20 julho 2019

Além da dualidade - Por: Emerson Monteiro


Bem onde existiu o amor, única e exclusivamente, poder soberano que a tudo circunscreve na leveza das espécies, era ali o início do século absoluto, na dissolução das massas ao calor das circunstâncias. Das dores do parto sobre as rochas ígneas do furor, nascera um Eu diferente do quanto havia; fora a renovação de aves e sonhos, pura transformação em esperança do que existira perante o desespero final. Aqueles que assim nutriam de vontade o ânimo das feras adormecidas, eles, esses, verão a Deus.

Passadas que foram as primeiras caravanas, novas expedições desceram do céu e abriram caminhos de receber os eleitos na Terra da Promissão. Unidos em si, acalmaram os sentidos físicos no abraço fraterno, definitivo, longe das horas só das angústias, detidas que foram nas garras das esfinges e dos dias. Destarte, longos semblantes disso vieram às praias do coração e despertaram o senso do inigualável de dentro das existências.

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Pouco importa, pois, outros mares enquanto o dilúvio de fogo calcina as palhas atiradas aos bichos famintos de paixão; olhos fixos na paisagem lá distante, a inutilidade sumiu nos becos escuros. Isto, apenas isto, a união dos objetos no nada universal do que há vagando solto nessas histórias de destruição em andamento. Entretanto, a farsa do espelho embriaga de desejos os velhos Apolos nas noites de perdição e desamor.

Outro mundo, outros mundos, aonde seguir os parceiros da sorte, colhidos que foram nos botes das naves na festa sideral; portas delas se abrirão de par em par.

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Aceitar, porém, de bom grado, o rosto da razão na matriz do coração, eis a fusão inextinguível de mil sóis, síntese dos seres de humana inteligência; desvendarão o mistério dos dois eus, resposta dos enigmas de que fizemos parte durante todo tempo da existência, a pisar o chão das almas e resolver as ilusões na mais extrema felicidade.

A verdadeira História do Brasil -- 1

Conheça a Bandeira Imperial Brasileira


    A Bandeira do Brasil foi criada pelo  Decreto de 18 de setembro de 1822, constando de um retângulo verde, e, nele, inscrito um losango amarelo-ouro, ficando no centro deste losango o Escudo de Armas do Brasil. A atual bandeira republicana foi apenas modificada. Tiraram as Armas do Brasil Império do modelo anterior, e, no lugar, colocaram uma esfera azul com o lema positivista “Ordem e Progresso”. Sem comentários.

    Como resultou esta belíssima Bandeira Imperial? 
    Suas cores foram escolhidas pelo Imperador Dom Pedro I: o verde, a lembrar a cor da Casa de Bragança, da qual era originário o primeiro imperador brasileiro.  Por outro lado, o verde simboliza o país da eterna primavera nas palavras de Dom Pedro I. Já o amarelo-ouro lembra a cor  da Casa de Habsburgo, de onde vinha a Imperatriz Leopoldina.

       O desenho foi criado pelo  pintor e desenhista francês Jean Baptiste Debret,  que teve grande participação na vida cultural do Brasil, no período de 1816 a 1831. Ele contou com a colaboração de  José Bonifácio de Andrade e Silva, um dos mais ilustres brasileiros e figura de realce na nossa independência de Portugal.

     Esta Bandeira Imperial assistiu ao nosso crescimento como Nação e a consolidação da unidade nacional.


(Baseado em postagem do site do Circulo Monárquico Brasileiro)

Padre Cícero, 85 anos depois! – por José Luís Lira (*)




    Há exatos 85 anos, em Juazeiro do Norte, aos 90 anos falecia o santo dos sertanejos, Padre Cícero Romão Batista. Quase cego. Proibido de celebrar ou de falar do milagre que presenciou. Obediente. Semana passada, falei sobre o Padre Cícero. O tema é inesgotável e eu lembrava leitura que havia concluído: “Padre Cícero: Santo dos Pobres, Santo da Igreja”, de Ir. Annette Dumoulin, Edições Paulinas, 2017, livro divido em três partes.


   A primeira, o Padre Cícero do ponto de vista da autora, religiosa, doutora em Ciências da Educação, nascida na Bélgica que um dia chegou a Recife, encontrou com outro santo, Dom Helder, que lhe indicara ir a Juazeiro e ali ela se encontrou com o santo Cícero Romão e sua legião de romeiros. Na segunda parte, o Padre Cícero por ele mesmo, quando a autora habilmente transforma uma carta do Padre Cícero, num diálogo com um casal de romeiros, bem esclarecedor e edificante. Na última, Padre Cícero no ponto de vista do Papa Francisco, lemos a tão esperada reconciliação da Igreja com o Padre Cícero, pois, ele nunca se afastou da Igreja, sempre a amou e obedeceu, mesmo quando a injustiça lhe doía no físico e na alma.

   O livro de Irmã Annette tem informações muito peculiares. E se aqui na terra temos amigos, penso que no céu também as amizades seguem. Todos os biógrafos do Padre Cícero falam da influência que o Padre Ibiapina (José Antonio Maria Pereira Ibiapina, advogado, professor universitário, padre, missionário e santo sobralense), exerceu sobre o Padre Cícero e vemos uma semelhança a mais entre os dois. Um dia, Padre Ibiapina foi proibido de visitar sua terra, Sobral, por um bispo da então Diocese do Ceará, depois, foi obrigado a deixar sua obra missionária no Cariri e o Padre-Mestre Ibiapina tudo deixou, em silêncio, deixando apenas um texto. Padre Cícero foi impedido de celebrar no povo que ele transformou em cidade. Sofreu, mas, nada reclamou. Buscou justiça, mas, esta só tem se apontado post-mortem.

    Outro exemplo é o de Dom Helder que sugere à autora, jovem religiosa doutora, belga a conhecer o Juazeiro. Na maturidade, eles se reencontram em Juazeiro e o Bispo Helder Câmara mostra-lhe mais um sinal da santidade do Pe. Cícero. Conta ele que jovem seminarista foi a Juazeiro vender assinatura de um jornal da Igreja que muitas vezes criticava o Padre Cícero. Não vendendo uma assinatura, este assina e recomenda que o povo assine. E o Servo de Deus Helder Câmara sai de Juazeiro com uma caderneta de assinaturas. São atitudes de santidade.

   Neste 20 de julho, lembramos também o dia do amigo, da amizade. O Padre Cícero se dirigia a todos como amiguinhos, “amiguinho”. E a data da entrada de Padre Cícero na pátria celeste, 20, é antecedida e precedida de eventos marcantes na vida do santo de Juazeiro: 21/07/1891 é a data da nomeação da primeira comissão para analisar os fatos ocorridos em Juazeiro, em 01/03/1889; o dia 22/07/1911 foi a criação do Município de Juazeiro, do qual Pe. Cícero foi o primeiro prefeito (único cargo político que ele exerceu); em 22/07/1914, ele foi eleito 1º vice-presidente do Estado do Ceará, mas, não assume nem reivindica o cargo. A 20 de julho de 1934, ele faleceu em sua casa, cercado pelos que o amavam e admiravam. Suas ultimas palavras, conforme Ir. Annette, foram: “No Céu, rezarei para cada um de vocês”.
A bênção, meu Padim!

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.