12 fevereiro 2021

É Carnaval? e a Quaresma? – José Luís Lira (*)

 

     “Quanto riso, oh, quanta alegria!/ Mais de mil palhaços no salão/ Arlequim está chorando/ Pelo amor da Colombina/ No meio da multidão”, os versos dos cariocas Zé Keti e Pereira Matos (1967), este ano de 2021 ficarão só na lembrança. Fazendo trocadilho com a marchinha do ano seguinte, 1968, de Paulo Sette e Umberto Silva, vemos um recado para este ano e uma esperança para 2022: “Este não ano vai ser/ Igual aquele que passou”... Ano passado houve comemoração que rima com aglomeração. Este ano ficaremos em nossos lares e se assim fizermos podemos manter a esperança de normalidade no próximo ano.

      As origens do carnaval são diversas e nesses dias, em tempos comuns, o País para. Uns dizem que na Babilônia, na Grécia e na Roma da antiguidade, já havia algo comemorativo. O carnaval surgiu no Brasil de modo simples, sutil. No período colonial os escravos faziam a festa. Depois foi crescendo e tomando corpo, passando pelo período belo das marchinhas de carnaval que se inicia com a composição de 1899 de Chiquinha Gonzaga, intitulada “Ó Abre Alas”. E as dimensões atuais são tamanhas que fazem todo esse “reboliço”.  Neste 2021, um vírus terrível nos assombra e nos faz ficar em casa ou naquelas atividades essenciais. 

     Escrevo esta coluna numa quinta-feira, véspera da sexta-feira em que antecede o carnaval que se deseja sem aglomerações, para o bem de todos. A rodoviária de Sobral está fechada. E fazer o quê? A vida é o bem essencial e para protegê-la tudo é válido. O registro que faço é para que a posteridade conheça que o passamos. E recorro de novo a Paulo Sette e Umberto Silva para quando o próximo carnaval chegar, embora que eu nesunca tenha sido bom folião, mas, quando do carnaval deste ano falarmos, vamos dizer: “Eu não brinquei/ Você também não brincou/ Aquela fantasia que eu comprei/ Ficou guardada e a sua também/ Ficou pendurada”, “Mas este ano está combinado/ Nós vamos brincar...”, serão “... três dias de folia e brincadeira”. E voltando a Zé Keti, diremos, “Foi bom te ver outra vez/ Tá fazendo um ano/ Foi no carnaval que passou”... “Eu quero matar a saudade/ Vou beijar-te agora/ Não me leve a mal/ Hoje é carnaval”.

      Este ano o Carnaval, palavra originária do latim, carnis levale, significando retirar a carne, não terá festas, desfiles e aglomerações. As casas de praia e de serra não receberão inúmeros convidados. Ficaremos reservados. É que as autoridades nos recomendam e, no momento, se constitui necessidade vital. Portanto, este carnaval se aproxima muito mais do período que viveremos na sequência, a Quaresma, com início na Quarta-Feira de Cinzas. Há uma grande simbologia nos 40 dias da Quaresma (que a bem da verdade são mais que 40, pois, o dia festivo do Senhor, domingo, não é contado). Remetem-nos aos 40 anos de caminhada dos hebreus do Egito à Terra Prometida; aos 40 dias que Jesus jejuou no deserto. 

      Após esses 40 dias que se seguem ao carnaval, teremos a Semana Santa que culmina com a Páscoa Cristã, no primeiro domingo após a primeira lua cheia do outono do hemisfério norte. A Quaresma é a preparação para a Páscoa do Senhor Jesus, momento de triunfo da vida eterna sobre a morte humana. Que nesta Páscoa ao celebrarmos a Ressurreição de Jesus, tenhamos o fim da pandemia!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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