04 julho 2020

Imagem da Padroeira de Crato completa cem anos neste 2020 – por Armando Lopes Rafael



   A escultura de Nossa Senhora da Penha, ora venerada no altar-mor da nossa Catedral, foi adquirida pelo primeiro bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, em 1920. Em artigo publicado na revista Itaytera, Mons. Rubens Gondim Lóssio escreveu que a imagem “foi adquirida na Europa”. Entretanto, está gravado na base da estátua: “Luneta de Ouro, Rio, 1920”, como a comprovar que ela foi adquirida através da famosa loja de esculturas religiosas localizada, àquela época, à Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

      No entanto, esta imagem só chegou a Crato em 1921. Uma curiosidade: quando da sua recepção houve fortes e ostensivas reações, advindas de segmentos da comunidade cratense, contrárias a substituição da “Imagem Histórica” (venerada desde 1745) pela nova escultura adquirida por Dom Quintino. A prudência deste fê-lo retardar a entronização da nova imagem. Dom Quintino, viria a falecer em 1929 sem colocar a nova representação de Nossa Senhora da Penha na Sé Catedral de Crato. Coube ao segundo bispo diocesano, Dom Francisco de Assis Pires – empossado em 1932 – aguardar mais sete anos até a solenidade de entronização da nova estátua da padroeira dos cratenses.

    Por isso, durante 17 anos, a escultura da Virgem da Penha permaneceu guardada no interior da Catedral. Sobre ela escreveu Monsenhor Rubens:
 “De tamanho bem maior que o natural, (Nota do articulista: mede cerca de 1,80m e foi esculpida em madeira) em atitude de quem aparece para defender o pastorzinho Simão, prosternado ao lado direito, enquanto o temível crocodilo se arrasta à esquerda, o vulto impressionante tem uma beleza encantadora. Trazida com dificuldades até esta Cidade Episcopal, teve a Imagem festiva recepção, em 1921, quando o povo acorreu ao seu encontro, na estrada do Buriti, onde se congregaram cerca de 32 zabumbas. Todavia, continuou ela guardada, até que, preparada a mentalidade do povo e feita a reforma da Capela-Mor por Dom Francisco de Assis Pires, colocaram-na no altivo e gracioso nicho de onde preside às funções do Culto e aos destinos do Crato. No dia 1º de setembro de 1938, foi-lhe dada a bênção do Ritual e, a partir de então, não tem ela cessado de conceder a todos as maiores graças e as melhores bênçãos”. 

    Em 2006, devido aos trabalhos de conservação efetuados no interior da Catedral a estátua de Nossa Senhora da Penha foi retirada – pela primeira vez – do alto do nicho, no qual estava há 68 anos. Esse acontecimento levou muita gente à Catedral, na manhã de uma segunda-feira, 03 de julho daquele ano. Entretanto, após a descida da imagem, uma surpresa: constatou-se a existência de várias rachaduras na escultura de madeira.

     Preocupado, o então Cura da Catedral, Padre Edmilson Neves Ferreira (hoje Bispo Diocesano de Tianguá), procurava um profissional para recuperar a estátua. Atendendo ao seu apelo mantive contato com a Prof.ª. Olga Paiva, funcionária do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional–IPHAN, 4ª Superintendência Regional sediada em Fortaleza. Esta indicou para o trabalho a restauradora italiana Maria Gabriella Federico. O restauro da imagem durou cerca de três semanas. E, depois de recuperada – pela primeira vez – a terceira imagem da padroeira do Crato percorreu, em procissão, as ruas da cidade que a tem como Imperatriz e Protetora.
     Estava programada para 2020, na festa da Padroeira de Crato (celebrada anualmente de 22 de agosto a 1º de setembro), as comemorações do centenário da imagem da Virgem da Penha. Assolada pela pandemia chinesa do coronavírus, o principal templo cratense (a exemplo das demais igrejas católicas do Brasil) se encontra fechado há quatro meses. Oxalá nossa Mãe Santíssima escute as orações dos seus fiéis e faça cessar os malefícios dessa enfermidade epidêmica, amplamente espalhada por todas as nações da terra. Só assim os cratenses poderiam comemorar à altura os cem anos da sua querida Imperatriz e Padroeira.


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