02 março 2021

O pião do Tempo - Por: Emerson Monteiro


Os dervixes rodopiantes, também chamados de 
mevledi, receberam esse nome de seu fundador, o místico sufi Vevlâna Celaleddin Rumi. Rumi foi um dos mais importantes pensadores do misticismo turco-islâmico. A cerimônia dos dervixes rodopiantes é chamada de Sema e vem se realizando desde a morte do místico, em 1273. Menphis Tours

A propósito desses místicos turco-islâmicos que rodopiam, os vi, certa vez, numa das Mostra SESC de Artes, realizada há uns dez anos, evento este verificado na Praça da Sé, em Crato. Dentre as movimentações daquela tarde, essa apresentação de um desses dervixes girantes me causou admiração, num desempenho que duraria por volta de 35 minutos de volteios ininterruptos. Sempre quisera conhecer algo assim, desses dançarinos religiosos do Oriente. 

Nos estudos psicológicos, existe o conceito de que vivemos à busca do nosso centro, da nossa essência primordial, pressuposto que leva a considerar o corpo qual instrumento que propicia esta evolução individual até o encontro definitivo com esse foco central, a nos trazer no equilíbrio do Si Mesmo e no Universo em nós.

Segundo pesquisas meteorológicas, o centro dos furacões é região de calmaria, em contrate com o intenso movimento em volta. Também os seres humanos podem achar esse ponto geodésico dentro da consciência e desenvolver, deste modo, graus elevados de percepção. 

No Zen Budismo, isto é definido como o Ponto de Quietude. Até encontrar a essência fundamental da evolução, ocorrerá existir o Tempo, nexo condutor da movimentação em que vagamos soltos pelo espaço da mente, do jeito que fazem os furacões em torno do próprio eixo. Força descomunal que a tudo perpassa, o Tempo move em si a realidade, contudo sem dela fazer parte integrante, porquanto flui e refluem os fenômenos, porém neles não permanece, dando nítida a impressão de que quem passa somos nós, os indivíduos, os seres e os objetos; no entanto jamais esgotará a sua função determinante, fio condutor de todas as existências e fator por demais intocável das ocorrências. 

Bem definidora essa abordagem do valor que tem o Tempo de permanecer além dos acontecimentos os quais sustenta, ser manifesto da Natureza, senhor de poder absoluto, raiz de existências e inexistências, a matriz da Eternidade... 


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