19 outubro 2020

O viver não tem rascunho - Por: Emerson Monteiro


De comum, as filosofias ensinam valores a serem exercitados no decorrer da existência. São opções, nunca determinações, e nisso estudam o modo de comportamento dos tempos, examinam os métodos das gerações e concluem pelas doutrinas que levam às religiões e práticas sociais. Espécies de escrituras do que se obteve reação no decorrer das civilizações. Bem, isso, de meros repórteres dos idos e vividos significam os filósofos. 

Com isto, aprendem que procurar nas páginas dos livros guardados quer-se conhecer, e estender a mão ao futuro inédito. Porém de um detalhe sabemos com fartura, todo dia é dia novo, toda época tem seus novos costumes e experiências. Qual dizem os sábios, o passado é rastro de um farol que ilumina para trás. E uma sequência nunca vista nos aguarda lá na frente. Esse tema envolve diretamente a distância entre teoria e prática. 

Assim, viver representa a claridade de todo momento, e pronto. Ninguém, pois, que seja mestre do próprio destino.

O mesmo ocorre no que diz respeito aos credos e religiões; vêm os ensinos e a resposta depende do grau evolutivo de todo crente, porquanto representamos o que o somos de personalidade e caráter. De igual modo, as práticas políticas e sociais, onde todos vivem as experiências que a hora ensina pelas mãos das circunstâncias. O cidadão carrega sua formação e responderá com ela de acordo com a capacidade até então desconhecida. 

Ninguém queira, por isso, dominar a sombra dos seus atos, necessidade mínima de ter humildade, vez ninguém ser dono absoluto da verdade e muito menos detentores de certeza absoluta. 

Os conceitos do conhecimento humano transportam essas notícias através das massas, e pedem coerência no exercício pleno da verdade transmitida. Todo dia traz em si novidades, por meio dos fenômenos. Destarte, qual dissemos, o viver não tem rascunho. Superar desafios e aceitar o inesperado, portanto, só reclama poderes que nem nós imaginávamos antes possuir.

Ilustração: A queda dos anjos rebeldes, de Pieter Brueguel. o Velho.