31 agosto 2019

O Imperador Dom Pedro II era rico?


    Logo de cara a resposta é não. Durante seus 48 anos de reinado, Dom Pedro II recusou a proposta do parlamento para o aumento de seu salário por pelo menos três vezes, dizia que despesa inútil era furto a nação e o que ganhava era o suficiente para manter-se e manter sua família.

   Contudo, o soldo do Imperador não servia apenas para ele próprio: pagava os estudos de brasileiros na Europa e nos Estados Unidos, como foi o caso do compositor de óperas, Carlos Gomes, e o pintor Pedro Américo, entre muitos outros estudantes que eram mantidos pelo Imperador.

    Por três vezes o Imperador viajou para Europa e o parlamento sugeriu que lhe fosse dado uma soma em dinheiro já que seria uma viagem onde o Imperador representaria a nação no exterior (embora ele viajasse como cidadão comum), porém mais uma vez, Dom Pedro II recusou a ajuda em dinheiro.

     Quando do golpe republicano em 1889, enquanto estava a caminho do exílio, o Marechal Deodoro lhe ofereceu cinco contos de réis, que equivalia a 4.500 kg de ouro como compensação, ao que Dom Pedro recusou a oferta e condenou a ação. Morreu pobre e com dificuldades, sua única riqueza era um travesseiro com terras de todos os estados brasileiros.

Fonte: Face do Círculo Monárquico do Cariri

Caririensidade


Crato precisa conservar melhor a memória do Padre Cícero

    Já passou o tempo de as autoridades de Crato resgatarem o que (ainda) resta de memória do Padre Cícero, o mais conhecido filho desta cidade. Vemos hoje dezenas de ônibus – procedentes de todo o Nordeste – conduzirem romeiros para conhecerem a Catedral de Nossa Senhora da Penha, local do batizado de Padre Cícero. 
Palácio Episcopal de Crato
Neste local nasceu o Padre Cícero

    Mas, sequer existe uma placa no local onde ele nasceu, ou seja, no Palácio Episcopal Bom Pastor onde moraram os três primeiros bispos da Diocese de Crato. A descoberta da importância do Padre Cícero partiu, inicialmente, do meio acadêmico. No já distante 1988, a URCA (no reitorado de Teodoro Soares) realizou o “1º Simpósio Internacional o Padre Cícero e as romarias”. Em 1989, foi a vez do “2º Simpósio sobre o Padre Cícero e a Beata Maria de Araújo”. 15 anos depois, em 2004, no reitorado de André Herzog, a URCA retomou a discussão do fenômeno Padre Cícero no meio acadêmico, com o “3º Simpósio Internacional Padre Cícero...e quem é ele?”. Novamente a URCA realizou recentemente o 4º Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero. 

     Somente depois da chegada, ao Cariri, do 5º Bispo de Crato, Dom Fernando Panico, é que a Igreja Católica começou o seu trabalho de reconciliação com a herança espiritual do Pe. Cícero, no que obteve um êxito retumbante, graças a aprovação – pelo Papa Francisco – desse pedido feito por Dom Fernando. 

Dom Fernando Panico: 45 anos de Brasil

     O próximo dia 13 de dezembro de 2019 registrará os 45 anos do desembarque (acontecido em 1974), em São Luís do Maranhão, de um jovem sacerdote italiano, com 28 anos de idade. A partir daquela data ele faria do Nordeste brasileiro o seu campo de apostolado. Seu nome? Padre Fernando Panico, Missionários do Sagrado Coração de Jesus. Elevado ao episcopado em 1993, como Bispo de Oeiras-Floriano, no Piauí, em 2001 Dom Fernando Panico foi transferido para Crato, onde realizou profícuo episcopado. 

     Dom Fernando Panico comemorará a data de 13 de dezembro, deste ano, em Roma. O Bispo-emérito de Crato, pelos próximos três anos (2019–2021) será pároco (6 meses a cada ano) da Paróquia do Sagrado Coração do Sufrágio, localizada na capital italiana. Esta é a única igreja de Roma construída em estilo gótico e pertence à Congregação dos Missionários do Sagrado Coração. Dom Fernando ficará morando em Roma de novembro a abril, entre 2019 e 2021. 

     A igreja do Sagrado Coração do Sufrágio fica a dois quarteirões de Castel Sant’Angelo e da Via dela Conciliazione, que leva direto ao Vaticano. Mas, o mais interessante, é que revelo a seguir.  Na igreja que Dom Fernando vai ser pároco, existe um Museu das Almas do Purgatório. Estão expostos lá uma coleção de sinais do além, deixados por essas almas, que na maioria das vezes apareceram ardendo internamente a parentes ou irmãos de religião. Sempre pedindo orações para saírem do Purgatório, onde pagavam penas devidas a seus pecados, antes de irem para o Céu. Os brasileiros que visitarem Roma entre novembro e abril poderão visitar Dom Fernando e conhecer o único museu do mundo ligado ao tema do purgatório.

  Edvan Pires recebe título de Cidadão Cratense

     No último dia 21, na sede do Instituto Cultural do Cariri, aconteceu a sessão da Câmara Municipal de Crato para outorga do título de “Cidadão Honorário de Crato”, ao escritor juazeirense Joaquim Edvan Pires. Seleta plateia prestigiou o evento que contou, além da outorga do título, com o lançamento do último livro escrito por Edvan, titulado “Epopeia Cratense”.

     O livro foi por mim apresentado. Na ocasião disse: “Edvan escreveu este novo livro antes de se tornar Cratense Honorário. Produziu esta obra norteado apenas pelo sentimento da gratidão a uma cidade que sempre o acolheu – e continua a acolher – Inspirado unicamente na sua vivência e serviço prestado a Crato onde estudou quando jovem e onde prestou serviços, lecionando Química no Colégio Estadual Wilson Gonçalves”.

“Edvan: todos ganhamos com este seu livro “Epopeia Cratense”. Ele foi escrito com pureza, magnanimidade e generosidade. Ao reconhecer as qualidades das personalidades que você enfocou nesta obra, você externou seu próprio espirito. Como nos ensina o Evangelho de Mateus, no capítulo 12: Um homem exterioriza o que lhe vai no coração. “O homem bom, do seu bom tesouro, tira coisas boas (...) Pois a boca fala do que está cheio o coração”.

Seminário sobre o Crato português e o Crato brasileiro


    Entre os dias 03 e 04 de outubro próximo, acontecerá na sede do Senac/Crato, localizado na Praça da Sé, o “1º Seminário da disciplina “Etnoconhecimento e Educação Escolar”, que tem por tema: O Crato Caririense e o Crato Alentejano: História, Cultura e Educação. Idealizado e coordenado pela professora Ariza Rocha, da Universidade Regional do Cariri–URCA, esse simpósio contará com diversas palestras, abordando a temática acima, a serem proferidas por vários professores e intelectuais cratenses.
    
   De Portugal virão os professores Isabel Drumond Braga, da Universidade de Lisboa, que falará sobre o tema: “Do Crato (Portugal) ao Crato (Brasil):uma viagem ao passado”. e Virgílio Luz Belo, do Instituto Superior de Educação e Ciências de Lisboa. Convidado, eu falarei sobre o tema: “Semelhanças e diferenças entre o Crato do Alentejo e o Crato do Cariri”. Dentre outros palestrantes: Heitor Feitosa, Josenir Lacerda, Alan Bastos, Jurandy Temóteo. Durante este evento haverá workshops, mesas redondas, exposições, dentre outros atrativos.  

Adiada a comemoração do centenário do Prof. Alderico

     Por motivo de problema de saúde com uma filha do Prof. Alderico de Paula Damasceno, a sessão comemorativa ao centenário de nascimento desse mestre, que seria realizada no Salão de Eventos da URCA, no próximo dia 24 de novembro, foi transferido para o mês de novembro. A nova data da realização da sessão será oportunamente informada pela equipe que planeja esse evento.

Livros – por José Luís Lira (*)

   Desde menino fui fascinado por livros. O cheiro de livro novo, me inebriava. Tinha muito cuidado com meus livros escolares que ficavam quase novos. Felizardo de quem os recebesse no ano seguinte. Jornal também sempre teve uma atenção especial. Leio jornal sem “amassá-lo”. Às vezes fico observando, na Igreja, como uma pessoa chega e no intervalo da celebração praticamente danifica o jornalzinho. Dobra, redobra, rasga. Mas, também gosto de livros “velhos”.

   As “ites”, sinusite, rinite não gostam, mas, eu os aprecio muito. Esta semana era meu projeto escrever sobre o livro “Virgílio Távora: o Estadista Cearense”, de César Barreto e Saulo Barreto, muito gentilmente a mim enviado pelo autor César Barreto, mas, veio a Bienal, recebi o querido amigo-irmão Pe. Ismar Dias de Matos, de Belo Horizonte que participou da dita Bienal e ainda tive que vir ao Rio, de modo que não deu para concluir a leitura e os comentários acerca ficam para uma próxima edição.

    Lembro-me de minha emoção quando vi num livro o nome Guaraciaba do Norte, meu torrão natal, grafado. Era n’O País dos Mourões, do primo Gerardo Mello Mourão. Eu não pensava que um dia iria escrever um, dois, três, quatro livros sobre Guaraciaba do Norte e muito menos um sobre Mello Mourão e suas sagas. Mas, escrevi. E foram 22 ao todo publicados. Muitos outros inéditos. E por falar em inéditos, em abril passado, encontrei no Museu Diocesano Dom José um caderno com a interessante inscrição na capa: Efemérides Pessoais. Na primeira página, Efemérides da Minha Vida. Trata-se de um rico material autobiográfico do nosso primeiro Bispo de Sobral, Dom José Tupinambá da Frota.

     Com a necessária autorização do Sr. Bispo Diocesano de Sobral, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, em setembro, nos 60 anos da morte de Dom José, o lançaremos.
A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará foi sucesso absoluto. Homenageou uma obra “A Casa”, de Natércia Campos, grande entusiasta das bienais do livro enquanto viveu e grande escritora e, também, a centenária Casa de Juvenal Galeno, templo das letras e de muitas artes do Ceará. Deslumbrava a quantidade de pessoas, de eventos, de livreiros e de livrarias num só espaço. Já está dando saudades.

    Mas, logo na sequência tive que vir ao Rio de Janeiro, a eterna Cidade Maravilhosa. Vim por motivos pessoais que se entrelaçam com motivos pessoais, mas, não deixei de ir aos sebos. E neste contexto, os livros novos foram da Bienal para muitas casas, inclusive a minha, e os livros usados, não vou dizer velhos, pois, penso que livro não envelhece, vão para os sebos. E os sebos são um paraíso. No Rio costumo ficar no bucólico bairro do Catete. E aqui tem sebos nos quais passo horas e horas e sempre necessito de uma bagagem extra para levar tamanhas maravilhas.

    Há pouco menos de um mês encontrei num leilão virtual promovido por conceituado sebo carioca duas raridades: um livro do sobralense Jerônimo Martiniano Figueira de Mello e o Memorial de Maria Moura, edição francesa chamada apenas Maria Moura, de Rachel de Queiroz. Eles já estão comigo em Sobral.

     O Lustosa da Costa dizia que livro parece filho. Quanto mais com ele a gente convive, mais ama. E é essa relação, talvez absurda para alguns, mas, que me deixa felicíssimo, com meus mais fiéis amigos, os livros.

 
 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.