26 agosto 2018

As oportunidades - Por: Emerson Monteiro


Nada melhor do que, em meio de tarde de domingo calmo, ensolarado, tipo este, e tratar desse tema, das quantas vezes nos aforam na existência formas de vida que esvaem desde sempre, por fração de segundos; e nem disso a gente se dá conta. Delas, das chances de parar e ver lá dentro a santidade dos sentimentos que vêm e envolvem, e vão pelas páginas do mistério depois de atravessar os viventes. Das promessas que bem poderiam ser e as esquecemos de reverter em felicidade aqui nesse instante do presente, no meio das horas que somem pela brisa suave entre as árvores; os bichos que caminham a pisar as folhas secas; alguns pássaros solitários a gorjear baixinho sem querer quebrar o silêncio dessas ocasiões mágicas, grandiosas. São saudades vadias, nacos de tempos largados fora que os deixamos, apreensivos em querer justificar dalgum modo aquele gosto de viver sem aproveitar com sabedoria a leveza das pessoas, dos planos, sonhos, ideias, realizações; todos virados em saudades contundentes no âmago do coração e das horas.

Entretanto aquilo tudo parece que se foi nas despedidas que deixávamos escorrer dias a fora, nos saltos apressados, nos passos seguintes, indiferentes quais de fugitivos da própria sombra. Foram muitas as doces visões de ser possível mudar o mundo, transformar problemas em soluções e fáceis conquistas, contudo enorme fastio ora deixa a sós, abandonados no calor de apegos vãos e egoísmos estridentes, sobejos de vitórias e ilusões, pequenos que fomos nós, aprendizes inexperientes, e desse modo perderíamos boas prendas e nelas os bons parceiros dessas vilas abandonadas antigamente.

Nem pensar naquelas virtudes reviradas em meros interesses, nas companhias maravilhosas que andaram conosco nas trilhas dos céus abençoados, espécimes raras de jamais perdê-las, porém de quem nunca mais saberíamos o paradeiro. Que fizemos de mim de tanto amor, tantas alegrias, instrumentos que fomos das infinitas produções genais, apenas figurantes de peças inexistentes, filmes inacabados e inspirados autores? Bom isso, de poder imaginar que ainda agora somos essas oportunidades únicas do amplo sentido de acalmar os ânimos e dotar a história de paz e consciência. É este, pois, o portal dos infinitos libertos que somos nós vidas adiante.

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