17 agosto 2019

“Lei de Abuso de Autoridade” – o “Atestado de Óbito” da República Brasileira – por Armando Lopes Rafael



    O Brasil nunca esteve tão perto de se tornar outra Venezuela, como agora. A Câmara dos Deputados, em caráter “urgente-urgentíssimo” (sugerido pelo Presidente da Casa, Rodrigo Maia), aprovou, nas caladas da noite, um projeto de lei – oriundo do Senado da República – denominado “Lei de Abuso de Autoridade”.

   No Senado da República, esse famigerado projeto teve como autor Renan Calheiros, (aquele que possui contra si mais de 11 inquéritos no Supremo Tribunal Federal), um assumido inimigo da “Operação Lava Jato. Na mais alta Casa Legislativa da República, Renan Calheiros foi assessorado pelo ex-Senador Roberto Requião, mais conhecido por “Luzia Louca” (aquele fanático defensor dos governos de Lula, Dilma e do velho e corrupto PT).

    Segundo está sendo amplamente denunciado na mídia e nas redes sociais, essa “Lei de Abuso de Autoridade” começa por proibir policiais de algemar bandidos ou quaisquer outros delinquentes. A bandidagem, aliás, é chamada pelos esquerdopatas de “vítimas da sociedade”. Ademais consta no texto da lei o parágrafo abaixo:

“Essas condutas somente serão crime se praticadas com a finalidade especifica de prejudicar outra pessoa ou beneficiar a si mesmo, a terceiro, assim como mero capricho ou satisfação pessoal”

     Assim, qualquer autoridade que esteja à frente de um processo poderá agora ser punida, desde que o réu tenha dinheiro para pagar um advogado. No entanto, ficou claro que a finalidade maior da nova lei é extinguir a Operação Lava Jato, que apura o maior esquema de corrupção pública já existente no globo.  Pois, se um Procurador tiver tomado uma decisão (qualquer decisão) por “mero capricho” (o termo “mero capricho” tem um sentido amplo e subjetivo) ele pode ser preso e perder seu cargo e o bandido será solto.

     Agora quem tiver poder ou dinheiro, jamais será punido no Brasil. Afinal, poucos policiais, juízes ou procuradores terão coragem de colocar sua liberdade e seu cargo em risco para investigar algum político corrupto ou pessoas poderosas. Só tem um jeito dessa “Lei de Abuso de Autoridade” não vingar. É se o atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, a vetar na totalidade. Resta, pois, uma tênue esperança da sociedade sadia do Brasil de que isso aconteça. Afinal não era Jair Bolsonaro que usava, na sua campanha de 2018, o slogan: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”?

15 agosto 2019

Imperador Dom Pedro II -- Considerado um líder arquétipo do Brasil (por Plínio Corrêa de Oliveira)

Fonte: revista Catolicismo--agosto de 2019 

    No tempo de Dom Pedro II, éramos indiscutivelmente um povo em que a organização da família ainda estava viva e pujante, muito de acordo com o modo de ser afetivo do brasileiro. O velho Imperador — respeitável, venerável e bondoso, com cabelos e barbas brancos — foi durante décadas, por assim dizer, “o vovô do Brasil”; e o Brasil se deliciava em ser neto de Dom Pedro II.

    O modo como ele governava e dirigia a política brasileira era inteligente e cheio de jeitinhos, como o brasileiro gosta. O que fosse imposto à força, de acordo com o modelo de Frederico II da Prússia, não era apreciado pelos brasileiros e poderia “azedar” as relações muito desagradavelmente, ou até fatalmente.

    Naqueles tempos, a Constituição brasileira era liberal e reduzia muito os poderes do monarca. Mas ele era muito sagaz e servia-se do prestígio de Imperador para negociar nos bastidores o curso da política, de tal maneira que se tornou o principal político do País. Acomodava os problemas e abafava as revoltas, fazendo reinar a paz com muita prosperidade. Assim o Brasil se tornou uma das maiores nações, com uma esquadra mercante que era a segunda maior do mundo.

    Apesar de o Imperador seguir inteiramente a Constituição, os políticos liberais reclamavam muito dele, dizendo que exercia um “poder pessoal” extra constitucional, porquanto acumulava os dois poderes. A resposta dele era que nada na Constituição o impedia de exercer influência política. Os liberais vociferavam, mas nada podiam contra a força moral do Imperador. Assim ele conduziu a política até o fim de sua vida, quando foi destronado. Deixou nos brasileiros saudades daquela época, pois o Imperador os representava arquetipicamente.

(Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 17 de fevereiro de 1989. Esta transcrição não passou pela revisão do autor).

12 agosto 2019

Caririensidade


Dia 22 começa a festa de Nossa Senhora da Penha



    Os festejos dedicados a Nossa Senhora da Penha – Imperatriz e Padroeira de Crato – são realizados há 251 anos. E se constituem na mais tradicional e longeva manifestação religiosa popular feita nesta cidade. A mais antiga referência a esta festa data de 1838, e foi feita por George Gardner, naturalista, botânico memorialista, intelectual, pesquisador, escritor, ensaísta e cientista escocês, que esteve em Crato naquele recuado ano.

     Autor do livro “Viagem ao Interior do Brasil”, publicado em Londres em 1846 (e somente traduzido para o português e editado no Brasil quase cem anos depois) George Gardner descreveu – no livro citado – a festa da Padroeira de Crato, da qual destacamos o seguinte trecho:

Durante minha estadia em Crato foi celebrada a festa de N. Senhora da Conceição, (Gardner equivocou-se quanto à invocação da Virgem Maria patrona da Cidade de Frei Carlos, pois o certo é Nossa Senhora da Penha) precedida de nove dias de divertimentos, cujas despesas correm por conta de pessoas designadas para conduzi-los; enquanto durou a novena, como é chamada, os poucos soldados que havia na vila não cessaram quase, dia e noite, de dar tiros e as procissões, iluminações, girândolas de foguetes e salvas, com um pequeno canhão em frente da igreja, trouxeram ao lugar um constante alvoroço”.

Uma das muitas histórias desta festa



   A crônica histórica de Crato guarda ainda o registro de que o primeiro Intendente deste Município, após o advento da República – cargo que hoje corresponde ao de Prefeito – o cidadão José Gonçalves da Silva, durante 29 anos seguidos (de 1900 a 1929) foi o coordenador da Festa de Nossa Senhora da Penha. Consta que estando uma vez no Rio de Janeiro, ao embarcar no navio que o traria de volta ao Ceará o Sr. José Gonçalves da Silva, homem de pequena estatura, caiu no mar e na hora da aflição pediu o auxílio de Nossa Senhora da Penha para não morrer afogado.

   Retirado das águas fez um voto de assumir a coordenação da festa da Padroeira de Crato, o que cumpriu até sua morte, ocorrida em 4 de julho de 1930. O certo é que, em quase dois séculos e meio de realização, os festejos a Nossa Senhora da Penha, têm importância não só na tradição religiosa desta cidade, mas servem como instrumento de socialização e divulgação da capacidade empreendedora e artística da sociedade cratense. Basta lembrar que a cada 22 de agosto, véspera do início do novenário em louvor à Virgem da Penha, que coincide com o Dia do Folclore, dezenas de grupos da tradição popular se encontram na Praça da Sé para homenagearem sua padroeira.

Dia 22 de agosto a cultura popular volta às ruas de Crato




     Em face disso, os festejos a Nossa Senhora da Penha também contribuem para a conservação da cultura popular com suas festas, brincadeiras, danças, cantigas de roda, crenças, superstições, lendas, histórias, ritos e mitos do Homem Cariri. No dia 1º de setembro – data consagrada a Nossa Senhora da Penha – a procissão com a imagem da excelsa padroeira dos cratenses leva cerca de trinta mil pessoas às ruas da cidade. Mantendo uma velha tradição as famílias ornamentam com flores, velas e imagens as janelas de suas residências para reverenciar a passagem da sagrada imagem. Trata-se de um momento rico de piedade cristã, uma manifestação pública da fé do povo cratense.


Nos últimos anos os festejos a Nossa Senhora da Penha têm crescido bastante, com reflexo no aumento da renda dessa festa, oriunda das doações dos fiéis. E tudo tem sido criteriosamente aplicado em melhoramentos na Igreja da Sé. Basta citar o novo piso da igreja, pintura externa e interna, a restauração de todas as imagens e peças sacras antigas daquele templo, a reforma da capela batismal, a construção das capelas da Ressurreição e do Santíssimo Sacramento, novo sistema de som, dentre outros.

Início da abertura da Avenida Dom Vicente de Paulo Araújo Matos



      A Prefeitura de Crato iniciará, no fim deste mês, os serviços para abertura da Avenida Dom Vicente Matos, que ligará o bairro Mirandão à estátua de Nossa Senhora de Fatima, no bairro do mesmo nome. Será a maior Avenida da cidade de Crato.
O homenageado


      Os que conviveram com Dom Vicente mais de perto são unânimes em reconhecer nele um espírito magnânimo, pleno de bonomia, simplicidade, firmeza de caráter e um otimismo que não se abalava com as decepções da vida.

    Dom Vicente de Paulo Araújo Matos nasceu na cidade de Itapagé, Ceará, no dia 11 de junho de 1918. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em 29 de novembro de 1942. A nomeação episcopal veio encontrá-lo – em 25 de abril de 1955 – como diretor do Colégio Arquidiocesano de Fortaleza, conhecido como Colégio Castelo. O Papa Pio XII concedeu a Dom Vicente Matos, naquela ocasião, o título de bispo titular de Antioquia de Meandro e auxiliar de Crato. Residindo na Diocese de Crato desde 15 de agosto de 1955, com a renúncia de Dom Francisco de Assis Pires, Dom Vicente foi escolhido terceiro Bispo Diocesano de Crato em 28 de janeiro de 1961, pelo Papa João XXIII. Tomou posse na função no dia 19 de março do mesmo ano.


Frutos do seu episcopado.

    Homem dinâmico e empreendedor, Dom Vicente foi um pastor prudente, zeloso e deixou vasta folha de serviço prestada à Diocese de Crato. Criou dezoito paróquias e ordenou trinta e sete sacerdotes. Deve-se a ele a fundação do Instituto de Ensino Superior do Cariri, mantenedor da Faculdade de Filosofia de Crato embrião da Universidade Regional do Cariri.

    Foram iniciativas de Dom Vicente a construção do imponente Centro de Expansão Educacional (localizado no bairro Granjeiro) que hoje leva seu nome; a Rádio Educadora do Cariri; a Empresa Gráfica Ltda., que editava o jornal “A Ação”; a criação da Fundação Padre Ibiapina, instituição de amplo alcance social que desenvolve trabalho de Evangelização, Cursos de Treinamento e as Pastorais da Criança, da Educação e da Saúde, além da atual Faculdade Católica do Cariri. A Dom Vicente se deve ainda a criação dos primeiros Sindicatos dos Trabalhadores Rurais no sul do Ceará; a criação e construção do Ginásio Madre Ana Couto e Colégio Pequeno Príncipe; a Escola de Líderes Rurais; Organização Diocesana de Escolas Profissionais, dentre outras iniciativas.

Uma vida dedicada à civilização cristã

     Dom Vicente foi bispo-auxiliar durante cinco anos; administrador diocesano por um ano e cinco meses e bispo diocesano de Crato durante vinte e um anos, perfazendo quase trinta e sete anos de bons serviços prestados à Diocese de Crato. Renunciou ao bispado, por motivo de saúde, em 01 de junho de 1992 e faleceu no dia 06 de dezembro de 1998. É considerado o maior benfeitor da cidade de Crato. Foi sepultado na Capela da Ressurreição da Catedral de Crato. 

(À esquerda, brasão episcopal de Dom Vicente)

11 agosto 2019

Fique por Dentro ! - Por Maria Otilia


                                                         DIA DO ESTUDANTE 
                                                                  
 O dia do estudante é comemorado, no Brasil, no dia 11 de agosto. A data foi sugerida em 1927, em homenagem aos cem anos de fundação dos dois primeiros cursos de ciências jurídicas do país, em 11 de agosto de 1827, por D. Pedro 

A EEF Dom Quintino vem neste dia, divulgar um trabalho maravilhoso, do professor Junnior Pessoa com seus alunos, nas aulas de Geografia. Através de aulas “turbinadas”, este professor vem fazendo a diferença, no tocante a proporcionar um aprendizado de forma lúdica. Seus alunos pesquisam, discutem  nos estudos em grupos, temáticas importantes como: aquecimento global,  produtos orgânicos, sistema solar, etc. Com a sua orientação, os alunos elaboram suas maquetes e apresentam para os colegas em forma de Seminários. É a boa gestão de sala de aula, é o fazer pedagógico diferente que faz valer  a construção de novas aprendizagens voltadas para  a consciência  da necessidade da preservação do nosso meio ambiente  e do lugar em que vivemos.
 

A Prática educacional sobre o sistema solar e os movimentos da terra foi realizada pelas turmas do 6° ano da Escola Dom Quintino em Crato. O Professor de geografia  Luis Pessoa Junnior, tem promovido o protagonismo do educando com atividades de pesquisa e geosustentabilidade.E lembrando que  as maquetes são feitas com material de sucata.

 




Parabéns estudantes pelo protagonismo juvenil, parabéns professor pelo belo trabalho em sala de aula. 



03 agosto 2019

Crônica do fim-de-semana

 Um general francês em terras caririenses -- por Armando Lopes Rafael

    


       O General Pierre Labatut foi um militar francês que deixou seu nome inscrito na história. Ele participou das Guerras Napoleônicas, entre 1807 e 1814, tendo atuado na Península Ibérica. Também combateu na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, ao lado do Marquês de La Fayette.  Atuou, ainda, na Colômbia, ao lado de Simon Bolívar. Finalmente, Labatut veio para o Brasil, contratado no posto de Brigadeiro pelo Imperador Dom Pedro I, dada a escassez de oficiais experientes no Exército Brasileiro, recém-organizado pós independência, e para ajudar na guerra da nossa independência. Aqui, Labatut ordenou o Exército Pacificador e combateu as tropas leais a Portugal, – contrárias a nossa independência – na Província da Bahia. E lutou na Revolução Farroupilha, já no período das Regências.

      Em 7 de julho de 1832, a Regência que governava o Império do Brasil designou o General   Labatut para chefiar uma expedição ao Ceará. Tinha ele por objetivo prender o caudilho Pinto Madeira e devolver a paz aos habitantes da Província. Chegou Labatut ao nosso Estado no dia 23 de julho, trazendo 200 homens, quase todos negros. Mas somente em 31 de agosto, veio ele ao teatro da chamada “Guerra do Pinto”, iniciando sua missão pela Vila de Icó. Encontrou a revolta praticamente encerrada, graças ao empenho do presidente da Província do Ceará, José Mariano de Albuquerque.

    Em setembro, Labatut já estava no Cariri, fazendo seu quartel no Sítio Correntinho, (localizado no município de Barbalha). Dali ele lançou uma proclamação aos revoltosos convidando-os à rendição, mediante promessa de clemência. Ofereceu garantias de vida a Pinto Madeira e ao Padre Antônio Manuel de Souza para estes se entregarem, o que ambos fizeram, em 12 de outubro de 1832, com a promessa de serem enviados ao Rio de Janeiro, onde teriam um julgamento imparcial.

     Chegando ao Cariri, Labatut logo sentiu o exagero das notícias chegadas à capital do Império sobre a “Guerra do Pinto". Constatou ele que Pinto Madeira, mesmo obtendo algumas vitórias, nunca ultrapassou os limites de Icó. A capital da província, os portos cearenses, a rota entre Aracati e Icó nunca saíram das mãos do governador da Província. Além do mais, Labatut não precisou derramar uma gota de sangue cearense, pois a Guerra do Pinto já havia sido vencida pelo governador da província, José Mariano. Tudo isso tranquilizou o general francês pois sua missão não necessitava promover lutas e sim viabilizar o apaziguamento da população.

Foi o que ele fez, tendo oportunidade de cumprir, com isenção, sua missão. Para evitar que os dois chefes rebeldes fossem massacrados por seus inimigos do Ceará, enviou-os a Recife, sob a guarda de um oficial de sua plena confiança. Em 14 de outubro, Labatut fez um equilibrado e sereno ofício ao Ministro da Guerra da Regência, pedindo um julgamento imparcial para Pinto Madeira. alegando:  

   “Como, pois, poderão ser julgados os réus por juízes inçados da mesma opinião dos partidos que assolam a província? Por isso rogo a V. Excia. se digne de atender ao meu último oficio do Icó, em que, conhecendo cabalmente os males que acabrunham a nova comarca do Crato, eu pedia juízes íntegros, justos e sábios por não haver um só letrado, em toda ela, os de paz e ordinários são mui leigos e pertencem a um e outro partido”. (...)    

        Infelizmente, não atenderam ao pedido do General Labatut. E o desenrolar do julgamento de Pinto Madeira foi a aberração jurídica como atestam os registros da história...

02 agosto 2019

A verdadeira História do Brasil -- 5

Por que o Brasil é considerado um país católico? – pelo Prof. Felipe Aquino (*)
 Isso também não nos é ensinado pelos professores de História
    
  Não sei se você sabia, mas quando o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral, em 1500, estavam com ele 17 sacerdotes; e logo no dia da Páscoa celebraram a primeira Missa no Brasil, e Pedro Álvares deu-nos o nome de “Terra de Vera (Verdadeira) Cruz”; depois chamou de “‘Terra de Santa Cruz” e, infelizmente, posteriormente, trocaram por Brasil, o nome de uma madeira abundante. As caravelas do Rei Dom Manuel, o Venturoso, sempre iam para as Índias e para a África e Ásia, com sacerdotes franciscanos, jesuítas, diocesanos e outros. Os índios assistiram a Primeira Missa, celebrada por Frei Henrique de Coimbra. Sem entenderem bem, os índios se olhavam, apontavam para a grande Cruz, e apontavam para o céu. Algo divino.

Estive em Santarém, onde Cabral foi sepultado, para agradecer a Deus por tudo que já narrei. E fiquei muito feliz pelo que vi em seu túmulo: Uma enorme estátua dele, com as roupas de Capitão da Marinha portuguesa, segurando um belo Crucifixo levantado para o céu; não consegui estancar as lágrimas diante de meu amigo português que não entendeu…. Obrigado Senhor ! Obrigado pelo Rei católico, obrigado pelo Capitão católico, obrigado pelos 17 padres portugueses católicos!
Numa igreja ao lado do cemitério, pude ver a relíquia do milagre eucarístico de Santarém. Emocionante narrativa. Meus olhos umedeceram de novo… quantas graças em tão pouco tempo! Um professor de História da Universidade de Coimbra ofereceu-me um jantar e contou-me algo emocionante. A conferir.

     Em 1642, um grande rei católico, Dom João IV, coroou Nossa Senhora Imaculada como Rainha e Padroeira de Portugal, e deu-lhe a sua Coroa. E a Rainha fez o mesmo. Daí para frente os reis e Rainhas de Portugal não colocaram mais uma coroa na cabeça. Fiquei com uma santa inveja de Portugal, e no meu coração agradeci a Deus por ser descendente deles. Naquela noite eu entendi porque Nossa Senhora havia escolhido Portugal para aparecer em 1917 e salvar a Europa da Primeira Guerra e do comunismo ateu que matou cem milhões de pessoas. Entendi porque no dia Dela (13/05/1981) ela salvou o Papa João Paulo da morte. Entendi tudo. Os reis de Portugal, tal qual o rei Davi, consagraram seu reino, seu país e seu povo a Deus. Que bom se nossos Presidentes fizessem o mesmo!

     O Brasil se formou católico porque Portugal católico nunca permitiu, com a proteção de Nossa Senhora, que países com outras religiões nos dominassem. Por isso o Brasil, Terra de Santa Cruz, é católico. E Nossa Senhora aqui apareceu, em Aparecida, para confirmar tudo isso. Aleluia!


(*) Felipe Aquino escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.

01 agosto 2019

O último dos mistérios - Por: Emerson Monteiro


Oh! Mistério tenebroso, quando tudo que há haverá de sucumbir aos efeitos do Tempo e desaparecer na derradeira dobra além do quanto existirá... Donde seguir, fugir em que direção, se todas jamais estarão ali aonde dormitavam os mendigos da praça ontem de madrugada? Qual desses meios de evoluir registrarão os sinais dos tempos de quando houve o momento de tocar o chão da inexistência e prosseguir sem interrupções mundo afora?

Assim, tal qual a infinitudes que persistirá após a conclusão dos objetivos, o último dos mistérios será a vida que viva, a continuar para sempre, portas abertas a nenhum rompimento, e os pássaros da imortalidade baterão suas asas rumo ao Sol. Pequenos objetivos que voam. Rápidos traços diante da luminosidade absoluta. Dentro deles haverá gotas de lágrimas perdidas e alegria. Venceram o desaparecimento e sustentaram a lâmina de ouro do sonho enquanto olhavam apenas fieis a certeza da vitória.

Nisso eles, os dois pássaros voam soltos na eternidade informe, longe das saudades, amáveis seres em si, de corações em festa resolvem salvar a alma e viver o mistério da Salvação. Amar, que Deus ama e Jesus ensina. Abraçam, por isso, a luz da consciência e mergulham no horizonte das manhãs mais livres. Encontro de longos desejos da humana felicidade que ainda anda vagando solto perante as religiões do coração. Vamos, gente, vamos acordar que existe um tempo previsto de libertar os apegos e crescer rumo da possibilidade de que todos ora somos dotados, que a isso é que viemos até aqui neste chão de tantas contradições. Agir o quanto antes significa vencer a perdição que sujeita imperar de uma hora a outra e o barco sucumbir. Este o último dos mistérios guardados durante as guerras e que renascem depois de passar os dias de ira.

31 julho 2019

Conheça Exu, a cidade natal de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião


Fonte: Antônio Rodrigues, excertos da  matéria publicada no “Diário do Nordeste” edição de 31 de Julho de 2019 


Às vésperas de completar 30 anos da partida de Luiz Gonzaga, o jornalista Antônio Rodrigues revisita a terra natal do autor de Asa Branca, clássico feito em parceria com o cearense Humberto Teixeira

    Um trio com sanfona, triângulo e zabumba, em um posto de gasolina, nos "recepcionava" tocando "A Morte do Vaqueiro". Assim foi minha chegada a Exu, por volta de 9 horas, no sábado passado (27/julho). À medida que surgiam visitantes, de passagem para Serrita, onde acontece a tradicional Missa do Vaqueiro, os pares se formavam nas calçadas e ruas para dançar. Homem com mulher. Mulher com mulher. Homem com homem.

    Do lado pernambucano da Chapada do Araripe, vizinho ao Crato, no Ceará, formou-se esse pequeno município de 31 mil habitantes. Com mais da metade da população morando na zona rural, a economia local se dá, principalmente, pela agricultura e pecuária. Contudo, a terra onde também nasceu Bárbara de Alencar, a heroína da Revolução Pernambucana, consegue viver na sombra do sanfoneiro. "Posto Gonzagão", "Farmácia Aza Branca", "Rua Assum Preto". Por todos os lados, há referências ao homem que popularizou o xote e o baião. O único lugar em que encontro tantas citações a um só personagem é a minha terra, Juazeiro do Norte, e sua devoção quase "onipresente" ao Padre Cícero.
Museu do Gonzagão

    O Museu do Gonzagão, idealizado quando o "Rei do Baião" ainda era vivo, reúne objetos pessoais, certificados, títulos, medalhas, troféus e prêmios que recebeu ao longo da carreira. Além disso, possui sanfonas que o acompanharam em momentos marcantes, como a visita do Papa João Paulo II, em Fortaleza, em 1980, e o último instrumento que empunhou antes de morrer.

     O Parque Aza Branca hoje é o principal ponto turístico de Exu. Localizado na BR-122, quem cruza Pernambuco com destino ao Ceará ou vice-versa, costuma parar por lá. Outra dica importante é ir até o distrito de Araripe, a cerca de 12 quilômetros da sede do Município. Foi lá onde nasceu Bárbara de Alencar, na Fazenda Caiçara, em 1760. A poucos metros dali, 152 anos depois, veio ao mundo Luiz Gonzaga do Nascimento, o único dos nove herdeiros que não carrega os sobrenomes dos pais, Januário dos Santos e Ana Batista de Jesus. "Luiz", porque nasceu no mesmo dia que celebra Santa Luzia (13 de dezembro); "Gonzaga", sugestão do vigário que o batizou, porque também homenageia São Luís de Gonzaga; e "Nascimento", por ter nascido no mesmo mês que Jesus Cristo. Seu batismo ocorreu na Capela de São João Batista, que permanece viva na história do distrito de Araripe.

A verdadeira História do Brasil –– 4


Uma  República atolada em meio as crises  (por Armando Lopes Rafael)

Imagem oficial da "Proclamação da República" imposta ao Brasil por meio de um golpe militar sem a participação do povo.
    
   O que escrevo a seguir não é ensinado nos cursos de História, nem no ensino médio. A atual república presidencialista brasileira, foi-nos enfiada goela abaixo, em 15 de novembro de 1889. No dia seguinte ao golpe militar, o jornalista republicano Aristides Lobo escreveu num jornal: “Os brasileiros não compreenderam e assistiram bestializados à Proclamação da República, pensando que era uma parada militar”    A atual República foi marcada, na maior parte da sua existência, ou seja, nos últimos 130 anos, por crises políticas, golpes, conspirações, deposições de presidente e por dois longos períodos ditatoriais (1930-1945 e 1964–1984).

   Já tivemos 43 presidentes da República. Destes apenas 12 eleitos cumpriram seus mandatos; 02 sofreram impeachment (Collor de Melo e Dilma Rousseff); 7 eleitos foram depostos; 1 eleito renunciou; 1 assumiu pela força. Tivemos 2 juntas militares no lugar de um presidente; 4 vice-presidentes que terminaram o mandato de presidentes eleitos (os dois últimos foram Itamar Franco e Michel Temer); 1 eleito e impedido de tomar posse; 5 interinos, 5 presidentes em regime de exceção; 1 eleito se tornou ditador.  Nos últimos 64 anos apenas 3 presidentes civis – eleitos diretamente pelo povo – terminaram seus mandatos (Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva).

       Ao longo da fase republicana no Brasil, tivemos 12 estados de sítio (suspensão das garantias constitucionais), 17 atos institucionais (que permitem ao governante da vez violar a Constituição), seis dissoluções forçadas do Congresso, 9 golpes de estado e 6 Constituições. A atual Constituição foi promulgada há apenas 30 anos. Também ocorreram censuras à imprensa e aos meios de comunicação.

    Dói dizê-lo: O povo não confia mais nas instituições, nem nos políticos, nem nos poderes constituídos desta república. Os níveis de corrupção são alarmantes. A Transparência Internacional deu nota 3,8 ao Brasil, no ano 2011. Trata-se de uma escala de 0 a 10, sendo 10 o valor atribuído ao país percebido como menos corrupto. O Brasil é um país de analfabetos funcionais e ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados no exame internacional, o PISA. Em artigo, o Prof. Cesar S. Santos afirmou: “A República apresenta um saldo extremamente negativo. Devemos discutir outras possibilidades de regime político, pois uma conclusão se impõe: a República faliu e ameaça levar consigo o que resta dos valores e das forças positivas da nação brasileira”



29 julho 2019

Os parceiros da Criação - Por: Emerson Monteiro


Deus fez assim, nós próprios a participar intensamente da construção nas existências do Ser. Sim, pois em crescimento, carecemos crescer das raízes em que estamos plantados; participamos na edificação de tudo quanto há, e haverá, e trabalhamos dentro de nós a força viva das eternidades, sementes da felicidade que o somos, instrumentos da Salvação em andamento. A saber, disso o valor que todos temos no que hoje somos, que traz em nós as matrizes da solução de tudo, andamos através da maravilha dos corpos integrados ao sistema da suprema Natureza.

Nisso, parceiros nada menos do que do Autor das Existências, cavaleiros andantes da esperança, tangemos esse poder da melhor forma que podemos, no entanto, dos tais modos inseridos na perene continuidade, face às civilizações em festa com que agora fertilizamos os solos da Criação.

Quisemos, e dizemos, que somos partes necessárias ao desenvolvimento das espécies, mesmo que trabalhemos, por vezes, equivocados nas ações, entretanto aceitos na grandeza da bondade do Pai. Conquanto previstos que seja de tal maneira, seguimos os espasmos de só aparente imperfeição que leva a marca dos níveis da continuidade, e cá estamos de armas em punho a lutar na possibilidade das formas menores daquilo em que viremos chegar certo dia.

Tais raciocínios conduzem ao espaço da persistência, vontades em elaboração no concerto das espécies. Nas horas estão os meios de experiência que alimentam a fornalha dos destinos. Quantos pequenos senhores da paixão arrastam consigo esse valor infinito das largas realizações, eles, nós, mestres em formação, luzes em fermentação. Daí, julgar uns aos outros foge definitivamente de nossas crenças. Se iguais, quais aqui, razão nenhum se dispõe em querer dominar além das almas da gente mesma.

Fermentos da massa dos espíritos, pesa em nossas mãos o condão dos gestos positivos, trabalhos de Deus nos minúsculos raios de plenitude espalhados nos céus desta condição humana.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

A lição que nos vem da Inglaterra: um pais democrático, onde tudo funciona bem



    Na última quarta-feira, dia 24 de julho, em audiência privada no Palácio Buckingham, residência oficial da Coroa no coração da capital, Londres, a Rainha Elizabeth II do Reino Unido recebeu o novo Líder do Partido Conservador, Boris Johnson, e o convidou a formar um novo governo em seu nome, o “Governo de Sua Majestade”.

    “Mr. Johnson”, como é chamado pela imprensa de seu País, prometeu que o Reino Unido deixará a União Europeia no dia 31 de outubro próximo, “custe o que custar”. O eleitorado aguarda, já não tão paciente, mas certo de que, se ele também fracassar, virá o 15º Primeiro Ministro de Sua Majestade. Afinal, na Inglaterra, políticos vêm e vão, enquanto os governos são trocados ao sabor da opinião pública; mas a Coroa, assim com a Nação, é perene, servindo de espelho e exemplo das melhores virtudes de seu povo, velando sobre o bom funcionamento das instituições e garantindo que o Parlamento atue de acordo com as legítimas aspirações dos britânicos.

     A oposição ao novo Primeiro-Ministro, feita pelo Partido Trabalhista, é chamada a “Lealíssima Oposição de Sua Majestade”, pois todos os partidos fazem questão de se identificar com a Soberana na condução do bem comum. Enquanto isso,no Brasil, a oposição ao atual Presidente da República,  apoia os “hackers” violadores de celulares das aurtoridades constituídas; votou contra a Constituição de 1988, votou contra o Plano Real, votou contra a reforma de Previdência  e hoje torce  no “quanto pior, melhor".

     Boris Johnson aceitou o convite régio e, ao beijar as mãos da Rainha, como manda a tradição, tornou-se seu 14º Primeiro Ministro, o mais recente em uma lista de nomes que se inicia, no ano de 1952, com o grande Sir Winston Churchill, e inclui ainda a formidável Lady Thatcher, a célebre “Dama de Ferro”. Uma lista de nomes – alguns não tão ilustres – que, ao longo dos últimos 67 anos, serviram a uma Soberana que, hoje aos 93 anos de idade, permanece pairando graciosamente acima dos interesses partidários e das querelas políticas.

     O novo Primeiro Ministro tem agora a tarefa de levar a cabo a bem-acertada decisão tomada pelo povo britânico em referendo de 2016, conhecido como Brexit, de deixar a monolítica União Europeia, cujo projeto de poder é marcadamente socialista, pois não respeita as individualidades e tradições nacionais, nem tampouco a autodeterminação dos povos, e que parece caminhar para um “Estado artificial”, uma “República da Europa”, muito diferente do saudável modelo que outrora vigorou no Sacro Império Romano-Germânico, e que era todo baseado em valores monárquicos e cristãos.

God Save the Queen! Deus Salve a Rainha! como consta no Hino do Reino Unido.

(Baseado em texto publicado no face book da Pró Monarquia).

28 julho 2019

Lembrando Dr. Marchet Callou – por Armando Lopes Rafael


   No último dia 19 completaram-se doze anos do falecimento do Dr.  Marchet Callou. Quem o conheceu, pode dizer que ainda vivenciou o estilo aristocrático de Barbalha, o qual vigorou até a década 70 do século passado. Hoje, no Cariri, tudo é diferente! Tudo é material... A elite só fala em investimentos, dinheiro, progresso e globalização...

    Antônio Marchet Callou, pernambucano de Parnamirim, nascido na antiga Leopoldina (Marchet nunca se conformou quando as autoridades republicanas substituíram, – sem consultar o povo – o nome da sua cidade de  “Imperatriz Leopoldina”, para o vulgar “Parnamirim”) nasceu em 17 de novembro de 1907 e faleceu, em Barbalha, em 19 de julho de 2007, próximo de completar 100 anos de existência.

   Formou-se em Odontologia, em 1937, na Faculdade de Medicina (e cursos anexos) de Recife (PE). Em seguida fixou-se na Barbalha de Santo Antônio, onde exerceu sua profissão até o final da sua longa vida. Naquela cidade casou-se com Maria Elbe de Sá Barreto Callou, com quem teve oito filhos. Marchet foi, paralelamente ao exercício de odontólogo, um bom professor de história e geografia; era reconhecido como historiador e poeta. Foi membro de várias associações literárias, dentre elas o Instituto Cultural do Vale Caririense e a Academia Cearense de Odontologia. Participou de vários movimentos sociais em prol da melhoria do Cariri cearense.

      Algumas particularidades de Marchet: ele chegou a Barbalha em 1937, mesmo ano do nascimento de sua esposa, Maria Elbe. Casou-se com ela depois de ter completado 50 anos de idade. Até no físico Marchet era um nobre! Alvo, louro de olhos azuis, detinha sempre uma postura serena. Seus gestos eram lhanos, e a bondade transparecia no seu rosto. Tornou-se um defensor da restauração da monarquia, no Brasil, ainda na juventude, quando estudava em Recife. Foi o mais autêntico monarquista do Cariri! E se ufanava das suas convicções ideológicas, sem nunca ter se atritado com ninguém por causa delas.

      Era intelectual de mão cheia e um católico fervoroso. Seu primeiro livro de poesias (“À Sombra da Baraúna”) só veio à lume em 1987. Depois disso, publicou mais três obras poéticas.

        Muito poderíamos falar sobre as virtudes do Dr. Antônio Marchet Callou! Ele foi um defensor nato da natureza, um esposo e pai amoroso, um amigo leal, um cidadão exemplar em todos os aspectos. Doze anos depois de falecido, sua história de vida – bonita e edificante – ainda é lembrada na antiga “Terra dos Verdes Canaviais”. Naquela urbe, à entrada da cidade., existia num muro uma frase pintada que dizia: “Alto Lá senhores protestantes, Barbalha de Santo Antônio já foi evangelizada”. Há quem atribua a iniciativa dessa frase ao Dr. Marchet Callou...

27 julho 2019

Um rosto para a heroína – por José Luís Lira (*)


"Monstrengo" construído pela Prefeitura de Crato para simbolizar Dona Bárbara de Alencar. Um "aleijão" de uma "Bárbara de Alencar anã", na calçada da Coletoria Estadual, na Praça da Sé
   
    Numa conversa amena com o confrade Heitor Feitosa, do Instituto Cultural do Cariri, surgiu, por parte dele, a ideia de reconstruir facialmente a heroína Bárbara de Alencar. Penso que alguns leitores podem estar a indagar-se sobre quem é esta mulher. Nascida em 1760, dona Bárbara participou ativamente dos movimentos libertários naquele Brasil colonial. Seus filhos Senador Alencar, Tristão Gonçalves e Pe. Carlos, os dois últimos mortos durante a Confederação do Equador (1824), já no Brasil imperial. Historicamente, Bárbara de Alencar foi a primeira presa política do Brasil. Consta que ela esteve presa no Forte de Nossa Senhora da Assunção, em Fortaleza. Da capital do Ceará ela foi levada a Recife e Bahia, onde teria sido perdoada das acusações que levaram-na à prisão. De retorno ao Ceará, ela passa a residir em Crato e dali, em 1831, parte para Santana do Cariri e, posteriormente, a Fronteiras, no Piauí, onde ela veio a falecer e recebeu sepultura (1832).

    Em termos de literatura, Bárbara de Alencar é a avó do escritor José de Alencar e quinta avó de Rachel de Queiroz, como a própria escritora afirma em crônica.
A reconstrução facial é uma técnica que possibilita, a partir de dados contidos no próprio crânio da pessoa, que cientificamente se faça uma aproximação do que foi a imagem da pessoa a quem pertenceu o crânio. Cícero Moraes, designer 3D, é expert na matéria. Com ele já trabalhei em outras reconstruções e lhe propus então fazer a de Dona Bárbara. Uma das figuras mais importantes do Ceará, avó do “pai” de Iracema, logo tão importante quanto.

     Conforme protocolos que cumprimos, vimos que há muitos anos os restos de Bárbara foram levados de sua sepultura primitiva à Capela de Itaguá, distrito de Campos Sales. Então, informamos ao presidente do ICC, Heitor Feitosa, da necessidade de autorização por parte do Bispo da Diocese, a considerar o tempo da sepultura. Fomos então à Cidade de Campos Sales, recebidos na Câmara Municipal e no Seminário Paroquial, onde mostramos as intenções pretendidas. Contudo, deixamos a visita a Itaguá para outra ocasião.

     O cuidado do Instituto Cultural do Cariri em querer fazer conhecida a face da heroína Bárbara de Alencar, é dos mais justos. Por quê? Porque naquela época não havia fotografia. Nem sequer uma pintura contemporânea existe. Daí nosso interesse e da Comunidade desta dita Terra Bárbara, quem sabe em homenagem a ela. A verificação visando reconhecer os restos mortais de Dona Bárbara não pode ser feita. Assim, a imagem da heroína ficará guardada no tempo e no espaço, esperando um momento para, quem sabe, ser revelada, se seu crânio apresentar condições. Além das razões apresentadas é, também, uma forma de reverenciar a querida e amada Rachel de Queiroz que uma vez visitou o Forte, em Fortaleza, onde a heroína teria ficado e disso fez crônica, como agora o fazemos com essa “expedição”. Ademais, aproveitarei para cumprir o restante da agenda no Cariri, onde visitarei os locais do Pe. Cícero, antes de retornar às atividades do dia-a-dia.

E concluo com a expressão do tema de abertura dos vídeos da Coleção Os Cearenses, da TV O Povo, “Bárbara olha esse chão como é seco o sertão...” do Ceará tão amado!

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.