31 agosto 2019

Livros – por José Luís Lira (*)

   Desde menino fui fascinado por livros. O cheiro de livro novo, me inebriava. Tinha muito cuidado com meus livros escolares que ficavam quase novos. Felizardo de quem os recebesse no ano seguinte. Jornal também sempre teve uma atenção especial. Leio jornal sem “amassá-lo”. Às vezes fico observando, na Igreja, como uma pessoa chega e no intervalo da celebração praticamente danifica o jornalzinho. Dobra, redobra, rasga. Mas, também gosto de livros “velhos”.

   As “ites”, sinusite, rinite não gostam, mas, eu os aprecio muito. Esta semana era meu projeto escrever sobre o livro “Virgílio Távora: o Estadista Cearense”, de César Barreto e Saulo Barreto, muito gentilmente a mim enviado pelo autor César Barreto, mas, veio a Bienal, recebi o querido amigo-irmão Pe. Ismar Dias de Matos, de Belo Horizonte que participou da dita Bienal e ainda tive que vir ao Rio, de modo que não deu para concluir a leitura e os comentários acerca ficam para uma próxima edição.

    Lembro-me de minha emoção quando vi num livro o nome Guaraciaba do Norte, meu torrão natal, grafado. Era n’O País dos Mourões, do primo Gerardo Mello Mourão. Eu não pensava que um dia iria escrever um, dois, três, quatro livros sobre Guaraciaba do Norte e muito menos um sobre Mello Mourão e suas sagas. Mas, escrevi. E foram 22 ao todo publicados. Muitos outros inéditos. E por falar em inéditos, em abril passado, encontrei no Museu Diocesano Dom José um caderno com a interessante inscrição na capa: Efemérides Pessoais. Na primeira página, Efemérides da Minha Vida. Trata-se de um rico material autobiográfico do nosso primeiro Bispo de Sobral, Dom José Tupinambá da Frota.

     Com a necessária autorização do Sr. Bispo Diocesano de Sobral, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, em setembro, nos 60 anos da morte de Dom José, o lançaremos.
A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará foi sucesso absoluto. Homenageou uma obra “A Casa”, de Natércia Campos, grande entusiasta das bienais do livro enquanto viveu e grande escritora e, também, a centenária Casa de Juvenal Galeno, templo das letras e de muitas artes do Ceará. Deslumbrava a quantidade de pessoas, de eventos, de livreiros e de livrarias num só espaço. Já está dando saudades.

    Mas, logo na sequência tive que vir ao Rio de Janeiro, a eterna Cidade Maravilhosa. Vim por motivos pessoais que se entrelaçam com motivos pessoais, mas, não deixei de ir aos sebos. E neste contexto, os livros novos foram da Bienal para muitas casas, inclusive a minha, e os livros usados, não vou dizer velhos, pois, penso que livro não envelhece, vão para os sebos. E os sebos são um paraíso. No Rio costumo ficar no bucólico bairro do Catete. E aqui tem sebos nos quais passo horas e horas e sempre necessito de uma bagagem extra para levar tamanhas maravilhas.

    Há pouco menos de um mês encontrei num leilão virtual promovido por conceituado sebo carioca duas raridades: um livro do sobralense Jerônimo Martiniano Figueira de Mello e o Memorial de Maria Moura, edição francesa chamada apenas Maria Moura, de Rachel de Queiroz. Eles já estão comigo em Sobral.

     O Lustosa da Costa dizia que livro parece filho. Quanto mais com ele a gente convive, mais ama. E é essa relação, talvez absurda para alguns, mas, que me deixa felicíssimo, com meus mais fiéis amigos, os livros.

 
 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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