26 fevereiro 2021

De poeta para poeta santo: São Francisco de Assis por Augusto de Lima – José Luís Lira (*)


    Em dezembro, encaminhei um cartão personalizado de feliz ano de 2021 ao nobre irmão na Nobre e Pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, Comendador Aristóteles Drummond. O nobre Comendador e conceituado jornalista me pediu o endereço. Dias depois recebi livro de seu bisavô, de quem seu avô, Augusto de Lima Júnior, herdara o nome. É “São Francisco de Assis: Poemas”, edição da Academia Brasileira de Letras, 3ª edição, 2000, organizada por Aristóteles Drummond, com introdução de Augusto de Lima Júnior. O autor, Augusto de Lima, imortal da Academia Brasileira de Letras e presidente da ABL de 1927 a 1928, tece uma bela biografia de São Francisco na riqueza poética de que era possuidor.

     Vejamos pequenos extratos colhidos do livro que se inicia com a alegria perfeita e lemos: “O caminho era estreito; a tarde era de inverno, / caía a neve; era chão lama; açoite o vento” e Frei Leão ouve do pai fundador se de dor padecer, “abençoarmos nela/ um reflexo da Dor de Cristo na Paixão,.../ que em toda a parte, em todo tempo, noite e dia,/ é nessa dor que existe a perfeita alegria”. Contemplamos em “Santa Maria dos Anjos/ da capelinha florida,/ onde floresce o perdão,/ dobrando o sino, convida/ os descontentes da vida/ a vir chorar na oração. ... Santa Maria dos Anjos!/ lá no recinto se ouvia,/ um coro de anjos cantar.../ Cantavam: ‘Santa Maria...’/ enquanto Francisco via/ aberto o céu sobre o altar”. E a arte poética de Augusto de Lima torna mais belo o diálogo de Francisco com “O Crucifixo de São Damião”: pede o santo, “— Em vossa piedade./ concedei-me uma Fé pura,/ uma Esperança segura/ e uma ardente Caridade.” E o Santo ouve: “Então, na Fé pura,/ na esperança do Céu, no ardor da Caridade,/ pôde escutar, enfim, a palavra divina/ baixar do Crucifixo, insinuante e clara:/ — Vai Francisco e repara/ a minha casa, que ameaça ruína”.

      Lima exalta o divino abandono e a dor da solidão experimentada pelo Salvador e por seu fiel imitador, Francisco. Mostra a humildade de Francisco; a Ordem Terceira; o sermão aos pássaros feito pelo poeta e cavaleiro Francisco, chamado a retomar “a aventurosa espada/ Poeta, empunha de novo a lira...”, mas, o santo segue “Jardineiro de Deus!”, lembrando que “Deus fez do Pobrezinho um divino instrumento” e quase finalizando, emociona o leitor: “Fecham-se, enfim, os lábios do Cantor.”/ “Há um silêncio profundo em derredor./ Desce o luto da noite./ Abre-se o Eterno Dia,/ em que, do amor de Deus, na perfeita alegria,/ desfeito da alma o véu,/ o serafim de Assis voou, cantando, ao Céu”. Nosso espaço é pequeno para comentarmos obra tão completa em pequeno volume. Em notas de apresentação, introdução e na quarta capa, Aristóteles Drummond, Augusto Lima Júnior e Antônio Olinto dão suas impressões sobre o clássico livro. Mas, não posso deixar de comentar o “Depoimento de Uma Conversão”. Num só relato vemos vários milagres de Santa Teresinha do Menino Jesus. Não fosse ela canonizada à época, poder-se-ia dizer que o relato seria milagre digno de colocar a freira francesa nos altares católicos. E a conversão foi firme, pois, que o relato é de 1925 e em 1930 vem a lume a primeira edição, que já consegui num sebo virtual e estou aguardando a entrega.

      Recomendo ao leitor, agradeço ao Dr. Aristóteles e dou graças a Deus por tão edificante obra: Louvado Seja Deus!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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