05 março 2021

Graça do Rio, de Fernando Ferraz– José Luís Lira (*)

  

   Fernando Basto Ferraz, piauiense de nascimento e cearense por adoção é conhecido no meio acadêmico como advogado, jurista, professor universitário, poeta e memorialista. Além do mais é um excelente marido, pai, avô e amigo, do que falo com cátedra. Nos conhecemos há quase quatro anos, mas, parecemos amigos de infância.  

    Foi sua avó, Edméa Memória Ferraz, que nos apresentou, mesmo depois que já habitava o plano eterno. Disposto a escrever a história dos avós paternos, Edméa Memória e Raimundo Ferraz Filho, veio a Guaraciaba do Norte, outrora Campo Grande, pesquisar sobre a avó e o então pároco de Guaraciaba do Norte, Frei Miguel Peralta, lhe recomendou me procurar. 

    Ele vinha acompanhado de Cláudia, sua mulher. Vieram à casa dos meus pais, onde não me encontraram. Deixaram (uso o verbo no plural porque fiquei amigo de Ferraz e Cláudia que ficaram amigos, também, de minha querida e inesquecível Matusahila) “Folia das Letras” e um bilhete do qual destaco: “Estou escrevendo um livro sobre a história de vida de meus avós. Gostaria muito de falar com Você”. Era 31 de outubro de 2017.  

    Dia seguinte, festa de Todos os Santos, eu cheguei de Sobral a Guaraciaba do Norte. Deparei-me com o livro e a carta que li logo, folheei o livro e deixei para após o almoço para lê-lo e ligar ao autor para agradecer, quando fui surpreendido por sua ligação e daí surgiu nossa amizade. 

    Pois bem, no dia que recebi a notícia da revalidação do meu título de doutor em Direito pela PUC-SP, comuniquei com alegria ao Ferraz. Para brindar o recebimento do título, marcamos um encontro, mas, por conta da pandemia, não deu certo. Mas, ele deixou no Hotel em que me hospedo em Fortaleza desde que Matusahila partiu, um presente, literalmente presente. Seu romance de estreia: Graça do Rio. Imprece: 2021. Sinceramente, tão logo retornei foram muitas atividades e não tive tempo de ler, mas, em um dia ininterrupto concluí a leitura.  

     O romance deixa-nos pensar que é regional, pelas expressões da personagem principal e de outras pessoas que não tiveram oportunidade de se alfabetizar. É investigativo pela personagem Michele que une passado e futuro de uma história de amor. É a bisneta de Graça, Gracinha, com Antenor Júnior. É a história de amor deste casal a força motriz do romance que se entrelaça passado e presente. Teve horas que tive que voltar na leitura para compreender melhor o que se passava.  

    Toda a narrativa apresenta mulheres fortes, determinadas e fiquei desconfiado que essa fortaleza e senso de justiça são da avó de Fernando, Edméa, mas, é apenas dedução. Romancista normalmente não revela sua fonte de inspiração. O romance de Ferraz, ambientado em Parnaíba, Fortaleza, São Paulo, Fortaleza e Parnaíba novamente, concluindo-se em São Paulo, tem conteúdo para uma novela, uma série e possui matéria para mais uns dois romances, fechando, assim, uma trilogia. Pois que no final vemos que Michele já em São Paulo, voltará à Parnaíba e há indícios de um novo amor no ar, o que nos faz, muito próximos de ver novo romance. Também eu voltarei àquela terra tão querida, visto que conheci a “Metrópole das Províncias do Norte”, por meio de Ferraz, a quem parabenizo e aguardo, ansioso, a continuidade.  

     Ao leitor, recomendo a leitura de “Graça do Rio”! 

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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