à Pátria, de solidariedade e de busca do bem comum que souberam dar ao longo do último ano.

    Na cuidadosa observância das necessárias medidas de resguardo, tem sido possível realizarmos pequenas reuniões, com número limitado de atendentes. Contudo, permanece minha orientação para que, por ora, Encontros Monárquicos e reuniões correlatas de maior porte permaneçam sendo realizados sob o formato de videoconferência, deixando que o uso sadio da tecnologia moderna transponha as vastidões geográficas de nosso rico País de dimensões continentais. Tanto quanto for possível, não faltará a essas beneficiosas conferências o concurso de meus imediatos herdeiros dinásticos, os irmãos Dom Bertrand e Dom Antônio e os jovens sobrinhos Dom Rafael e Dona Maria Gabriela.

Tenhamos em mente que o impedimento é momentâneo, e que muito em breve poderemos comemorar, todos juntos, o Bicentenário da Independência do Brasil, em 2022.

    Encerro esta comunicação da mesma forma que fiz há um ano: rogando a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, que leve consolo às famílias enlutadas, alento aos enfermos e que abençoe e proteja esta Terra de Santa Cruz, a Ela consagrada por meu tetravô, o Imperador Dom Pedro I, por ocasião do Grito do Ipiranga.

São Paulo, 1º de abril de 2021.

Dom Luiz de Orleans e Bragança

Chefe da Casa Imperial do Brasil




05 abril 2021

A lenda da Pedra da Batateira - Por: Emerson Monteiro


Eis o título do livro de Fátima Teles, que traz por subtítulo Uma história do Cariri, há pouco lançado, contendo ilustrações de João Alves, numa confecção gráfica da Premius Editora, de Fortaleza CE, 2020. Obra de cunho etnográfico, aborda em detalhes o mito maior da região do Cariri cearense, narrativa esta por demais conhecida, segundo a tradição, fruto dos tempos da colonização portuguesa. A autora desenvolve o tema distendendo sua narrativa em estilo prosaico e cordial, qual de uma avó, Dona Maricotinha, que conta aos netos esses feitos de quando os índios foram daqui expulsos de suas terras em nome do progresso e da civilização europeia. Resultado disso, esses tempos de agora e suas características profanas industriais.

A autora, no entanto, distende sua proposta a eras mais remotas, tratando do período Cretáceo, que bem caracteriza esta parte de mundo da Era Mesozóica, de quando surgiram as flores na Terra, enfocando, com isso, detalhes da nossa paleontologia regional, exaustivamente estudada, que marca presença nos anais acadêmicos. Vê, em paralelo, o aspecto ecológico conservacionista, por sermos detentores da primeira floresta nacional do Brasil, a Floresta Nacional do Araripe.

Assim, ao momento em que a escritora Maria de Fátima Araújo Teles, neta do emérito educador de Brejo Santo, Professor José Teles, nos conduz pelo universo da cultura original do povo e suas lendas, a publicação evidencia o talento de João Alves de Queiroz Neto, jovem desenhista que revela talento e criatividade neste livro que mereceu a revisão de Cleide Souza Teles, equipe esta que vem, com esta obra, enriquecer nossos acervos e aprofundar os conhecimentos de tradição rica e surpreendente, patrimônio, agora, também das novas gerações.

04 abril 2021

Aos olhos da noite - Por: Emerson Monteiro


Desde quando, lá adiante no céu do poente, o Sol esquece um dos lados da serra, nesse exato momento nasceu a noite, manto de negrume desenhado de estrelas. Bem ali, nas dobras do silêncio da natureza, outra realidade principia. Assim também nas pessoas, exames mais profundos da condição humana arma laços de busca lá dentro. Quais reflexos de si mesmos, caçam mistérios e respostas aos enigmas na Criação que vivem nas entranhas desses mundos que o somos. Saber de nós, das sombras que envolvem a compreensão de tudo, querer conhecer do que nos resta. Desvendar as histórias que acontecem e quase nem as dominamos. Pedaços de pessoas largadas no extremo de todo dia. As graves perguntas dessa existência que vêm mais fortes nessa hora.

Espécie de fantasmas da própria consciência, esses hominídeos vagueiam nas sombras à cata de reaver o que o dia os levou a deixar vidas que se consomem no furor do tempo. Fitam o vazio da compreensão e querem descobrir a que vieram, tais escravos de senhores esquecidos nas sombras que chegam.

A humanidade atravessa, pois, tempos tais, de tantas e largas indagações, porém certezas desconhecidas que lhes escapam à fome de saber. Marcas e filamentos dos lençóis esquisitos que os dominam, feitos fragmentos inúteis, lançados ao solo nas sementes e criaturas numa velocidade inevitável, nessa fase da história.

Qual manto de severa culpa, movem as estatísticas os números dos que se foram, aumentando inexplicavelmente novas perguntas, preenchendo o teto das condições deste chão. Vorazes senhores da transformação dos seres em objetos, seguem seu curso independente da ciência desses homens. Ninguém quer sumir de repente, no entanto aumentam os números ausentes, numa fase que já demora passar. De tão distantes e tão perto, a escuridão desses dias lembra as sombras noturnas que invadem a Terra, e os homens fixam no horizonte a sede do desejo de uma vida longa, saudável.

(Ilustração: Noite estrelada, de Vincent van Gogh).