31 julho 2020

E a festa de agosto? -- por José Luís Lira (*)

Histórica imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, que se venera na 
Igreja de N.S. dos Prazeres dos Montes Guararapes, em
Jaboatão - Pernambuco


     Agosto chegou. Nasci e cresci na Paróquia de Guaraciaba do Norte que tem a celebração de sua Padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres, no período de 05 a 15 de agosto. As primeiras notícias que temos da festa é que seu ápice se dava no dia 6 de janeiro, dia de Reis, uma das alegrias de Nossa Senhora. Depois da proclamação do Dogma da Assunção de Nossa Senhora, dada na festa de Todos os Santos de 1950, a festa passou a ser celebrada em agosto. E, muitas gerações de cristãos celebram suas padroeiras com títulos de Nossa Senhora sem data fixa com festa em 15 de agosto. Numa cidade que nasceu no entorno da pequena capela dedicada à sua Padroeira, esse se constitui o período mais importante da vida religiosa e social, pois, após as celebrações têm sempre parque, barracas e mais atividades.

   Em nossa Diocese de Sobral temos várias paróquias em celebração no período de cinco a 15 de agosto. Inicialmente abordei minha paróquia natal. Embora em termos de Diocese me considere da Diocese de Sobral e por ser da nobre e pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, ser um pouco da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, meu cordão umbilical me lembra a terra natal Guaraciaba do Norte. Sou paroquiano naquela cidade, assim como o seu em Sobral e em Fortaleza, onde sempre me senti parte do rebanho do saudoso Pe. Joaquim Colaço Dourado, na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, localizada na rua que recentemente foi oficializada como Rua Padre Joaquim Colaço Dourado, em honra do edificador daquele templo.

   Em agosto, esteja onde estiver, programo alguns dias da “festa” para estar com meus pais e meus conterrâneos na grande celebração à nossa Padroeira, devoção portuguesa que chegou ao Brasil junto com os descobridores e que em mim, se inseriu na alma desde a mais tenra infância. Foi com Nossa Senhora dos Prazeres que aprendi a confiar na mãe de Deus como minha mãe também e mãe de todos!

   A primeira notícia que temos do festejo de Nossa Senhora dos Prazeres em Guaraciaba do Norte é no então povoado de Campo Grande, no dia 6 de janeiro de 1761, oportunidade que foi abençoada a primeira capela dedicada à padroeira. A partir daí se faz a contagem da festa. Este é o 259º ano da devoção. O povo guaraciabense é um povo de profunda religiosidade. Dos 132 anos de instalação da Paróquia, 54 fora a Paróquia dirigida pelo mesmo pároco, santo no coração dos que o conheceram, Mons. Antonino Cordeiro Soares, falecido em 1990.

   As celebrações deste ano, a cargo dos padres agostinianos recoletos, que tão bem administram a Paróquia desde 1999, serão remotas. Não é a primeira vez que digo que este é ano atípico e não teremos celebrações campais, barracas, parques, aglomerações, esta última, palavra tão temida nos últimos meses. Nosso Pároco, Frei Santiago Martinez, reuniu as lideranças paroquiais para decidir sobre a situação da festa e, prudentemente, se chegou à conclusão de que a festa será realizada remota. Acompanharemos de nossos lares. Mas, no dia da Padroeira, uma procissão, sem acompanhamento de pessoas, percorrerá as ruas da cidade com a imagem histórica de Nossa Senhora dos Prazeres. Que a exemplo do que ocorreu em Lisboa, no distante ano de 1599, Nossa Senhora traga o fim dessa pandemia!

    Santa Mãe dos Prazeres, sobre nós lançai o olhar.

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

A propósito da pandemia do coronavirus


(Excertos do editorial da revista “Catolicismo” de julho/2020)


"A má moeda expulsa do mercado a boa moeda” — esta é a chamada “Lei de Gresham”. Já no século XVI, este comerciante e financista inglês percebeu que o público, nas suas transações comerciais, prefere utilizar as moedas gastas, ou de metal menos nobre, e manter consigo as boas. Daí estas desaparecerem de circulação.

Analogamente, o mesmo ocorre no intercâmbio intelectual de uma sociedade: as versões sensacionalistas ou explicações simplistas tendem a invadir as conversas e falsear o debate público, alijando o relato sereno e objetivo daquilo que acontece, como também as explicações profundas e matizadas de suas causas e consequências.

O fenômeno verificou-se recentemente a propósito da pandemia do coronavirus. Baseando-se em projeções fantasiosas de alguns cientistas desacreditados, respaldados pela Organização Mundial da Saúde subserviente à China, disseminou-se o pânico e criou-se a necessidade de um confinamento desproporcionado da população.

Em sentido inverso, a “má moeda” de simplórias e fantasiosas “teorias da conspiração” (como a de que a chegada do homem à lua é uma fotomontagem...) desacredita a denúncia de uma verdadeira conspiração anticristã por trás das agendas LGBT, ecologista, socialista e globalista, promovidas ostensivamente hoje por organismos internacionais e milionárias fundações privadas como sendo a marca distintiva da “nova normalidade” pós covid-19.

26 julho 2020

O Choro pelo Bispo alheio -- por Pe. Marcelo Tenório (*)

Esses dias o Brasil católico parou para chorar um bispo.
Mas bispos morrem sempre!
Mas que choro é esse, então?
Que avalanche de comoção invadiu as mídias, invadindo também a alma da gente ?!
Mas bispos morrem sempre! Padres, também...
Conheço bem, os bispos.

Morava na frente do Palácio dos bispos, prédio imponente, na larga avenida de Santo Antônio.
Não morava na avenida, morava ao lado, numa travessa que unia Rua do Recife e Avenida Santo Antônio, que todos insistiam em falar  “beco do Bispo”. Esse beco, até que existia, mas atrás do Palácio.
Minha família conhecia bem os bispos!
E viram bispos morrerem.

Eram as minhas tias que, com suas amigas , arrumavam o palácio e o quarto episcopal, na chegada do novo bispo. O novo brasão, meu irmão mais velho pintava, para ser posto na sacada do primeiro andar.
Bispo eloquente, nobre, fidalgo,
como Dom Mário de Miranda Vilas Boas,
Bispo sisudo, gordo e diabético, como Dom Juvêncio Brito... até bispo mártir, que derramou seu sangue , caindo para morte , após levar três tiros de um padre, desabando na capela do Palácio , aos pés do Santíssimo, como Dom Expedito...
Dom Adelino, Dom Milton.... e tantos demais: uns conheci de perto, outros por minha família.

Conheci bispos e não chorei por nenhum deles. Não por desafeto. Uns porque não os conheci, outros, porque não chorei, mesmo.
Hoje vejo todos chorando o bispo alheio. Comoção, lamentos, lágrimas e pedido de beatificação, com petição aberta pela internet, numa versão avançada do Sensus Fidei.
Devo entender o porquê de tudo isso. De como um bispo de uma diocese simples,  tornou-se gigante dessa forma?
Isso me lembra a indagação que Jesus fez aos que foram até João:
“O que fostes ver no deserto?”
E em Palmares, o que fomos ver?
O que foi visto por lá?
Um simples bispo sendo bispo.
Apenas isso.

Vivendo apaixonado por sua diocese, e pelo seu rebanho. Com os pés no chão e olhos abertos para Deus.
Onde estava o bispo? Onde o povo estava!
Eis o bispo - e aqui caia a demagogia etéria de que batina afasta o povo - no meio do povo estava o bispo: ora na feira, cantando os “benditos” do Juazeiro com os simples .
 E como cantava!
“ Aí que caminho tão longo,
Cheio de pedras e areia,
Valei-me meu Padim Ciço
E a Mãe de Deus das Candeias!”

Ora ensinado a doutrina, de forma tranquila, com sua habilidade teológica!
Estava no meio do povo.
Numa das cheias,  em Palmares, no meio da lama, está lá o bispo de desobrigas, botas e solidéu, só-para-Deus, que mais parecia a tampa do queijo-do-reino, na lama com suas ovelhas enlameadas!
O cheiro de ovelha não se pega longe delas.
(Temos que aprender isso, todos nós, os eclesiásticos!)
Não esperava, ele mesmo ia.
O povo se sentiu amado pelo bispo.

Não havia o modismo de “ igreja em saída”, porque nunca se trancafiou: nem como padre, nem como bispo...
De Palmares, atingiu o Brasil inteiro pela simplicidade, sem perder a dignidade,
Pela clareza, sem perder a ciência .
Falava verdades e acreditava nelas...
O povo sabe quando um pastor acredita no que fala!
E aqui está o segredo entre um circo cheio e uma igreja vazia. O primeiro fala mentiras e acredita nelas; a segunda fala verdades que nem ela mesma acredita!
Dom Henrique acreditava e falava!
E aqui estava seu segredo mais caro.

Não tinha vocação para cargos, nem tão pouco brilhava em seus olhos a fome de carreira a galgar.
Queria levar Jesus às almas e as almas à Jesus. Somente.
E o povo carente das verdades da fé, sucumbindo nas trevas dos achismos ideológicos e dos teologismos, foi atrás da água mais pura.
E agora chora a secura que se avizinha?!
Não adianta prender o povo, mandar no povo,
engavetar o povo. Ele termina sempre indo. Ou estamos com ele, ou ficamos, sozinhos.
E Deus fala, também no povo!
Mas não nos parece um erro, essa exclusividade excludente?
Essa predileção do povo por um, entre outros?

O grande segredo de um pastor, não é ter o "cheiro das ovelhas", isso não é difícil de fazer, até politico sai das feiras com o cheiro do povo, para se desinfetar, depois, em seus lavabos. O bom pastor, com cheiro de ovelhas, deixa sempre nas ovelhas o cheiro do pastor. E aqui, precisamente aqui, encontra-se o segredo de Dom Henrique: deixava no povo o cheiro, o perfume, o suave odor de seu episcopado!

Aqui o segredo que atraia gente de todo canto, de todas as partes, de todos os lados.
E nós, os eclesiásticos, com humildade aprendamos a deixar em nossas ovelhas o cheiro do pastor e assim seremos também amados, lembrados e...talvez, chorados, porque terá valido a pena ter estado aqui!
Chorai. Sinos de Palmares, chorai,
porque morto é o bispo, mas o perfume do seu episcopado continua por aí, nas ovelhas daí e de outros prados.....

(*) Pe. Marcelo Tenório, de Garanhuns (PE) - Pároco da Paróquia de São Sebastião, de Campo Grande (MS)
21 de julho, 2020.

25 julho 2020

Nas asas da Eternidade - Por: Emerson Monteiro


Há coisa de dez anos, a convite da Academia Lavrense de Letras, fomos, Luciano e eu, numa missão cultural a Fortaleza. Era época dessas chuvaradas intensas no Ceará, o que ocorre rara e inesperadamente. Não mais conseguiram bilhetes saindo da rodoviária do Crato e tivemos ir de táxi a Várzea Alegre e de lá de ônibus, só que restavam os derradeiros lugares do transporte, e foi lá nos instalamos. Uma longa noite pela frente. Conversávamos a respeito do seu trabalho, quando ele começou a declamar. Logo chamou a atenção de outros passageiros, que se aproximaram à escuta. Resultado, o que nos parecia difícil, tornou-se percurso divertido, agradável, quando vim a conhecer mais de perto a obra do poeta.

Daquela vez me tocou o desejo de ver seus poemas em um livro, inclusive sabia ser esta vontade que alimentava desde algum tempo. Em Crato, depois, planejei editar o que seria o seu primeiro livro além das dezenas de cordéis que já publicara, vindo dai em bem cuidada edição sob o patrocínio dos amigos através de Leonardo, um dos seus filhos, que auxiliou com força a que viéssemos a concretizar o sonho de Luciano Carneiro, trabalho confeccionado pela BSG Bureau de Serviços Gráficos, de Juazeiro do Norte.

Desse modo eu apresentaria o livro: Desde a primeira vez que ouvi a poesia de Luciano Carneiro, no lançamento de um de seus cordéis, hoje perto da cifra de cinco dezenas, compreendia que me achava diante de um dos gigantes da poesia sertaneja. Dotado da inspiração mais simples e pura, rima com naturalidade e declama seus versos como quem desbulha vagens de feijão maduro, fácil e espontâneo. Há, na obra de Luciano, um componente fundamental à boa literatura, a fluência e o senso de humor, que fazem menos densa as obras eloquentes da escrita, de si tendentes ao formalismo.

Assim me tornei um dos seus admiradores, alimentando o desejo de um dia ver seu trabalho transformado em livro. Os cordéis estes vêm sendo editados pela Academia dos Cordelistas do Crato, da qual é o poeta um dos fundadores e ex-presidente e vice-presidente, além de administrador da gráfica. Porém os poemas autorais, por vezes clássicos e magníficos, precisavam ganhar divulgação e vida longa. Numa viagem que fizemos a Fortaleza, para atender a um compromisso no Segundo Encontro Lusofônico de Fortaleza, em dezembro de 2009, pude aquilatar o valor da sua obra. Plena de conteúdo universal revelador dos mistérios de uma vida cheia de riqueza humana, vivências e tradições do nosso interior secular, concede matéria-prima de profundas reflexões, sobretudo diante das instituições ameaçadas dos dias atuais. Os perigos da formação dos filhos, a ganância dos poderosos, a incerteza dos caminhos desta vida, por vezes rodeados de ameaças, o esforço das lutas da sobrevivência material, a destruição da natureza, tudo isso encontra na inspiração de Luciano Carneiro uma verve suficiente e transformadora, guardando a esperança e os cuidados necessários ao ímpeto da religiosidade original. O leitor fiel ao sentido verdadeiro da poesia cabocla satisfará seu apetite exigente na habilidade deste poeta digno do instrumento que abraça com tamanha maestria, ao nível dos autores consagrados no exemplo de Patativa do Assaré, Pinto de Monteiro, Catulo da Paixão Cearense, Cego Aderaldo, Juvenal Galeno, para citar apenas alguns do panteão da glória popular. Veja por si mesmo a veracidade daquilo que lhes transmito nesta feliz edição dos versos de Luciano Carneiro, Onde mora a poesia, trabalho que tende a se tornar em um dos clássicos apreciados do nosso cancioneiro da rima nordestina.


Nesta hora, ao sabê-lo do outro lado da vida, fico parado olhado no tempo e lembrando a figura do poeta, simples e alegre, atento às surpresas boas da Natureza, a quem eu sempre perguntava: - Que é que está produzindo, Luciano? – e gentilmente me falava dos mais recentes versos, o que, de certeza, hoje também segue a produzir nos vastos salões da Eternidade.

- Abraço, Luciano, terás comigo bem guardada sua lembrança de amigo.

(Ilustração: Foto de Alemberg Quindins).

Missa pelo aniversário da Princesa Isabel

Rio de Janeiro, 14 de novembro de 1889. 
Um dia antes do golpe militar que impôs a República sem consultar o povo. 
Atrás da nossa primeira Bandeira do Brasil (Criada pelo Imperador Dom Pedro I, 
com desenho do pintor Debret), vê-se o antigo  Paço Imperial, localizado na atual 
Praça da República,local onde se embarca para ir a Niterói, 
que fica do outro lado da Baía da Guanabara.

24 julho 2020

Vai, Poeta, vai ser 'gauche' noutra vida


Noite do dia 23 de julho de 2020.

Os boletins sobre a ação nefasta da Covid-19, publicados indefectivelmente todos os dias pelas principais municipalidades do Cariri, informavam: o “anjo do extermínio” continua a rondar entre nós, com sua impiedosa espada, ceifando vidas que a frieza das cifras não dá conta.

Entretanto, uma dessas vidas ceifadas não passou incólume, soterrada na vala comum da mídia dessa nova idade média.

O Poeta (assim, com P maiúsculo) Luciano Carneiro fez a travessia e foi ser gauche noutra vida.

Tombou  o Homem (com H maiúsculo) para uma “gripezinha”, como assim é tratada pela insensibilidade repugnante daqueles seres fratricidas que só vêm números e vez de letras e de poesia.

Mas, contrariando os mandatários de plantão, verdadeiros coveiros de suas próprias histórias, a passagem do Poeta Luciano Carneiro repercutiu intensamente na mídia dessa nova idade média.

Na forma de um grito coletivo, expelido pelos pulmões que não foram comprometidos por essa tal “gripezinha”,  as palavras (e não, números) de tristeza e pesar, mas de reconhecimento e gratidão,  fizeram também justiça aos que se foram sem muito alarde, soterrados pelo silencio ou desdém  dos velhos políticos e seus asseclas que nem a idade média merece.

A travessia do Poeta Luciano Carneiro, muito real e dolorosa, mas também simbólica,  é um dedo sujo tocando a ferida e apontando para o descaso para com os nossos idosos e a grande maioria dos pobres que vive à míngua e morre à toa, sem atenção básica, até no leito de morte quase sempre sem terapia intensiva.

Morre o homem, mas fica a fama, diz o dito popular que até virou samba.

Não a fama que brilha sob os holofotes da mídia dessa nova idade média.

Mas a fama dos que brilham com luz própria.

Vai, Poeta, ser gauche noutra vida.

Dia do Escritor – por José Luís Lira (*)


   
     Esta coluna, não diria crônica, é para Matusahila Santiago, in memoriam. Nos dias que passaram, 20, tivemos o dia do amigo, da amizade; de Santa Maria Madalena, amiga de Jesus, tantas vezes erroneamente interpretada, 22; a reconstrução da face de Santa Maria Madalena, equipe que coordenei, em 2015, tendo à frente o designer 3D Cícero Moraes, promoveu, também, a possibilidade de uma revisão histórica da santa a partir dos evangelhos. Hoje, temos o dia nacional do escritor, instituído, na década de 1960, por portaria do extinto Ministério da Cultura, em alusão ao primeiro Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela União Brasileira de Escritores. O objetivo deste dia é despertar o interesse pela literatura nacional e apresentar obras de autores e autoras já consagrados junto a novos talentos.

    E quantos escritores e escritoras poderíamos destacar neste dia? Muitos... Alencar, Machado, Rachel, Capistrano, Olinto, Nélida, Sadoc de Araújo, Guimarães, Natércia, Moreira e grande elenco. Também os jovens escritores Léo Prudêncio, Mailson Furtado e tantos outros talentos, alguns guardados em gavetas, mas, com talento imensurável. E não posso deixar de citar os consagrados poetas Gerardo Mello Mourão, Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Jáder de Carvalho, Osvaldo Chaves, Ximenes e o trem e tantos e tantos artífices da poesia que cantaram dores, alegrias, amores e desilusões, pois que, embora não-brasileiro, Fernando Pessoa dizia que “o poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”.

    E o que diríamos de quem nasceu no dia nacional do escritor? Falo do Poeta Maior do Ceará, Artur Eduardo Benevides, o Príncipe dos Poetas Cearenses, nascido em 25 de julho de 1923, em Pacatuba (CE). Artur disse, em verso, “Ai, deixa-me, pois ser apenas um poeta!/ O que fui, até hoje, de alma repleta”. E foi poeta de alma repleta até seu último suspiro, dado em 21 de setembro, nas vésperas da primavera de 2014. Tive a honra de biografar o Príncipe Artur no livro “O Poeta do Ceará: Artur Eduardo Benevides”. Eu era quase um menino. Aproximei-me do poeta, tornei-me seu biógrafo e seu amigo. Era homem clássico, culto, sério e poeta terno, apaixonado por sua musa e pelo sagrado, buscava entender os mistérios e escreveu contos de mistério.

     Poucos dias após seus 90 anos, fui fazer-lhe uma visita e perguntei se ele estava escrevendo algo e sua resposta deu origem a um pequeno poema, de minha autoria, em sua homenagem: Escrever é um vício/ Assim responde o Poeta ao Estudante/ Que indaga:/ O Senhor está escrevendo?// Artur, Artur Eduardo Benevides/ Poeta dos poetas e do Ceará/ Tua poesia, teu vício, é sublime.// Que a vida nos oportunize/ Versos teus, para tua musa,/ Para amenizar aquela “coisinha” pequena/ Que sentias em Rosário (AR)/ E te fez retornar ao teu Ceará;/ A saudade, pois, em poesia// Conforme afirmas,/ O que não for saudade é liturgia!/ Liturgia dos teus 90 anos!

    Tentei concluir com versos de Madre Maria José de Jesus, a futura santa, filha de Capistrano de Abreu, cuja poesia era apreciada por Manuel Bandeira, mas, não encontrei. Biblioteca dividida em três lugares, dá nisso. Aplausos ao escritor brasileiro, em seus livros, seus versos, suas paixões!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.




23 julho 2020

Algemas douradas - Por: Emerson Monteiro


Falemos um tanto a propósito do apego às paixões no seio da humanidade, quando qualquer motivo sujeita prender à ilusão. Vira e mexe, vêm novos métodos de domínio de pessoas e coisas sobre os demais, sobremodo nesses tempos tecnológicos. Criam modas e tomem submissão de massa.

Dissemos isso também no que tange às manias e dependências ao açúcar, ao álcool, fumos e drogas outras, no ponto de vista só materialmente. No que diz respeito aos aspectos psicológicos, nem pensar. Drogas de largo curso, desde as especiarias que antigamente iriam buscar no Oriente, pelo Caminho das Índias, a dobrar o Cabo da Boa Esperança. De lá vieram ópio, maconha e outros estupefacientes.

Destarte, custos da experiência dolorosa das prisões por vezes, surgem as posses sentimentais, carnais, patrimoniais. Escravos das fraquezas, oferecem ao cepo liberdade, a troco do prazer que esvaia nas cinzas do tempo. Vendem a alma nos variados campos das vivências; negociam a fome pela vontade de comer. Largam honra, dignidade, sentido de viver com sabedoria, pelos chamamentos desencontrados da comoção, corrupção, da fama, do imediato, o reino pelo prato de lentilhas, de Esaú e Jacó. A que ídolo acender tais velas, aonde deixar as carcaças e os sonhos vazios...

Quase que em resumo de vidas e vidas abandonadas no beco da inutilidade sem conta, a epopeia dos guerreiros demonstra o princípio de pagar o preço da fantasia, no decifra-me ou te devoro das estradas humanas.

Porém nem tudo significa só o vazio das ausências, conquanto existam aspectos positivos no senso das criaturas. Ainda que vítimas da incúria dessas farras descomunais, vez por outra, mereceram dos filósofos a classificação de Hedonismo, ou o prazer como estilo de vida. Muitos dos que o praticam sabem que todo efeito tem uma causa, e se jogam de corpo inteiro às consequências amargas.

Em contrapartida, existe também o Estoicismo, que se caracteriza por uma ética em que a imperturbabilidade, a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino são as marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade.

21 julho 2020

Além das palavras e dos gestos - Por: Emerson Monteiro


Bem no horizonte do silêncio, qual nasce o Sol, logo ali de dentro vêm as palavras e os gestos, espécies de longo rebanho de minúsculos seres em formação perene. Tais nuvens que acordam o dia, umas sementes vivas, elas pulam fora das inteligências e abrem portas às manhãs feitas de flores, pássaros e os outros animais que brotam acesos da terra nua. Convulsas, chamam a pensar, a desvendar consciências nas compreensões adormecidas de nós, seres humanos. Crescem pelo ar dos pulmões e das redes elétricas do cérebro, vezes até transidas ainda no frio gelado das madrugadas, caminham lentamente à busca de interpretação na luz que ofusca os tempos e as criaturas. Nisso, se foram milênios sem fim, noites e dias, sonhos, dúvidas e explosões de filosofia.

Fôssemos rever, porém, os códigos abandonados das antigas civilizações, acharíamos nossos iguais a trabalhar o esforço das bibliotecas de argila, couro e papiro, nas grandes navegações do espírito às interrogações de sobreviver ao infinito das esferas. O porquê de tudo isso ora esbarra nas máquinas elétricas e nos cabos submarinos espalhados mundo afora. Olhos postos nas letras, perguntam os humanos do jeito semelhante das cavernas e das catedrais, donde viemos, o que aqui fazermos e aonde chegaremos quando tudo acontecer e simplesmente desaparecer no mistério.

Na ânsia febril de reconhecer o território em que pisa e descobrir as razões de trocar tantos sentimentos de gerações e gerações perdidas, resignamos aos desejos de aceitar, apenas viver uma forma de seguir o que a vida impõe, sem maiores dúvidas de que ao Nada nos conduz, a correnteza dos acontecimentos. Admitir essa falência das ideias em nome da sobrevivência do Ser, enquanto adormecemos sob as lâminas de aço das ilusões e sofrer do desvario das ausências. Bom, caso outros encontrem as ruínas desta civilização, dirão somente que houve um povo feliz vivendo no Tempo, o solo fértil onde plantamos e, inevitavelmente, colheremos as certezas inevitáveis do Destino para sempre.

16 julho 2020

Padre Antônio Maurício Melo – por José Luís Lira (*)


    Dia 10 último, sexta-feira, que nos remete ao Santo Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, às 11 horas, faleceu o Padre Antônio Maurício Melo, no Hospital de Guaraciaba do Norte, Ceará, em consequência de um câncer. Pe. Maurício era o mais idoso dos sacerdotes filhos de Guaraciaba do Norte e o único ainda vivo, ordenado na época em que a Paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres pertencia à Diocese de Sobral, no paroquiado de Mons. Antonino Cordeiro Soares, a quem Pe. Maurício devotava respeito e admiração.

     Ele nasceu no dia 23/01/1931, na cidade de Guaraciaba do Norte, então Campo Grande, filho do Cel. Adriano Ribeiro Melo e de dona Gonçala Ribeiro do Amaral. Foi batizado, solenemente, na Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, pelo Pe. Nelson Nogueira Mota, no dia 08/02/1931.

    Estudou as primeiras letras em Guaraciaba do Norte e, em 1945, ingressou no Seminário São José, de Sobral, onde se matriculou em 8 de fevereiro, aniversário de seu batizado. No Seminário de Sobral, concluiu o Curso de Humanidades, em 1951, ingressando, no ano seguinte, no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Ali concluiu Filosofia e Teologia. Foi ordenado Sacerdote por Dom José Bezerra Coutinho, então Bispo Auxiliar da Diocese de Sobral, na Igreja da Sé de Sobral, no dia 08/12/1957. Sua primeira Missa foi cantada na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, em 13/12/1957.

   Iniciou suas atividades sacerdotais em Nova Russas, como cooperador da Paróquia de 1958 a 1965. Com a criação da Diocese de Crateús, Pe. Maurício passou a exercer suas atividades sacerdotais em Tamboril e Sucesso, entre 1966 e 1967.     Não se adaptando às linhas pastorais da nova Diocese, retirou-se, em 1968, para Nova Russas, onde residiu por muitos anos, exercendo o magistério, mantendo-se fiel ao seu sacerdócio. Prestava auxílio aos Párocos vizinhos, notadamente de Santa Quitéria, Ipu e, em sua terra natal, cuja celebração na festa da Padroeira era sempre esperada. Foi compreensivo conselheiro na administração do Sacramento da Penitência e grande orador Sacro.

    Em 16/12/ 1965 ele celebrou o casamento de meus pais, Izídio Ribeiro Lira e Luíza de Araújo Lira e, há cinco anos, celebrou as Bodas de Ouro.

    Os primeiros conceitos de que a santidade é dádiva a todos, eu recebi do Pe. Maurício. Ainda menino assistindo a uma Missa de Finados, ele recordou que no dia anterior era a festa de todos os santos. Recordo-me que ele enfatizava que a festa do dia anterior era para o santo que não havia sido canonizado pela Igreja, mas, que morreu em santidade. E concluía: “Santo é aquele que faz ou fez a vontade de Deus”. Isso foi a base de meus estudos hagiológicos e aquela sua frase me marcou. Era um homem notável. Culto, de muitas leituras, de excelente conversa e sermão aprofundado. Ele sabia e vivia o que pregava.

    Era primo do Mons. Eurico de Melo Magalhães e do Pe. Odilo Lopes Melo Galvão. Padre Maurício recebeu a recomendação digna de um sacerdote na tarde daquela sexta-feira, no patamar da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, onde há 62 anos havia sido acolhido Padre Novo e o povo osculou suas mãos ungidas de sacerdote. Naquela tarde, um sacerdote, parentes e poucos amigos se despediram dele. Foi sepultado com os paramentos sacerdotais que utilizou, com dignidade, por toda a vida.
    Requiescat in Pace!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


13 julho 2020

A energia infinita do Amor - Por: Emerson Monteiro


Presente em todos os fenômenos universais, ali vive, sob as definitivas condições, a imortalidade da Luz na paz dos bens inestimáveis. Sustenta soberanas as mínimas possibilidades que logo irão gerar o poder do Infinito e habitar na força da Eternidade sem conta no interior das criaturas. Suprema e acendrada bênção que supera obstáculos e anima o fator inextinguível do coração, persiste ao impulso de preservar a sobrevivência dos valores puros.

Numa firme demonstração da existência dessa energia, vêm nos dizer os místicos, mestres, santos, profetas, testemunhos do sonho feito realidade, a demonstrar nas existências o quanto de elevação podem os humanos, chegam e apresentam os caminhos através do exemplo. Resta avaliar o firmamento e aceitar as histórias dos tempos, abrir caminhos dentro da alma e reverter os quadros instáveis do impossível.

São tantas aventuras espirituais que indicam a chance de ser feliz que poucos ou raros admitem poder cumprir o ritual da Salvação. Igualmente os fiéis que aceitam a fraternidade entre os seres desvendam o mistério nas dobras das horas de rezar, amar e obedecer aos ditames e jeitos de tratar os irmãos. Quanta sinceridade é preciso aos que pedem e aceitam a vontade do sagrado. Estão bem aqui junto de nós tais instrumentos da realização do Ser, missão das criaturas diante dos dias. Lembrar os bons momentos da honestidade, a dignidade e o respeito aos caminhos certos da Verdade. Julgamentos de si mesmos, eis o senso de construir o novo.

Assim o Infinito existe na consciência dos humanos, que apenas necessitam estender a vontade e transformar o Universo por meio das próprias forças, maestros do bem senso. Foram muitas as lidas que lhes trouxeram até agora. Vamos, pois, acalmar o coração e receber de bom grado o direito que o Poder nos concede, aceitar a existência plena do divino em nós. 

11 julho 2020

O fracasso do socialismo


    José Pio Martins é economista e reitor da Universidade Positivo. Tempos atrás ele publicou um excelente artigo, sob o título “Socialismo: o fracasso de uma ideia trágica”. Daquele artigo retirei dois parágrafos. a conferir.

“O primeiro patrimônio do ser humano é seu corpo, que, em uma sociedade civilizada, ninguém pode agredir nem escravizar. A única exigência contra o direito de domínio sobre seu corpo é que o indivíduo respeite o mesmo direito de seu semelhante e, não o fazendo, seja processado, julgado e punido nos termos de lei que assegure o devido processo e o direito de defesa”. 

“Uma questão que intriga é: por que surgiu a ideia socialista? Isto é, um regime sem direito de propriedade privada dos meios de produção? Karl Marx não gostou do que viu no começo da Revolução Industrial na Inglaterra em termos da jornada de trabalho dos operários e das precárias condições de vida. Um grande erro de Marx foi não perceber que o estoque de capital (fábricas, máquinas e equipamentos) não conseguia absorver todos os trabalhadores, pois a população explodia mais que o avanço da tecnologia e a produção de bens de capital”.

Encerro transcrevendo abaixo um excerto de um escrito do pensador católico, Prof. Plinio Correia de Oliveira:

“    Como todos sabem, cada homem é dono de si mesmo. E, portanto, é dono de sua própria capacidade de trabalho. Em consequência, também o é do fruto dessa capacidade, ou seja, do fruto do seu trabalho. Assim, cada homem tem um direito natural imediato sobre o que produz. E a violação desse direito é designada por uma palavra muito conhecida: roubo.
      Pouco importa que esse direito seja violado por outra pessoa ou pelo Estado: continua sempre a ser roubo. Pois tanto os Estados quando os indivíduos estão sujeitos ao 7º mandamento: não furtar.
     Pensam de modo exatamente oposto os marxistas. No regime comunista, todo produto do trabalho dos particulares pertence ao Estado. É um Estado-Ladrão, que ufanamente se proclama tal”.

Postado por Armando Lopes Rafael

As voltas que o mundo dá – muitos já perguntam: um retorno à Monarquia nos tempos atuais é possível?

Li, com muita atenção,  o escrito de José Emerson Monteiro Lacerda (veja abaixo deste artigo). Trata-se de  um escrito lúcido e oportuno, este de Emerson! Ocorreu-me, então,  “por mais lenha na fogueira” com esta publicação, que retirei do  Face book do  “Pro Monarquia. A conferir.


   Muitos se perguntam se devido ao estado em que presentemente se encontra a política no Brasil, não seria mero sonho imaginar que, após a restauração da Monarquia, seja possível realizar uma democracia autêntica – ou seja, um regime que pressupõe a existência de um povo moralmente são e fecundo – sob o regime monárquico.
Este é, sem dúvida, um ideal difícil de se atingir. Mas não é de si intangível. A Monarquia, afinal, é o regime apropriado para moralizar a vida pública – não a prazo imediato, mas a cabo de algum tempo, cuja duração é impossível prever, pois depende de fatores múltiplos. E não só é o regime apropriado para tal fim, mas é o único regime que pode proceder a tal moralização.

    A complexidade dos problemas políticos, sociais e econômicos de nossos dias ultrapassa muito a capacidade de ação de um só homem, por mais bem assessorado que este esteja. Uma Monarquia, hoje em dia mais do que nunca, não poderia ser absoluta. Sem uma efetiva colaboração popular, por meio democrático-representativo, não vemos que na atual conjuntura histórica uma Monarquia assim pudesse ser bem sucedida; ou sequer bem compreendida.

    É esse o pensamento do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, conforme declarou seu irmão e imediato herdeiro dinástico, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, em entrevista que em setembro de 1987 concedeu a um semanário paulista. À pergunta “Como ficaria o Brasil atual, política e economicamente, com a restauração do regime monárquico?”, respondeu Sua Alteza:

   “A política é a arte do possível. Meu irmão, o Príncipe Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil, julga que hoje um regime monárquico, para que seja compreendido e desejado pelo conjunto da população, contando assim com a colaboração dele para o bem comum, deveria ser composto por elementos de democracia representativa. Em tal sistema, ombreando com verdadeiras elites sociais, sejam elas intelectuais, culturais, empresariais, científicas e outras, se esforcem sob a inspiração do Monarca, na procura da solução dos grandes problemas com que se defronta o Brasil.”

(Publicado originalmente no face book Pro Monarquia e baseado em trecho do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira: com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, de autoria do Professor Armando Alexandre dos Santos).

10 julho 2020

À espera de um estadista - Por: Emerson Monteiro


Sei que os tempos sofrem mutações, que as modas de hoje não foram de antes e muito menos serão as de depois. Porém há que haver líderes que assim mereçam a denominação, que sejam menos seus do que dos demais que deles carecem no decorrer de todo tempo. Desse jeito, nas crises da Humanidade, vieram e dominaram os monstros das guerras e a civilização equivocada, transformando aquilo que aparentemente seria pesadelo em sonho e alternativas de salvação. Quem quer que investigue os turnos da História verá pessoas dotadas de profundo senso chegar no momento exato de conduzir os povos e levá-los a superar extremas penúrias, e à libertação.

Lembremos, desde a Antiguidade, os tempos bíblicos, quando nomes excepcionais marcaram os rumos de grandes populações, desde Abraão, Moisés, Salomão,Jesus, dentre outros, isto a citar só o povo judeu. Entrementes noutros lugares também vultos memoráveis se deram ao exercício da liderança esclarecida e venceram aparentes hecatombes humanas. Rama. Sidarta. César. Carlos Magno. Alexandre. Abraham Lincoln. Gandhi. Churchill. De Gaulle. Patrício Lumumba. Mandela. Nisso existe verdadeira veneração pelas epopeias dos que venceram o desespero e indicaram saídas, mesmo a sangue, suor e lágrimas. Grandes batalhas venceram. Guerras ultrapassaram e mostraram a importância da firmeza de comando a fim de cruzar extremos de brutalidade e injustiça, à beira dos extermínios quiçá vividos pela espécie humana.

Agora, nesta hora de graves situações a níveis de desumanidade e desafio face ao que resta de passado próximo e distante, imaginar fase que alumie as trevas e leve a bom termo costumes falidos e dores atrozes, transformando-os em moeda de troca de esperança e fé, a evolução reclama personalidades acima da média que nos traga conquistas coletivas, e o que se observa é apenas a dura constatação de que verdadeiros estadistas diminuíram a quase nada. Vive-se crise de valores que reflete a necessidade da renovação de um sentido pleno dos ditos progressos sociais que superem todo sofrimento já experimentado pelos habitantes deste Chão de tantas transformações.

08 julho 2020

Eduardo Girão, um grande senador – por Armando Lopes Rafael (*)



    Se houve um voto do qual nunca me arrependi de ter dado, foi o de quando sufraguei – nas eleições de 2018 – o nome de Eduardo Girão para o Senado da República. Sempre acreditei que nossa opinião pública distingue os dois “Brasis”, que se nos apresentam.  Um, é o Brasil “virtual”, sem correspondência com a realidade. É esse o Brasil divulgado pelas correntes políticas esquerdistas e pela mídia comprometida com a “agenda global” da ONU. É o Brasil “virtual” das divisões, do incentivo ao ódio, das “lutas de classes”. 

   O outro, é o Brasil “real”. O Brasil autêntico, verídico, vivenciado pela maioria da nossa população. O Brasil do nosso dia-a-dia, habitado por um povo generoso e trabalhador, dotado de boa índole e conservador nos costumes...O Brasil que não gosta dos radicalismos e que acredita em Deus.

      O senador Eduardo Girão representa o Brasil “real”. E tem atuado com coerência à agenda com que se apresentou candidato ao Senado da República, em 2018. Ele, até agora, não nos decepcionou. Tem sido frequentes seus pronunciamentos, suas ações, sua coragem cívica e pessoal em defesa do Brasil real. No mês passado, para citar apenas os últimos dias, Eduardo Girão fez vários pronunciamentos.

    Dois, me chamaram a atenção: em 09/06/2020, ele criticou a atuação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o não uso do medicamento cloroquina para o  tratamento do novo “vírus chinês” discordando, também,  daquela instituição da ONU quando esta se manifesta a favor do aborto, como uma atividade essencial neste momento de pandemia chinesa, que varre todas as nações do globo. Eduardo Girão criticou, também, as dificuldades que o Governo do Ceará colocou para os que quisessem ser tratados (no início dos sintomas do Covid 19) com a cloroquina. Como é do amplo conhecimento dos cearenses, o governador Camilo Santana (aquele que reiteradas vezes afirmou ter sido Lula da Silva, “O melhor Presidente do Brasil(SIC) – oficializou sua posição contra o uso da cloroquina, dizendo-se a favor da Agenda Global da OMS.

    Já noutro pronunciamento, no último dia 18/06/2020, o Senador Eduardo Girão manifestou discordância a uma fala do Ministro do Supremo Tribunal Federal–STF, Luís Roberto Barroso. Registrou Girão, nesse pronunciamento, os pedidos de impeachments contra ministros do STF e a favor da “CPI da Lava Toga”, bem como da necessidade de um freio a certas atitudes de alguns ministros daquele tribunal. Eduardo Girão criticou, ainda, o Senado da República por conceder à Corte o privilégio de não ser investigada pelo órgão competente. Afirmou que está nisso o crescimento dos abusos, as interferências do STF nos outros poderes; a gestação do inquérito ilegal sobre as alardeadas “fake News”, além da invasão da competência legislativa para deliberar sobre drogas e abortos.

      Grande senador! Senti-me representado por ele nas suas opiniões corajosas e sensatas, acima citadas.  E sinto-me na obrigação de testemunhar, aos meus leitores, o excelente trabalho do Senador Girão (Podemos-CE) no seu mandato como representante do Ceará no Senador Federal.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador e reside em Crato.  Sócio do Instituto Cultural do Cariri e membro-correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).

06 julho 2020

A safadeza da derrubada de monumentos públicos – por Armando Lopes Rafael


    Em Londres, vândalos picharam o monumento  ao Primeiro Ministro Winston Churchill, o herói que garantiu a liberdade e a democracia ao mundo ocidental,quando  articulou, durante a 2ª Guerra Mundial, a destruição do regime nazista da Alemanha de Hitler

   “Safadeza” é um substantivo definido, nos dicionários, como uma “Característica, qualidade ou particularidade de quem é safado; safadice ou desfaçatez”; “Ação ou comportamento que demonstra deslealdade ou indignidade”. Pois é isto que alguns terroristas vêm fazendo – nas passeatas a título de protesto contra o racismo – mundo afora. Já os monumentos públicos podem ser enquadrados a partir de uma placa comemorativa, passando por pequenos bustos, até chegarem às esculturas – pequenas ou grandes – com o objetivo de homenagear ou enaltecer pessoas que deixarem algum feito digno de admiração por seus pósteros.

     Dias atrás noticiou-se que um movimento de vândalos do Rio de Janeiro (imitador servil das esquerdas americana e inglesa) chegou a planejar a derrubada do monumento à Princesa Isabel, existente numa avenida daquela cidade. Houve reação forte de segmentos da sociedade carioca e os terroristas tupiniquins se retraíram no seu propósito demolidor.

       Normalmente os monumentos refletem a mentalidade da época em que foram construídos. Julgar atos de 50, 100 anos, ou mais tempo atrás, pela mentalidade da minoria decadente desta segunda década do corrente terceiro milênio é uma insensatez completa. Nossos velhos monumentos são o reflexo do estado de espírito, do grau de civismo e das crenças das gerações passadas que os erigiram. 

          Tomemos o exemplo da cidade de Crato. Quando foram aqui edificados os monumentos a Cristo Rei, a Dom Quintino, ao Dogma da Assunção de Nossa Senhora, dentre outros, a sociedade cratense era majoritariamente católica. Nossos jovens, naquela época, – diferentes de uma minoria intolerante dos dias atuais – andavam limpos (não usavam tatuagens, nem drogas), não eram adeptos das lutas de classes (hoje tão em voga), cultivavam o civismo,  a honestidade, as boas maneiras no tratamento com o próximo, eram tolerantes etc.etc.

            Não se pode admitir que essa minoria venha a vandalizar nossos poucos monumentos, simplesmente porque discorda ideologicamente da mentalidade de quem os erigiu no passado. Ademais, os nossos monumentos (e outros bens culturais) são protegidos por lei. Se esse magote tentar destruir nosso patrimônio público, qualquer cidadão deve chamar a Polícia, a qual prenderá os contraventores, e estes, em seguida, sofrerão os rigores da lei. Simples assim.

04 julho 2020

Entre o Ser e o Nada - Por: Emerson Monteiro


Nada é tão importante para o homem como sua condição, e nada lhe é tão temível como a eternidade.  Blaise Pascal

Diante do silêncio absoluto das estruturas universais, entretanto, que mais senão a oportunidade que bem lhes significa existir?!... Face a face, pois, consigo próprios, seguem os passos do instante inesgotável, enquanto vivem os seres humanos. Que alternativa lhes caberia qual não fosse tocar em frente o desejo de ser feliz e encontrar a resposta? Experimentar todas as máscaras do semblante, reapresentar a si o espetáculo do Sol, e adormecer no colo do que carrega consigo há milênios nas fibras do coração?...

Em uma velocidade inevitável, tempo sobre tempo escorre-nos entre os dedos a lâmina de aço da história nas cólicas do destino. Os demais são meros espectadores de nós, e nós deles que também o somos. Testemunhos das cenas dantescas do desparecimento na Eternidade, vez em quando reaparecem/emos cenários adentro, fantasmas de notícias ocasionais.

Claro que isso de pisar este chão é tarefa intrigante, estonteante. Reino de senhores onde predomina a força da matéria e resulta em submissões e fantasia, uns se entredevoram, resolvem falar mais alto, e outros aceitam humilhação dos valores espúrios a troco de deixarem comer e ir em paz. Ninguém mesmo detém a ciência do espírito com toda a coerência, porém se acham donos do saber e das interrogações. E nisso transcorre calorosamente o século ao sabor das esferas próximas ou distantes.

Vez por outra afloram racionalistas que dizem vir do pensamento a justificativa dos astros. Quase num só momento, vêm arautos do invisível que estabelecem bases nos tempos abstratos. Conquanto restritos a conceitos só mentais, resta aos indivíduos mergulhar o íntimo e desvendar princípios nos trilhos da consciência, o que permitirá, belo dia, na solidão das estrelas, acender as horas inevitáveis da luz no Ser em movimento.

Pequenos fatos da nossa História: a primeira viagem feita ao Brasil pelos herdeiros de Dom Pedro II, após o golpe militar de 15 de novembro de 1889


Foto: O Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, acompanhado de seu avô paterno, o Príncipe Dom Gastão de Orleans, Conde d’Eu, de  sua mãe, a Princesa Imperial do Brasil, Dona Maria Pia de Bourbon-Sicílias de Orleans e Bragança, e de seu irmão, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz Gastão de Orleans e Bragança, a bordo do vapor Massilia.

   Nos pequenos fatos da História pátria – diria mesmo nos “fatinhos” – pouca gente conhece o fato abaixo, publicado no Facebook da Casa Imperial Brasileira. A conferir:

   Em 1922, o Governo Epitácio Pessoa convidou formal e oficialmente o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, então menino de 13 anos de idade incompletos, a vir ao Brasil a fim de tomar parte nas celebrações do Centenário da Independência, proclamada no dia 7 de setembro de 1822 por seu valoroso trisavô, o Imperador Dom Pedro I.

   Nascido na França, em virtude do injusto e penoso exílio imposto à Família Imperial Brasileira por ocasião da quartelada republicana de 15 de novembro de 1889, o jovem herdeiro do Trono embarcou rumo à sua Pátria, a qual veria pela primeira vez, visto que fazia apenas dois anos desde a revogação da odiosa Lei do Banimento da Família Imperial, que vigorara desde dezembro de 1889.

   A bordo do vapor Massilia, vinham também sua mãe, a Princesa Imperial Viúva do Brasil, Dona Maria Pia de Bourbon-Sicílias de Orleans e Bragança, seu irmão e imediato herdeiro dinástico, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz Gastão de Orleans e Bragança, e seu venerando avô paterno, o octogenário Conde d’Eu, que, contrariando as recomendações de seu médico, fazia questão de vir pessoalmente, para apresentar seus netos ao povo brasileiro – infelizmente, aprouve a Deus chamar a Si, já em águas territoriais brasileiras, o velho herói da Guerra do Paraguai.

   Conta o jornalista Assis Chateaubriand que durante o embarque do Chefe da Casa Imperial, os membros brasileiros da tripulação do Massilia subiram aos mastros e começaram a bradar “Viva Dom Pedro III!”, em um claro gesto de aclamação daquele menino que era, “de jure”, o Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, e que em fim iria conhecer a Pátria que estava sendo educado para servir, e sobre a qual deveria reinar.

(Baseado em trecho do livro “Dom Pedro Henrique, o Condestável das Saudades e da Esperança”, de autoria do Professor Armando Alexandre dos Santos).

Imagem da Padroeira de Crato completa cem anos neste 2020 – por Armando Lopes Rafael



   A escultura de Nossa Senhora da Penha, ora venerada no altar-mor da nossa Catedral, foi adquirida pelo primeiro bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, em 1920. Em artigo publicado na revista Itaytera, Mons. Rubens Gondim Lóssio escreveu que a imagem “foi adquirida na Europa”. Entretanto, está gravado na base da estátua: “Luneta de Ouro, Rio, 1920”, como a comprovar que ela foi adquirida através da famosa loja de esculturas religiosas localizada, àquela época, à Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

      No entanto, esta imagem só chegou a Crato em 1921. Uma curiosidade: quando da sua recepção houve fortes e ostensivas reações, advindas de segmentos da comunidade cratense, contrárias a substituição da “Imagem Histórica” (venerada desde 1745) pela nova escultura adquirida por Dom Quintino. A prudência deste fê-lo retardar a entronização da nova imagem. Dom Quintino, viria a falecer em 1929 sem colocar a nova representação de Nossa Senhora da Penha na Sé Catedral de Crato. Coube ao segundo bispo diocesano, Dom Francisco de Assis Pires – empossado em 1932 – aguardar mais sete anos até a solenidade de entronização da nova estátua da padroeira dos cratenses.

    Por isso, durante 17 anos, a escultura da Virgem da Penha permaneceu guardada no interior da Catedral. Sobre ela escreveu Monsenhor Rubens:
 “De tamanho bem maior que o natural, (Nota do articulista: mede cerca de 1,80m e foi esculpida em madeira) em atitude de quem aparece para defender o pastorzinho Simão, prosternado ao lado direito, enquanto o temível crocodilo se arrasta à esquerda, o vulto impressionante tem uma beleza encantadora. Trazida com dificuldades até esta Cidade Episcopal, teve a Imagem festiva recepção, em 1921, quando o povo acorreu ao seu encontro, na estrada do Buriti, onde se congregaram cerca de 32 zabumbas. Todavia, continuou ela guardada, até que, preparada a mentalidade do povo e feita a reforma da Capela-Mor por Dom Francisco de Assis Pires, colocaram-na no altivo e gracioso nicho de onde preside às funções do Culto e aos destinos do Crato. No dia 1º de setembro de 1938, foi-lhe dada a bênção do Ritual e, a partir de então, não tem ela cessado de conceder a todos as maiores graças e as melhores bênçãos”. 

    Em 2006, devido aos trabalhos de conservação efetuados no interior da Catedral a estátua de Nossa Senhora da Penha foi retirada – pela primeira vez – do alto do nicho, no qual estava há 68 anos. Esse acontecimento levou muita gente à Catedral, na manhã de uma segunda-feira, 03 de julho daquele ano. Entretanto, após a descida da imagem, uma surpresa: constatou-se a existência de várias rachaduras na escultura de madeira.

     Preocupado, o então Cura da Catedral, Padre Edmilson Neves Ferreira (hoje Bispo Diocesano de Tianguá), procurava um profissional para recuperar a estátua. Atendendo ao seu apelo mantive contato com a Prof.ª. Olga Paiva, funcionária do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional–IPHAN, 4ª Superintendência Regional sediada em Fortaleza. Esta indicou para o trabalho a restauradora italiana Maria Gabriella Federico. O restauro da imagem durou cerca de três semanas. E, depois de recuperada – pela primeira vez – a terceira imagem da padroeira do Crato percorreu, em procissão, as ruas da cidade que a tem como Imperatriz e Protetora.
     Estava programada para 2020, na festa da Padroeira de Crato (celebrada anualmente de 22 de agosto a 1º de setembro), as comemorações do centenário da imagem da Virgem da Penha. Assolada pela pandemia chinesa do coronavírus, o principal templo cratense (a exemplo das demais igrejas católicas do Brasil) se encontra fechado há quatro meses. Oxalá nossa Mãe Santíssima escute as orações dos seus fiéis e faça cessar os malefícios dessa enfermidade epidêmica, amplamente espalhada por todas as nações da terra. Só assim os cratenses poderiam comemorar à altura os cem anos da sua querida Imperatriz e Padroeira.


03 julho 2020

Cariri Encanto, Live de Poesia & Música HOJE!!!


Para participar clique no link: https://meet.google.com/sjq-vsic-jkj






Luiz Carlos Salatiel

Na ativa desde o início dos anos 70, construiu uma sólida e profícua carreira artística, com destaque para a música, o teatro e o cinema.
Na música, vale destacar suas participações nos festivais da canção do Cariri, ocorridos nos anos 70, em Crato, tendo sido um dos seus idealizadores e vencedor da primeira edição, em 1971, à frente do grupo Cactus, interpretando a música “Grito de uma geração”.
Nos anos 80 produziu o primeiro e antológico disco de Abidoral Jamacaru, “Avallon”, lançado em 1987.
Nos anos 90, realizou o show “Soy Loco por ti, América Latina”, reunindo o melhor e mais representativo cancioneiro da música latino-americana.
Mais recentemente, protagonizou o show “Caleidoscópio 70”, reunindo parte de sua vasta parceria com o poeta Geraldo Urano.
De sua autoria lançou, no inicio dos anos 2000, o conceituado disco “Contemporâneo”.
Neste ano de pandemia e de incertezas, ele nos presenteia com seus 50 anos de carreira artística atuante e sempre irreverente, cantando a justiça, a liberdade, a paz e a esperança de melhores dias.


Pachelly Jamacaru

Começou a tocar violão aos dez anos de idade, estimulado pelo pai seresteiro e pelo irmão Abidoral
Jamacaru, prestigiado cantor e compositor. Com onze já compunha sua primeira canção.
Na década de 1970, ainda garoto, fez parte do Grupo Nessa-Hora, ao lado do seu irmão Abidoral, tocando flauta e percussão.
Em 1978 venceu o Festival Regional da Canção do Cariri com a música "Não haverá mais um dia", depois registrada no disco "Massafeira", lançado em 1980, e que reuniu músicos, cantores e artistas do Ceará, após participar do evento do mesmo nome, coordenado pelo cantor Ednardo.
Pachelly Jamacaru já lançou três discos: "Balaios da Vida" (1995), "Com a Palavra, as músicas" (2000) e "Cria Minha" (2010); e acabou de gravar o quarto, “Ê Nordeste, Pachelly & Convidados”.


Pedro Paulo Chagas

É remanescente dos lendários festivais de música que ocorreram no Cariri na década de 1970. Naquela época, Pedro Paulo Chagas integrou a banda Nessa Hora, que acompanhava Abidoral Jamacaru e foi vencedora de vários desses festivais.
Na década de 1980, radicou-se em São Paulo, onde deu continuidade à sua carreira musical, participando, como músico de estúdio, de vários discos de artistas consagrados. Em Sampa, também participou de bandas e realizou shows.
De volta ao Cariri, em anos recentes, Pedro Paulo tem se destacado na realização de shows que primam pela diversidade musical, do rock ao samba, do jazz ao baião.
De sua lavra, lançou os discos “Quarenta Comprimidos” e “Crato SP”.
Agora está finalizando mais um: “Vovô e Eu”, que reúne composições suas a partir de poesias deixadas pelo seu avô, Tapajós de Araújo.


Calazans Callou

Cantor, compositor e instrumentista, estreou musicalmente como baixista da banda Fator RH, em meados dos anos oitenta, aqui na região do Cariri.
Radicando-se em Recife, Pernambuco, Calazans integrou-se ativamente à cena musical da “Veneza brasileira”, participando de bandas, como os Gnomos da Metrópole, fazendo shows e produzindo discos.
Calazans é participante recorrente de mostras musicais que ocorrem periodicamente no Cariri, como o Palco Sonoro da URCA e o Festival de Jazz & Blues de Arajara.
Em 2008, dividiu o prêmio de melhor intérprete com Luiz Carlos Salatiel no Festival Cariri da Canção, em uma parceria com o poeta Geraldo Urano,
Em 2019, foi o terceiro colocado do Festival Juazeiro do Norte de Música do Nordeste, com música interpretada por Don Tronxo.
É autor do disco Estação Urano (Perfeita Mistura), que reúne parcerias suas com Geraldo Urano, estando, atualmente, ultimando mais um disco.


Carlos Rafael

Despontou no cenário musical da região do Cariri na década de oitenta como fundador, vocalista e principal letrista da banda Pombos Urbanos, uma das primeiras bandas de rock do interior do Ceará. Em seguida, fez parte das bandas Fator RH e Nacacunda.
Em 1995, participou do lendário festival Chapada Musical do Araripe - CHAMA, interpretando a canção “Serpentes na noite”, parceria sua com o poeta Geraldo Urano.
Em 1996, participou, com a banda Nacacunda, da etapa Norte/Nordeste do Festival Skol Rock, ocorrido em Olinda, Pernambuco.
Tem composições gravadas pela banda Nacacunda e por Zé Nilton Figueiredo. E foi produtor executivo dos discos das bandas Nacacunda (2006), Zabumbeiros Cariris (2007) e Herdeiros do Rei (2009).
Na sua apresentação de hoje, será acompanhado por Ivan Júnior, jovem músico de Juazeiro do Norte.


Alex Josberto

Poeta da nova geração de escritores caririenses, tem composições musicadas por Calazans Callou e Carlos Rafael, ainda inéditas em termos de registro fonográfico.
Teve poesia publicada na coletânea da 8ª Mostra de Poesia BNB Abril Para Leitura, lançada em 2019 pelo Centro Cultural Banco do Nordeste do Cariri.
Em outubro próximo, terá poesias suas publicadas na conceituada revista Itaytera, órgão do Instituto Cultural do Cariri.
Em breve, estará lançando o seu primeiro e esperado livro de composições poéticas, já bastante difundidas nos meios digitais.
           

DECOTELLI NÃO PODE ASSUMIR



O Estado brasileiro resfolega sua incompetência. Custa caro, queima óleo, roda mal e só ocasionalmente completa o percurso. Os episódios envolvendo a nomeação de Carlos Alberto Decotelli para ocupar o cargo de ministro de Educação são exemplos claros disso.

 Como imaginar que a pessoa indicada para o MEC tinha uma vida acadêmica tão fajuta? Exatamente porque isso é inimaginável, era necessário que algum órgão do governo fizesse essa checagem junto às fontes mencionadas. Obviamente não é ao presidente que cabe investigar as competências dos membros de sua equipe. Não é ele, tampouco, que vai informar-se sobre os conceitos de que desfrutam os indicados nos locais onde tenham desempenhado atividades. Se Decotelli assumir vai prejudicar o governo e o trabalho a ser feito no MEC.

A natural circulação das informações, num mundo online, rapidamente descobriu o que, com facilidade, teria sido esmiuçado se alguém tivesse feito o seu trabalho. Ou não? O ministro não defendeu tese na Argentina e sua proposta para esse fim foi rejeitada pela comissão. Da tese que apresentou para o curso de mestrado na Fundação Getúlio Vargas diz-se que incluía trechos de outras fontes sem dar crédito aos respectivos autores. Seu pós-doutorado na Alemanha não aconteceu e não foi obtido entre 2015 e 2017, tendo ele passado três meses por lá em 2016.

Bem espremido, o currículo do professor periga perder ainda mais substância. Digo isso porque seu pedido de desculpas ao presidente já deveria ter sido apresentado e essa novela, sob o ponto de vista administrativo, lançada no cadastro dos acontecimentos exóticos, com envio de cópia para uma provável futura investigação sobre crimes de falsidade ideológica. O mais grave de tudo talvez se revele no fato de o professor Decotelli haver tentado explicar o inexplicável, aparentemente numa suposta expectativa de assumir o cargo, como se isso fosse tolerável e as acusações contra ele, desimportantes.

Não são. Exatamente por não o serem, avulta a responsabilidade de quem deveria fazer a completa investigação antes de autorizar a nomeação do professor. Das consequências dessa desatenção, nos livraram – à nação e ao governo – os olhos atentos da sociedade. Imagine os cuidados de uma empresa privada de 300 mil funcionários (número de servidores do MEC), para escolher seu CEO e compare com esse disparate!

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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+