20 junho 2019

Há um Eu eterno - Por: Emerson Monteiro


Ao que consta das lendas e dos tratados, porquanto sempre assim aconteceu bem no seio das criaturas humanas existe um meio de vencer as intempéries, angústias e aflições diante dos limites insistentes deste chão. Trilhas essas da geopolítica das próprias criaturas, nelas se oferecem os instantes de glória seguidos de perto pela sensação de não achar a porta do que significa a libertação no extremo final. Buscam, à exaustão, modos suficientes de responder ao enigma, no entanto batem longe do sucesso às condições de provar a si o quanto distantes ainda passam das vertentes da libertação.

Nisso, persistirá a vontade imensa de ser feliz durante todo tempo, o que galvaniza o interesse dos humanos, que lutam desesperadamente à cata da satisfação plena fora do giz das condenações em que mourejam ricos, pobres, da cor que tiver, do credo que praticar, sexo, poder, fama, idade, de tudo e todo jeito de ser e haver. Fome de absoluto domina, pois, as instâncias dos mortais, pretensiosos de esperança.

São tais anseios, destinos ingratos, contudo, que tocam adiante o rebanho nos variados quadrantes das raças e civilizações. A quem perguntar, a quem implorar, em quem acreditar, porém representa só o instinto da sede do divino que alguns revelam vez em quando, e sobem aos altares dos exemplos. Ao resistir e vencer tais fronteiras da matéria, vão a rincões afastados e rezam silenciosamente as suas dores e adormecem no anonimato das multidões.

Poetas, místicos, santos, dão notícia dessa força diferente que habita o coração, jugo e fardo, entrega ao mistério das espécies, mártires do amor, heróis da imensidão. Consumidos ao fogo da paixão da Eternidade, deitam laços de convicção à fome incontida do mais que perfeito; aceitam no ser a alma que nele existe e crescem à velocidade da luz, porquanto há em nós um Eu eterno que nos anseia a todo o momento, única verdade que importa em essência e contrição.