15 agosto 2018

Temas - Por: Emerson Monteiro


Escrever pede o nome desde os começos, os temas. Eles mexem dentro do viveiro da inspiração indo minerar assuntos que preencham o motivo do texto. Devem atender ao momento de quem escreve no fim de tocar o gosto da ocasião, nos caprichos imaginários que vagam soltos pelas palavras e desenvolvem o sentido das frases nas metas da escrita. A busca dessa inspiração deixa fluir o pensamento, caçador das razões das letras, apresentando lugares do que dizer qual cicerone de significados ocasionais. Nisso, nessa hora de escolher o vilão, há tal parecença com quem compra numa feira livre em que eles quase viram objetos das escolhas no presumir a quem eleger, bem senhores de si.

Houvesse sempre uma boa história a contar, satisfaria desenvolvê-la por demais e restaria agradecido quem de longe procurava demasiado, pois a forma nasce lado a lado com o enredo de eleição. No entanto só de raro acontece tamanha naturalidade, a não ser num raro golpe de sorte. Às vezes um sonho, uma episódio cotidiano, uma pagina solta em algum livro; ocasionalmente, pois. Daí parecer que as musas nos auxiliam apenas quando estão de bom grado, simpáticas. E vivamos nós. 


Contudo a fúria do escrevinhador precisa acalmar, quer haja ou não tema, espécie de cápsula salvadora dos maníacos na crise das abstinências. Prudentes, saem a caminho à busca das flores que mereçam falas e ouvidos. Passo a passo, nada justificaria desistência diante do desejo extremo de produzir. Dalgum lugar do juízo virá o pro mode da canção literária. Sede cáustica de visões, profetas de si mesmos, vagabundos da solidão impaciente, lá seguem pelas esquinas vazias das noites estreladas.


Por isso os temas ser-se-ão importantes a quem deseja quebrar o silêncio do isolamento e levar distante o rochedo de Sísifo morro acima, obstinado, ainda que saiba vir abaixo e de novo continuar a missão tanto eterna quanto vida.


(Ilustração: Wassily Kandinsky).

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