13 março 2018

De ser um lugar só - Por: Emerson Monteiro

Dessa contingência dos mundos, de andar aqui, ficar aqui aonde for e nunca sair do mesmo lugar. Olhar distante, no entanto aqui permanecer de olhos colados na distância impossível de ir e só aqui permanecer. Sair e regressar sem sair, sem regressar. Esse eu imortal e só vagando solto no mar das tormentas humanas. Doce às vezes, amargo, talvez, noutras, mar de no entantos. Tais desta, a natureza dos objetos, dos animais, dos universos. Marcas indeléveis de pródigas torturas e lentas felicidades em forma das nuvens que passam no horizonte azul.

Lá longe, contudo, em que as dores ferem e matam, na Síria, no Afeganistão, em Uganda, ali está o coração da humanidade inteira, uma só criatura espalhada pelas folhas soltas do tempo. Há clamor de justiça e paz, enquanto o mundo segue sua forma de preencher as páginas da história. Mexe por dentro do corpo das criaturas ausentes no lá longe vontade intensa de apenas preencher as páginas da história sem que tivessem de entregar corpos e vidas diante das aventuras dos grupos em luta. Outros assim iguais na esperança erguem aos céus o desejo das horas de pensar e ser que nunca pedissem partes de si, dos amores, da família, do lar, do trabalho e da beleza, nos sóis da Natureza mãe.

Quantos e tantos que pedem ao menos fugir de ser naqueles lugares em guerra, Enquanto isso, bem aqui ferem de angústia o não saber resolver os dramas humanos criados pelos próprios seres que disso alimentam e se alimentam, de ser um lugar só, em um só lugar. Clamores de justiça, harmonia e respeito, fatores mínimos que alimentam o instinto de preservar a existência do mistério que somos todos neste mar de possibilidades. Amor o que virá nos dias e trará véus de luz aos planos em andamento neste lugar de todos e oficina dos amores justos.

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