31 janeiro 2021

A leveza dos corações em festa - Por: Emerson Monteiro


Às vezes, me pergunto que sentido há em tudo, a que esse tudo propõe diante da eternidade das existências. Isso que representa a justificativa dos elementos em ação, a causa do movimento intermitente de estarmos aqui, enfim. Isto de que o juízo reclama de explicação. O princípio e o fim, sequência natural de acontecimentos. Espécie de tambor incansável ressoa no coração; no cérebro, circuitos elétricos de corrente contínua registram, sem cessar, o conhecimento; pensamentos persistem resistentes na visão cinematográfica a que, por certo, existem e existimos, dentro e fora do mistério das formas e cores, sombra e luz; o porquê e o por quê dessas funções nas quais somos atores, aprendizes e expectadores...

Espécies que se alimentam do próprio voo, tangemos passos nessa estrada feitos rebanhos que assim o seremos, de uma só família, talvez inocentes, insistentes, fieis de credos mil, no entanto aqui, olhos postos na cena posterior, incansáveis e uteis de realizações que somem à medida de um tempo que nunca passa e nunca para de passar. 

Nisso, a força inevitável deste poder sem par que sustenta os barrancos do firmamento, damos nosso jeito de aguardar sempre a alegria de estar vivos na próxima cena imaginária. Buscamos inevitavelmente ser felizes, pois alimentamos o desejo mais forte do sucesso naquilo que queremos e sonhamos do melhor a todo instante. Máquinas exóticas de uma criação sofisticada, tocamos em frente essa história da qual fazemos parte, todavia artesões de tapetes silenciosos ainda longe de conhecermos suas reais finalidades, nestes céus ilimitados.

Barcos livres na correnteza da sorte, abraçamos as horas e nos acreditamos autores de nossos próprios destinos. Ah, esquecemos o desconhecido que rege a orquestra que trazemos guardado nalgum lugar de nós mesmos o sol, anônimos personagens de nossos dias de viver, conviver com isso que agora bem representa o que caberia exercer sob o manto deste Ser que tece harmonioso seu segredo e avalia os resultados do que fazemos de nossas almas livres, na peleja inevitável de um dia despertar noutro universo de absoluta perfeição.


30 janeiro 2021

Fideralina Augusto Lima - Por: Rejane Monteiro


Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso, sem dúvida, é o livro. Os demais são extensões de seu corpo. O microscópio, o telescópio, são extensões de sua vista; o telefone é extensão da voz; depois temos o arado e a espada, extensões de seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação
. (BORGES, 2011, p.11)

Distante, até onde minha mente alcança, vejo o seu olhar sisudo e irrequieto, um sorriso pequeno e triste. Vestido comprido, xale com franjas sobre os ombros, sentada numa cadeira de balanço no alpendre do Tatu. Bacamarte do lado e um outro adiante, no peitoril da janela. Fogueira ardendo no terreiro, um pouco distante da casa, iluminando desde os menores movimentos dos cabras armados, com cartucheiras atravessadas ao peito, ao dos negros escravos que procuravam abrigo na senzala. Ali faltava Ildefonso, há pouco tempo falecido. "Ali estavam seus doze filhos, os mais velhos com 23 e 22 anos de idade e os menores com 6 e 8 anos" (CEARÁ, 1877). Ali, o alvoroço de pensamentos, planos e incertezas, a sacudirem a paz e o silêncio de Fideralina.

Difícil imaginar a nova face do seu ego em eclosão, até então latente. Como animal acuado, que rompe a corrente que o prende, tem ânsia de luta, tem garra, tem coragem para enfrentar a situação que a surpreende. Tem visão e sensibilidade. Mãe e educadora exemplar, prega aos filhos o respeito e o acatamento às determinações, que deveriam nortear sua conduta. Projeta-se neles, mantendo-os nos melhores colégios e cursando a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, filho e neto, enquanto inicia os menores nos bancos da escola na vila e cidade de Lavras. Elege-os deputado provincial, deputado federal e deputado estadual. Reveste-se de mulher política. Destaca-se no cenário do Estado por influência do voto dos comandados, que alimenta seu prestígio no Governo, fortalecendo a liderança política em Lavras e no centro-sul do Ceará. Os chefes dos municípios, seus pares, "andando sempre armados, vários deles, onde quer que estivessem ou aonde quer que fossem, acompanhavam-se de cabras, igualmente armados, para os quais, nas próprias residências dos coronéis, havia dependências reservadas" (MACEDO, J., 1990, p. 37)  "Como verdadeira coronela do sertão, tinha que andar armada e protegida por gente guerreira. Também, devia dispor de um arsenal de armas e grande quantidade de munição" (PAIVA, 2008, p. 71).  Assim, reina no grande feudo que recebera de herança do pai e do marido, conseguindo manter-se no poder político por força das armas. Punhal e bacamarte, extensões do seu braço, sabia usá-los, para defesa, como ninguém. Leal com os amigos, impiedosa com os inimigos, imprime deferência e autoridade, gozando da confiança dos influentes e poderosos coronéis. Em seus embates, sucessivas vitórias. Não viu o fim da oligarquia que implantou, por sinal, uma das mais duradouras do Ceará. Desse modo, "não entrou na História por grandes desafios e conquistas em tempo curto. Entrou, sim, porque participou das lutas pelas transformações políticas e sociais do Ceará durante sua longa existência". (GONÇALVES,1991, p.31)

"Aos 16 dias do mês de janeiro de 1919, faleceu em sua residência, na rua Major Ildefonso, cidade de Lavras, Dona Fideralina Augusto Lima, viúva  do Major Ildefonso Correia Lima" (CEARÁ, 1919). Falecida aos oitenta e sete anos, recebeu os sacramentos da Santa Igreja. Seu cadáver amortalhado em hábito preto, foi sepultado no cemitério público de Lavras, conforme termo assinado pelo Vigário Monsenhor Meceno Clodoaldo Linhares.

Um século com a memória de DONA FIDERALINA AUGUSTO LIMA

A figura de Fideralina perdura no tempo, na memória coletiva de várias gerações e atravessa um século. Certo é dizer que continua mais intensamente entre nós, mostrando-nos a evolução dos fatos históricos, dando-nos testemunho do papel de mulher guerreira que se destacou na sociedade machista e patriarcal. Depois de um século, ainda se procuram respostas e razões para uma vida cheia de surpresas e contrastes, de atitude subversiva em torno dos costumes da época em que viveu.

Com inteligência e sabedoria, passa aos filhos e netos o bastão da caneta, e deixa como legado o estudo, a literatura, o livro, extensões da memória e da imaginação. "O bacamarte e a caneta ela os transmitiu para os filhos e netos, mas o cruzamento desses objetos e símbolos do poder tornaram-se também a representação do Município de Lavras". (MACEDO, D. 2017, p.146)

Por que, nesses cem anos, mais livros registram sua história, mais histórias são criadas pelo imaginário? Surpreendente o número dos que buscam compreendê-la e estudá-la nas rodas acadêmicas, nos grupos de pesquisa, em monografias. "Extensas são as crônicas históricas ao seu respeito desde Raquel de Queiroz a Cego Aderaldo, que escreveram e cantaram suas aventuras e bravuras por todo Nordeste brasileiro" (COUTO, 2018 p. 27). No ano de 2013, o III Cariri Cangaço, capítulo de promoção periódica da Sociedade Brasileira do Cangaço, incluiu em sua programação oficial uma visita ao Sítio Tatu. "Essa entidade de pesquisa antropológica, envolveu nesse ano de 2013, estudos da força marcante de Dona Fideralina Augusto Lima, a matriarca da família Augusto, nos capítulos da ancestralidade cearense". (MONTEIRO, 2016, p.117). Que o diga Dimas Macedo, a disputa de memória em torno de Dona Fideralina Augusto está ainda começando. É fato que já existem trabalhos fundamentados em pesquisas e tradição, que têm preenchido lacunas no seu conhecimento, como é certo que é inseparável sua história das lendas e fantasias criadas com seu personagem. Enfim, todo o conhecimento que se tem sobre a líder política singular dona Fideralina é assaz pequeno diante do que representa o desconhecido. Mas temos a esperar e veremos, por estudos científicos, "às luzes da Ciência Política e da Sociologia Política" (MACEDO, D. 2017, p.166) que sua memória viverá em outras gerações, por mais séculos, também consagrada nos livros que hão de vir.

"Dona Fideralina, ainda hoje, anda na boca dos cantadores". O folheto de cordel e a cantoria têm consagrado seu nome e sua história ao longo do século. Não poucos poetas repentistas têm cantado sua memória e levado aos admiradores da Literatura, com a riqueza de expressão própria de cada um, o encanto de uma vida que deixou marco no final do Século XIX e início do Século XX. Rimas e versos da poesia popular imortalizam o nome da mulher guerreira que hoje compõe o lendário cearense: "Tudo era cronometrado/ não fazia nada à toa/ carrasca para os inimigos/ para os amigos era boa/ insultada era uma fera/ outros diziam que ela era/ uma rainha sem coroa" (TELES, 2013, p. 5). É do poeta Geraldo Amâncio: "Desse clã uma mulher/ é o vulto mais notável,/ de uma resistência incrível,/ de bravura incomparável,/ é Dona Fideralina/ uma força feminina/ até hoje inigualável" (AMÂNCIO, 2018, p.5).

Quanto a sua descendência, sente-se feliz e orgulhosa de fazer parte dessa grande árvore, desse complexo imenso de filhos, desse corpo vivo, secular: família Augusto Lima, árvore de raízes profundas. Sua descendência, por longo tempo, ocupou Cadeira de prefeito municipal de Lavras e tem ocupado nos diversos municípios nordestinos, assim como sempre ocupou e ocupa na Câmara Federal, Estadual e Municipal, além do Senado, e  com destaque no meio artístico, científico e intelectual. Numa demonstração de fidelidade aos anseios da Matriarca, há cem anos falecida, seus descendentes têm tido consciência da responsabilidade de ir repassando às gerações que surgem o bastão da caneta e da política.

Fortaleza CE, jan. 2019.

Rejane Monteiro Augusto Gonçalves

BIBLIOGRAFIA

AMÂNCIO, Geraldo. Fideralina Augusto: a matriarca de ferro. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2018, 21 pp.

BORGES, Jorge Luis, 1899-1986. Borges, oral & Sete noites/Jorge Luis Borges; tradução Heloísa Jahn.  São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

CEARÁ. ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO. Certidão [de] Inventário [de] Ildefonso Correia Lima. Emitida em: 15 set. 2000. Cartório de Lavras, 1877. Processo n. 31, Pacote n. 13. Inventariante: Fideralina Augusto Lima. Inventariado: Ildefonso Correia Lima.

COUTO, Cristina. A Tragédia de Princesa: o caso Ildefonso Augusto de Lacerda Leite. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2018, 183 pp.

GONÇALVES, Rejane Monteiro Augusto.  A Vocação política de Fideralina Augusto Lima, Fortaleza: IOCE,1991, 37 pp.

CEARÁ. ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO. Certidão [de] Inventário [de} Fideralina Augusto Lima. Emitida em: 15 set.2000. Cartório de Lavras, 1919. Inventariante Gustavo Augusto Lima. Inventariada: Dona Fideralina Augusto Lima.

MACEDO, Dimas. Dona Fideralina Augusto: mito e realidade. Fortaleza: Armazém da Cultura, 2017, 181 pp.

MACEDO, Joaryvar. Império do Bacamarte. Fortaleza: Casa de José de Alencar Programas Culturais-UFC, 1990, 274 pp.

MONTEIRO, Emerson. Histórias do Tatu. Crato: Gráfica Ideal, Cajazeiras PB 2016,154 pp.

PAIVA, Melquíades Pinto. Uma matriarca do Sertão: Fideralina Augusto Lima (1832-1919), Fortaleza: Livro Técnico, 2008, 156 pp.

TELES, J. História versada sobre Dona Fideralina Augusto Lima. Lavras da Mangabeira: Edição do autor, 2013.


Deus escreve certo por linhas tortas -- (por Lourinato Moraes Kovik)

                                                                                

          Um barco de pesca no oceano, sacudido por uma tempestade, não aguentou a força das ondas, virou e foi ao fundo. Nesse naufrágio, o único sobrevivente agarrou-se a uma boia e ficou flutuando ao lado de vários destroços. E agradecia a Deus por estar vivo.

          Esse sobrevivente foi parar numa ilha desabitada, longe de qualquer rota de navegação, e ele agradeceu novamente.

          Com muita dificuldade e com os restos dos destroços que chegaram à praia trazidos pelas ondas, ele conseguiu montar um abrigo para se proteger do sol, da chuva, dos ventos e dos animais. E também para guardar seus poucos pertences. E como sempre, agradeceu a Deus.

          Nos dias seguintes, a cada alimento que conseguia colher ou caçar, ele agradecia.
Era um pescador que praticava a virtude da gratidão.

          No entanto, num dia quando voltava da busca por alimentos, ele encontrou o seu abrigo em chamas, envolto em altas nuvens de fumaça. Terrivelmente desesperado, ele não se conteve e gritava chorando: "Agora o pior aconteceu. Perdi tudo, ó meu Deus! Por que permitiste isso comigo?" Chorou tanto, que adormeceu profundamente cansado e abatido, a noite toda.

          No dia seguinte, bem cedo, para sua surpresa, foi despertado pelo som de um navio  a certa distância da ilha. Um barco se aproximou com dois marinheiros.


          -- Viemos resgatá-lo, disseram os tripulantes da embarcação.

          -- Como vocês souberam que tinha gente aqui? – perguntou ele.

-         -- Nós vimos o seu sinal de fumaça, bem distante!

                                            *          *          *

          É comum nos sentirmos desencorajados e até mesmo desesperados quando as coisas na vida vão mal, com momentos de dor e sofrimento.
        Mas tenham fé e continuem acreditando que dias melhores virão.
        Lembrem-se que se algum dia o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar até você a oportunidade para vencer.    
         Para cada pensamento negativo nosso, existe sempre uma resposta positiva.

29 janeiro 2021

E hoje é dia da saudade – José Luís Lira (*)

 

Esta coluna é dedicada a Matusahila Santiago (In memoriam)

    “E por falar em saudade./ Onde anda você./ Onde andam os seus olhos./ Que a gente não vê.”, assim inicia um de seus belos poemas, Vinícius de Moraes. A palavra saudade, afirmam os lexicógrafos, é exclusividade das línguas portuguesa e galega. Em 1914, a primeira mulher a lecionar numa Universidade portuguesa, a Universidade de Coimbra, Professora Carolina Wilhelma Michaëlis de Vasconcelos, alemã de nascimento e portuguesa de coração, publicou, pela “Renascença do Porto”, Portugal, um interessante ensaio intitulado “A Saudade Portuguesa”. Dona Carolina, autora do conhecido Dicionário Michaëlis, diz-nos que “... a Saudade era considerada quase como filosofia ou religião nacional”.

     A autora afirma que “... não tenha equivalente em língua alguma do globo terráqueo e distinga unicamente a faixa atlântica, faltando mesmo na Galiza de além-Minho. Há quatro vozes peninsulares, de origem neolatina todas elas, que são sinônimas de saudade. E todas elas foram já citadas por críticos nacionais e estrangeiros. Certo é apenas que não correspondem plenamente ao termo português”. Alemã, diz ela: “plena concordância há, porém, entre Saudade e a Sehnsiicht dos Alemães, “... mas em regra a Sehnsacht alemã tem caráter metafísico. Aspira a estados e a regiões ideais, sobre-humanas, ao Além”.

     Diz dona Carolina, “a) lembrança dolorosa de um bem que está ausente, ou de que estamos ausentes, e desejo e esperança de tornar a gozar dele; b) expressão desse afeto dirigido a pessoas ausentes. Esse bem desejado, ausente, pode ser: tanto a terra em que nascemos, o lar e a família, os companheiros da infância, como a bem-amada, ou o bem-amado. Com respeito a esse sentido, designa sobretudo o vácuo nostálgico ou o peso esmagador que nas ausências dilata ou oprime o coração humano – agravado, quantas vezes, pelo arranhar da consciência (o ‘gato’ de Heine); pelo remorso que nos acusa de não havermos estimado, aproveitado e efusivamente reconhecido o bem que possuíamos”.

    “Saudade é o amor que fica”. Essa frase é atribuída ao médico oncologista Rogério Brandão que a teria ouvido de uma criança doente de câncer, em fase terminal. O amor que fica. Se analisarmos concretamente, é o amor que fica de momentos que se eternizaram em nossos corações, em nossas mentes, em nossa alma. No Brasil, embora sem muitas explicações, o calendário cívico assinala 30 de janeiro como o Dia da Saudade. Os músicos Chico César e Paulinho Moska, dizem que a Saudade é “... eterno filme em cartaz” e aportuguesando com Dona Carolina, observamos que “Se saudades matassem... muita gente morreria!”. 

   Aproveito a ocasião para agradecer a todos os que me felicitaram pela revalidação do meu título de Doutor em Direito obtido em 2015 na Universidad Nacional de Lomas de Zamora, na Argentina, e revalidado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC, Universidade que conta com mais de 113 anos de fundação. Sobre este tema lembro os versos do poeta T.S. Eliot: “Eu disse à minha alma,/ fica tranquila e espera.../ Até que as trevas sejam luz/ e a quietude seja dança”... Gratidão a Deus sempre e por tudo dando graças e gratidão a todos. Não citarei nomes para não ser injusto, mas, eles todos estão em meu coração que penso ser o melhor que tenho. Deus Lo Vult!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

28 janeiro 2021

Os novos caminhos desta humanidade - Por: Emerson Monteiro


Avanços sem par foram obtidos durante essa história que ficou atrás. Quando menos se esperava, houve um impacto, tempo de repensar tudo. Aparentes seguranças vieram abaixo desavisadamente. As instituições foram postas em alerta máximo, face aos desafios de sobrevivência que ora vivemos. Um vírus proveniente de países da Ásia pôs por terra a sabedoria inteira acumulada de milênios. Diante disso, há que organizar todos os propósitos, isto de maneira coletiva, incluídas também parcelas até então relegadas aos segundo e terceiro planos. São afirmações de que não restam mais contestar, pois.

Vimos agora o quanto importa haver uma perspectiva ampla de soluções dos principais problemas da Humanidade, gesto inevitável de estabelecer linguagem abrangente, indiscriminada, efetiva. Largaram de lado longos períodos jogados fora. E repensar, dentre os segmentos, a redistribuição da renda do Planeta, utilização igualitária das fontes naturais e a realocação de recursos supérfluos aos meios de sobrevivência. Unir povos e pessoas em volta dos esforços comuns de trabalho e organização. Reavivar as virtudes humanas quais fatores essenciais de práticas morais imprescindíveis, quais a honestidade, a justiça, a fraternidade, a união longe que seja das restrições de pensamentos e sentimentos, conquanto a hora exige muito mais maturidade e senso crítico do nunca antes.

Já ficou na poeira o egoísmo dos grupos, as fronteiras nacionais, o monopólio de bens e serviços; tecnologias e patrimônios exclusivos; Ciência e equipamentos. Tempo de verdades puras, transparentes; hora de realidade e firmeza, sob o comando das lideranças fieis aos novos princípios e valores pouco adotados no passado. Um tempo de esperança e paz. Isto a ser repensado com máxima urgência, face à gravidade com que nos defrontamos, razão prioritária de preservar a espécie e o chão onde vivemos, fora outros questionamentos a não ser geração de trabalho, gestão e estruturação da sociedade em outro e coerente prisma.

A isso prepondera o crédito às novas lideranças, competentes e eficazes, no combate das limitações, após tantos impasses na saúde pública e no limite das expectativas positivas. Qualquer ser humano, a esta ocasião, verá, de sã consciência, o quanto significam medidas valiosas a favor de todos, porquanto sabemos do esgotamento dos métodos arcaicos que prevaleceram até aqui, da ganância, do totalitarismo político e do colonialismo cultural que tomaram de conta dos panoramas mundiais então debaixo de pesadas nuvens. 

De forma crucial, extrema, haveremos de vencer esses dias proféticos e achar as respostas ideais de uma época evoluída, aonde os seres humanos deixem de lado a ferocidade das guerras e desvendem as portas da percepção da qual falavam os livros e os sonhos no decorrer dos dias de escuro. Tempos melhores vêm chegado, a depender tão só das nossas próximas atitudes. 

(Ilustração: Náufrago, de  Robert Zemeckis).



A raiz da compreensão - Por: Emerson Monteiro

 


Se ele me aparece como sendo árvores e montes / E luar e sol e flores, /
É que ele quer que eu o conheça / Como árvores e montes e flores e luar e sol.
                                                                                                                                                  Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

O propósito de encontrar respostas verdadeiras significa motivo de sobra de viver, isto bem provado durante as escavações realizadas mundo afora nas muitas culturas antigas. Saber a que viemos e o que já localizamos deste universo eis o senso do absoluto que aflige os humanos. Dalgumas conclusões, restam respostas apenas materiais, onde tudo se transforma incessantemente até desaparecer.

Isso do anseio de achar definições da inteligência alimenta o desejo de acalmar o instinto dessa busca. Ela reúne pedaços de interpretações e justifica o processo das existências. No entanto, ainda que aceitemos nossa participação na obra da Criação, aonde, de que jeito, iremos identificar o Criador? Os místicos admitem que na humildade, princípio de compreensão, isto que aos materialistas assusta sobremodo, porquanto não admitem um poder além da matéria.

Bom, localizar o aspecto positivo da imaginação e trabalhar a concentração mental disto resulta ganhar força interior no decorrer desses tempos literários. Reconhecer tal consignação e tranquilizar a memória hoje representa a função principal das tantas escolas e tantos autores.

Contudo seria isso tão só chegar a um deus de máquina, de maquinações intelectuais, enquanto existirá todo aparato de forças e movimentos que reclama maior significação de quem criou e mantém o Universo inteiro, e passa ao largo do pensamento humano. Daí o instrumento necessário da oração, de quando falamos através do pensamento com o sentimento, sendo esta a matriz dos níveis mais elevados da compreensão humana.

Vejamos, pois, ser Deus imanente e transcendente, matriz da perfeição, somos, por isto, início e fim do verdadeiro buscador que há em nós. Falar de si em Si, a si. O Reino de Deus em todos, no momento mais raro da Criação, quando nos transformaremos de criatura no Criador, campo donde virá a luz por meio da Origem de tudo quanto há nas existências.

Como as “políticas educacionais” do Ministério da Educação deturparam a verdadeira História do Brasil durante 100 anos (1889–1990) – por Armando Lopes Rafael

 

   Teve razão o prof. Paulo Napoleão Nogueira da Silva, ex-professor de Direito Constitucional na Universidade Estadual Paulista quando escreveu:

"Nos cem anos durante os quais vigorou a proibição de sequer falar-se em monarquia, o País foi programaticamente induzido (as palavras programaticamente induzido vêm grifadas no artigo) a esquecê-la. Diretrizes governamentais de todos os tipos, explícitas ou dissimuladas, foram adotadas nesse sentido. Substituíram Dom Pedro I por José Bonifácio, na iconografia oficial da Independência, mas a figura do Patriarca não calou fundo, além do que ele próprio era um defensor da Monarquia. Então o papel de Tiradentes – relevante no processo de formação e conscientização da nacionalidade, e sem dúvida glorioso, foi enfatizado e realçado a um grau nem sempre compatível com a realidade histórica. Ainda e sempre, para esconder ou minimizar o papel de Pedro I – um monarca –- no processo da Independência.

    Desde os primeiros dias da República os autores dos livros didáticos para os cursos primário e secundário, segundo critério de orientação e exigências do Ministério da Educação, passaram a só estampar o retrato de Pedro II com as longas barbas e o aspecto cansado dos seus últimos anos de vida, para associar à Monarquia a imagem de velhice, decrepitude e coisa antiga. Esses mesmos livros tratavam, e ainda hoje tratam, de evidenciar as glórias da proclamação da República, o heroísmo de Deodoro e o idealismo dos seus companheiros, como se tivessem participado de uma feroz batalha em prol da liberdade”.

    A partir da Constituição de 1988 – a sétima promulgada no período republicano, o que dá uma média de 1 Constituição a cada 14 anos – permitiu-se aos historiadores não filiados a partidos da esquerda troglodita pudessem apresentar sua versão da história. Dentre eles, o Prof. Dr. Armando Alexandre dos Santos, autor de 64 livros, cujas obras já ultrapassam 1 milhão e 400 mil exemplares publicados, professor do mestrado na Universidade do Sul de Santa Catarina–UNISUL que declarou:

 “A monarquia, longe de ser uma forma de governo arcaica e ultrapassada é moderníssima e de grande maleabilidade. Muitos a criticam por puro preconceito ou por desconhecimento, mas ela é, ao meu ver, um caminho viável para o Brasil atual. Pode parecer um sonho, mas, como escreveu Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Por outro lado, se a monarquia parece um sonho, a república que temos no Brasil, sem dúvida, é um pesadelo”. 

     Sim, ainda existem doutores de universidades que não são marxistas!

27 janeiro 2021

A insânia da mudança dos nomes das ruas de Crato

 

    Minha rua, localizada no bairro Parque Granjeiro, teve seu nome mudado por nova lei de um vereador da Câmara Municipal de Crato.  As contas de água e luz já vêm com a nova denominação. O mesmo não ocorreu no cadastro geral dos CEPs dos Correios, repartições do Governo Federal, nos nossos contratos com planos de saúde, INSS, dentre outras. Aí começa a “via crucies” dos moradores da rua. Muitas correspondências não são entregues... Temos que conviver com as duas denominações.... Só no Crato mesmo!

     São muitas as ruas de Crato, que tiveram seus nomes mudados pelos interesses particulares de alguns vereadores, e trouxeram aborrecimentos aos seus moradores. Uma dela é a antiga Presidente Kennedy, aquela que dá acesso ao bairro Vilalta e a Rua Imperatriz Leopoldina no bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco), paralela à rodovia Pe. Cícero no sentido Crato–Juazeiro do Norte.


Descalabro que vem de longe
   Começou, nos primeiros anos 1900 – sempre por iniciativa dos vereadores desta cidade, ao longo de várias legislaturas – o triste costume de mudança dos nomes das ruas e praças de Crato. Essas alterações sempre atenderam a interesses menores dos vereadores e foram feitas sem ouvir a população, resultando na destruição de denominações tradicionais, preservadas por várias gerações de cratenses.

    No início dos século passado as ruas de Crato tinha poéticos nomes como Santo Amaro, da Pedra Lavrada, das Laranjeiras, do Pisa, Formosa, Grande, do Fogo, da Vala, da Boa Vista, Nova e do Matadouro; Travessa do Cafundó, da Caridade, do Candéia, da Matriz, do Sucupira, de São Vicente, do Charuteiro, do Cemitério, da Ribeira Velha, do Barro Vermelho, da Califórnia, do Pequizeiro, da Taboqueira, das Olarias, da Cadeia e do Pimenta. Os vereadores-vândalos destruíram todas essas denominações. Para colocar nomes de pessoas que os cratenses de hoje nem sabe quem são.


No mais
   Anos atrás, a Câmara de Vereadores de Independência – município localizado no Sertão dos Inhamuns do Ceará – aprovou um projeto de lei, dispondo sobre a identificação de ruas, praças, monumentos, obras e edificações públicas daquela cidade. Esse projeto de lei exige agora – para qualquer mudança na denominação de ruas e praças de Independência (CE) – um pedido antecipado, contendo lista com assinaturas de pelo menos 5% (cinco por cento) do eleitorado daquele município. Bem quer esta iniciativa deveria ser imitada pelos vereadores da cidade de Crato.

Por Armando Lopes Rafael

Djaci, uma mulher guerreira


Dona Djaci retratada por  Rômulo Correia de Oliveira (desenho a lápis, 1971)

Quantas palavras seriam precisas para homenagear uma mãe ausente. De modo econômico, uma seria suficiente: saudade.

Mas, em se tratando de uma mãe da envergadura existencial de dona Djaci Oliveira Bantim, tantas quantas forem necessárias, melhor.

Dona Djaci fez do altíssimo sua última morada, há pouco mais de 8 anos, em 15 de outubro de 2012. Hoje estaria completando 94 anos, visto que nasceu, em Crato, em 27 de janeiro de 1927.

De alguma forma, do ponto de vista familiar, sua vida sempre esteve ligada à arte, tanto por parte dos ascendentes como dos descendentes. 

Seu avô, Luiz Gonzaga de Oliveira, foi um dos pioneiros em fotografia e projeção de cinema na região do Cariri cearense. E seu filho Jackson Bantim, o Bola, é um respeitado e consagrado fotógrafo e cineasta.

Assim, dona Djaci, que sempre estimulou a carreira artística do filho, acabou também pondo “a mão na massa”, trabalhando ao lado dele, como still, no filme Assombrações do Cariri. Outro filme de Bola, As sete almas santas vaqueiras, teve o roteiro escrito a partir de uma das muitas histórias narradas por ela.

Foi esposa dedicada de Pedro Bantim Neto e mãe exemplar de uma família tão grande na quantidade como na qualidade. São sete filhos (seis bem vivos), criados e educados com amor e dedicação pelo casal Pedro e Djaci: Jocildo, Janildo, Janedson, Célida (im memoriam), Jackson, Jane Eyre e Jane Meire.

Sua existência terrena foi serena, mas muito produtiva. Seu apoio incondicional, constante e incansável ao esposo, dono da tradicional Lanchonete e Sorveteria Bantim, localizada no centro do Crato, foi imprescindível para o sustento da família e o sucesso deste empreendimento.

Um dos seus filhos, Jackson, é quem nos conta um pouco do trabalho compartilhado pelo casal:

Foram 25 anos fazendo diariamente, manhã e tarde, vários tipos de lanches pra Sorveteria Bantim e encomendas de bolos confeitados para casamentos, aniversários de quinze anos e vários outros tipos de festas. Vou dizer uma lista destas iguarias que eu me lembro: bolos (bem casado, fofo, rocambolli), pudim, creme de baunilha com ameixa, doces (leite, batata com coco, jerimum com coco, banana, caju, goiaba, jaca e laranja) e salgados (pastel, coxinha, rosca, canudinho e empada). 

Na administração da cozinha fazia caldo de carne com legumes e verduras, cachorro quente com salsicha, vitaminas e sucos de fruta, ovo maltine, milk shake e, diariamente, preparava a calda de vários sabores pra sorvetes, em especial ‘o pulo do gato’ de seu Bantim, que era o sorvete de mangaba. 

Diariamente se fabricavam, em média, 300 picolés de 6 sabores. A preparação dos sorvetes era administrada por seu Bantim até a máquina dar o ponto. Era o melhor sorvete da região, tão conhecido e saboroso que semanalmente se exportava até pro Rio de janeiro. 

Mas vejam, além disso tudo a nossa mãe educou os sete filhos e administrou  uma casa grande de primeiro andar, com uma área de 480 metros quadrados. Mas, o mais importante é que eu nunca a vi reclamar. 

Mãezinha, que Deus a tenha no reino do céus!


FRASE DE DONA DJACI

Peço a todos os meus filhos que um dia quando eu chegar a desaparecer, tenham piedade uns para com os outros.

Meu coração é uma rosa. Em cada pétala, um filho (Escrita em 27 de Janeiro de 1978).


GALERIA DE IMAGENS


Aniversário de 8 anos de Thiago Serra Bantim, na nossa residência, à Rua Marieta Teixeira Mendes, Bairro Sossego, Crato. Na foto, os avós Pedro Bantim, Djaci Oliveira Bantim, João Idelfonso Serra, Iraci Magalhães Serra e os seus pais Jackson Oliveira Bantim e Fátima Magalhães Serra Bantim, além de amigos e amigas de Thiago.

 

Nesta foto de 1999, recordo-me das milhares tardes que passei junto com eles, praticamente todos os dias, por volta das 15h30m, aguardando o cafezinho que tinha diariamente na nossa residência, mantendo a tradição dos Oliveiras Bantins (Depoimento de Jackson Bantim).

 

No dia da primeira comunhão de Cia, Udim e Lé nós anos 60, na nossa residência na Vila Jubilar, Bairro Pimenta. O que chama atenção é o superado corte de cabelo tipo lata de sardinha, principalmente o meu (Depoimento de Jackson Bantim) Foto: Telma Saraiva.



 Os filhos unidos de Djaci Oliveira Bantim: Jocildo, Janildo, Janedson, Célida (im memoriam), Jackson, Jane Eyre e Jane Meire.


 Os patriarcas da família Oliveira Bantim: Pedro Bantim Neto e Djaci Oliveira Bantim.

 

Este quadro foi uma montagem que fiz, com o manuscrito de mamãe e fotos nossa, distribui com meus irmãos no dia do seu aniversario de 90 anos em 2017 (Depoimento de Jackson Bantim).


 

Neste manuscrito, mamãe se expressou com sentimento do verdadeiro amor e adoração que uma mãe sente por seus filhos, como se naquele momento ela estivesse ouvindo as palavras da mãe de Jesus (Depoimento de Jackson Bantim).

 

Família Oliveira Bantim (26 de fevereiro de 1977).


 

Foto atual dos irmãos Bantins.


Djaci e Jackson


Jackson e Djaci


Texto de Carlos Rafael Dias

25 janeiro 2021

O despertar de si mesmo - Por: Emerson Monteiro


A busca da totalidade, eis o sentido de tudo quanto há nos seres humanos. Reconhecer que somos a consciência em movimento, e que dispomos de duas alternativas, de um ser material, o ego, e de um ser espiritual, o Si Mesmo, ou consciência mística, habitando em nós resume toda a História durante as mais variáveis experiências. Ao que compete discernir? Identificar os meios de reunir em um só tais dois lados, a isto que Carl Gustav Jung denomina Processo de Individuação. Enquanto o ego divide a fim de reinar neste mundo de matéria, há em nós o aspecto transcendente, um Eu Superior, ou Si Mesmo, que representa o senso da perfeição, a que Jesus faz referência ao dizer que somos deuses e não sabemos. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Coríntios 3:16.

Durante todo tempo das existências, trilhamos a estrada dessa revelação individual, motivo para o qual desenvolvemos novas potencialidades. Aparentemente simples, porém o ego, no uso de suas atribuições do pensamento, senhor que seja de um domínio parcial da personalidade, trabalha sem cessar a que aqui nos mantenhamos ao máximo tempo enquanto não desvendarmos a porta e sair ao outro nível de percepção. 

O conceito aparece em numerosos campos e é encontrado em obras de Carl Jung, Gilbert Simondon, Bernard Stiegler, Friedrich Nietzsche, Arthur Schopenhauer, David Bohm, Henri Bergson, Gilles Deleuze e Manuel De Landa. 

Na psicologia junguiana, também chamada de psicologia analítica, expressa o processo em que o “eu” individual se desenvolve a partir de um inconsciente indiferenciado. É um desenvolvimento do processo psíquico durante o qual elementos inatos da personalidade, os componentes da imatura psique e as experiências da vida da pessoa se integram ao longo do tempo em um todo, onde funcione bem: centralizar as funções a partir do ego em direção à autorrealização do si-mesmo  Wikipédia

Destarte, somos os artífices de nossa mesma libertação, e a isso dispomos dos instrumentos por demais necessários à identificação e libertação neste mundo só transitório onde agora vivemos.


Algumas reminiscências do Cariri - Por: Emerson Monteiro


Esta zona geográfica do Cariri cearense bem que tem merecido os cuidados da historiografia brasileira. Desde o século XIX, brilhantes pesquisadores dedicam estudos aos acontecimentos regionais, a exemplo de João Brígido, Irineu Pinheiro, Padre Antônio Gomes, Figueiredo Filho, Otacílio Macêdo, Joaryvar Macedo, dentre outros não menos valiosos e dedicados, os quais marcam sobremodo uma catalogação criteriosa dos eventos desta parte de mundo. A capitanear, na atualidade, o registro dessas ações da História da região caririense, existe o sexagenário Instituto Cultural do Cariri, órgão editor da revista Itaytera, considerada repositório que preserva a antropologia, a historiografia e a literatura autóctones, isso a partir da década de 50 do século que passou.

Já agora, em volta do ICC, ressurge nova geração de esmerados historiógrafos, sucedâneos daqueles que iniciaram a preservação desses registros históricos.  Vêm se destacando nessas ações, com artigos e livros, Heitor Feitosa, Roberto Junior, Armando Rafael, José Flávio Vieira, Cristina Couto, Dimas Macedo, João Calixto Junior, Jorge Emicles Paes Barreto, Rejane Augusto, jovens de exímia pena e olhos atentos aos mínimos detalhes, além de investigadores eméritos dos documentos originais que testificam o desenrolar de tantos e importantes feitos das gentes em nosso território desde suas origens.

A propósito, está em minhas mãos, recém lançado, o livro Algumas reminiscências do Cariri, da autoria de Armando Rafael, edição A Província, Crato, Ceará, 2020, sobre o qual nos propomos tecer aqui algum comentário. Trata-se de compêndio imprescindível a quem deseje mergulhar nos vários episódios dos tempos históricos, desde a Revolução Republicana de 1817, perante a participação efetiva de alguns dos seus personagem mais destacados, tais o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e o caudilho Joaquim Pinto Madeira, além do enfoque de outros nomes que também gravitam em torno deste interior, Dr. Leandro Bezerra Monteiro, o varão católico; Dom Francisco de Assis Pires, segundo bispo da Diocese do Crato; e Dom Newton Holanda Gurgel.

A qualidade literária do que produz Armando Lopes Rafael merece destaque, assim como o seu talento na abordagem dos estudos históricos, indo a mínimos aspectos naquilo que investiga, gerando uma produção ao nível do que existe de melhor nas nossas letras. Só tenho, pois, a título desta oportunidade, que louvar o mérito cultural caririense de contar tantos e tão bons autores nas suas letras.


24 janeiro 2021

Palavras positivas II - Por: Emerson Monteiro


Sei que poucos leem, nesses tempos acelerados e maquinetas impacientes... Há mil jogos nas mãos que imaginam o que querem e buscam desesperadamente aonde possam encontrar o que mais pretendem... Por isso, a gente que escreve tem de se conformar em ler o que escreve, ainda que sozinhos, nessa multidão informe, independente do que outros possam fazê-lo, pois escrever significa gesto puro de deixar que o fluir do tempo não passe tão ligeiro e que dele possamos guardar algo precioso dos pedaços vivos da vida que experimentamos dos pedaços de nós, rescaldos e pensamentos apressados, secretos. Escrever, sobremodo, representa bem isto, juntar gravetos secos de palavras em feixes de recordações, vontade insistente de querer o eterno que vem de dentro do coração e some nas curvas do destino; quem sabe?, até dividir desse tão pouco de formas e sentimentos.

Bom, e quando vêm as frases, elas ficam ali forçando a porta da consciência na firme certeza de que a gente atenderá seus pedidos e passaremos adiante desejos fortes de repartir da alma o que lhe anima, em querer que outros o saibam. Palavras, ah, palavras!, quanta beleza no hálito doce das realidades internas. Lembrar que tudo resume o domínio da esperança e da fé, na ânsia incontida do dizer aquilo que, agonizando, repousava nas praias instáveis do presente.

Dias e dias sem par nisto de aguardar o pouso e chegar ao território da permanência absoluta diante do Universo apressado. Àquele pouso das águias, dos mistérios, lá onde mora o definitivo de pessoas e objetos, ideias e firmamentos, numa velocidade constante. Aonde reuniremos nós conosco próprios e, certo dia, lamberemos as feridas da experiência, laços da Eternidade e repastos desse chão. Saberemos, enfim, o quanto nos custou crer firmemente na condição de artífices da sorte e chegaremos impávidos ao colosso das horas. Depois de tudo, pois, dormiremos em paz, condição inevitável de sonhar os melhores sonhos e vivê-los com igual intensidade nas luzes do amanhã tão esperado.


23 janeiro 2021

Benigno Aquino - Por: Emerson Monteiro


Há uma história que presenciei à distância, através dos programas de televisão. Isso no tempo em que Ferdinand Marcos era ditador nas Filipinas. Seu principal adversário político, Benigno Aquino, se achava ausente, em exílio auto-imposto nos Estados Unidos, quando decidiu que regressaria à pátria, então vítima do totalitarismo e submetida a duras penas de exceção. Nisso, Aquino embarca em avião comercial com destino às Filipinas. Junto dele havia jornalistas, cinegrafistas e testemunhas outras que o acompanhavam naquele voo de regresso, isto face ao grave impulso do líder perseguido pela ditadura de reaver a normalidade da nação. 

Era dia 21 de agosto de 1983. Durante o voo, houve entrevistas gravadas, fotografias, diálogos, tudo registrado sob os olhares da mídia internacional. Todos admiravam a atitude extrema daquele homem de feições tranquilas, olhos vivos e corpo franzino, que manifestava intenso o amor pelo seu povo, mesmo ciente dos riscos que atravessaria ao desembarcar, porém firme de sua decisão. Por tudo aquilo, pairava clima de incerteza e temor.

Daí, as cenas seguintes: O avião no solo; aberta a porta do desembarque; providências outras; de cima, trajado de branco e com uma bolsa de bagagem a tiracolo, as câmaras lhe gravariam os instantes finais de vida. 

Logo que pisou ao chão da querida pátria, vemos ser abordado por figuras truculentas e levado em direção a uma viatura militar. Foram as derradeiras imagens do político. Nunca mais dele haveria notícias, a não ser daquele momento, d que fora eliminado ali mesmo, mártir da coragem de permanecer fiel ao povo que tanto amava, que mereceu o seu sacrifício nas garras perversas do ditador, a quem a História não pouparia justiça.

O Dia de Ninoy Aquino é um feriado nacional que ocorre nas Filipinas, anualmente em 21 de agosto, comemorando o dia da morte do ex- senador Benigno "Ninoy" Aquino, Jr. Ele era o marido de Corazón Aquino, que mais tarde se tornou presidente das Filipinas; eles são tratados como dois dos heróis da democracia no país. Seu assassinato levou à queda de Ferdinand Marcos em 25 de fevereiro de 1986, através da Revolução do Poder Popular. (Wikipédia)


A dor e o menestrel - Por: Emerson Monteiro


Lemos em algum lugar história triste de um palhaço que perdera a esposa e se achava na condição de comparecer, no mesmo dia, ao picadeiro de um circo e fazer rir a platéia que lotava o espetáculo aonde tantas outras apresentações levara a efeito em condições satisfatórias.

No momento em que todos gargalhavam com desempenho magistral nunca antes presenciado pelo distinto público, dentro dele fervilhava a mais pungente amargura e desciam lavas amargas de dor, disfarçadas com maestria pela máscara que cobria o rosto banhado de lágrimas.

Enquanto alegria sem igual naquela hora contagiava os espectadores, no peito do homem ardia crise sem precedentes, propósito de quem conduz vida de quase nada pode exprimir da veraz realidade que impera no ser, por força de produzir emoções nos outros lá de fora.

A situação descrita, mudando o que merece mudar, caberia feita luva na circunstância que se verificou em Crato, quando, no Espaço Navegarte, assistíamos a uma apresentação musical.

Lá no palco, o cantor pernambucano Geraldo Azevedo, voz e violão, que oferecia a numerosa platéia bela música do seu repertório, boa parte de própria autoria. Aplausos efusivos animavam o clima ameno do lugar, evidenciado nos flashs constantes dos fotógrafos a registrar o acontecimento, entremeados de relâmpagos insistentes que clareavam o céu escuro à distância, cenário detrás do palco, para as bandas da Ponta da Serra. 

Isso se manteve ao ritmo das letras e cordas afiadas do instrumento bem praticado, nas sombras chuvosas da noite caririense.  

Duas ou três canções antes do término da cena, porém, nas falas com que ilustrava os intervalos das canções, o músico comunicou aos presentes que, na véspera daquela data, ocorrera a passagem de sua genitora desta vida para a outra, pondo-se, logo depois, a interpretar uma composição de autoria dela, refletindo na voz o sentimento que se pode imaginar de filho em situação semelhante.

Ao lembrar os detalhes disso, nos vemos emocionado a refletir quanto à condição dos artistas e sua proximidade com multidões desconhecidas, vínculos que se estabelecem no decorrer da existência coletiva. Enquanto dentro de si lhes sacodem no peito um coração quantas vezes macerado pelas guantes imprevistas do destino, repassam, igualmente, a imagem de quem habita condomínios eternos da mais pura felicidade. 

Missão semelhante, a exemplo do palhaço de que falamos no início, uns dançam, riem, se divertem. Outros padecem, representam, dissimulam. De íntimo transtornado pelos ardores do sofrimento de perder a mãe querida, o músico prosseguiu com a função até o fim, debulhando versos e notas, na batida intensa do expressivo violão solitário, ausente das convenções deste mundo. Isso tudo em nome do amor ao sonho da arte, herói sobranceiro da magna inspiração, porquanto o show haverá sempre de manter o curso ininterrupto ao âmago dos corações em festa.         


22 janeiro 2021

Ânsias de liberdade - Por: Emerson Monteiro


Desde sempre que vem sendo assim, de querer além de tudo permanecer intacto o espaço entre os dois pontos, aqui e o que virá em seguida sem sombra de dúvidas. Isto é, a iniciativa humana de liberdade dá sequência interminável ao passado e mesmo então se desfaz no correr das circunstâncias. E nem por isso haverá desistência, jamais. O impulso de salvação desse estado de constante desaparecimento ao final, transcorridos séculos de busca, triunfará na satisfação de revelar a si mesmo nalgum lugar.

A vontade, instrumento de continuar os dias, sustenta, pois, o senso das agruras de vencer o tempo e ganhar a doce Eternidade qual prêmio, após o embate de nós com nós mesmos, ausências de certeza, no entanto. Heróis dos sonhos, guerreiros invadem o palco do momento e permanecem de olhos fixos no firmamento lá distante. Nutrem a firme certeza que consigo será diferente do que sempre antes. Sustentam o instinto implacável da sobrevivência e manejam com qualidade armas de combate. Ninguém nunca viverá de tudo quando as determinações fixaram o prazo das expectativas.

Conquanto em sendo de tal modo, no entanto, a arte é inevitável, sustenta o embate do inútil e do desaparecimento, cruel epopeia das horas. Almas gritam carinho, esperança, amor, sóis e luas de enlevos, saudades mil e céus de felicidade, por milênios afora. Na beleza desse universo ensimesmado, tangemos o carrossel das verdades provisórias que carregamos no peito. E sorrimos, e cantamos, e vivemos.

A constância desse itinerário de tantos nos deixa extáticos, luzes na imensidão que iluminam a História. Costumamos alimentar o barco dos desaparecimentos num ritual de sacerdotes e religiões secretas, guardadas no coração das pessoas. Nesse ritmo das existências, muito mais que meros atores da contemplação dos finais inevitáveis, agimos e damos voz ao silêncio adormecido dentro do presente, e que some ligeiro nas asas frágeis do futuro. 

(Ilustração: Papiro egípcio).

Esperança – José Luís Lira (*)

   Costuma-se definir 31 de dezembro o dia da Esperança. Não há registro nos calendários cívicos desta comemoração, contudo, nos habituamos a desejar um feliz ano novo e todos os anos fazemos isto. Rezamos. Comemoramos. Celebramos. Ano passado foi diferente, mas, a presença da esperança era percebida aqui e alhures. Domingo último parecia esse dia. Parecia que segunda-feira novo ano se iniciaria. O País atento aguardava o resultado das análises das vacinas que nos imunizarão contra a covid-19 que se espalhou rapidamente pelo mundo e há quase 12 meses, um ano, mudou nossos hábitos, trabalhos, rotinas, nossas vidas. A ANVISA aprovou por unanimidade as duas vacinas que serão aplicadas no povo brasileiro. Foi um momento de grande alegria e esperança. Ainda naquele dia São Paulo aplicou as primeiras vacinas.

     Segunda-feira, 18, o País começou a receber as doses em todos os seus Estados. É evidente que nos emocionamos ao ver o anúncio do governador Camilo Santana de que as vacinas estavam em solo cearense e que os primeiros beneficiados foram os profissionais de saúde. E chegou mais próximo de nós. E acho que já passava de 22 horas quando o Prefeito Ivo Gomes anunciou que as vacinas também Sobral estava recebendo as primeiras doses e uma auxiliar de enfermagem e uma agente de saúde sobralenses seriam as primeiras a serem vacinadas. Junto com meus pais com os quais estou desde o início da pandemia e da partida de minha querida Matusahila, celebrei. O papai deu vivas e agradeceu a Deus.

      É para renovar as esperanças mesmo. Agradecer, mas, não esquecer de que a pandemia ainda está por aí. Vai ser necessário muito esforço nosso e do Poder Público para o restabelecimento da normalidade. Professor que sou, comuniquei aos meus alunos com euforia. No fundo, nessa pandemia, nos fizemos companhia. Nos primeiros dias de isolamento criei um grupo de comunicação para meus alunos no Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú, disponibilizei meu número de telefone pessoal e começamos a conversar, trocar mensagens. Durante este período, realizamos atividades, sarau literário e júri simulado. Depois, vieram as aulas à distância e continuamos em contato.

     Na primeira mensagem que dirigi aos meus alunos, no dia 20/03/2020, um dia depois da festa do Padroeiro do Ceará e meu onomástico, São José, eu falava de ânimo e esperança. Eu confesso que não tinha ideia do que se tornaria este período... Dizia eu e, hoje, reitero: caríssimos amigos e amigas, vivemos momentos difíceis, mas, não podemos desanimar. É preciso cautela e serenidade. 

    Independentemente de sua crença, confie, ore, mas, faça sua parte. Cumpra a quarentena. Aguardem as informações oficiais e não creiam nessa gama de informações desencontradas que vemos nas redes sociais. Para ânimo, lembremos-nos da canção de Gonzaguinha: "Ontem o menino que brincava me falou/ Que hoje é semente do amanhã/ Para não ter medo que esse tempo vai passar/ Não se desespere não, nem pare de sonhar/ Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs/ Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar/ Fé na vida, fé no homem, fé no que virá/ Nós podemos tudo/ Nós podemos mais". 

   Fiquemos em paz e que a Luz de Deus nos ilumine e nos ensine a viver na esperança por dias sempre melhores!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


21 janeiro 2021

[DEPRE]CIVICAMENTE ALUCINADOS

 Dartagnan Da Silva Zanela

Pobres “tiozões do zap”, homens comuns que são ridicularizados pelos inteligentões por simplesmente serem pessoas espontâneas. E, tal enxovalho, ocorre por uma razão muito simples: pessoas artificiosas, de alma gelatinosa, não aguentam mais que alguns segundos de exposição diante de uma pessoa simples e sincera. Tal exposição sapeca suas retinas.

De um modo geral, os assim rotulados "tiozões do zap" são apenas pessoas modestas, cientes de suas limitações, contradições e idiossincrasias e, por isso mesmo, não se levam tão a sério como as pessoas limpinhas e "dipromadas" veem a eles e, é claro, a si mesmas. Os tiozões do zap riem de si e seguem em frente; já os limpinhos, se mordem de raivinha do bem e movem campanhas de cancelamento, ou algo similar, para auto afirmar o seu “purismo” fecal.

Esses homens comuns, que são diariamente enxovalhados pela gente limpinha, tem um senso de realidade muito mais acurado do que a vã academia é capaz de imaginar com seus chiliques de criticidade (totalmente desprovido de qualquer senso das proporções).

Então quer dizer que os tiozões do zap não se equivocam? Claro que se equivocam. Todos os dias como todo ser humano. Equivocar-se não é o fim do mundo; é apenas a vida. Todos se equivocam, menos, é claro, as pessoas limpinhas que imaginam estar imunes a isso por, credulamente, imaginarem que são seres acima do bem e do mal, imunes ao erro, por repetirem diariamente diante do espelho que elas são criticamente críticas, muito mais do que críticas, por terem um pedaço de papel pintado de valor duvidoso pendurado na parede, ou guardado numa gaveta, e uma assinatura da "Grobo news" ou de algo similar.

Sinceramente, ecoar a narrativa poluída e presunçosa dessas esferas midiáticas não é sinônimo nem de "conhecimento”, muito menos de “seriedade”. É apenas um tipo híbrido e presunçoso de ignorância aburguesada com chiliques revolucionários.

Por isso é importante não esquecermos que quando nós enxergamos apenas aquilo que falamos e, ao mesmo tempo, não conseguimos ver, com um mínimo de serenidade, aquilo que nossos olhos estão testemunhando, isso é um claro sinal de que não somos alminhas conscientes e críticas, mas sim, que estamos criticamente histéricos e [depre]civicamente alucinados.

https://zanela.blogspot.com

20 janeiro 2021

Escravos da ilusão - Por: Emerson Monteiro


Aqueles que deixam de lado as chances várias da libertação... Agarrados às amarras dos sonhos perdidos, aceitam de inopino garras acesas nos braços estreitos do destino ingrato. Deixam cair a guarda e jogam tudo na roleta do inútil, longe das malhas e das possibilidades sadias. São muitos esses zumbis inocentes, vendidos nos mercados do Chão. Vagam soltos nos porões dos navios do desespero... Olham as alimárias tangidas pelo desertos feitos de hostilidade a céu aberto, repastos de abutres vigilantes aos derradeiros raios do sol, naqueles lugares distantes de qualquer vontade, porquanto abandonaram o desejo sadio de si mesmos ao léu da própria solidão. 

Noites a fio, deixam que os dias fossem carcomidos pelas drogas, corrupção, velhacarias outras, quais nunca soubessem aonde ir diante das feras que os devoravam vivos todo tempo, no escuro das estradas da morte. Vítimas das próprias escolhas, atiram aos precipícios o pouco que transportavam na matéria de que são feitos e largados fora, quais infiéis depositários. 

Instrumentos, pois, da madrasta feiticeira, viram contradição neste mundo temporal, enquanto só admitem o prazer, tal razão fundamental do que estejam aqui a correr da felicidade ansiada de tantos. No cerne dessa questão humana, vivem a incerteza e as contradições da história de injustos e insanos a usufruir da sorte, e aceitam perder o jogo, em face dos limites da compreensão que carregam consigo. Fogem dos atos numa espécie de suicídio, na destruição da saúde, na ausência da esperança e no abandono aos carrascos da estupidez destruidora.

Somam continuados fulgores da carne ao apagar contínuo do aparente, quando, na verdade, apenas semeiam a cobrança da Natureza aos abusos que cometem toda hora. Que outra explicação de tudo isto senão a aceitação da reencarnação, na oportunidade de regressar um dia e refazer o percurso daquilo que falharam. Símbolos soberanos de uma justiça real, haverão que substituir as atitudes equivocadas de antes pelas novas oportunidades nos mesmos solos dos velhos argumentos. Abraço de Paz aos peregrinos que somos nós e nossas histórias. 

 (Ilustração: A queda de Ícaro, de Merry-Joseph Blonde).

19 janeiro 2021

Desde o chão ao Infinito - Por: Emerson Monteiro


Este o itinerário de tudo quanto existe, e a embarcação, o Tempo, que desliza nas correntezas da Eternidade sem par. Nós, os humanos, de todos os seres e objetos, os únicos que disso podemos ter a consciência, vez que assim pretendamos. A jornada resta livre de estabelecer destino próprio, qual afirmou Sêneca, nenhum vento é favorável a quem não sabe aonde ir. Eis, portanto, na fala do pensador, o primeiro passo, o saber, conhecimento do objetivo certo de tudo isto. 

Tantas e tantas aventuras errantes configuram as experiências deste mundo. Dias de ira, horas de angústia, tédio, ansiedade, no entanto sob o padrão da natureza individual e suas possibilidades do aproveitamento fiel. Em contrapartida, as lições, o aprendizado. Nisso, cabe-nos aprimorar a essência do que ora somos e viver os rendimentos desse processo, porquanto diz a sabedoria popular que burro é quem apanha duas vezes no mesmo corredor. 

A ciência do passo seguinte dá nisto, usufruir da experiência e tocar em frente o comboio das nossas histórias pelos caminhos da realidade. Pouco a pouco reuniremos na mesma caixa desejos e realizações, e exercitaremos as normas bem adquiridas durante vivências constantes. Tal se resume viver, e praticar as lições. Perante a exatidão dessas maravilhas, herdamos, usufruímos da individualidade e guardamos o patrimônio de ser, dos entes inteligentes da Natureza mãe. Quanta grandeza de nós, criaturas ainda em crescimento, desfrutar da imensa perspectiva de revelar os mistérios de tamanha perfeição. 

Enquanto aprendemos nessa escola que o mal significa tão só a ausência do Bem, desenvolvemos o exercício da Consciência, momento supremo da evolução, até sermos, assim, os coautores de nossa mesma Salvação. Nunca imaginamos, nos tempos idos, que chagaríamos ao nível máximo de uma plena realização de Luz e Felicidade. Do nada, abriremos as portas do Infinito.


Acalmar o mundo em mim - Por: Emerson Monteiro


Insisto nisso que ouvi tantas vezes, li tantas vezes, de que as escolas místicas orientais querem primeiro que silenciemos o pensamento. Só e depois, bem depois, imaginam fazer outras ações que correspondam à busca da real consciência. Isso mexe comigo, porquanto por mais que queira silenciar o tal pensamento, ainda não obtive êxito. Corro de um lado a outro e lá me encontro, de novo, com a intenção constante de controlar os acontecimentos através dos pensamentos e nada de concreto naquele mundo abstrato. 

Se sejam religiões, ciências, literatura, providências sociais, ali paira o senso de pensar e juntar palavras, argumentos, elocubrações. Planejar que seja o mínimo, as palavras vêm à tona na maior naturalidade, qual que fossem eu invés de antes serem elas, que liberdade não têm mais invadem o meu território mental e sustentam teses e norteiam histórias mil que nem são minhas. Parar de pensar hoje equivale ao sonho de controlar o juízo, porquanto à medida que penso chegam lembranças; nelas os tempos que ficaram atrás, e as pessoas, e as emoções, e as frustrações...

Quando lembro os momentos ruins, afloram arrependimentos, contrariedades, más querenças, tristezas, vergonhas. E se, em sentido inverso, advêm lembranças boas, ora só, vêm saudades, as perdas do que sumiu e jamais outro tanto voltarão. Por isso, essa vontade insistente de dominar as palavras que formam as lembranças e os roteiros de antigamente largados nos firmamentos.

Quando quis escrever há pouco, a inspiração mostrava outro título desta página: O Deus do silêncio, ou o deus do Silêncio. Duas visões místicas a propósito do mesmo tema. Deus maiúsculo que a tudo domina, inclusive o silêncio. Ou um deus mitológico que mora nos subterrâneos da gente, e que também domina os sons e o Silêncio. Noutras palavras, um deus de mistério do ser que somos, e que de Deus tudo tem, inclusive a existência. 

Assim, acalmar o mundo em mim pede silêncio na alma e no coração. Além da vontade, pois. Quanto fala o coração das vidas espalhadas em folhas secas ao vento. No brilho do Sol nas ondas que passam nessa velocidade da vida, algo conta da necessidade infinita de parar um dia e encontrar consigo nas marcas indeléveis do tempo eterno, e então falar em mim das forças da Natureza que dormem inocentes nos silêncios deste céu que pede paz e alimenta de bondade a existência de que seremos sempre instrumento e autor. 


18 janeiro 2021

Aonde buscar a Luz - Por: Emerson Monteiro


De tanto percorrer os longos caminhos deste mundo, lá um dia descobrimos a verdade que desde sempre vive presente bem no nosso coração e a viemos revelar. Batêramos em muitas portas, viráramos muitas folhas, esgotáramos muitos pensamentos, e em fração de segundos virá esta força do Amor e despertará em nós o que de quanto esperávamos sequiosos. Um clarão imenso invadirá a consciência e despertará do abismo os pensamentos qual relâmpago de explosão monumental. Assim já falavam os sábios, a revelar o sol nas trevas à busca da Luz. Por que você permanece na prisão quando a porta está completamente aberta? (Rumi)

Por isso, tal deus antes adormecido nas entranhas deste mundo, algo despertará de dentro das pessoas e a tudo iluminará em volta, desde o céu azul sem nuvens, espaço universal de todas as cores, sons, letras, lugares abertos de sonhos e possibilidades, ao Amor afinal, a força maior que a tudo domina e conduz. Um despertar de alegria e paz, fervor das almas e pureza de espírito.

Nisto, só restará estender as mãos a abraçar o Infinito, parcela quase invisível do que hoje somos. Visão dos mártires e penhor das criaturas. Aceitar o mistério e abraçá-lo com o carinho da inocência original. Harmonia das sinfonias mais perfeitas, suavidade e emoção de calma e transe dos místicos, bem dentro do coração da floresta das maravilhas, na beleza dos filmes do imaginário e pouso das aves do Paraíso. 

Ouvir a voz de Deus aqui no seio das virtudes, essa transcendência de todas as buscas humanas, o caminho do coração de que fala Jesus. Amor maior, força propulsora e matriz das consciências em festa, morada dos santos... É isto, o quanto de certeza em nós mesmos ora transportamos, os herdeiros da Criação, aos páramos celestes. 


17 janeiro 2021

Nova Civilização - Por: Emerson Monteiro


Matéria prima dos acontecimentos, o tempo desfila solto nas dobras dos dias quais naves nunca vistas e que, por certo, preencherão o espaço de tudo, frutos do desconhecido, tecnologia dos deuses e das determinações inesgotáveis, lá mesmo de quando ainda nem se pensava dominar os outros por meio dos sucessivos embates e agressividade. Mas agora resta dizer que as extensões dessa humanidade esbarraram nos fatores do invisível adormecido, e que ganham corpo diante do inesperado deste mundo, de hora a outra, na face do Planeta. 

Ninguém que seja ignora o poder dessa vontade, força descomunal escondida sob o manto das criaturas, às feições do divino soberano. Traços de eternidades distantes da vontade só pessoal, alguns resolvem mergulhar em si e desvendar esse mistério; os profetas e santos. Através do silêncio das formações de corpos celestes, vagam pelas estradas, cientes de que os campos imensos da verdade chegam aos refolhos da alma definitiva. 

Dos lugares imortais do Espírito, face as recentes mudanças de perspectiva, bem nesta ocasião tornam-se inevitáveis as ocorrências verificadas, o que impõe determinações jamais previstas, quando há de vir à tona atitudes novas, isto que chamo de Nova Civilização, resultante das carcomidas experiências do passado mais longínquo. 

Sempre ouvi dizer que vivemos a Era Cósmica, produto das histórias que se deram aqui nos muitos territórios ocupados pelas conquistas. São tempos de síntese, de que haverá o aproveitamento do que sobrou de antigamente. Afinal foram séculos de esforço e dedicação, a completar o resultado da movimentação dos povos.

Sinais já vêm no ar. Espécies de casca apodrecida e métodos praticados tendem revelar a essência de novas e honestas práticas que cobrirão as dores da injustiça, da escravidão e do egoísmo. Luzes morais acendem no horizonte; gerações melhor aquinhoadas virão utilizar a riqueza da existência sob outra visão. Bem isto, o que somos em realidade nesta hora dirá a que viemos, e nascerão dias de paz e solidariedade.

(Ilustração: BBC - Natureza).



16 janeiro 2021

Há um céu na fome de escrever

 


No ato de escrever, primeiro vêm os sentimentos, que transformados em pensamentos chegam às palavras. Nesse percurso, sentimentos, pensamentos e palavras se deparam com universos novos quais desertos antes virgens, a serem cruzados nesse afã de romper o mistério das impossibilidades e querer sobreviver ao movimento de coisas e pessoas lá distantes. Nalgumas vezes, de forma sombria; noutras, no entanto, menos drásticas, alegres, pois, a permitir participação dos estados de espírito de quem escreve. São desejos feitos matéria, porém ainda no estado bruto da solidão. Eles batem muitas portas da inexistência. Forçam o silêncio a que mostre o segredo que conduz no farnel das ausências que leva consigo. Querem abrir, a todo custo, frestas na inexistência; pedem, imploram, mendigam às estradas...

Depois de tudo, desaparecem no limbo das noites, folhas secas, flores ao vento, nuvens desfeitas, pássaros dos fins de tarde; marcas, cicatrizes, sinais... Só puro exercício da fala deitada fora que virou luzes de arrebol, saudades persistentes, dores de outros partos, calma no tempo e nas vidas guardadas junto da memória fria dos papeis.

As palavras valem tais acordes das músicas na pauta que enchem de sabor as estantes eternas. Fome que passa e volta. Vontade mecânica de contar da alma aquilo de dentro, ato de transmitir ao texto o que faz de nada um tudo, e logo revive na métrica os códigos da presença e do furor das criaturas que vão embora todo dia.

Sujeito vir noutras línguas pessoas perdidas nos mares e nos ares, fagulhas, meros trastes e escombros... Chegam e somem, criadoras de palavras que denunciam, insistem, afagam; animais inesperados de vícios e virtudes que carregam consigo a sorte do desespero e da felicidade, contudo meros segmentos de histórias largadas às ondas e aos gestos. 

Foram e serão réstias dos passos dos andarilhos de outras terras, precursores de novas esperanças, ilustradores de livros e fábulas, senhores das velhas recordações do que o Tempo devorou dos próprios filhos. A isso, a buscar compreensão, trabalham os que transmitem aos altares o credo das palavras, os seus autores.


15 janeiro 2021

A alegria acima de tudo - Por: Emerson Monteiro


Qual disse Oswald de Andrade, a alegria é a prova dos nove. Sem ela, só ela há de mudar o mundo. Nem bomba, nem fogo, nem nada. Só ela. A alegria, mãe das felicidades e das cantigas emocionantes. Esperar de quem tem a oferecer de bom, a doce e querida alegria. O norte das criaturas. Uma manhã de sol aberto, brisa suave, pássaros no céu. Luz, muita luz, nos corações, a alegria. Festa no campo, no tempo. Amor preenchendo o firmamento. Esqueça nunca não, meu amigo, minha amiga, longe de tudo, mas perto da alegria. 

Uma história boa pede alegria na hora de serem felizes para sempre, na derradeira cena. Aquele beijo gostoso do mocinho com a mocinha, depois das escaramuças, qual se jamais houvesse mudança. O final feliz que nos espera de braços aberto, no dia em que descobrirmos que a alegria tem saúde moral, mental, sentimental, espiritual. Aceitar de peito aberto a nave da alegria e o dever de ser alegre, animado, sorridente. Quão bom será o momento em que deixaremos de lado as estações do passado e atualizaremos nossos desejos a um só desejo, o altar da deusa Alegria, e viver isto intensamente no coração das pessoas. 

Falar de quantas anda seu gosto por mais alegria no seio da Humanidade. Vem plantando o quê até obter o sucesso da alegria nos seus passos? Viver de realizar bons propósitos, amar a vida, o próximo, a si. Usufruir da consciência nos dias melhores que começam agora... Erguer as vistas aos cimos da montanha dos bons sentimentos... Produzir o peso justo na alma... Querer praticar os ensinos da paz, das virtudes. Pois somos ativos agentes da renovação através dos nossos praticados.  Alegria, irmã da Felicidade. 

Exemplo da natureza que fala o idioma dos dias de alegria, esquecer preocupações e exercitar valores sadios, prósperos. Isso depende da honestidade e da sinceridade da gente com a gente mesma. Abraçar a vida e viver a sabedoria de todos em uma só comunhão. Alegria, praça principal do Universo; o Sol a raiar dia limpo em tudo.


Dia da Religião: sem religião, não sei viver! – José Luís Lira (*)

 

   Uma bela canção do Padre Zezinho, maior cantor sacro do País, começa assim: “Eu vim de lá do interior/ Aonde a religião ainda é importante/ Lá se alguém passa em frente da matriz/ Se benze e pensa em Deus/ E não sente vergonha de ter fé” e conclui: “Mas deixa eu lhe dizer/ Que eu ainda creio e quero crer/ Que sem religião não sei viver/ Não sei viver!/ Não sei viver!”. Lembrei-me destes trechos quando vejo que em 21 de janeiro se celebra o dia mundial da religião e de combate à intolerância religiosa.

   O tema parece propício aos dias de hoje. Não irei aqui buscar uma definição para religião ou percorrer os caminhos que nos levam àquela que nos liga ao Altíssimo, pois, uma vida toda não é suficiente para isso. Talvez pudéssemos refletir sobre a importância da religião. A medicina já tem demonstrado que aquele que tem fé se cura mais rápido dos males físicos. Também os psicólogos alertam que quem crê tem mais condições de se curar dos chamados males psicológicos ou males da alma. 

   Vi e me emocionei, mais de uma vez, com a sinceridade de uma amiga agnóstica que dizia que não tinha orgulho de não ter fé e que quando uma pessoa sua falecia, ela não tinha nenhum conforto, enquanto que aquele que tinha fé, se apegava com Deus, com seus santos e obtinha conforto espiritual. Rachel de Queiroz dizia que quem tivesse fé, mesmo que pequeninha, cultivasse-a, adubasse-a, de tudo fizesse para que sua fé rendesse. Quem não tem o sobrenatural em sim, tem uma falha..., afirmava. 

   Após sua morte, um colega seu de Academia Brasileira de Letras disse: “Agora dormes na fé... O tempo recolhe os molhos/ de cristal, agora vês:/ dos pés à cabeça: Deus”.

    A fé é dom de Deus. Dom significa dádiva, presente recebido de Deus. Fé é o fermento da boa religião. No ocidente, temos uma predominância do cristianismo, aqueles que seguem Jesus, o Cristo. Sua mensagem de amor, de paz e de misericórdia moveu e move milhares de seres que o conheceram ou que meditaram suas palavras. Temos muitas religiões e quando se fala em combate à intolerância religiosa, o ideal é que nos respeitemos a todos e sigamos a religião que elegemos. Vemos muitas guerras e lutas desnecessárias, em nome de Deus que é AMOR.

    Lembro-me das batalhas de tantos líderes pela paz entre as religiões, pela boa-convivência entre fé e ciência e meus olhos se volvem à imagem querida do Papa de minha geração, São João Paulo II. Uma cena dele, em sua infância, nos dimensiona a grandiosidade dele. Em resposta a uma pessoa que discriminava um colega seu que era judeu, ele contestou a intolerante: “somos filhos do mesmo Pai”. O santo também pediu perdão a cientistas cujas teses não foram aceitas pela Igreja e assim por diante.  Depois de tanto ler sobre ele, chego à conclusão de que por ser santo, ele tinha uma ligação muita próxima com Deus, por isso entendeu tão bem que Deus é o mesmo.

Vejo na atualidade a ciência brilhando dentro da Igreja e sem me tornar suspeito, cito o amigo-irmão Cícero Moraes que orquestra um trabalho belíssimo, por meio do qual, a ciência revela os rostos da fé por meio de crânios dos santos, tão preciosos à Igreja. Sou feliz de ter participado de alguns destes trabalhos. Finalmente, espero que o respeito, arraigado no amor e na fé, reine entre todos os povos. 

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


14 janeiro 2021

Há momentos de que memórias se repetem - Por: Emerson Monteiro


Isto, espécie de imagens recorrentes involuntárias, quais músicas gravadas nos escombros do passado, de lá vêm sempre esses pedaços de tempo que, sem querer, somos levados a reviver, a ver lá por dentro da gente. E que se repetem constantemente, tais domínios de uma área de nós mesmos que quer ser lembrada de algum modo, a indicar que ali tem algo a contar, de que nem nos levamos em conta. Pergunto sempre a razão disso, o motivo dessas ações do Inconsciente, livre de pedir licença e os apresentar à memória. 

Diante das ocorrências fortuitas, a demonstrar poder sobre mim, baixo a cabeça e admito nisso haver mistérios a ser descobertos, porquanto trazem força de querer que nelas veja o que por vezes até me parece semelhante a psicanálise independente, vinda dos refolhos da Natureza. Busco haveres que somem nas dobras do interior, animais ariscos e independentes, mas sei bem que querem falar o que ainda não escuto com nitidez. 

Há na mesma dimensão o esforço que faço de relembrar sonhos, alguns que quanto mais quero trazer à realidade da consciência eles fogem... e os persigo nas horas depois do sono, sem maiores sucessos. 

Já os sonhos apresentam disposição constante de projetar fragmentos exóticos. Filmes perfeitos nas suas produções, eles oferecem detalhes dos dias e contêm segredos profundos da história do que virá, porquanto, dos meus maiores desejos, este de conhecer o futuro suplanta os demais. Escarcavio feito mouro sinais nos sonhos, na ânsia incontida de trabalhar com eficiência os desdobramentos do presente. Neste quesito de sonhos tenho melhores resultados, pois observo o sentimento que resta gravado na mente, ainda que os esqueça no todo. Servem de instrumento nas situações que vou vivendo, dia após dia. Deparo circunstâncias difíceis, e invés de entrar em desânimo recorro aos detalhes oferecidos nos sonhos e acalmo os pensamentos, alimentando prenúncios que possa haver recebido nas ocasiões das viagens oníricas. Quis falar um pouco desses aspectos das lembranças, que sejam semelhantes na maioria das pessoas.