16 julho 2020

Padre Antônio Maurício Melo – por José Luís Lira (*)


    Dia 10 último, sexta-feira, que nos remete ao Santo Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, às 11 horas, faleceu o Padre Antônio Maurício Melo, no Hospital de Guaraciaba do Norte, Ceará, em consequência de um câncer. Pe. Maurício era o mais idoso dos sacerdotes filhos de Guaraciaba do Norte e o único ainda vivo, ordenado na época em que a Paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres pertencia à Diocese de Sobral, no paroquiado de Mons. Antonino Cordeiro Soares, a quem Pe. Maurício devotava respeito e admiração.

     Ele nasceu no dia 23/01/1931, na cidade de Guaraciaba do Norte, então Campo Grande, filho do Cel. Adriano Ribeiro Melo e de dona Gonçala Ribeiro do Amaral. Foi batizado, solenemente, na Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, pelo Pe. Nelson Nogueira Mota, no dia 08/02/1931.

    Estudou as primeiras letras em Guaraciaba do Norte e, em 1945, ingressou no Seminário São José, de Sobral, onde se matriculou em 8 de fevereiro, aniversário de seu batizado. No Seminário de Sobral, concluiu o Curso de Humanidades, em 1951, ingressando, no ano seguinte, no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Ali concluiu Filosofia e Teologia. Foi ordenado Sacerdote por Dom José Bezerra Coutinho, então Bispo Auxiliar da Diocese de Sobral, na Igreja da Sé de Sobral, no dia 08/12/1957. Sua primeira Missa foi cantada na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, em 13/12/1957.

   Iniciou suas atividades sacerdotais em Nova Russas, como cooperador da Paróquia de 1958 a 1965. Com a criação da Diocese de Crateús, Pe. Maurício passou a exercer suas atividades sacerdotais em Tamboril e Sucesso, entre 1966 e 1967.     Não se adaptando às linhas pastorais da nova Diocese, retirou-se, em 1968, para Nova Russas, onde residiu por muitos anos, exercendo o magistério, mantendo-se fiel ao seu sacerdócio. Prestava auxílio aos Párocos vizinhos, notadamente de Santa Quitéria, Ipu e, em sua terra natal, cuja celebração na festa da Padroeira era sempre esperada. Foi compreensivo conselheiro na administração do Sacramento da Penitência e grande orador Sacro.

    Em 16/12/ 1965 ele celebrou o casamento de meus pais, Izídio Ribeiro Lira e Luíza de Araújo Lira e, há cinco anos, celebrou as Bodas de Ouro.

    Os primeiros conceitos de que a santidade é dádiva a todos, eu recebi do Pe. Maurício. Ainda menino assistindo a uma Missa de Finados, ele recordou que no dia anterior era a festa de todos os santos. Recordo-me que ele enfatizava que a festa do dia anterior era para o santo que não havia sido canonizado pela Igreja, mas, que morreu em santidade. E concluía: “Santo é aquele que faz ou fez a vontade de Deus”. Isso foi a base de meus estudos hagiológicos e aquela sua frase me marcou. Era um homem notável. Culto, de muitas leituras, de excelente conversa e sermão aprofundado. Ele sabia e vivia o que pregava.

    Era primo do Mons. Eurico de Melo Magalhães e do Pe. Odilo Lopes Melo Galvão. Padre Maurício recebeu a recomendação digna de um sacerdote na tarde daquela sexta-feira, no patamar da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, onde há 62 anos havia sido acolhido Padre Novo e o povo osculou suas mãos ungidas de sacerdote. Naquela tarde, um sacerdote, parentes e poucos amigos se despediram dele. Foi sepultado com os paramentos sacerdotais que utilizou, com dignidade, por toda a vida.
    Requiescat in Pace!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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