21 agosto 2018

Esfinges - Por: Emerson Monteiro


Nesta hora há esfinges cinzentas espalhadas nas ruas da cidade. A toda esquina uma esfinge lê nos homens os princípios feitos de enormes interrogações a sua maioria, quais a mim que ainda o sou das dobras de todas as fronteiras e gravetos deste mundo. Esfinges por vezes agressivas, autoritárias, semelhança das ocorrências do mais recente dos dias. Isso agora dói em muitos, porquanto vagam pelas ruas esses animais de pedra em antigas dores que, nessas ocorrências inevitáveis, avançam por dentro das pessoas a andar frágeis nas ruas, afeitas aos humanos compromissos. Perante o astral desses dias, ali, porém, apenas um rubor nas faces do tempo bem defronte da igreja e dos paramentos que ilustram a praça. Em tudo, fortes marcas e a sensação de ausência que se seguiu depois do mistério dos acontecimentos, uma amargura de contradições dos que desaparecem e deixam consigo saudades e lembranças que ficaram lá atrás.

Inútil indagar aos que veem soltas nas ruas as esfinges alucinadas a que vieram. Selvagens, elas cumprem papel de milênios e das gerações que sucedem, querendo ardentemente dizer aos viajantes a resposta do enigma de viver e penetrar o reino da Eternidade, entretanto, nessa missão exclusiva, não sabem deixar passar quem vinha, porém que não soubessem responder na hora e na ponta da língua. Enquanto tal, ardem de dor os sentimentos, as almas e os santos, testemunhas do que houve na praça sob o véu sombrio da morte e das tragédias. Pedidos fervorosos de amor persistem na face da existência dos que andam pelas largas avenidas. Por que assim? A que, assim?

Ninguém de sã consciência dormiria naquela noite sem ouvir distantes gritos e os gemidos da sobrevivência no movimento dos corações. Espécie de penitência clamava união de todos em vigília e prece. No meio das pedras desse deserto como que de carne mãos pediam misericórdia a todos os céus e aos monumentos que vagam agressivos pelas cidades.

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