29 setembro 2020

Deuses dos pés de barro - Por: Emerson Monteiro


 É que a sustentação de tudo quanto existe neste Chão bem que representa só isto, de grandes monumentos postos sobre estruturas frágeis, incompletas, conquanto há uma destinação que diluirá aquilo que implica nas criações parciais do universo estreito que ainda somos no mundo da matéria. Claro que se quer que assim não seja, no entanto nenhuma alternativa de provar o contrário persiste diante do medo constante da inexistência. Argumentos não subsistem perante a queda livre inevitável das coisas e dos dias desse plano escorregadio que redunda em nada.

Face esses no entanto, aonde, pois, segurar o aparentemente seguro? Acreditar seria insuficiente Daí a larga interrogação dos argumentos de tantos que apostam nas casas da destruição e jogam fora a vida, a alma, o futuro, a história, os sonhos, nas empresas destinadas ao definitivo nas esquinas logo ali em frente. O que faz com que seja deste modo, de apostar nas casas da perdição quais dementes, quase sempre a roer os ossos da existência precária dos homens.

O cidadão imprime todo esforço em querer ser grande perante a sobrevivência, mesmo sabendo que nada persistirá. Todavia acredita no impossível e deixa a ilusão morar lá onde devesse alimentar outros motivos. Jogam a paz, o senso e a felicidade num lance de dados, largando o patrimônio da vida no escuro dos desenganos, levando consigo o desgosto e a inutilidade. Raros, raros, agem doutra maneira.

Estes querem acertar e renunciam ao descaso com que os inúmeros trabalham no acúmulo de riquezas, prazeres celerados, dramas e angústias, apenas a título de realizar a leviandade dos instintos. Tais vidas, tais mortes... Porquanto desacreditam, sem convicção, na continuidade dos seres que ora somos. Escolhem a letra que mata e desprezam o espírito que vivifica. Firmam os pés no lodaçal da fragilidade e desprezam o êxito de uma verdade maior. Escolhas versus escolhas...


28 setembro 2020

Os versos - Por: Emerson Monteiro


Minha infância depois dos cinco anos vivia em casa ampla onde morávamos, na Rua Padre Ibiapina, bairro Pinto Madeira, em Crato, vizinha a serraria de meu pai e de um tio, irmão de minha mãe, Quinco Monteiro. Na área em frente daquele sobrado de dois pavimentos construído pelo dentista Pergentino Silva na década de 40, empilhavam carradas de toros de cedro acinzentados do barro das margens do rio São Francisco, de onde procediam. Daí, demoravam utilizar em portas, janelas e móveis, confeccionadas por exímios marceneiros e carpinteiros.

Meus dois irmãos mais velhos, Everardo e Lydia, frequentavam o grupo escolar no turno da manhã, enquanto eu ficava no período a brincar no terreiro com os meninos da rua, ou vendendo a lenha, que sobrava do sarrafo das madeiras, utilizada em fogões domésticos anteriores aos de gás butano de hoje.

À tarde, seria minha vez de ir à escola, o Grupo Dom Quintino, no mesmo quarteirão, esquina da Rua São Francisco com a Monsenhor Esmeraldo.

No intervalo do trabalho, entre onze e uma hora da tarde, alguns dos operários, que procediam, na maioria, de Juazeiro do Norte, preparavam a refeição em cozinha improvisada num dos cantos da serraria. Alimentados, buscavam lugares mais amenos debaixo dos galpões para ouvir a leitura de folhetos de literatura de cordel que compravam na feira semanal.

Reservavam emoções especiais a esses momentos, mistura de mágica com recantos agradáveis de países distantes, aventuras em viagens fantásticas, batalhas de mouros e cristãos, príncipes, princesas, reinados esplendorosos, animais diferentes, bravatas, desafios, sonhos. Eu, ao meu turno, terminava rápido minha refeição já com endereço certo de ficar junto daquela confraria dos apreciadores atenciosos dos trechos lidos pelos operários. Acabou sendo esse o meu primeiro contato com a literatura. Eles denominavam versos aqueles livretos populares, nome genérico destinado a cada um, sem exceção.

O interesse de menino que demonstrava pelos cordéis me habilitava recolhê-los ao final quando se completava a leitura e reiniciavam a faina do trabalho. Com esses versos formaria bela coleção que guardava na gaveta da mesa principal da nossa casa, lugar mais seguro que encontrara, apenas por mim utilizada e fora da atenção das outras pessoas. Ocorria, raras vezes, no entanto, dos operários pedirem que trouxesse de volta para releitura algum dos volumes.

Passadas décadas, ainda me recordo o título de vários daqueles livretos que conheci na infância: Romance do pavão misterioso, Juvenal e o dragão, A triste partida (que chamavam de O verso da seca, da autoria de Patativa do Assaré), A chegada de Lampião no Inferno, A peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo, Aladim e a lâmpada misteriosa, Proezas de João Grilo, História de Roberto do Diabo, História do valente sertanejo Zé Garcia, O prêmio da inocência, A bela adormecida no bosque, A batalha de Oliveiros e Ferrabrás, A força do amor – Alonso e Marina, O soldado jogador, A vida de Cancão de Fogo e seu testamento, A prisão de Oliveiros, A filha do pescador, Os doze pares de França, dentre outros.

O mistério que existe nos livros eu descobri, pois, sua existência nesse tempo, através da literatura de cordel, este mundo encantado da tradição popular.

Curas musicais - Por: Emerson Monteiro

 


Certa vez, na década de 80, encontrei Luiz Gonzaga numa loja de móveis, em Crato, quando pude escutá-lo a falar algumas coisas sobre o poder de curar que tem a música, guardando, dessa ocasião, as duas histórias que agora escrevo.

Transcorriam os anos de ouro da Rádio Nacional do Rio, a cujo cast pertenceram os maiores talentos da música brasileira daquela época, dentre eles se inseria Gonzaga. Aos domingos, havia programa noturno da mais ampla audiência. Numa dessas ocasiões, o nordestino foi procurado por Netinho, trompetista que fazia parte da orquestra da emissora, a lhe dizer que estava com um filho enfermo, vítima de problema grave, o qual a medicina não conseguira diagnosticar. Por ser o garoto fã incondicional do Rei do Baião, queria o pai fazer-lhe uma surpresa e convidava o músico a visitar sua residência. 

De pronto, Luiz aceitou o convite, oferecendo, inclusive, seu automóvel como transporte para, tão logo concluíssem o trabalho noturno, seguirem até o bairro afastado onde residia a família do colega, assim, ocorrendo. 

Chegados à casa, o cantor, munido da famosa sanfona, se dirigiu aos aposentos da criança, que feliz pode ouvir as  músicas de sua preferência interpretadas pelo próprio ídolo.

Quase em seguida, para espanto de quem presenciava a cena, o menino, antes tomado por intensa febre que lhe prendia ao leito, esboçou imediata recuperação e, já na despedida, levantou-se, indo à porta, de todo refeito do mal que se vira acometido.

Ocorrência semelhante também se dera, de acordo com as palavras de Luiz Gonzaga, numa visita que ele e dona Helena fizeram a amigos, na cidade fluminense de Macaé. 

Tratava-se de casal de origem sírio-libanesa, estando o esposo a passar momentos difíceis por causa de doença incurável que lhe roubara o entusiasmo de viver. Informado da ocorrência, pouco antes do show que faria na cidade, Lua decidiu ver o amigo, indo a sua procura, mesmo sabendo que seria mínima a demora, dada a programação prevista. 

Depois de efetivada a deferência, seguiu em busca do compromisso, onde um grande público lotava a praça principal, esperando os acordes inesquecíveis do menestrel.          

Da hora em que saíra da casa do amigo até aquele instante não se passara muito tempo. Achava-se nas primeiras músicas da apresentação, entoava o Baião da Penha, quando percebeu algumas pessoas abrirem caminho no meio da multidão, oferecendo espaço a um automóvel que rumava na direção do palco. Nele vinha, junto da esposa, o dito senhor que Luiz Gonzaga há pouco visitara; aproximando-se, foram alçados ao palanque, onde permaneceram no decorrer da grande festa. Depois disso, conforme o relato daquele que protagonizou o ocorrido, desapareceram de todo e para sempre os sintomas da enfermidade e o amigo pode, sadio, viver ainda muitos anos.


26 setembro 2020

O Santo Vicente – por José Luís Lira (*)

   Na prestigiada revista “O Cruzeiro” que circulava em 24/09/1960, há 60 anos, a escritora Rachel de Queiroz escrevia sobre os trezentos anos do falecimento de São Vicente de Paulo, o santo da caridade, celebrado domingo, dia 27. Depois de tantos anos, a palavra de Rachel de Queiroz que se declarava agnóstica (impossibilidade de dizer com certeza se Deus existe ou não), escreveu uma das mais belas páginas sobre o extraordinário São Vicente de Paulo. A crônica de minha amada madrinha Rachel merecia ser transcrita na íntegra, mas, o espaço aqui não é suficiente então, transcrevo trechos. Com a palavra, a imortal Rachel de Queiroz:

 “...em 27 de setembro de 1660, morria em Paris um ancião. Camponês de nascimento, pastor na sua infância, prisioneiro de piratas e cativo de um alquimista árabe nos seus vinte anos, padre, postulante em Roma, confidente de S. Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, discípulo do Cardeal de Bérulle, preceptor daquele que foi depois o demoníaco e aventureiro Cardeal de Retz, esmoler da Rainha Margot, confessor “in extremis” de Luiz XIII, diretor espiritual de Ana d’Áustria (...), esmoler-geral das galeras do Rei, intermediário de paz nas lutas da Fronda, fundador das congregações dos Lazaristas e das Irmãs de Caridade - chamou-se em vida Vincent-de-Paul. É o nosso São Vicente de Paulo. Mas, nos altares onde subiu, não é representado junto a reis nem rainhas - mas como um padre velho que abriga sob a capa duas crianças desvalidas. Pois o que fez um santo do camponês de-Paul, não foi a convivência dos grandes - foi a sua heroica virtude da caridade...

    Há, na santidade de Vicente de Paulo um elemento que o aproxima especialmente de nós, no nosso século tumultuoso. É a sua condição de ativista, de homem atuante, de operário de Deus, que enfrenta o mal pegando-o pelos chifres, em vez de apenas o exorcizar. Com a sua energia de camponês, o seu bom senso popular, fez da caridade uma tarefa do corpo, além de uma exaltação da alma. S. Vicente é um santo que a gente entende, e, como o entende, ama-o melhor que aos outros, os que sobem às altas esferas da doutrina e do misticismo. S. Vicente, contemporâneo de Richelieu e de Luiz XIV, soube ensinar a um mundo ofuscado por esses dois que foram o alfa e o ômega do Grande Século, que além da grandeza política, além do orgulho nacional, além do poder e da pompa de Rei, existe uma glória maior, mais duradoura: a glória humilde de servir, de enxugar lágrimas e sarar dores.

   Trezentos anos se passaram. De Richelieu e Luiz, o Sol, que resta? Pedras mortas, páginas de livros. Mas a obra de Vicente de Paulo está aí, viva, palpitante, eterna, maior ainda que em vida do santo, multiplicada muitas vezes. Não há lugar perdido no Mundo, na Europa, na Ásia, na África, na América ou na Oceania, que não apareça nos mapas da caridade como parte de uma província Vicentina. Hospitais, orfanatos, escolas, asilos - qualquer forma de caridade elas revestem”.

    Rachel prova aquela imortalidade que o também imortal Victor Hugo, célebre escritor francês, afirmou ao ser eleito para a Academia Francesa de Letras, em 1841, “Verdadeiramente imortais são os santos católicos que quase 2000 anos depois de sua morte ainda recebem culto”.
São Vicente de Paulo, rogai por toda a humanidade!
 
   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


25 setembro 2020

Transcendência - Por: Emerson Monteiro

 Nas batalhas, entre exércitos que combatem, no campo de manobras resta margem de respiração no meio dos dois territórios. Aquela faixa recebe o nome de Terra de Ninguém. Zona intermediária por demais importante, exige de ambos os lados condições mínimas de respeito a título de segurança das tropas. 


Assim nos humanos. De um aspecto, o mundo ilusório. Do outro, a transcendência do Ser. Qual fruto em fase de amadurecimento, a existência permanece o tempo inevitável de, um dia, cruzar a fronteira e unir a divisão dos dois eus que ainda elaborar o sonho da Salvação. 

Presos ao Chão daqui, estamos nessa época de cruzar a Terra de Ninguém e desvendar os bosques da libertação da individualidade. Nisso, a busca da Luz da espiritualidade. Largar os apegos da matéria e conduz o barco aos oceanos do Infinito, razões principais da Consciência. O barco do Ser que se permitir navegar em águas da Perfeição.

Nessa epopeia de realização, o trilho há de iluminar a alma da gente. Primeiro, saber disso. Desvendar o primor da possibilidade. Admitir o senso da procura e caminhar rumo da concretização. Trabalhar em si os meios de querer e dar o primeiro passo. Exercitar o conhecimento através dos meandros por vezes escuros daquela zona de luta de nós conosco próprios. 

Transcender, eis o nome que resume as ações de vencer as montanhas e os precipícios da zona desmilitarizada dentro do campo de batalha que somos nós mesmos. Converter a permanência em impermanência e deixar margem a transpor o espaço das contradições, até revelar ao ser interior o mistério da superação. Isto significa bem o decorrer das buscas.

Ausentes disso, dessa condição determinada através das leis eternas, fora daquele território neutro, impera a inexistência, cavernas da ilusão. Requer coragem vencer as barreiras dos céus e chegar aos braços do Amor, fonte da Vida. 


24 setembro 2020

Tempo, o senhor da Razão e dos acontecimentos


No transcorrer das gerações só não aprende quem não quiser. São as ondas repetidas do mesmo oceano do Tempo que quebram sucessivas nas praias dos destinos. Dizem que o uso do cachimbo é que faz a boca torta, no costume daquilo que vira comportamento. E nisso existe uma escola aberta aos que queiram reconhecer as lições da verdade, da justiça e da paz. Essa aparente ingenuidade que ocasiona os erros de comportamento nada significa além de pouca inteligência moral daqueles que repetem os desmandos que ficaram lá atrás na crueza do passado. Falamos isto a propósito da falta de critério que empana os dias de hoje no mundo inteiro, que, se nenhuma consideração pelos resultados negativos até aqui apresentados pelos modelos praticados, agem quais vítimas de si mesmos.

Avaliemos isto pelas lideranças que nos trouxeram até aqui e detectemos o tanto de fragilidade nos costumes da Raça. Quero crer nem ser necessário indicar culpados, conquanto todos o somos, autores e vítimas dos próprios atos, pois a evolução dos meios políticos e sociais levaram a trabalhar as escolhas. Ninguém alegue desconhecer o jeito certo de selecionar as lideranças que conduzirão as instituições coletivas logo depois dos pleitos eleitorais. 

No entanto até parece que andamos de marcha ré, face dos resultados que vêm à tona horas sem fim. As crises do Planeta apontam os desmandos de verdadeiras feras da ganância, causas das divisões de classe, da exploração das nações pelos impérios, destruição inconsequente da natureza, escravidão dos fracos e acumulação deslavada de minorias perversas. Entretanto o barco segue seu curso pelo rio dos acontecimentos, todo instante a oferecer novas chances de lucidez quase constantemente atiradas ao lixo da História.

Bom, este é o quadro por demais conhecido de um egoísmo crônico que persiste na geopolítica, apesar de tanto conhecimento acumulado, ausente, no entanto, da consciência geral, sobretudo no que tange às lideranças emergentes, reconhecendo, porém, ser larga culpa que cabe aos responsáveis pelas más seleções, vez que os indivíduos são eles e suas escolhas, afirmam os sábios.

Ilustração: Os colhedores, de Pieter Brueguel (o Velho).

22 setembro 2020

Há uma luz acesa no coração - Por: Emerson Monteiro


Vem de dentro do silêncio essa voz que embala o sentido das existências, luz que ilumina a firme disposição de continuar pelas vidas afora. A força do querer. Ninguém que se preze fugiria de admitir este poder indomável de querer seguir mesmo diante dos obstáculos que sujeitem os dias. Autores da vontade de viver a todo o momento depois de lançados na correnteza, os humanos sobrevivem às intempéries mais duras, sempre no ímpeto de preservar a oportunidade deste chão por vezes tão inóspito. Os maiores apuros jamais desvanecem o impulso das vidas, por menos e válidos elementos estejam disponíveis.

Esse querer de sobreviver nasce de luz que ilumina o coração da gente, a reclamar espaço no invisível do tempo. Independente, pois, das condições necessárias, se quer a qualquer custo alimentar a ânsia de existir, tanger adiante o processo de estar aqui agora, fruto das escolhas logo após o nascimento. Paladinos desse apostolado, nem sempre conhecemos a fonte origem de tanto empenho, porém há, sim, uma luz bem acesa no coração da gente, que alguns denominam fé, outros coragem, esperança, convicção, ideal, amor, justiça, paz, etc.

Autores existencialistas esclarecem tais razões quis sejam vontade, exercício de liberdade, sonho de poder, enquanto os outros indivíduos estabelecem limites aos demais sob que exercitar esse tal estado de potência; a nós correspondem as escolhas daquilo que nos permitam escolher. Todavia persiste e luz acesa na alma das criaturas humanas, foco das atitudes dia após dia.

Quanto à resposta que seja dos viventes caberão, outrossim, variações de pessoa a pessoa, vindo desde então os tantos desempenhos e práticas trazidas às histórias das gerações. Isto varia ao infinito, conquanto demasiadamente, no território entre o fracasso e o sucesso, dos dramas às alegrias, retratos fieis das epopeias deste mundo fruto da compreensão dessa luz que ilumina no coração de todos o desejo de viver.


21 setembro 2020

Sombra e Luz - Por: Emerson Monteiro

A China preserva uma tradição milenar, vistas as técnicas de registro que desenvolveu como nenhuma outra civilização. A propósito, vale lembrar que fabricou o papel, aperfeiçoou a porcelana e a seda, além de produzir instrumentos de orientação, depois usados pelos ocidentais quando de suas viagens marítimas para conhecer o resto do Planeta.                                   

Dentre os consagrados gênios do pensamento chinês figura Fo-Hi, denominado Imperador Amarelo, que se destacou pelas pesquisas no campo da Ciência Universal. Sábio avançado para sua época, voltou-se a conhecer a natureza humana e sua busca de adaptação com o meio em que vive. E dos conhecimentos que deixou à posteridade um queremos aqui avaliar: o do Princípio Único da Bipolaridade, que afirma tudo ter o seu contrário para poder existir. Ou Yin/Yang, a Lei Universal na matéria, base de todo progresso tecnológico.

Sobre o assunto alguma coisa pode ser falada, ainda que de modo rápido, devido às dimensões restritas deste pequeno instrumento de divulgação. 

Após passarem a existir, sem que avaliemos o mérito disto, os seres animados e inanimados se vêem situados entre dois extremos de força, o centrífugo e o centrípeto. Na energia elétrica, são eles os dois pólos, negativo e positivo, a terra e a fase. 

Caso analisados sob o prisma do equilíbrio entre as partes, fenômenos e objetos a se apresentam dentro da obediência deste princípio. Lua e Sol. Noite e dia. Açúcar e sal. Mulher e homem. Escuro e claro. Baixo e alto. Frio e quente. Esquerdo e direito. Tudo tem seu outro lado, possibilitando a relação cooperativa e complementar na outra extremidade. Friedrich Hegel (filósofo alemão) demonstrou, na Filosofia, esta lei, quando criou o método dialético da tese e da antítese a gerarem uma síntese, início de nova tese, aspectos distintos do processo energético do movimento na matéria.

  

SETAS ESPIRITUAIS

  

As religiões também se utilizam referências idênticas, desde a mais distante antiguidade, registrada em livro, no Hinduísmo, onde se lê, na Sublime Canção dos Vedas (Bhagavad Gita), o diálogo entre Arjuna, um guerreiro em conflito quanto a lutar ou se omitir face batalha extrema, e Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, a lhe indicar o caminho da Verdade e manter o seu ânimo de lutar. 

Depois, veio o Budismo, fruto da evolução individual de Gautama, que desperta em si o Eu Búdico, ou o Buda (O Iluminado), no outro lado de si mesmo, o Eu Superior. 

No Cristianismo, Jesus de Nazaré, após os 40 dias no deserto, virá às margens do rio Jordão, no Batismo, dividir a História com a manifestação do Cristo (Escolhido de Deus), sua outra natureza, seu lado interno, transformação que passa a transmitir em andanças persistentes através da Palestina, anunciando o Reino Divino existente no coração de cada ser humano - Sois deuses e não o sabeis. 

 Meu caminho é o do coração. Ninguém chegará ao Pai a não ser por mim.                                                            Buscai a porta estreita, porque larga é a da perdição.

 Não saiba a vossa mão esquerda o que dá a vossa mão direita. 

 Se vosso olho é mau, todo o vosso corpo é mau. Se vosso olho é bom, todo o vosso corpo é bom.

 Brilhe a vossa luz. 

A mesma lei veio também de orientar a Psicologia moderna, pois o mesmo princípio passa por todas as coisas do Universo, segundo afirmativa de Hermes Trismegisto, sábio consagrado no Antigo Egito. 

No campo da pesquisa psicológica, os resultados demonstram que a essência da personalidade compreende uma harmonia que se faz no funcionamento proporcional do ego e do Eu Superior, os mesmos dois valores ora aqui abordados. 

    

OS HEMISFÉRIOS

  

Distantes dos conceitos apenas abstratos, vemos, na composição física do corpo, em sua arquitetura, que o nosso cérebro se estrutura em dois hemisférios, esquerdo e direito, a se entrecruzarem nas ligações nervosas para com o restante dos órgãos, a coordenarem os lados interno e externo complementares, enquanto que se comunicam por estreita faixa denominada corpo caloso – uma espécie de ponte correspondente a 25% da área de fronteira destes dois territórios, qual traço de união.

Estudos de funcionalidade avaliam que existe uma proporção de predominância, na razão de l para 3, de um lado sobre o outro, as mesmas equivalências de terra e água, na face da Terra. 

Como visto, o mesmo princípio também forma tudo o que existe, e se sabe que um dos aspectos possui luz própria, no contexto da própria Lei, sem que sejam necessários juízos de valor, a indicar que a Verdade existe, independente das escolhas individuais das criaturas humanas, qual coisa em si, além das interpretações e escolhas particulares. 

A luz do Sol é própria; a da Lua, refletida. 

Na energia elétrica, apenas o positivo dispõe da fase, ou fogo, com mostra a experiência cotidiana; o outro pólo, a terra, poderá se trazer na ocasião da exteriorização da força, como se dá nos sistemas de fornecimento que utilizam apenas de um único cabo para transportar a eletrificação, exemplo adotado como alternativa de menores custos. 

Nesta seqüência de raciocínio, a lógica reflete uma norma original, onde o progresso se evidencia qual tendência natural, onde as águas correm sempre para o mar, como diz a sabedoria do povo. As trevas fogem da luz, porém a luz não foge das trevas. E o Homem se vê na condição inevitável de um dia ser feliz, pelo triunfo definitivo do Amor sobre a morte. 

No entanto, isto compete ao livre-arbítrio de cada criatura pensante, que deve evoluir por esforço exclusivo, sendo-lhe permitido o plantio de uma colheita eterna e justa, como propõem as filosofias e religiões: A cada um conforme o seu merecimento. 

    

A TRAVESSIA

  

Deveremos mudar de lado, romper o cristal que nos divide, conduzidos pelo poder maior da Consciência, e passar ao outro hemisfério cerebral, que também nós somos. Para percorrer este caminho de libertação, atravessemos o Mar Vermelho, a seiva colorida que nos irriga vasos, veias e artérias, para chegar na Terra da Promissão e viver o sonho da real felicidade. Eis o mito hebreu da Passash, ou Páscoa, a significar, em hebraico, passar sobre (atravessar), da escravidão para a libertação. 

Quando Saulo de Tasso, na estrada de Damasco, se refazia do impacto vivido na presença da Luz, se depara com tamanha mudança interior que passa de Saulo a Paulo, e afirma: - Não sou eu quem vive. É o Cristo que vive em mim. 

Portanto, a capacidade humana de se auto-avaliar demonstra conteúdo espontâneo de um fenômeno biológico permanente, em cumprimento de trilha universal organizada desde a origem de tudo, qual o mesmo percurso da Terra em volta de um eixo imaginário, iluminando-se ao Sol, que a clareia do Leste para o Oeste.   Do olho esquerdo para o direito - na rotação própria da evolução - quando cada olho corresponde a um dos hemisférios de predominância do uso cerebral, no espaço físico do próprio corpo. 

A história de Jesus revela bem claro este enfoque, por muitos usado para dominar os outros, como fonte de poder temporal, revestindo de mistério o simples de sentir e viver, criando bloqueios à percepção daquilo que nos acompanha pela vida. Fundaram até, em proveito de pompas e privilégios, os conceitos indeclináveis de secreto, tabu, mágico, milagroso, dentre outros, sempre em prejuízo da maioria social e a favor de uma elite prestigiosa e impenitente. 

Com a perspectiva ampla das oportunidades, veio a propagação das idéias, fase em movimentação, no seio da espécie humana. Recordamos, deste tempo, a invenção da imprensa ocidental, que deu publicidade à cultura letrada, propiciando o espaço fértil de textos antes retidos a sete chaves, para tão só beneficiar grupos de poder. 

  

O EXEMPLO CRISTÃO

  

Quando massacrado por judeus e romanos, na colina do Gólgota, próxima a Jerusalém, foi Jesus submetido à crucificação entre dois ladrões. Observemos que tudo faz sentido na linguagem divina. Pois Gólgota quer dizer crânio e os dois ladrões representam os dois olhos, a nos retirar da concentração interior, levados aos chamamentos das ilusões exteriores. Um ruim, outro bom, segundo a tradição; porque ambos revelam a sintonia polar da avaliação aqui proposta: negativo e positivo. Ao centro, no alto, acima dos olhos, uma glândula, também pesquisada pela ciência em certas escolas iniciáticas, denominada terceiro olho, corpo pineal, olho de Shiva, consciência cósmica, olho da vidência, etc.

No Zen-Budismo, as modalidades de despertamento se dão através do samadhi, vislumbre de uma consciência nova, qual lampejo luminescente (insight) - a se completar, pela prática fiel e virtuosa, no Nirvana, encontro definitivo com Deus. Lembremo-nos de Jesus, quando disse: - Aquele que perseverar até o fim será salvo.  

Face à constatação de que se pode transmitir a energia elétrica via um único cabo, como dissemos, e ao se pensar que o ego equivaleria ao fio terra, ou o nosso corpo de matéria; o Eu, por sua vez, o Espírito (o outro lado), que continua vivo após o desaparecimento do invólucro material, podendo depois vir a se manifestar noutro corpo (pelo princípio da Reencarnação), levado pelo aspecto abstrato da existência energética, ou semimatéria, instrumento de que se reveste o Espírito imortal até a sua total libertação deste mundo.                                                                                            

Se um atributo é matéria, o outro se opõe na característica, por meio de corpo imperecível. 

Numa escala constante de graduação, as pessoas crescem para o Bem Eterno, dentro de sua capacidade de comando, ou grau de memória. A quem muito foi dado mais lhe será pedido. E o momento em que cada um de nós existe pode ser avaliado pelo modo de seu comportamento. Pelo fruto se conhece a árvore. Árvore má não dá bons frutos; árvore boa não dá maus frutos, na afirmação evangélica. 

  

ONDE ESTAMOS? 

  

Perante a dúvida de qual hemisfério se usa como predominância, busquemos classificar nossos próprios pensamentos, sentimentos, atitudes. 

Quando positivos, otimistas, construtivos - sinais evidentes da utilização do hemisfério do coração. Caso inverso - o da fria razão. Isso fica nítido, sobretudo quando proliferam tantas escolas do pensamento quais remédios universais para tantos males. 

Existem, sim, estudos avançados sobre as polaridades hemisféricas cerebrais. Ainda na década de 70 do século passado, no Brasil, o jornal Movimento (nº.s 122 e 123), publicava artigo do teórico canadense de comunicação Marshall McLuhan, a considerar que se a Humanidade adotar o outro hemisfério cerebral solucionará os graves problemas da inflação, da fome, guerra, angústia, drogas, desigualdades sociais, desemprego, ganância, egoísmo. 

Quando se sabe do certo, despreza-se o errado - norma comezinha da inteligência prática. 

Assim decidimos pela divulgação que ora fazemos, dado o pressuposto de que Deus é a simplicidade das coisas mais simples, como aprendemos dos experientes na arte do bom viver. Tomamos por método compartilhar a emoção do sentir junto daqueles que, por vezes, acham por demais remotas as possibilidades da transformação. (Não poderá ver o Reino Divino quem não nascer outra vez). 

- Não se acende uma lâmpada para ser escondida, mas para que se eleve e ilumine toda a casa. 

Sabe-se de pessoas que questionam este ponto de vista. Entretanto isto jamais justificaria o desuso no direito de falar. Deste modo, como outros também fazem, apresentamos estas idéias, fruto de nossa história. 

  

SOM E IMAGEM

  

 Quisemos amarrar o burro nas orelhas do dono, dizendo e mostrando, em nós próprios ser possível a mudança de alternativa hemisférica, para aqueles que quiserem ver. Contra fatos não há argumentos, num axioma clássico de domínio público. 

- Uma imagem vale por dez mil palavras – asseguram os mestres orientais. 

Palavras faladas se propagam à velocidade do som, a 343m/s. As imagens, à da luz, a 299.792km/s, sem termo de comparação em nível de rapidez, portanto. 

Numa outra conhecida comprovação, Mcluhan conclui que o meio é a mensagem, isto trazendo à baila as palavras de São Francisco de Assis, que defendia a tese de que as palavras convencem, mas o que arrasta é o exemplo. 

Tais como estações de ondas curtas (a porta estreita) e médias (a porta larga) trabalhamos, na face do Universo recebendo e transmitindo vibrações eletromagnéticas, tanto negativas, quanto positivas, cabendo-nos definir a nossa predileção. Um vibrando para o bem equivale a milhões vibrando para o mal, eis o que afirmava Mahatma Gandhi, o mentor da independência da Índia. 

Muito ainda mais se dirá sobre o que aqui trouxemos, e que todos possam sempre usufruir, livres de preconceitos e limitações. De novo citamos Jesus, em frase de beleza incomparável, a informar que os que comerem deste pão jamais terão fome, e beberem desta água jamais sentirão sede. Então, quedemo-nos quais crianças, a escutar as notícias dos páramos da Luz Superior no mais íntimo de nós mesmos. 


19 setembro 2020

Como explicar o golpe republicano de 1889? – por Armando Alexandre dos Santos (*)

 

       O movimento monarquista vem encontrando, no Brasil atual, um clima favorável para sua expansão. Multiplicam-se os Círculos Monárquicos, realizam-se em sucessão os Encontros Monárquicos regionais e um número cada vez maior de jovens esperançosos e cheios de futuro acorrem a nossas fileiras. Uma pergunta que muitos deles fazem é como explicar a proclamação da República. Como foi possível que um Império estável e bem sucedido desabasse, de repente, de modo tão espetacular, a ponto de surpreender aos próprios republicanos?

   O declinar do Império acompanhou, passo a passo, o declinar da própria saúde de D. Pedro II, personalidade marcante, profundamente entranhado no imaginário e na mentalidade dos brasileiros. De tal modo ele representava, simbolizava e personificava toda uma ordem de coisas política, social e cultural que, por assim dizer, generalizou-se a ideia de que essa ordem não poderia sobreviver ao velho monarca.

     O que faltou foi uma maior explicitação e conscientização de que o regime monárquico transcende muito a pessoa de um monarca, por mais paradigmático e carismático que ele seja. Faltou uma fundamentação doutrinária que, expressa em termos acessíveis aos homens da época, representasse um “exorcismo” suficientemente poderoso para resistir às tentações e aos cantos de sereia das novidades republicanas. Faltou, igualmente, uma campanha de propaganda inteligente e bem articulada que chamasse a atenção da opinião pública para os grandes predicados pessoais da Princesa Isabel, que sem dúvida estava à altura de conduzir, após a morte de seu pai, os rumos nacionais.

   Com sua formação religiosa e sua fina sensibilidade feminina, ela teria sabido consolidar tudo quanto havia de bom no reinado de D. Pedro II, corrigindo de modo jeitoso os pontos que inegavelmente precisavam ser corrigidos. Ela teria sabido levar o indispensável trabalho de inserção condigna, na sociedade e na vida econômica do Império, dos libertos do cativeiro. Ela teria sabido promover a imigração, a expansão da fronteira rural, o crescimento populacional e, mais tarde, quando chegasse a hora adequada, a industrialização do Brasil – tudo isso de modo temperante, equilibrado e adequado ao modo de ser e à índole do povo brasileiro.

    A própria federalização do País, que já era anseio de muitos monárquicos antes de ser uma reivindicação republicana, e uma mudança no sistema eleitoral (já preconizada pelo próprio D. Pedro II, nas instruções escritas que deixou a sua filha quando esta, pela primeira vez, assumiu a regência do Império), poderiam se ter dado naturalmente. Em suma, com um terceiro reinado isabelino, todas as inevitáveis transformações políticas, econômicas, sociais, culturais, poderiam ter ocorrido numa linha geral de continuidade e sem rupturas traumáticas em relação ao passado.

    Os republicanos pareciam temer o terceiro reinado, que se tivesse ocorrido com esplendor e brilho teria por certo afastado para sempre suas pretensões. Daí se empenharem tanto na campanha sistemática para denegri-la e humilhá-la. Mostravam-na como beata de igreja, ignorante e pouco esclarecida; diziam ser ela influenciada e conduzida pelo Conde d’Eu, ao qual também denegriam de todas as formas. Não houve uma contrapropaganda articulada à altura. Essa foi, a meu ver, a principal razão da proclamação da República. Mas não foi a única. Voltaremos ao assunto.


(*)  Armando Alexandre dos Santos é Licenciado em História e Filosofia,  Doutor em Filosofia  e Letras, membro do Círculo Monárquico Barão de Rezende, de Piracicaba, no Estado de São Paulo, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa de História. Artigo publicado na edição de 29 de agosto do “Jornal de Piracicaba”. Excertos de artigo publicado originalmente no Face Book Pro Monarquia.

18 setembro 2020

A primavera está chegando – por José Luís Lira (*)

   Passamos da metade do mês de setembro. Setembro da Independência do Brasil que daqui há dois anos será bicentenária. Setembro da primavera no Hemisfério Sul, onde está localizado o nosso Brasil e um dia antes da transição de estações, temos o dia da árvore. Nos caminhos que tenho percorrido, notadamente entre Guaraciaba do Norte e Sobral e vice-versa, tenho visto o pau d’arco embelezando as matas, as vias urbanas e rurais. Sua beleza dá uma certa nostalgia. É setembro ainda do Bispo Dom José Tupinambá da Frota que nasceu num mês de setembro e neste mesmo mês faleceu. 

    Os tempos que vivemos são diferentes. Um dos textos mais belos que li neste período foi “A primavera não sabia”, de Irene Vella, publicado, em francês, na primavera europeia, em março deste ano, e que o apresentador português Rui Unas emprestou sua voz e o fez viralizar. É uma beleza. O tempo presente se torna passado e se fala no florescer das árvores e das plantas com as pessoas em isolamento. O momento não é muito diferente. Embora o isolamento tenha sido amenizado no Brasil, a pandemia não passou. Perdemos pessoas amadas e muitas vezes nem sequer pudemos dar um último adeus... Mas, ainda assim, a primavera se aproxima. e eu sinto uma vontade de reler e até mostrar aos que não conhecem o poema de Olavo Bilac “As Velhas Árvores”, tão belo e sensato. Leiamos, recitemos:

“Olha estas velhas árvores, — mais belas,
Do que as árvores mais moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas . . .

O homem, a fera e o inseto à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E alegria das aves tagarelas . . .

Não choremos jamais a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória da alegria e da bondade
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!”

 
    O momento é, também, de muitas queimadas, espalhadas Brasil afora. O pantanal e a floresta amazônica são preocupações constantes, mas, também próximo de nós vemos essa presença indesejada. Façamos nossa parte. Preservemos a natureza e vivamos a primavera dia 21 próximo, tenhamos responsabilidade pelo momento que vivemos para na próxima primavera lembrarmos dessa primavera, embora no Nordeste só distinguimos mais claramente as estações quente e fria, com aquela liberdade de ir e vir mais acentuada. Com nossos alunos em salas de aulas, todos os profissionais dando sua contribuição para que o projeto de quem nos criou, Deus, tenha continuidade.
 
   No texto que falamos, inicialmente, lembra que “... chegou o dia da libertação. As pessoas ouviram na televisão: ‘- O vírus perdeu!’. As pessoas saíram às ruas. Cantavam, choravam, abraçavam-se os vizinhos... sem máscaras, nem luvas...”. Ainda esperamos este dia e sei que as flores da primavera, o frescor do inverno, a temperança chegará quando for anunciada a vacina que nos dará uma nova liberdade. Durante este período penso que muito aprendemos e, com limitações, fomos reaprendendo determinadas coisas. Ao Senhor que é sempre da Vida, Nosso Deus, confiamos essas aflições e espero que a Luz d’Ele oriente a ciência com a cura e nós todos, com a paz que o mundo espera!
    Feliz Primavera a nós todos!


   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


17 setembro 2020

Enquanto botamos a culpa só nos outros - Por: Emerson Monteiro

 


E nós o que estamos fazendo de tão diferente que nos dê elementos a indicar nos demais as dependências que ainda regem esse mundo? O que de melhor temos a oferecer, que esperamos um dia poder fazê-lo e transformar o quadro de miséria que invade países, toma os noticiários e fabricam armas sofisticadas para eliminar os irmãos? Que novos equipamentos inventamos que refaçam as esperanças de tantos perdidos na escuridão do desespero? (Aguenta mais um pouco?) Quais medidas drásticas já aplicamos ao nosso ritual de acomodações e vícios que transmitam confiança e justiça diante dos métodos até então levados à prática? Que exemplos de sinceridade no trato da coisa pública, das carências sociais e dos métodos de respeito mútuo, que não gerem descompasso e cobrança no decorrer da história, seremos os autores? O sal na sua intensidade, que tem tanto sabor e com que iremos salgar o gosto de profundas revisões nos costumes coletivos, aguarda a milênios nossa participação atual.

Nisso, enquanto apontamos o erro nos olhos dos outros, a trava encobre nossa autocrítica de rever os conceitos, trabalhar valores dignos e somar as partes do grande universo na expectativa de solução. Guardamos dons e talentos só na intenção da festa maior do dia da vitória, invés de agir hoje no patamar das próprias pernas, arautos da verdade e senhores da razão de agá. 

A comunidade apresenta exata a nossa cara... Resulta dos bilhões que somos a humanidade espalhada entre solidão e guerras, rebanhos afeitos ao interesse particular e dos grupos exclusivos, largados nas vestes do egoísmo, infestados da ansiedade torpe do poder terreno. Abrir mão dos desejos individuais, nisto nem pensar. 

Quando, pois, quisermos revidar os erros dos que nós mesmos pomos no poder, merece avaliar o quanto de responsabilidade precisa que assumamos e tratemos disso logo agora, na disposição de recriar as expectativas deixadas pelos fracassos e perdas. Homem algum é uma ilha, dissera John Donne, poeta inglês. Chega de omissão e fuga da realidade real, nos gestos e fraquezas. Se há que mudar o mundo, comecemos de nós mesmos, então. Unicamente desse jeito de mudar a nossa cara, veremos caras novas a seguir conosco nesta jornada infinita das estrelas.


13 setembro 2020

O Almirante Cochrane e os índios Cariris– por Armando Lopes Rafael


    O maior elogio feito aos índios Cariris, que eu conheço, veio de Lord Cochrane, Almirante da Marinha Real Britânica, nobre escocês, herói nacional do Reino Unido e considerado “O maior herói naval da Escócia”. Existe na sua terra natal, um busto dele para lembrar sua epopeia nas guerras contra Napoleão Bonaparte. Este chamava o Almirante inglês de “Loup de Mer” (Lobo do Mar).

    Visionário, Lord Thomas Alexander Cochrane (este seu nome completo) atuou também na América Latina e passou à história do Chile, Argentina, Brasil e Venezuela. Neste último país, Lorde Cochrane auxiliou Simon Bolívar na Independência venezuelana. Em 1817, prestou serviços aos generais Bernardo O’Higgins e San Martin e às forças independentistas chileno-argentinas, como comandante de esquadra.

      Em 1823, Cochrane já estava no Brasil. Convidado pelo Imperador Dom Pedro I, Cochrane iniciou seus trabalhos para consolidar a independência do Brasil, após o Decreto Imperial de 21 de março de 1823, que lhe conferiu a patente – única na história naval brasileira – de Primeiro-Almirante. Sua missão: debelar pequenos focos de resistência à independência do Brasil. Desnecessário dizer que se houve bem na missão que lhe foi confiada pelo Imperador Dom Pedro I.

     Registra a história que em 1824, Lorde Cochrane também contribuiu para sufocar a Confederação do Equador, movimento republicano nascido em Pernambuco, que teve desdobramentos no Ceará. O bloqueio da cidade de Recife foi feito por Lorde Cochrane. Ele foi impiedoso nos seguidos bombardeios à capital pernambucana, deixando a população civil sem gêneros alimentícios, sem remédios e sem munição. Após a capitulação de Pernambuco, Lord Cochrane passou-se ao Ceará, onde foi igualmente vitorioso.

     O historiador J.de Figueiredo Filho, no 1º volume da sua História do Cariri, – na página 10 – reproduz um texto de relatório do Lorde Cochrane, no qual elogia os índios Cariris, seus aliados na luta contra os insurgentes da Confederação do Equador, no Ceará. A conferir.

“Os chefes indianos (ou seja, os caciques dos Cariris), assim com a gente que desses dependia, foram de grande préstimo na restauração da ordem, combinando robustez corporal superior com atividade, energia, docilidade e força de aturar que nunca falhava – formando, com efeito, os melhores padrões da raça que eu vira na América Latina”.

A crônica do domingo

As fitas verdes da Imperatriz

   O então Príncipe Dom Pedro de Alcântara – nosso futuro Imperador Dom Pedro I – lançou, na colina do Ipiranga, o famoso grito que fez do Brasil independente. Dias depois, nos salões completamente cheios do Paço de São Cristóvão, reclamava Sua Majestade que lhe trouxessem fitas verdes, pois queria que todos usassem o laço das cores representativas do Brasil livre. Vendo que ainda faltam alguns distintivos, virou-se alegremente para a Imperatriz Dona Leopoldina, perguntando-lhe:
   – Não haverá mais fitas verdes no Paço?

   Sorrindo, a esposa disse-lhe que não, mas, ainda assim dirigiu-se aos seus aposentos, para mais uma busca. Abriu e remexeu em quantas gavetas encontrou, mas nada de fitas verdes. Já desanimava, e se dispunha a voltar ao salão com as mãos vazias, quando os olhos caíram sobre sua cama, cujas fronhas ostentavam, a correr pelos ilhoses de bordado, fitas da cor procurada. Não se deteve a pensar; arrancou todas as fitas e voltou ao salão, ruborizada e feliz, para distribuir os distintivos. Em seu entusiasmo, chegou a exclamar:
– Não havia mais fitas, mas arranquei as dos travesseiros de minha cama!


   Imediatamente, sentindo o silêncio que se fizera, Sua Alteza corou. Viu que ninguém se sentia digno o suficiente da honra daqueles distintivos. No meio da indecisão, o primeiro a dar um passo à frente foi Embaixador Antônio de Menezes Vasconcelos Drummond. A Princesa Dona Leopoldina lhe estendeu a mão que segurava um laço verde, e sobre aquela mão e aquele braço, o Embaixador inclinou sua cabeça de patriota e beijou os dedos da nobre dama, agradecendo-lhe a honra:
– Obrigado, Majestade!

   Foi aquela a primeiríssima vez, após a Independência, que alguém lhe dava o tratamento de Majestade, reconhecendo-a como Imperatriz do Brasil.

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de autoria de Leopoldo Bibiano Xavier).
Publicação original: Face Book Pró Monarquia


12 setembro 2020

As andorinhas dos fins de tarde - Por: Emerson Monteiro

 


Nasci numa fazenda (o Tatu) no município cearense de Lavras da Mangabeira. Próximo da casa de meus pais havia uma capela em volta da qual, aos finais das tardes, acorriam bandos de andorinhas em dança festiva a formar coreografia insistente que envolvia o escurecer num ritual misterioso, nuvens mágicas das aves em chilrei que, ainda hoje, ecoa pelos corredores da minha memória. Lembro como sendo vivência recente a observar admirado os volteis aéreos dos pequenos pássaros na sua escrita primorosa dos céus quase escuros. As calçadas em volta eram de tijolo nu bem no tom avermelhado dos barros do sertão, de cujos espaços vazios cresciam pés de carro santo, planta de verde musgo e folhas espinhentas. Sentado nos batentes da pequena igreja, contemplava essa paisagem do poente aonde o Sol descia com reflexos derradeiros sobre as águas do Riacho do Meio, lá embaixo logo depois dos canaviais do brejo.

Recordo essas cenas muitas vezes no decorrer dos dias. Sem nenhuma intenção, me vejo, de novo, nos entremeios da memória secundária que nos acompanha toda hora, a presenciar a pureza rara dos entardeceres daquelas calçadas da igrejinha. Ali de junto havia, também, um sombreado fícus benjamim, o chiqueiro das ovelhas, defronte às pedras de antiga construção que se perdera no tempo e, vizinho, a casa de Seu João Preto, o morador responsável pela criação.

Assim, involuntariamente, de comum, ao reviver esses retalhos de passado distante, vêm de junto histórias guardadas sob os refolhos de mim mesmo, a pedir atenção, e que termino por narrar pouco a pouco no desejo insistente de procurar o nexo de tudo isso que chamam existir.

Vejo essas percepções, também, ao escutar algumas músicas que trazem de volta lembranças bucólicas de vidas sertanejas dos compositores e poetas, matéria prima dos sonhos da infância de quando viveram as doçuras dos rincões interioranos, o que lhes acompanha vidas inteiras.

Vem aí o XXX Encontro Monárquico Nacional



Caros monarquistas,

Temos a grande satisfação de enfim poder anunciar que muito em breve será realizada a edição de 2020 do evento que anualmente congrega veteranos e jovens monarquistas de todo o Brasil.

Sob o leitmotiv “Tradição vs. Nova Ordem Mundial”, o XXX Encontro Monárquico Nacional – outrora previsto para o início do mês de junho – será realizado, excepcionalmente este ano, em formato de videoconferência, face à pandemia do novo coronavírus e em respeito às medidas de distanciamento social em vigor em todo o nosso País.

Também serão celebradas, em São Paulo e no Rio de Janeiro, Missas em Ação de Graças pelo 82º aniversário natalício de Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil.

As datas de realização de cada um dos atos, a programação detalhada das conferências do Encontro e o formulário de inscrição serão disponibilizados oportunamente.
Na grata expectativa desse tradicional e vivificante reencontro, cordialmente nos subscrevemos.

Saudações monárquicas,
Pró Monarquia / Secretariado da Casa Imperial do Brasil


Sacerdotes Católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri

 Padre Frederico Nierhoff

   Nascido em Gelsenkirchen, Alemanha, em 26 de janeiro de 1916, Padre Frederico foi o oitavo filho de um casal profundamente católico: Hermann e Adolfina Nierhoff. Iniciou ele seus estudos teológicos em Oberhundem, transferindo-se depois para a cidade de Lebenhan Grave, na Holanda. Ainda estudante de Teologia – curso feito na Congregação dos Missionários da Sagrada Família –  devido às incertezas da Segunda Guerra Mundial, o seminarista Frederico Nierhoff deixou a Alemanha, em 7 de março de 1938, com destino ao Brasil. Aqui  onde deu continuidade aos seus estudos, na cidade de Recife. Lá foi ordenado sacerdote, no dia 1º de maio de 1941. 

    Antes de residir em Crato, Padre Frederico Nierhoff exerceu atividades pastorais nas cidades de Picos e Pio IX (no Piauí), Saboeiro, Arneirós e Aiuaba (no Ceará). Em Crato, além de suas atividades no âmbito sacerdotal, Padre Frederico construiu escolas, postos de saúde e capelas, na zona rural, na então vasta Paróquia de São Vicente Ferrer. Era um homem de grande dinamismo e enorme capacidade de trabalho. 

   

Padre Frederico Nierhoff foi figura proeminente na cidade de Crato. Quando assumiu a Paróquia de São Vicente Ferrer – em 1948 – como segundo vigário, a igreja-matriz tinha proporções pequenas e acanhadas. Nos 20 anos em que administrou aquela paróquia (1948-1968), comprou imóveis vizinhos ao templo e ampliou a igreja. Também a casa paroquial foi remodelada e ampliada, possuindo um auditório, além de  ampla área anexa, destinada às crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Construiu a Capela de São Miguel Arcanjo, hoje igreja-matriz da paróquia do mesmo nome.

    Deve-se, ainda, ao Padre Frederico a construção de um conjunto habitacional para pequenos agricultores do Sítio Malhada, zona rural de Crato.  Este conjunto recebeu o nome da mãe daquele sacerdote, Adolfina Nierhoff. Ainda hoje a comunidade do Sítio Malhada serve de modelo de assentamento rural com geração de emprego e renda.

     Nos anos 40 e 50 do século passado, o Cariri cearense era conhecido no Brasil como um dos maiores focos de tracoma, infecção que afeta os olhos e, se não for tratada, pode causar cicatrizes nas pálpebras e cegueira. Padre Frederico selecionou voluntários da zona rural de sua paróquia, para ajudar a "Campanha Federal Contra o Tracoma", iniciativa do Departamento Nacional de Saúde Pública. No início da década 60, essa moléstia tinha sido erradicada da zona rural do município de Crato.

    Tão logo chegou a Crato, Padre Frederico sentiu a importância do Lameiro como um local privilegiado, dotado de qualidade de vida e vocacionado ao lazer. Ali adquiriu um pequeno lote e denominou-o “Granja Betânia”. A partir da sua iniciativa, muitos cratenses começaram a comprar terrenos no Lameiro, construindo ali casas e bicas de banho, utilizadas geralmente nos fins de semana e feriados.

    Desgostoso com a redução da Paróquia de São Vicente Ferrer a um território de poucos quarteirões, no centro de Crato, Padre Frederico desligou-se, em 1969, da diocese de Crato e foi ser vigário de Custódia (Pernambuco).  Dali saiu para ser pároco e Vigário-Geral da diocese de Floresta (PE), onde, no dia 31 de outubro de 1975, sofreu um enfarte, enquanto dirigia um carro. Este, desgovernado, capotou ocasionando a morte do Padre Frederico. Sua repentina e inesperada morte foi muito lamentada em Crato, onde o Padre Frederico trabalhou com dedicação e carinho, junto aos mais necessitados e onde possuía muitos amigos.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

10 setembro 2020

Enquanto a Eternidade trabalha... - Por: Emerson Monteiro


 ... As flores nascem e o coração aperfeiçoa passo a passo. O Amor é bom. Andar de mãos dadas no sentido das cores em festa, e quantos sonhos bem vivos na memória. O Sol vem a todo tempo, todo dia o mesmo desejo de que ele permaneça sempre... E no final dos dias, lá ele regressa ao ninho. Nós aqui de olhos postos nessa vontade que permanecesse, quando muito teremos que guardá-lo no íntimo fruto das nossas conquistas de verdades. Nisso o itinerário repete o mesmo cenário aos nossos olhos, convite permanente de satisfação a que lá certa feita despertaremos de deixar continuar dentro da alma os seus raios e viver a firmeza dos reais sentimentos. 

Assim são as lições das aulas repetidas de transformação do ser parcial em seres totais por meio da consciência, a trilha do despertamento. Já a natureza fala disto a todo instante, portas abertas da imortalidade que transportamos conosco através da perfeição de que somos elaborados, corpos de luz em formação. 

Passados que foram tantos sóis, outros mais virão nas vivas lembranças do que ora somos guardadas no sentimento da evolução. Fagulhas da Luz, trabalhamos os planos da realização do Ser em nós, moléculas da Criação em desenvolvimento, máquinas de achar a claridade nessa imensidão do Universo, senhores da liberdade e projetos de luminosidade vidas afora.

Tais artífices de nós próprios, elaboramos a matéria prima dos destinos em movimento. Ao nosso lado, os elementos de que carecemos até concretizar o momento fugidio em constante presente. Tudo trabalha neste seguimento, desde locais aonde chegamos ao mistério que reviveremos no rumo das circunstâncias eternas. 

Pousos de felicidade, porém, num processo efetivo de mudança até estabelecer as bases definitivas da Salvação, são esses operários em dedicação permanente, a braços com as aspirações de paz no lugar em que vivemos agora. 


09 setembro 2020

Alegria qual fator de sobrevivência - Por: Emerson Monteiro


A todo momento vem a urgência de uma visão positiva da realidade qual fator inevitável da sobrevivência. Isso por conta das demandas negativas que ainda preocupam tanto quanto, nuvens escuras que varreram o mundo. Nuvens de desencontros que sujeitaram a barra dos dias de pandemia. No próprio relacionamento com os demais, nódoas de incompreensão e aflições diante do enredo cotidiano que fustiga o humor, a ponto de criar bichos tortos pelas frestas do tempo em tudo que é país.

Daí ser importante uma vocação pouco utilizada. Bloquear o senso de agressividade, numa certeza firme da precisão de sorrir aos dissabores. Interpor gosto pelos bons instintos, livre das situações adversas que invadiram o cotidiano. Isso até parece meio irresponsável, porém sábio. 

Olhar o Universo de olhos limpos, eis a condição de evitar dissabores, desavenças, abusos. A depressão, na opinião corrente, virou o mal da atualidade, covardia moral no papel de vítimas irremediáveis do destino. Erguer a mente à cima da linha do horizonte, porquanto acontecerá nas áreas do cérebro encarregadas de gerar a satisfação e perspectivas outras. Longe de apenas pensar no bom, viver o que é bom no instante presente, a base da positividade em tudo.

Por isso, trabalhar os detalhes do momento seguinte logo agora. Saber e praticar, norma primeira da alegria. Querer e poder, nas providências pessoais. Pequenas doses de bom humor representarão, pois, saúde, paz e resultados produtivos nos pensamentos e sentimentos, quando o sujeito responsável pela visão existencial existe dentro da criatura humana.

Com isto, sendo o método da permanente felicidade ocasionar os filmes de boa qualidade no firmamento individual, se produzirá a peça da vontade positiva, primeiro na pessoa, depois na sociedade inteira. 

Esta a ideia principal do comentário, aprender na experiência que querer bem, pensar bem e agir bem resultarão na força da alegria, matéria prima do sucesso.


08 setembro 2020

Herança - Por: Emerson Monteiro


Nas vastidões geladas do Ártico, em meio a naturais dificuldades, viviam pai e filho, únicos habitantes de cabana modesta, longe dos valores da civilização, num tempo em que pouco se sabia dos atuais degelos, quando se prevê outra glaciação na Terra. 

Era costume do povo do lugar a existência das pessoas restrita à capacidade individual para se sustentar do necessário através da caça e da pesca, sob os rigores do clima abaixo de zero. Após a decrepitude, as famílias agiam com naturalidade depositando nas planuras desérticas idosos ou doentes sem cura, qual cumprissem a lei da sobrevivência. 

Naquela casa, porém, o filho retardava a providência quanto ao pai já em fase que chegava na época do despejo, quando surgia no filho a disposição de constituir família e iniciar outro sistema de vida, restando-lhe apenas se livrar do genitor e liberar a vaga para noiva bela e intransigente.           

Mesmo admitindo aquele procedimento, o filho insistia manter em casa o velho pai, além até dos hábitos de grupo, pois não sabia justificar o que de vantagem propiciavam as tradições do lugar. Ao menos para si, no íntimo, achava certo querer consigo por mais algum tempo quem tanto sacrifício fizera na sua criação e na continuidade do lar.

Os dias prosperavam, no entanto.  A noiva nutria pelo sogro sentimentos agradáveis, os quais, todavia, diminuíam em face do instinto conjugal. Dotada de especial talento, tecera bela manta que pretendia ofertá-la quando da viagem definitiva do idoso aos penhascos gelados, em data sem muita demora, segundo planejado.

Nisso, não tardou a madrugada quando movimentos diferentes sacudiram a humilde choça. O filho atava os cães ao trenó, reuniu alguns poucos trastes, ligeiros mantimentos, e instalara o pai no meio da carga, fazendo-se a caminho. 

Depois de tempestuosa jornada, se viram numa longa planície branca circundada de montanhas sombrias e ameaçadoras. Tão logo o escuro da noite principiou envolver o mundo, cumpriram a parada definitiva. Naquele sítio cinzento, dar-se-ia o desfecho da longa espera. 

Sem trocarem palavras, de cabeça pendida no peito, os dois se olharam pela derradeira vez, num adeus quase primitivo, selvagem, assim podemos dizer. O ancião buscou tirar por menos, desviando-se para fora da trilha, de olhos presos na solidão, exercitando compreender o peso daquela hora. O filho refazia o que restava da bagagem; alimentou os animais e deu mostras de ter cumprido a missão, pronto para retornar. Após sacudir no espaço as dobras do relho com que tangia seus cães, de súbito ainda ouviu a voz do pai a chamá-lo:

- Filho, filho! - gritos ecoaram no vazio gelado e de suas mãos pendia a manta que a nora confeccionara. – Quero isso não, é desnecessário para mim. Prefiro que a conserves contigo e uses quando teu filho vier aqui, um dia, te oferecer ao desconhecido.


Lá onde andam os sentimentos - Por: Emerson Monteiro

 


Nas fibras do imenso coração deste mundo, olhos fixos nos sonhos maiores, as almas de todos os dias ligadas à alma da gente, bem ali, no íntimo das madrugadas febris da percepção, das doces saudades, dos sonhos reais, nas luzes sombrias das ruas desertas, andam os sentimentos encapuzados, alimentados do frio suave da solidão. Terra fértil da esperança, no seio das flores iluminadas de cores e perfume, plumas leves da natureza, passo-ante-passo, pisam o macio os sentimentos, razão das existências, motivo crucial dos dias e das gerações. Eles, que pouco ou quase nada pensam, sobem os caminhos da felicidade na maior sem cerimônia, à busca da paixão, qual quem conhece por demais o direito de amar incondicionalmente o amor desmedido.

Quisesse parar e mergulhar a pele dos sentimentos, ver-nos-íamos braços dados com a verdade inextinguível das existências. Abraçaríamos as causas da Criação original e bem compreenderíamos o que planejara Deus ao distinguir os seres com a força do bem maior do coração. Daí, dormiríamos em paz conosco próprios, de saber da alegria dos que vivem toda intensidade dos que amam e se permitem usufruir do motivo que lhes deu a vida.

Território de plena espontaneidade, dos sentimentos vem a essência dos fenômenos e causa do que nos traz aqui perante os Céus que nos aguardam de braços abertos de quando revelarmos a Consciência. Música da espiritualidade, alimentam o compasso da história e aguardam o momento exato de quando abrir a todos nós os portais da Luz.

Por isso, enquanto esgotamos desejos do Chão, há na condição humana oportunidade perene de revelar a trilha da iluminação que transportamos vidas afora, sinete da herança divina que nós somos. Assim inexiste perdição definitiva, porquanto mais cedo ou mais tarde chegaremos à casa do Pai, por via dos sentimentos limpos e do conhecimento da Verdade. 


07 setembro 2020

Salve 7 de Setembro


   Mais do que uma efeméride cívica, comemoramos – no dia 7 de Setembro – a data maior da nossa pátria. Foi neste dia, em 1822, que o Imperador Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil, às margens do riacho Ipiranga, através do brado retumbante: “Independência ou morte!”.

    Nesta 2ª feira, de Norte a Sul, de Leste e Oeste, milhares de  brasileiros sairão às ruas – mesmo em meio à epidemia do vírus chinês – que impediu os desfiles cívicos-coletivos de  militares e estudantes,  realizados há 198 anos, fazendo o nosso “bandeiraço” que cresce a cada ano e já se tornou tradicional. Não haverá aglomeração. Mas, dentro dos carros, percorreremos as ruas e avenidas de nossas cidades. Orgulho de ser brasileiros!

 
  

Pela primeira vez, em quase 200 anos, Crato não realizará desfile no dia 7 de Setembro


Por conta do corona vírus chinês, que infectou milhões de pessoas pelo mundo, as comemorações do dia 7 de Setembro, nesta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara passarão em brancas nuvens...

   Verdade que nos últimos anos as comemorações cívicas lembrando a independência do Brasil tinham perdido o glamour que tiveram até a década 60 do século passado. A decadência que varre o atual Brasil já tinha introduzido até um desfile paralelo, o “Grito dos Excluídos”, inventado pela corrente da Teologia da Libertação, uma ala minoritária na Igreja Católica. Mesmo assim ainda havia a passeata das escolas. . Embora bem diferentes dos saudosos desfiles do passado.

À esquerda o Colégio Diocesano; ao fundo a antiga Cadeia Pública e Delegacia de Policia. O 7 de Setembro em Crato era uma grande festa cívica....

   A foto acima foi feita num dia 7 de setembro, nos anos 60. Naquela época, na cidade de Crato, a mais importante efeméride cívica brasileira,  era uma festa! Ao longo da Avenida Duque de Caxias terminava os desfile,  que recebia o Tiro de Guerra (TG 205), Grupo de Escoteiros, Colégios, Ginásios e Grupos Escolares cratenses. E a população entupia as ruas para participar da festa cívica.

    Naquelas manhãs sempre ensolaradas, ao som de tambores, taróis e cornetas, desfilavam ainda  os chamados carros alegóricos, uma atração à parte. Cada escola tinha sua baliza – cuja escolha sempre recaía numa bela jovem – que garbosamente, desfilava a frente dos pelotões. Na decoração das ruas predominava as cores verde-amarelas. Tudo feito de forma espontânea pelos educandários e as diversas camadas da população.

      Hoje, pela primeira vez desde 1823, não haverá o desfile de 7 de Setembro em Crato...

05 setembro 2020

A História do Brasil que não é ensinada nas escolas públicas

A longa história da Monarquia Brasileira


     O Brasil viveu longamente sob o regime monárquico, desde o seu Descobrimento, em 1500, até a Proclamação da República, em 1889. Nesses trezentos e oitenta e nove anos, sob dezesseis Soberanos, a Monarquia demonstrou se adaptar bem à índole e às características de nosso povo. O que o Brasil não tem é tradição republicana; o modelo político que lhe foi imposto, de modo artificial, na quartelada de 15 de novembro, não se adaptou satisfatoriamente até hoje.

    Sim, antes dos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II tivemos outros catorze Monarcas. Afinal, de 1500 a 1580 reinaram em Portugal – e, portanto, também no Brasil – quatro Reis da Dinastia de Avis; de 1580 a 1640, durante a chamada União Ibérica, o Trono de Portugal foi sucessivamente ocupado por três Reis da Espanha; e em 1640 subiu ao Trono, após a Restauração da Independência de Portugal, a Casa de Bragança, que nos deu sete Soberanos.

      Em 1815 o Brasil deixou de ser parte integrante daquele pequeno Reino na Europa, pois foi elevado à prestigiosa condição de Reino Unido a Portugal e aos Algarves. Sete anos depois, no dia 7 de setembro de 1822, na voz imortal do Imperador Dom Pedro I, nosso País se declarou independente de Portugal, mas mantendo a Dinastia, a língua e a Fé herdada de nossos maiores. Teve então início o Império do Brasil, que durou sessenta e sete anos e foi a fase mais gloriosa e bem sucedida de nossa História.

    A fundação do Império não deve ser vista como uma ruptura traumática com o nosso glorioso passado luso; deve mais bem ser considerada como a emancipação de um filho que atingiu a maioridade e deixou naturalmente a casa paterna. Os reinados de nossos dois Imperadores foram a continuação e o natural coroamento da obra desenvolvida pelos Reis de Portugal ao longo de três séculos.

(Baseado em trecho do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira: com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, escrito pelo Professor Doutor Armando Alexandre dos Santos).

04 setembro 2020

Dr. Thomaz Corrêa – Um pouco de perfume – por José Luís Lira (*)



   Minha pretensão para essa edição, era escrever sobre a proximidade dos 200 anos da independência do Brasil que será celebrado em 7 de setembro de 2022. Este ano é o 199º aniversário do corajoso ato de Sua Majestade Imperial Dom Pedro I, Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. Aliás, há dois anos, na data de hoje, 5 de setembro, eu fazia a entrega do Busto do Imperador Dom Pedro I ao Museu Histórico Nacional, sediado no Rio de Janeiro, em meu nome e no de meus colegas de pesquisa Cícero Moraes e Paulo Salles, com trabalho artístico de Mary Bueno.

   Foi um dia memorável. Mas, no último dia de agosto, por volta de 21hs, tomei conhecimento do falecimento do Dr.  Thomaz de Araújo Corrêa, médico e benfeitor de Ipu e da região circunvizinha, casado com dona Margarida Timbó de Araújo Corrêa, desde 1951. No momento em que soube, quase não acreditei. Apesar de seus 97 anos de vida e 72 de medicina, Dr. Thomaz me parecia eterno. Pensava nas comemorações de seu centenário tendo ele fisicamente entre nós. De imediato meu veio à mente um cântico que entoei e ouvi em várias ocasiões: “Fica sempre um pouco de perfume/ nas mãos que oferecem rosas/ nas mãos que sabem ser generosas”.

     Este espaço não seria suficiente para narrarmos a vida honrada de Dr. Thomaz que foi narrada no livro “De Corpo e Alma: Trajetória de Thomaz de Araújo Correa, Ícone de Ipu”, com mais de 600 páginas, organizado pelo genro e pela filha dele, Dr. Emmanuel Teófilo Furtado e Dra. Luísa Elisabeth Timbó Corrêa Furtado.

     Dr. Thomaz chegou ao Ipu muito antes de que tivéssemos em Guaraciaba do Norte os médicos Dr. Francisco Cardoso Martins e Dr. Egberto Martins. Por isso, era a Ipu que recorríamos e lá encontrávamos o Doutor Thomaz Corrêa. Nasci, no final de 1973, no sítio Correios (10km de Guaraciaba do Norte) e as condições de saúde eram muito precárias naquela região. Pego pelas mãos da parteira minha tia-avó Cristina Lira, nasci menino frágil. Tive um seriíssimo problema nos ouvidos. Eram fortes dores, o ouvido “estourava”. Pais zelosos que tenho, eles não mediram esforços para que eu ficasse bom. Foram muitas as vezes que na madrugada saíamos na velha caminhonete do papai para o Ipu. O papai sabia onde era a casa do Dr. Thomaz e não se intimidava em chamá-lo. Saía aquele homem de voz de timbre forte, culto e educado e ia atender àquele menino. Tenho certeza de que se não fossem seus cuidados eu teria perdido uma de minhas audições.

     A vida é uma aventura constante. Um dia, já formado, ocupante de uma cadeira na Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará – ALMECE –, fui incumbido de fazer saudação a agraciados com Mérito Cultural e Sócio-Honorário. Qual foram minhas surpresa e alegria ao ver entre os Sócio-honorários o nome de Dr. Thomaz Corrêa, honraria que pude lhe conferir quando também presidi a Academia Sobralense de Estudos e Letras. Anos mais tarde, propus o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), ao notável médico.

      Nestes tempos complicados em que vivemos, não pude ir a Ipu despedir-me de Dr. Thomaz. Seu filho Dr. Luiz de Gonzaga até pediu-me que eu não fosse. Rezo por Dr. Thomaz com a sensação de que nosso grande médico está junto ao médico de homens e de almas, São Lucas, no céu, intercedendo por todos nós!

      Minha gratidão, meus respeitos, Dr. Thomaz! Descanse na paz do Senhor!
 
  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

03 setembro 2020

A certeza de Deus - Por: Emerson Monteiro

 


Essa busca pelos caminhos do Infinito, que justifica a existência de tudo quanto há e nos dispõe preencher as horas quais sendo a derradeira a cada momento. O sentido da religiosidade que alimenta o sequenciar das civilizações desde sempre face toda aventura de uma humanidade ausente dos significados superiores. A intenção do encontro principal consigo mesmo, com o próximo e com Ele, Deus, na paz do coração. A fome e a sede que nutrem esta jornada dos seres humanos vidas a fora. A vontade maior de sobreviver diante das intempéries do Destino. Luz que ilumina o Cosmos e indica o desejo e os fenômenos pelos séculos dos séculos. Razão, pois, acima das razões, ali está o que todos anseiam diante dos mistérios, a certeza de Deus na alma.

E nós aqui vagamos, neste mar de dúvidas atrozes, prisioneiros do pensamento, enquanto os sentimentos puros aguardam ocasião de entrar em cena, livres de tensões e de meras considerações teóricas, ali quando a calma dos instintos resultar no merecimento de receber da Eternidade o salvo-conduto, isto nos permitirá vencer as barreiras da incompreensão e nos libertar no mundo ideal de uma vida verdadeira. Tão próximos e tão distantes, pois, pisamos a linha fronteiriça de todas as possibilidades, durante o que apenas sonhávamos com o instante de concretizar em definitivo a perfeição dentro de nós.

Esse o plano de todas as filosofias, psicologias e religiões, interpretar o mapa da Salvação na essência do Ser. No ponto equidistante da profundeza dos abismos e das estrelas do céu, no foco central da imortalidade, bem assim viveremos por força de uma nova percepção que permitirá vencer as circunstâncias materiais. Nessa hora, esperança viva de todos viventes, o Sol se fará mais nítido e Lua esplendorosa brilhará no seio do Universo.  


Um breve roteiro de escolher candidatos - Por: Emerson Monteiro


Isso em qualquer tempo, conquanto resulta nas sérias transformações de que carecemos nessas horas difíceis. Foram séculos e séculos até chegar à urgente necessidade que se vive, não só no Brasil, mas no mundo todo. Criaram a ciência da comunicação e os políticos viram nisso os novos meios de transmitir informações, resultando fase esquisita de domínio dos poderosos sobre a massa ignara, despreparada e sofredora. Verdadeiros gênios da maquinação de imagem influenciam multidões inteiras à procura de manter a dominação social, numa escravização das consciências. Daí a urgência de rever os conceitos do que seja o candidato ideal, pesando e medindo, revirando pelo avesso, mergulhando fundo nas consequências do que produzirá na sociedade pelos atos que praticar nos comandos. 

O País atravessa um tempo de república corporativa. onde grupos de domínio detêm a hegemonia da sua história mantendo as populações desfavorecidas sob o tacão dos impostos e taxas, enquanto preservam seus privilégios de casta impenitente, sugadora e abastada.

Daí a gravíssima importância de saber escolher bons líderes, honestos, trabalhadores, fieis aos princípios da real democracia, do espírito público, o que vem sendo raro, raríssimo, nos dias dagora, enquanto a ação político-partidária virou trampolim de carreira profissional, triste verdade que rasga os olhos até dos menos esclarecidos. Comprar e vender votos, eita mercado pecaminoso que clama a justiça dos Céus. Porém, qual disse Nélson Rodrigues: Toda nudez será castigada. Quem achar que uma chuveirada lavaria tudo terá dolorosa frustração no correr dos seguimentos imortais.

Ninguém melhor do que Bertolt Brecht, célebre poeta alemão, que viveu as contradições dolorosas das Grandes Guerras na Europa, poderia definir mais claramente o que seja o mercado negro dos votos, no poema O analfabeto político, a saber: 

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Eis, pois, aqui esta pequena contribuição ao cidadão às vésperas de novo turno eleitoral, porta dos próximos quatro anos em cada município brasileiro.


01 setembro 2020

Luiz Gonzaga de Oliveira - Por: Emerson Monteiro


O Gonzaguinha, autor de fotos clássicas do passado cratense, dentre as quais a tradicional do Cassino Sul-Americano, da Praça Siqueira Campos. Além de manusear com esmero as câmeras de lambe-lambe, sucesso à época, também dedicou atividades à propagação do cinema em nossa Região por meio de um equipamento denominado Lanterna Mágica, sendo com isto o primeiro exibidor de filmes no Cariri. Mandara vir do Rio de Janeiro um daqueles primeiros projetores rudimentares das películas cinematográficas com o qual instalaria uma sala de exibição, a deliciar seus contemporâneos e lhes apresentar a nova comunicação ainda restrita às capitais e grandes cidades.

A propósito, um bisneto de Gonzaguinha, Jackson de Oliveira Bantim, o Bola, vem dedicado parte de seu tempo à preservação do acervo desse consagrado fotógrafo, inclusive instalando em Crato o Memorial da Imagem e do Som Luiz Gonzaga de Oliveira, que funciona junto ao Instituto Cultural do Cariri, à Praça Filemon Teles.

Luiz Gonzaga foi casado com Dona Dasdores, ao lado de quem teve sete filhos. Sua atuação profissional preenche o período de 1885 a 1930, deixando acervo dos registros que efetivou na arte da fotografia preto e branco, que podem ser vistos junto ao Museu Histórico do Crato e ao Memorial acima citado. As fotografias que mais se destacam pela importância histórica da cidade no período que aqui exerceu a profissão seriam as do Cine Cassino e do Seminário São José. Vale citar também registro fotográfico relativo à Travessa do Rosário (atual Praça Juarez Távora). São de sua autoria retratos de personalidade locais que imortalizou nas imagens.

Ao saber da existência dos primeiros projetores cinematográficos, viajaria em lombo de animal a Fortaleza, de onde trouxe equipamento de exibição, causando entusiasmo às primeiras plateias de cinema do Cariri cearense. Instalou a sala de exibição em prédio localizado na Rua Grande (hoje Dr. João Pessoa), na sede do Clube Romeiros do Porvir. O empreendimento de Gonzaguinha daria margem a que, posteriormente, chegasse o primeiro cinema com sede própria, o Cinema Paraíso, sob a iniciativa do italiano Di Mayo, em 1911. Depois, em 1919, seria instalado o Cassino Sul-Americano. Eram os primórdios da sétima arte, fase inicial do cinema mudo, com música instrumental ao vivo.

Naquele tempo, o teatro também teve grande evidência na cidade por intermédio da liderança de Soriano Albuquerque, isto por meio dos Romeiros do Porvir, grupo de arte cênica no qual Luiz Gonzaga de Oliveira desempenhou figurações cênicas juntamente com outros destacados diretores e atores da ocasião.

Deixamos aqui, neste momento, estas palavras de respeito a esse personagem que marcou época e fomentou a nossa cultura nos primórdios das artes visuais no interior cearense.