07 maio 2020

Brava gente brasileira – por Armando Lopes Rafael


“Brava gente brasileira!
Longe vá… temor servil"
(Estribilho do Hino da Independência)

    Povo sem memória, o brasileiro!
    A transposição das águas do Rio São Francisco, para o semiárido nordestino, foi planejada na primeira administração do ex-presidente Lula da Silva (2003–2006). Iniciada apenas em 2007, já na segunda administração de Lula, a conclusão da obra era prevista para 2012. No entanto ela se arrastou por 2 administrações de Lula; 2 administrações de Dilma Rousseff; 2 anos do governo Michel Temer e 1 ano e meio da administração Bolsonaro...Lá se vão 17 anos de espera...
    Povo paciente, o brasileiro!

      Há um episódio nessa transposição que também foi esquecido.  Lembram-se daquele bispo católico que, em 2007, fez uma greve de fome, alertando para a preservação do Rio São Francisco? Há treze anos, Dom Luís Flávio Cappio, Bispo de Barra (BA) denunciou que o chamado Rio da Integração Nacional passava por inúmeros problemas ambientais, incluindo o assoreamento, o que fazia aquele curso de água ficar, a cada dia, mais raso. Dom Flávio Cappio dizia que o projeto faraônico da transposição das águas do Rio São Francisco corria o risco de naufragar devido ao pouco volume de água.

Dom Luiz Flávio Cappio -- Bispo de Barra (BA)

        Povo besta, o brasileiro!
       O Bispo foi execrado pela legião de pessoas que acreditava em Lula e no PT. Em 2007, todo mundo ficou ao lado do governo (naquela época Lula e o PT ainda tinham alguma credibilidade), e contra o bispo. Muitos escreveram que Dom Cappio era um desumano, que não queria dividir a água com os sertanejos do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Foi um Deus nos acuda...

         O que dizia Dom Luiz Cappio? Simplesmente que, antes de desviar as águas do rio para a transposição, o governo precisava de um projeto paralelo de recuperação ambiental com o objetivo de melhorar a qualidade da água daquela bacia hidrográfica. Isso incluía: o reflorestamento das margens na tentativa de recuperação da mata ciliar, impedindo a erosão, a qual, em muitos pontos estava entupindo os canais, gerando assoreamento, causando problemas para a navegação e diminuindo a concentração de espécies nativas. Outra iniciativa que precisava ser feita -- lembrava o bispo --, era a coleta e tratamento das águas dos esgotos das cidades ribeirinhas na Bahia e Pernambuco, na tentativa de diminuir a poluição hoje presente no rio.
             
              Moral da Opereta buffa: A transposição não foi concluída, até hoje 17 anos depois. E  Dom Luiz Cappio continua coberto de razão...