04 setembro 2018

Uma imagem simbólica -- por José Carlos Sepúlveda


(Foto: Uanderson Fernandes, Agência O Globo)
Como eximir de responsabilidade de tão grande tragédia os homens públicos que em seus imensos desmandos pilharam o Estado, prostituíram suas instituições, aviltaram nossa História, desonraram nossos heróis, vilipendiaram nossa cultura, contaminaram nossas escolas e universidades com as doutrinas pútridas que subvertem a ordem pública, as instituições jurídicas, os valores culturais e familiares?

    A figura de Dom Pedro II - o último Imperador, escorraçado do Brasil pelos republicanos, na calada da noite, com a Família Imperial - parece assistir impávida e de costas ao teatro macabro do incêndio que devorou o Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

    Ali, na Quinta do Boa Vista, a 2 de Setembro de 1822, a Imperatriz D. Leopoldina, então Regente, assinou o decreto de independência do Brasil.

   Também num 2 de Setembro, precisamente 196 anos depois, um incêndio de causas desconhecidas, devorou a residência da Família Imperial, onde viveram D. Pedro I e D. Leopoldina, onde nasceram a futura Rainha de Portugal, D. Maria II e o futuro imperador do Brasil, D. Pedro II, que ali foi educado e viveu; onde nasceu também a Princesa Isabel, a Redentora.

    Testemunha incomparável da História, o Paço de São Cristóvão abrigava um acervo histórico, cultural e científico incalculável, que as labaredas em sua sanha devoradora não pouparam. Objetos de arte e da Antiguidade doados pela Família Imperial, coleção de mineralogia, peças etnográficas e um acervo bibliográfico, com obras raras, mapas, livros, periódicos, etc., a História do Brasil foi queimada nas chamas da incúria.

    Como eximir de responsabilidade de tão grande tragédia os homens públicos que em seus imensos desmandos pilharam o Estado, prostituíram suas instituições, aviltaram nossa História, desonraram nossos heróis, vilipendiaram nossa cultura, contaminaram nossas escolas e universidades com as doutrinas pútridas que subvertem a ordem pública, as instituições jurídicas, os valores culturais e familiares?

   A dor, a indignação e a firme determinação de não permitir que estes desmandos prossigam, marcam hoje uma infinidade de corações verdadeiramente brasileiros.

    A imagem da figura digna e impávida do último Imperador do Brasil - um Monarca que tão bem soube encarnar a brasilidade, que deu sequência à grandiosa obra de formação de uma nacionalidade erigida sob a ação benéfica da Cruz - parece ser a consciência histórica do Brasil a censurar os descaminhos de vergonha e destruição a que os homens públicos de hoje conduziram o País. O Palácio de São Cristóvão arde e o Brasil arde com ele.

    A Terra de Santa Cruz merece, por certo, um futuro que reate com sua verdadeira história.


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