30 abril 2020

Reconstituição mostra verdadeiro rosto do Imperador Dom Pedro I com fratura no nariz


Edison Veiga -  de Milão para a BBC Brasil 

Inédita reconstituição facial mostra homem com nariz deformado em decorrência de suposta fratura não tratada e nunca antes descrita na literatura especializada | Crédito: Cícero Moraes

   A despeito de sua imagem de sedutor e galã, o primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro 1º, não era tão garboso quanto ilustram as pinturas oficiais daquele tempo, que estampam livros escolares e povoam o imaginário do brasileiro. Uma inédita reconstituição facial feita em 3D a partir de fotografia do crânio do monarca mostra um homem com o nariz com uma deformidade em decorrência de uma suposta fratura ocorrida em vida, que não teria sido tratada de maneira adequada e nunca descrita na literatura especializada.

    A reconstrução realista da face do imperador é resultado de um projeto idealizado pelo advogado José Luís Lira, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú, do Ceará. Ele adquiriu os direitos sobre uma fotografia realizada em 2012, quando os restos mortais do imperador foram exumados da cripta localizada no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo, para um estudo científico realizado pela Universidade de São Paulo (USP). Devidamente autorizado pela Casa Imperial do Brasil - cujos representantes, herdeiros de Dom Pedro 1º, zelam por sua memória -, convidou o designer Cícero Moraes para realizar o trabalho de reconstituição.

    As imagens foram encaminhadas ao perito legista Marcos Paulo Salles Machado, chefe do Serviço de Antropologia Forense do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Antropologia Forense (ABRAF). Sem saber que se tratava do crânio de D. Pedro, ele estimou a idade como sendo de um adulto jovem - o primeiro imperador do Brasil morreu em 1834, pouco antes de completar 36 anos - de origem europeia. E cravou que o mesmo havia sofrido uma fratura no nariz. "O crânio dele tem uma deformação nos ossos nasais que sugere uma lesão, fruto de ação contundente da esquerda para a direita. Ele pode ter batido com o nariz e sofrido uma pequena fratura nessa região", disse o perito, à BBC Brasil.

    De acordo com o escritor e pesquisador Paulo Rezzutti, autor da biografia D. Pedro: a História Não Contada - o Homem Revelado por Cartas e Documentos Inéditos, não há nenhum registro de que o monarca tenha quebrado o nariz em vida. Mas quedas de cavalo eram comuns na vida atribulada do imperador. "Ele teve uma queda feia em 1824. E, alguns anos depois, teve um acidente ainda mais grave de carruagem na Rua do Lavradio, no Rio de Janeiro", pontua o biógrafo.

Boa notícia: Quadro 'Independência ou Morte', de Pedro Américo, chega à fase final de restauro

Fonte: Folha de S.Paulo, 30-04-2020


    A tela "Independência ou Morte", de Pedro Américo, chegou à fase final de restauro, que incluiu reparos na moldura e retoques na pintura. A última etapa, a aplicação do verniz, deve ser feita em 2022, perto da data prevista para a reabertura do Museus do Ipiranga.

   A restauração ficou sob os cuidados de Yara Petrella. Com a pandemia do coronavírus, a restauradora, que pertence ao grupo de risco, foi afastada de suas funções. Com isso, foi criada uma força-tarefa que concluiu o processo. O quadro, de 415 cm por 760 cm, será embalado para que tenha início a reforma do salão em que se encontra. "Independência ou Morte" é maior do que as portas e janelas do local —a tela foi montada originalmente onde está até hoje e nunca foi retirada de lá.

    Localizado no parque da Independência, em São Paulo, o Museu do Ipiranga está fechado para visitação desde 2013, quando foi detectado risco iminente de queda do forro. Ele é um dos museus da Universidade de São Paulo, sendo por isso também uma unidade de pesquisa, no caso, na área de história. As obras para ampliação e reforma do museu começaram só seis anos depois da interdição, no ano passado. O governo de São Paulo captou, via Lei Rouanet, R$ 160 milhões da iniciativa privada para a realização dos trabalhos.

O Imperador Dom Pedro I também foi o criador da Bandeira do Brasil.
Ele escolheu como cores nacionais o verde da Casa de Bragança
(de onde ele era originário)  e o amarelo da Casa de Habsburgo
 (origem da Imperatriz Leopoldina)

27 abril 2020

Os frutos do “Socialismo do Século XXI”: por que falta gasolina na Venezuela, país com a maior reserva de petróleo do mundo?


Por que falta gasolina na Venezuela, um país com mais petróleo que Arábia Saudita? Filas e medo crescem no país que já teve a gasolina mais barata do mundo e onde encher o tanque custava menos de um centavo de dólar

 Filas quilométricas, que duram o dia todo, em busca de alimentos, os quais, às vezes nem chegam 

Durante as últimas semanas circularam pela mídia mundial e redes sociais vários vídeos com filas quilométricas nos postos de gasolina na Venezuela. As imagens revelam a crise de abastecimento de combustível que toma conta do país desde o início de abril. À primeira vista, a situação choca com o fato de que esse país tem a maior reserva de petróleo do mundo, certificada em 302,8 bilhões de barris. No estado de Miranda, onde está localizado o Distrito Capital e a cidade de Caracas, o governo local determinou um rodízio de veículos para fazer as filas no posto de gasolina. Os carros de serviços essenciais tem prioridade na hora de abastecer.

Cena comum nos supermercados de Caracas, capital da Venezuela

A crise na Venezuela parece longe de seu fim. Hiperinflação, escassez de alimentos, caos social e moral, sem falar de  mortes de civis em protestos, fuga em massa, entre outras mazelas, ocupam o noticiário sobre o país, que já teve a maior renda per capita da América Latina. Vinte e dois anos depois de Hugo Chávez ser eleito presidente, o resultado das suas políticas socialistas é o colapso econômico do país. A comida desapareceu dos supermercados, o que forçou a população a comer cachorros, pombas, gatos e animais nos zoológicos (até mesmo os burros que outrora infestavam as estradas do estado de Falcón desapareceram; alguns foram comidos, outros morreram de fome). Uma recente pesquisa relatou que nada menos que 78% da população do país diz "sentir fome constantemente e não ter o que comer.


Fonte: Agências de Notícias

26 abril 2020

Eu senhor de mim - Por: Emerson Monteiro


Essa a única busca da real significação diante de tudo quanto se move. A razão derradeira de todos os princípios a que se destinam os dias. Vagos operários de construções imaginárias, cruzamos as linhas do Tempo diante do Destino. Incessante ausência de sentido porém nos bate à porta do momento e clama decisões. Saber na verdade aonde rumam as pulsações do Universo de que somos testemunhas e protagonistas. Buscar acima de tudo o objetivo essencial das aventuras humanas, eis o justo motivo de andar neste chão que desaparece aos nossos pés.

Enquanto as ações pedem resposta coerente face a tanto desafio, as criaturas por vezes apenas oferecem o pescoço na ceia dos prazeres e usufruem da ilusão tais máquinas num movimento alucinado. Ninguém, por si, quer admitir, no entanto, pura e simplesmente, que ainda desconhece a tal finalidade das horas a lhes triturar o corpo já perecível. Adormecem, pois, no calor das emoções.

Bom, até que seria cômico, não custasse a consciência que se transporta cá dentro das entranhas, numa pergunta monumental de a que finalidade cumprimos os ditames desta vida em jogo. Como descobrir o enigma da carne e vencer a Esfinge do decifra-me ou te devoro? E o Tempo avança nas horas e nos viventes, a triturar os incautos feita mãe que devora filhos diletos após cevá-los no carinho das circunstâncias.

Isso a fim de justificar que tudo tem justa explicação, que nada passa impune perante o fruir das estações; e cá iremos todos, nesse mar de praticados que bem resume viver existências aparentemente ocasionais, quando temos em mãos o querer da liberdade. Tudo é justo, mas nem tudo me convém, segundo S. Paulo. Há, por isso, uma balança imaginária que pesa a exatidão dos acontecimentos pessoais.

Fôssemos meros joguetes da própria sina e passaríamos ao léu, espécies de coisas em queda livre.

Vem assim o que queremos indagar: A que isto se destina? Viver por viver, ou descobrir a causa origem de si mesmo e desvendar o mistério dos destinos? Claro que implica numa resposta de valor inestimável, interpretação principal de um dia, dominar a barca do acaso e desvendar o código exato da Eternidade que manuseamos. Paremos neste ponto e deixemos que fale o silêncio do Absoluto em nós.

25 abril 2020

A “maldição” da República – por Armando Lopes Rafael



Há quase dois anos publiquei – em 7 de junho de 2018 – com o título acima este artiguete. Depois da decepção que as pessoas de bem do Brasil sofreram ontem, 24 de abril de 2020, com o episódio da renúncia do Ministro Sérgio Moro, vi que este escrito permanece atualíssimo. Leia e confira.


   Cenário triste e lamentável, este atualmente vivido pela republiqueta brasileira... Cenário de crises: moral, ética, política, econômica, a desaguar na crise de representatividade da atual disputa pelo poder. Compreendo quem diz “não vou votar em ninguém”. Este ano quem quiser votar terá de escolher “o menos pior”.

     A decepção com a classe política é grande! E, pior ainda, ninguém sabe quem vai ganhar o pleito para a Presidência da República. Parece até maldição. Entra Presidente, sai Presidente e nenhum é alvo – não diria de orgulho, pois já é querer demais para tempos tão caóticos como os atuais, mas, digamos, pelo menos de um mínimo de respeito, da parte do sofrido e decepcionado povo brasileiro.

        Razão teve um dos presidentes desta república (e eles são, por baixo, quarenta e dois (42), em 129 anos desde Deodoro da Fonseca), no caso o General Figueiredo (que governou o país entre 1979 a 1984), ao afirmar: “O Brasil não merece os políticos que tem”. Isso foi dito há quase 40 anos, quando não tinha vindo, ainda, à tona escândalos de corrupção (considerados os maiores na história da humanidade), institucionalizados pelos governos do PT (Lula/Dilma) – como o  “mensalão”, o “petrolão”, a roubalheira nas estatais e nos fundos de pensão, dentre outros, os quais desaguaram na Operação Lava Jato.
          Se o fato abaixo é verídico, eu não sei. Mas consta no livro “A Maldição do Imperador-Cem anos de República–1889-1989", do advogado e historiador - residente no bairro Muriti, em Crato, Francisco Luiz Soares, impresso pela Gráfica Sidil Ltda. Divinópolis-MG, 2000, página 364). A conferir:

 “Um religioso, muito amigo e íntimo de Dom Pedro II, com quem conviveu quase toda a vida, de quem era confidente e conhecedor de todas as suas lutas, dificuldades, angústias e sofrimentos, e que no calor do movimento da expulsão de Dom Pedro II e toda a sua família, vendo a injustiça contra o Imperador sendo praticada, teria dito para que muitos ouvissem:
“Maldito seja o Marechal Deodoro e todos os que o acompanharam nesse ato de injustiça, que é a expulsão do mais ilustre brasileiro, Dom Pedro II. Malditos sejam pelo uso da espada, contra um homem velho, indefeso e doente. Malditos sejam todos aqueles que ocuparem o cargo de governantes do Brasil sem legitimidade. Malditos sejam os republicanos!”.
      
            Pois é. Verídico ou não, a república e os republicanos nos legaram a situação do Brasil atual. Pelos frutos se conhecem as árvores, disse Nosso Senhor Jesus Cristo.



24 abril 2020

24 de abril, dia de São Fidelis de Sigmaringa-- o co-padroeiro de Crato (por Armando Lopes Rafael)



Com as igrejas católicas fechadas, os fiéis cratenses não poderão, sequer, hoje assistir a uma missa na festa de São Fidelis.
   Todo mundo sabe que Nossa Senhora da Penha é a padroeira principal da cidade de Crato. Poucos, no entanto, sabem que Crato também tem um co-padroeiro. Trata-se de São Fidelis de Sigmaringa. Este, antes de adotar este nome – ao se tornar franciscano – era conhecido advogado civilmente por Marcos Rey.

   Segundo seu biografo Afonso Souza: “Inteligente e aplicado, Marcos Rey fez com sucesso seus estudos na católica Universidade de Friburgo, na Suíça. De elevada estatura, bela presença, semblante sério e sereno, Marcos era respeitado pelos professores e admirado pelos condiscípulos que, por sua ciência e virtude cognominaram-no de o Filósofo Cristão”. São Fidelis de Sigmaringa foi escolhido pelo fundador de Crato– Frei Carlos Maria de Ferrara– há 280 anos – como co-padroeiro da primitiva capelinha de taipa, coberta de palha, erguida em 1740 no centro da então Missão do Miranda, embrião da atual cidade de Crato.
À esquerda A Mãe do Belo Amor, primeira devoção mariana do sul do Ceará. À direita, São Fidelis de Sigmaringa, co-padroeiro de Crato (Vitral da Capela do Santíssimo da Catedral de Crato)

   Ainda segundo o seu biografo: “Como em tudo brilhante, em breve adquiriu fama e clientela. O Dr. Marcos Rey, no entanto, preferia as causas dos pobres às dos ricos, para poder defendê-los gratuitamente. Em suas defesas, jamais utilizou recurso algum que pudesse tisnar a honra da parte contrária”. Entretanto, Marcos Rey decepcionou-se com a advocacia e decidiu a abandoná-la, ingressando na Ordem Franciscana. Percorreu a Espanha, França, Itália convertendo multidões e passou a ser perseguido pelos radicais protestantes.

    Foi à sombra do castelo de Sigmaringa, às margens do Rio Danúbio, na Alemanha, que Fei Fidelis encontrou refúgio, quando perseguido. Mas no dia 24 de abril de 1622, após celebrar uma missa, de volta ao castelo, caiu nas mãos de soldados protestantes que o assassinaram. Foi beatificado em 1729, e canonizado 17 anos depois. O Vaticano o escolheu como o Protomártir da Sagrada Congregação da Propaganda Fidei.

23 abril 2020

A república é uma festa. E nós pagamos caro por ela – por Bruno Garschagen



Palácio do Planalto

Num país Monárquico, parlamentar e rico como a Inglaterra, o primeiro-ministro não mora num palácio, mas no terceiro piso de uma casa no centro de Londres, a 10 Downing Street onde também funciona o seu escritório e a sede do governo. Num país republicano, presidencialista e não-rico como o Brasil, o presidente da República tem dois palácios à disposição: um para morar ( Palácio da Alvorada, residência oficial) outro para trabalhar outro ( Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo Federal). Existe ainda uma terceira opção: a Granja do Torto, onde morou o General João Figueiredo durante os 6 (seis) anos em que foi Presidente da República.

Num país Monárquico, parlamentar e rico como a Inglaterra, o primeiro-ministro não tem funcionários para lhe fazer café nem cafuné. Num país republicano, presidencialista e não-rico como o Brasil, Dilma Rousseff, presidente que sofreu impeachment tinha  no Palácio da Alvorada 30 funcionários e servidores à sua disposição e gastava R$ 62 mil por mês apenas com despesas de alimentação. Dilma Rousseff achava pouco; Lula concordava com ela e um dia disse: “A Dilma vai terminar comendo em marmitex”.
Uma das várias salas do Palácio do Planalto

(O ex-presidente Lula, tem uma pensão vitalícia até o dia que morrer dentro da lei.  Hoje ele custa hoje mais de   R$ 40 mil reais por mês aos cofres públicos (e ainda tem direito a oito assessores e a dois veículos oficiais com motoristas). Antes de ser afastada da presidência pelo impeachment, as despesas de Dilma (só dela, não do seu governo) eram praticamente o dobro dos gastos da rainha Elizabeth II e da família real. Lula e Dilma não devem nem saber quanto custa um marmitex. E nós pagamos a conta.

Num país Monárquico, parlamentar e rico como a Inglaterra, quando o governo comete erros e coloca o país em apuros, o gabinete é demitido, o parlamento é dissolvido e são convocadas novas eleições. Resolve-se o problema político para não criar outros problemas ou aprofundar os já existentes.
Num país republicano, presidencialista e não-rico como o Brasil, uma presidente como Dilma pode passar mais de cinco anos destruindo o país e só será afastada se cometer crime de responsabilidade. E se o Congresso considerá-lo como tal. Mas aparelhar o governo, colocar o Estado a serviço do PT e destroçar a economia, isto pode. E sem chance de ser destituída (o).

Deve ser mesmo muito difícil viver numa Monarquia.
Palácio da Alvorada

(Este artigo foi publicado foi publicado em 2018
no site: https://monarquiaconstitucional.jusbrasil.com.br/artigos/370191065/a-republica-e-uma-festa-e-nos-pagamos-caro-por-ela)

22 abril 2020

A manada de búfalos - Por: Emerson Monteiro

Eles desciam as encostas de outra montanha gelada do Ártico, pé-ante-pé, às vezes deslizando apressados vendo a hora cair no abismo. Mas iam resignados, cabeça baixa, olhos atentos ao menor sinal de angústia. À frente, ele o senhor do rebanho, o ancião de todos, um chefe do bando cabisbaixo, sorumbático, espécie de nexo dos prados de antigamente quando o gelo derretia e saiam na ânsia do alimento que brotava das gretas das pedras. Aprendera no tempo, dileto amigo da sobrevivência. Nem ele, na verdade, sabia direito aonde seguiam depois da sequidão invadir mares e da insolação desordenada tomar de conta da natureza daquelas bandas do mundo.

Foram dias, semanas, meses, até chegar aos primeiros pastos. Quais andarilhos sem norte, viajaram à procura da Terra Prometida, instinto preso na vastidão esvoaçante de pedra e poeira. O líder, no entanto, bem sabia que sua missão logo estaria completa, desde que avistassem os primeiros sinais de esperança nas cordilheiras ali em frente.

Assim se deu lá numa manhã de sol intenso, recostou-se na primeira árvore do novo continente e, quase sem colar direito as pálpebras, ofegou o derradeiro suspiro, contudo deixando já pronto o novo rei.

Ao ritmo cadenciado de quem busca escolher dentre tantas ilusões a fria realidade, o comandante arrastaria o bando longe, porém, sem saber o rumo certo dos destinos avançaria. E a manada prosseguiu. Chegava aos lugares todos devidamente preenchidos de gentes várias, desde humanos seres a cães, gatos, cavalos; ovinos, caprinos, bovinos; e a mesma rotina estafante dos dias quais aventureiros de quando foram presos no velho continente. Ninguém que fosse lhes pareceu fieis e circunspectos daquilo que vieram neste chão. Imensas maiorias de aflitos catadores de conchas nas praias do Infinito pediam paz e plantavam guerras de clãs.

Tão ainda que insistissem morar nalguma lugar daqueles mais aprazíveis que avistassem, ali existiam donatários dos idos e vividos, escrituras e tradições. Prudentes, entretanto, seguiriam adentro do horizonte. Tangidos, pois, na sorte das aves em voo livre, cobriam distâncias estafantes a cada momento, afeitos ao drama/comédia eterma.

Quando, por isso, avistarem um bando de búfalos largados nas variantes deste universo qual família de judeus errantes, vistas fixas nas curvas das planícies esquecidas, lembre que, lá uma madrugada esquecida, eles resolveram que as almas dormem durante o dia e percorrem, à noite, os céus, e trazem consigo a certeza de que haverá felicidade no íntimo do teu coração. Receba-os; são amigos do sonho e senhores da imortalidade sem fim. 

Para quem pensa, erroneamente, que a Monarquia custa caro


Gastos com mordomias dos ex-presidentes da República do Brasil já somam R$ 60 milhões
por Lúcio Vaz 
 Lula e Dilma são os que gastam mais

Fonte: jornal “Gazeta do Povo” / Fonte: Secretaria-Geral da Presidência da República


   As despesas com as mordomias dos ex-presidentes da República, incluindo assessores, seguranças, carros oficiais e viagens internacionais, já bateram nos R$ 60 milhões de Reais – dinheiro público suficiente para construir 2 mil casas populares. No final do ano passado, surgiu um novo gasto: foram comprados 12 veículos “zero quilômetro”, por R$ 108 mil a unidade, para atender aos seis ex-presidentes. A maior média de gastos é de Dilma Rousseff.

   Afastada do cargo em processo de impeachment em 2016, ela gastou em média de R$ 1,6 milhão nos três anos seguintes. A maior gastança aconteceu em 2017 – R$ 1,87 milhão, incluindo R$ 880 mil com salários de assessores, seguranças e motoristas, mais R$ 990 mil com diárias. Todos os valores desta reportagem foram atualizados pela inflação.

   O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve despesas médias de R$ 1,2 milhão, sem contar os 19 meses em que esteve preso em Curitiba. Naquele período, foram cortadas as verbas para diárias e passagens, mas foram mantidos os oito assessores disponibilizados por lei a cada ex-presidente, a um custo de R$ 1 milhão. O ano de maior fartura dele foi 2014, num total de R$ 1,4 milhão, sendo R$ 860 mil com diárias a passagens. Foi o ano da reeleição de Dilma. Mas o maior gasto com viagens – R$ 1,06 milhão – ocorreu em 2011, primeiro ano após o término do segundo mantado.

Haja dinheiro

       Para as pessoas mal informadas, que acreditam que a Monarquia saí caro, veja só o que custa ao Brasil esses seis (6) ex-presidentes. A totalização por tipo de despesa mostra que os salários dos oito assessores (cada ex-presidente tem direito a 8 assessores) constituem o maior gasto – R$ 44 milhões. São assessores técnicos, seguranças e motoristas. Os assessores melhor remunerados recebem até R$ 14 mil por mês, mas também há salários de R$ 10 mil, R$ 8 mil e R$ 6 mil. São servidores públicos escolhidos pelos ex-presidentes. As despesas com viagens – diárias e passagens – somaram R$ 14 milhões. Lula lidera esse ranking, com R$ 4,9 milhões. Só a última viagem, a Paris, Genebra e Berlim, custou R$ 150 mil. Porém, num período bem menor, Dilma torrou R$ 2,5 milhões. Só uma viagem de férias para Nova York, no ano passado, com duração de 37 dias, acompanhada por assessores, custou R$ 163 mil.

    Há ainda gastos com combustível para os carros oficiais, num total de R$ 386 mil, feitos com cartões corporativos, e despesa com a manutenção desses veículos, mais R$ 106 mil. São disponibilizados dois carros para cada ex-presidente, com as seguintes características: sedan, quatro portas, com ar-condicionado, direção hidráulica, air bag e freio ABS.

Os direitos usufruídos pelos ex-presidentes estão previstos na Lei 7.474/1986 e no Decreto nº 6.381/2008.

17 abril 2020

Entrevista Nota 10: Manfredo Oliveira fala sobre a Covid-19 e a chance de recomeçar

Fonte- G1

Onde só se enxerga caos, há também a possibilidade de um recomeço. Para o filósofo e padre Manfredo Araújo de Oliveira, professor de Filosofia da Universidade Federal do Ceará (UFC), os momentos de incertezas trazidos à humanidade pela pandemia de Covid-19 oferecem a grande chance de refletirmos sobre as formas de configurarmos nossas vidas em nível individual e coletivo. “É uma ocasião que nos oferece a grande chance de reconhecer a dignidade de cada ser”, disse o professor, por e-mail, ao Entrevista Nota 10.

Reconhecido como um dos principais filósofos do Brasil, Manfredo pontuou ainda que, antes mesmo da Covid-19, a humanidade já estava ameaçada em sua sobrevivência. Segundo ele, os modelos econômicos de acúmulo de riqueza e os padrões de consumo adotados estão levando ao colapso tanto social quanto ecológico. Por último, ele enfatizou a necessidade de se criar uma grande rede de solidariedade global para proteger os países mais frágeis do vírus. “Aqui a solidariedade se revela não simplesmente como um convite, mas como uma obrigação”. Confira a entrevista.

Quais os paradigmas que a pandemia de Covid-19 já quebrou e quais paradigmas novos começam a surgir?

Talvez seja ainda cedo para afirmar que paradigmas foram quebrados, mas podemos experimentar certos paradoxos que abrem perspectivas de transformação dos modelos de configuração de nossas vidas. O primeiro e fundamental é o da absolutização do mercado como mecanismo básico de regulação do sistema econômico. Suas regras são consideradas como um mecanismo semelhante às leis da natureza, algo objetivo que o ser humano não tem condições de modificar. Por isto se situam fora do campo das interrogações éticas. Cria-se, assim, uma dicotomia radical entre economia e ética. A única questão aqui é a da eficiência na acumulação de riqueza, o que tem produzido o espetáculo tremendo de milhões de pessoas em condições de fome e miséria ao mesmo tempo em que o desenvolvimento tecnológico se faz cada vez mais capaz de produzir em abundância os bens necessários à vida.

Na atual crise são justamente os mais pobres os mais vulneráveis e esse fato é uma oportunidade para se compreender a natureza do sistema que nos marca e suas consequências desastrosas. Uma das consequências mais graves deste sistema é a crise ecológica. Por esta razão, a crise atual abre possibilidades para uma verdadeira “transição ecológica”. Por exemplo, a crise poderá ter efeitos benéficos sobre o aquecimento global e, consequentemente, sobre a saúde pública. Na China, as mortes associadas à poluição do ar são estimadas em um ou dois milhões de pessoas a cada ano e a poluição diminuiu em 20% a 30% durante a crise. Estas coisas nos levam a refletir seriamente sobre o mundo que construímos abrindo perspectivas de estruturação de uma economia sustentável que respeite e cuide da comunidade dos seres vivos e melhore a qualidade da vida humana.

O que a pandemia de Covid-19 pode trazer de positivo para a sociedade? Sairemos desta pandemia pessoas melhores?

Não se pode ter certeza disto, pois, levando em consideração que somos seres livres, sabemos que não temos condições de saber de antemão como as pessoas vão orientar suas vidas no futuro, que elementos sociais, políticos, econômicos e culturais serão condicionantes das decisões humanas no futuro. Mas um acontecimento como o da Covid-19, enquanto ameaça à humanidade, pode conduzir a uma reflexão fundamental sobre aquilo que verdadeiramente importa na vida humana, sobre os verdadeiros valores que devem orientar nossas vidas. É uma oportunidade extraordinária para tomarmos consciência de nossa fragilidade fundamental, por um lado e, por outro, de nossa grandeza enquanto seres vocacionados à fraternidade, à justiça e ao amor. É uma ocasião que nos oferece a grande chance de reconhecer a dignidade de cada ser, de sua alteridade e, de forma muito especial, da dignidade de todo ser humano o que nos deve conduzir à busca de mecanismos para efetivar o reconhecimento universal do valor intrínseco de cada ser, superando toda forma de violência e discriminação, portanto, de refletir sobre a forma de configurar nossas vidas em nível individual e coletivo.

Este momento de estresse coletivo tem despertado inúmeras experiências altruístas, ações de amor ao próximo. São atitudes e sentimentos que tendem a se perpetuar mesmo após a pandemia ser controlada ou cairão no esquecimento quando tudo se acalmar?

É uma possibilidade, mas certamente é uma boa oportunidade para nos lembrarmos de que, antes da Covid-19, a humanidade já estava ameaçada em sua sobrevivência. A pandemia visualizou o que muitos não conseguem enxergar ou até tentam negar. Já se sabia que a universalização dos padrões de crescimento e de consumo do mundo rico conduziria a um apocalipse social e ecológico. A imposição pura e simples do ser humano sobre a natureza, em sua fúria de apropriação, conduz, em última instância, à destruição de toda vida no planeta. Somos convidados a pensar num mundo que seja capaz de superar todo tipo de humilhação do ser humano tanto da fome e da miséria quanto do que hoje se chama de “questões da identidade”, ou seja, por exemplo, o fato de ser negro, índio, mulher, drogado, homossexual etc. Por trás destas questões, há posturas que negam a dignidade inviolável do ser humano. A crise é uma grande oportunidade de sairmos dela mais humanos.

Vivemos em uma sociedade cada mais técnico-científica, mas estamos passando por um momento em que a ciência ainda não conseguiu dar respostas às inúmeras incertezas que permeiam a pandemia de Covid-19. Neste momento de incertezas e grandes perdas humanas, qual o papel da religião na vida das pessoas? Como o homem pode equilibrar-se entre razão e fé neste momento?

As respostas da religião não podem substituir as respostas das ciências como também o contrário, pois se põem em níveis diferentes, com objetivos diferentes. O ser humano é um ser extremamente complexo, constituído de inúmeras dimensões. Assim, também, são suas atividades que se realizam em diferentes óticas buscando todas a efetivação do ser humano em diferentes níveis. Um exemplo claro disto é a existência na vida humana de ciências, religiões, artes, filosofias etc.

As ciências buscam a compreensão dos diferentes campos da realidade tematizando suas estruturas específicas, sua maneira de ser e de se comportar, uma atividade de grande importância para o agir do ser humano no mundo, o que fica muito visível sobretudo neste momento de crise. Mas o ser humano tem outras questões que são também centrais em sua vida. Em última análise, ele se defronta com as assim chamadas “questões últimas” que dizem respeito à compreensão do todo da realidade, seu lugar neste todo, o sentido de seu existir e estas são as questões que são enfrentadas, cada vez de uma forma diferente, pela arte, pela religião e pela filosofia.

Como diz V. Frankl, o ser humano, além de procurar sentido para coisas determinadas, deseja um sentido último, total, ponto de confluência de todos os sentidos particulares, capaz de dar unidade, nexo e desenvolvimento pleno à totalidade de sua vida e à existência do mundo como um todo. Este é constitui para ele o sentido por excelência. Na minha compreensão do fenômeno religioso na vida humana, seu objetivo é oferecer aos seres humanos respostas a esta questão fundamental que constitui o horizonte radical de orientação da vida.

A Covid-19 diferencia-se de inúmeras outras doenças tão graves e fatais quanto ela por não se restringir ou afetar especificamente determinadas classes sociais ou regiões, tal como acontece com a dengue, a cólera etc. O senhor acredita que o fato de ser uma doença que afetou profundamente países desenvolvidos e, a exemplo do que aconteceu no Brasil, atingiu primeiro classes sociais mais privilegiadas, influenciou na mobilização mundial? Como o senhor avalia o comportamento ético das lideranças mundiais diante da pandemia?

Experimentamos na crise o espetáculo terrível de um retorno explícito a um nacionalismo extremado de defesa única dos próprios interesses nacionais a tal ponto de se querer, com dinheiro, garantir para o próprio país, com exclusão dos outros, os meios necessários para o cuidado dos doentes. Perde-se com isto uma oportunidade importante para se dar conta de que um mundo globalizado (e a crise também é globalizada) exige que as grandes questões que dizem respeito a todos sejam pensadas em perspectiva global.

Há, contudo, alguns testemunhos que vão na direção oposta a este nacionalismo exacerbado. Primeiro uma carta assinada por 165 personalidades globais que pedem uma ação imediata e conjunta ao G20 e um apoio bilionário aos países mais frágeis. Afirma-se nesta carta que todos os sistemas de saúde, mesmo os mais sofisticados e bem financiados, estão fraquejando sob a pressão do vírus. Depois, o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, apontou em sua mensagem de Páscoa à nação a questão central da crise: a crise não é uma guerra, é antes um teste de nossa natureza humana. Aqui a solidariedade se revela não simplesmente como um convite, mas como uma obrigação, tese retomada pelo Papa Francisco em sua mensagem pascal ao mundo.

Ainda tem idiotas acreditando que a China não planejou o coronavírus



Sob o título “Chinês” reproduzo abaixo a nota publicada na coluna do jornalista Egídio Serpa, no “Diário do Nordeste”, edição de 17 de abril de 2020. A conferir.

“Leitor atento desta coluna, Paulo César Queiroz enviou e-mail a esta coluna, refletindo sobre os interesses econômicos grudados no coronavírus.
Ele expõe:
"Qualquer indústria, em qualquer parte do mundo, só produz aquilo que é demandado pelo mercado. Como o parque industrial da China produziu, antecipadamente, milhões e milhões de equipamentos - do respirador pulmonar a luvas, máscaras e sapatilhas - para hospitais e profissionais da saúde de todo o planeta?"
E prossegue: "
"Ninguém produz para estocar. E como explicar agora o apetite chinês, comprando empresas mundo afora, aproveitando a queda das bolsas de valores?"
Faz sentido.”

Postado por Armando Lopes Rafael

NOTA DO POSTADOR
Em 2017, os chineses investiram cerca de US$ 9 bilhões de dólares na compra de empresas brasileiras. A maior parte disso em ativos de companhias de energia elétrica. Em 2020 compraram as maiores cooperativas de produção agrícola do Paraná e anunciaram que vão comprar empresas estatais que serão privatizadas. Aqui no Ceará os chineses compraram o BIC Banco, que pertencia à família Bezerra e tinha como diretores Adauto e Humberto Bezerra.

11 abril 2020

Brasil Imperial: qualquer pessoa podia falar com o Imperador Dom Pedro II

Se D. Pedro II tinha um grande, um irremediável defeito, pode dizer-se que esse defeito era a sua bondade. Joaquim Nabuco, o famoso abolicionista, afirmou que durante cinquenta anos o povo encontrou o Imperador sempre de pé, na galeria de São Cristóvão ou no Paço da Cidade, ouvindo a todos sem enganar a ninguém:

“A sua porta esteve sempre mais franca do que qualquer outra no País. E quando se deixava de tratar com ele, para falar aos poderosos, todos sentiam que a vaidade da posição começava abaixo do trono”.

O conselheiro Nuno de Andrade descreveu uma audiência do Imperador:

“Às cinco horas em ponto desci do tílburi, junto à portinha baixa onde uma sentinela cochilava. Não se pedia licença para entrar. Tomei a escada da direita, e fui ter a um longo salão retangular quase sem móveis, com grandes quadros nas paredes. O Freire, criado da casa, meu conhecido, disse-me:
— O Imperador não tarda.

Cerca de quinze pessoas esperavam D. Pedro II, e entre elas um negro vestido de brim pardo, sem gravata, com uns grandes sapatos muito bem engraxados. Depreendia-se do lustro do calçado que o homem cuidara de parecer asseado; e, como era idoso, a intenção traduzia certa altivez nativa. Tinha ido a pé e sentia-se cansado, por isso sentara-se no chão da galeria.

[...] Instintivamente olhamos para as portas, constantemente abertas a todos os brasileiros.
O Imperador apareceu no extremo da galeria, e o homem levantou-se. Seria o primeiro a falar ao Soberano, e ninguém se lembrou de lhe disputar a precedência. O Imperador lhe perguntou:

— Então, como está? Que é que temos?
— Estou bom, sim senhor. E vosmecê? Eu venho dizer a vosmecê que fui voluntário na guerra do Paraguai. Na batalha, fiquei com um braço ferido por bala. Curei-me, e continuei até o fim de tudo. Depois voltei e caí no meu ofício de empalhador. Há um ano adoeci do fígado, e o Dr. Miranda, na Santa Casa, me fez uma operação. Nunca mais tive saúde. Agora, não posso mais trabalhar no ofício, e não tenho vintém para comprar farinha. Na secretaria do Império há falta de servente, e eu fui falar com o ministro. Mas o ministro não fala com toda a gente. Estão lá uns mulatinhos pernósticos, que me dizem sempre: Você espere. Eu espero, sim senhor; e depois os mulatinhos me mandam embora, porque o ministro não recebe mais ninguém. Já três vezes isso me aconteceu. Então fiquei zangado e pensei assim: vou falar ao Imperador, que é nosso pai; ele não manda a gente embora. Ora, pois, eu queria que vosmecê me desse um bilhetinho para o ministro…

O Imperador chamou o general Miranda Reis, que então o acompanhava, e disse-lhe algumas palavras. Voltando ao homem, exprimiu-se assim:

— Vá com Deus. Fico sendo seu procurador, e tratarei do seu negócio.
— Mas eu tinha vontade de mostrar àqueles mulatinhos pacholas…
— Não tem nada a mostrar. Vá para sua casa e espere.

Alguns dias depois, contou-me o general Miranda Reis que o Imperador mandara alojar o antigo voluntário numa casinha da Quinta, e ordenara ao comendador João Batista que lhe suprisse a mensalidade de 40 mil réis, pedindo desculpas de não poder dar mais. E o João Batista, honrado mineiro, prodigiosamente econômico, amofinava-se com as frequentíssimas decisões desta espécie, sustentando, em voz fraca e lacrimosa, que das quatro operações o sábio Imperador só conhecia a de dividir”.

(Fonte: Livro: “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano. São Paulo: Artpress, 1991. p. 22-24).

10 abril 2020

Um articuleto escrito 9 anos atrás (Armando Lopes Rafael)

Completam-se – hoje – exatos 9 (nove) anos da publicação, nos blogs cratenses, do meu escrito abaixo. Julgava, àquela época, 2011, que demoraria muitos anos para o meu artiguete ser julgado, serenamente, à luz da razão e do conceito da “Justiça de Deus na Voz da História”.  Mas foi breve o tempo decorrido para “cair a ficha” junto a massa ignara e a elite servil ainda dominante nas universidades públicas.

O tempo é o Senhor da razão: Lula, Doutor Honoris Causa da URCA – por Armando Lopes Rafael



"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...”
(Soneto Via Láctea, de Olavo Bilac)


Permita-me quebrar um pouco deste enlevo – pelo menos nesta única ocasião – para tratar de um assunto que traz discrepância e dissensão: a concessão de sucessivos títulos de Doutor Honoris Causa, por diversas universidades daqui e d’além mar, ao ex-presidente da República Luiz Inácio da Silva. A priori, lembro que tão logo foi eleito, em 2002, Presidente da República Federativa do Brasil, a Universidade Regional do Cariri – por iniciativa da então reitora Violeta Arraes – concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula. Talvez por ser uma universidade pequena, de pouca projeção, Lula nunca se dignou vir receber a homenagem. Diferentemente do que fez com outras universidades que lhe concederam idêntica honraria...

Reconheço que ao discordar dessas concessões terei o repúdio dos admiradores (alguns, reles bajuladores) do ex-presidente, um homem de inegável inteligência que chegou ao mais alto posto da República. Não faltarão os que me tacharão de invejoso, preconceituoso, como sói acontecer com qualquer crítica – por mais justa que seja – feita ao político Luiz Inácio da Silva.

Faço minhas as palavras do ilustre professor Délcio Vieira Salomon, da Universidade Federal de Viçosa (MG) quando protestou por idêntica honraria concedida a Lula, por aquela instituição:
“A bajulação política não só banalizou a outorga do título “doctor honoris causa”. Transformou em princípio pedagógico e ético o que antes era comportamento repudiável. Que fique bem claro: historicamente um Doutor honoris causa (ou Doctor honoris causa) recebe o mesmo tratamento e privilégios que aqueles que obtiveram um doutorado acadêmico de forma convencional e é conferido a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário, mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc.), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições. Sublinhe-se: transcendam e não atinjam, por demagogia ou por efeito de marketing, patamar do elogio gratuito”

“Afinal para quem acompanhou o governo Lula como observador, sem implicações interesseiras, sabe muito bem que aquilo que o Conselho Universitário da UFV chama de “defesa das causas sociais” é, no frigir dos ovos, nada mais que pura e deslavada demagogia. Quando este país aplicar honesta apuração das contas do governo passado, verá, lamentavelmente, que gastos públicos com bolsa família, bolsa escola e programas equivalentes a constituir “defesa de causas sociais” não passam de engodo já varrido para debaixo do tapete, do mesmo modo que se varreu o mensalão e quejandos malabarismos, a despistar a transparência, que nunca houve nos dois governos Lula Inácio da Silva”.

Esta a minha opinião, na qualidade de simples e anônimo cidadão, no tocante ao seriado de títulos de Doutor Honoris Causa que pipocam, de forma orquestrada e unicamente com motivação política, ora concedidos ao Sr. Luiz Inácio Lula...

Texto: Armando Lopes Rafael 


PS – Somente no dia 30 de agosto de 2017 (quinze anos depois de ser concedido), numa passagem de Lula pelo Cariri, é que o agraciado recebeu o título de “Doutor Honoris Causa”, outorgado pela Universidade Regional do Cariri. Foi durante um comício, realizado no pátio de estacionamento do Centro de Convenções do Cariri. Dias depois o “Doutor Lula” seria preso na sede da Policia Federal, em Curitiba, depois de condenado em Segunda Instância por corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha...

09 abril 2020

Coisas desta “Ré – pública”



1 -- Revoltante
O Brasil se esfacelando diante da pandemia de covid-19. Milhões de desempregados, a que, ao longo dos próximos meses, se juntarão outros tantos milhões, aqueles que conseguirão sobreviver à doença, mas perderão o emprego pela morte ou agonia de milhares de empresas.
Milhões de trabalhadores autônomos sem nenhuma fonte de renda. E os distribuidores de energia elétrica já querem que o governo repasse às contas dos consumidores eventual perda de receita pela queda de consumo?! Esse é o mais perfeito retrato do que é o Brasil, onde cada um enxerga tão somente uns milímetros além do próprio umbigo. Lamentável, deplorável, execrável. Digno de um sonoro palavrão.
Renato Otto Ortlepp
– E-mail: renatotto@hotmail.com

2 -- Justiça solta presidiários
A Justiça brasileira está libertando presidiários por entender que eles correm risco de contaminação por covid-19 no isolamento das celas. Enquanto isso, ao homem de bem é imposto um isolamento pelas mesmas razões. Senhores juízes, tendo explicação, eu aceito!
Jomar Avena Barbosa – E-mail: joavena@terra.com.br

3 -- Bandidos à solta
Conforme matéria do Estadão, a Justiça (?) mandou soltar mais de 35 mil bandidos das cadeias. Porém, quando passar o surto, esta horda de marginais vai para a fila de empregos? Lógico que não! Vão aumentar a violência, com mais assaltos, estupros, mortes... Qual será o futuro do nosso país?                    
Rubens Fernandes – E-mail:  sualoc@yahoo.com.br

04 abril 2020

Balança, mas não cai: Nunca antes na história desta “Ré-Pública”

 Câmara aprova em 2º turno texto-base da PEC do Orçamento de Guerra
Plenário vazio. Deputados votaram por vídeo-conferência.
Nenhum destaque foi aprovado

Em cerca de seis horas de votação, a Câmara concluiu a votação da Proposta de Emenda à Constituição do Orçamento da Guerra em dois turnos. A medida, entre outros pontos, aumenta o poder de fogo do Banco Central diante da crise. Deputados rejeitaram nesta sexta-feira, 3, os dois destaques, um do Novo e outro do PSOL, nesta segunda fase e, com isso, a votação foi concluída. A medida vai agora ao Senado.

A medida também amplia a atuação do BC para enfrentar instabilidades no mercado financeiro durante a crise. A instituição poderá comprar e vender títulos públicos e privados. Os deputados incluíram um trecho que prevê que a cada 45 dias o presidente do BC deverá prestar contas ao Congresso sobre as operações realizadas.


A PEC cria uma espécie de orçamento paralelo para segregar as despesas emergenciais que serão feitas para o enfrentamento da covid-19 no Brasil. Vai vigorar durante estado de calamidade pública já reconhecido pelo Congresso, que vai até o dia 31 de dezembro deste ano.

A proposta cria também um "Comitê de Gestão da Crise", responsável por aprovar as ações do regime emergencial; criar, eleger, destituir e fiscalizar. O presidente Jair Bolsonaro vai presidir o colegiado, que será formado pelos ministros da Secretaria-Geral da Presidência da República, da Saúde, da Economia, da Cidadania, dos Transportes, da Agricultura e Abastecimento, da Justiça e Segurança Pública, da Controladoria-Geral da União e Casa Civil.



Fonte: jornal Estado de S.Paulo, 04-04-2020