04 fevereiro 2021

Nessas tardes azuis - Por: Emerson Monteiro


Frutos de um desejo persistente, sem fim, de real felicidade, vamos aqui aos sóis de tantas luzes, quando esta fome de viver nos arrastar vidas adiante. Passos entre o crivo da ilusão e a vontade por vezes inútil de encontrar o céu, cabe resistir, pois, a todo custo face dos ditames do vazio que persegue as noites mais escuras das vilas esquecidas. Os quadros das horas que se foram regressam insistentes cheios das notas musicais que vagavam soltas pelo ar e chegavam fortes ao coração. Vozes quase gritos pedem socorro a si mesmas, na ânsia de dominar o movimento incessante das pulsações, fatalidades e destinos. Vêm de dentro da alma quais de calabouços imaginários. Sobem às bordas do firmamento e clamam veementes que lhes deem ouvidos, escutem as velhas cantigas do presente em chamas, vozes dessa oração de graves perguntas e poucas ou nenhumas respostas da humanidade extática. Só falas de almas penadas a deslizar nas telas do pensamento e virar dores no peito a meio palmo dos longos suspiros de saudade.

Horas cadenciadas ao sabor dos fiapos dessas palavras que escorrem pela boca do sentimento e refazem de lama as trilhas doutras histórias; passam ao largo feitos pequenos roedores soltos nas planícies de antigamente. Furor de existir a todo custo, querer vencer a guerra do desaparecimento e contar que tudo viveu ao clarão das fogueiras iluminadas. Reflexos de quantos dias feitos ausência, viagens noutras terras de outros filmes que repousam guardados na memória e voltam sempre, perante o instinto de sobreviver a tudo. Força descomunal da existência que ainda mantém aceso o tempo nas criaturas que haverão de concretizar qualquer sentido, mesmo que hoje de pureza inalcançável. 

Frações de segundos sustentam essa esperança de controlar o infinito da consciência, e nisso fincar as unhas na carne deste mundo em que percorrem as florestas do Sol. Duendes audazes olham os próprios olhos e vislumbram a montanha encantada de que disseram lá um dia. Sabem ser ali em que vivem os tais senhores da esperada Felicidade, e exaustos adormecem outra vez à sombra dos amores ausentes. 

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza - Juazeiro do Norte CE).

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